Humberto
Junto à tí conheci o Éden
Depois, adentrei ao inferno da solidão
insensível destino
Concede-me o sublime prazer de sentir teu sabor
Em seguida, priva-me de sequer visar-te
Mesmo a certeza, de que
Novamente estarás aninhada em meus braços
Que nossos lábios se unirão em infindáveis beijos
Que nossos corpos compartilharão sensuais carícias...
Mesmo esta convicção
Não minora o penar que tua ausência me inflige!
Quando ao telefone, soa tua voz
Torna-me palpável a cruel distância
Que te separa de mim!
Então, só me resta
Fechar aos olhos e imaginar...
Estar junto à tí, com minha cabeça repousada em teu colo
Sentindo o ameno movimento de tua respiração
O intenso calor de tua pele...
Meu sonho
Minha realidade!
Humberto
(IIº versão)
Diante de mim
A encantadora face de Vênus
Tão próxima, e, simultâneamente, tão distante
Dos desejos que me dilaceram a alma!
Sua aveludada tez...
Seu radiante viço...
Suave pulsar de vida!
Vida!
Cujo sentido, se encerra em
Amar-te!
Presentir teu calor, congela-me o sangue
Imaginar meus lábios, roçando aos teus
Consome-me em chamas!
Qual o sol, que aproxima-se mansamente
Tentando juntar-se à lua...
Estendo ao máximo os braços, as mãos, os dedos...
Porém, me é impossível conter-te!
Diáfana deusa!
Resta - me sorver ao extasiante olor com o qual meus dedos se impregnaram
Doses de felicidade com as quais me presenteias!
Inebriado
Aquí permaneço!
Próximo à tí
Sentindo a intensa volúpia
Que teu corpo emana
Seguindo-te neste lúbrico folguedo!
Permites que me acerque o suficiente
Para que sinta na ponta dos dedos
Os pêlos de teu corpo, macios, eriçados
Teu fogo interno, irradiado por toda tua pele
Revigorando em mim a paixão!
E...
Aquí permaneço
Intentando
Dia após dia...
Alcançar a face da deusa!
Humberto
(II versão)
Em um espelho
Há mais do que o simples reflexo
Mais do que mera contemplação narcisista!
Em um espelho
Há as cicatrizes vívidas de decepções
Mas, há o brilho de sorrisos recebidos!
Em um espelho
Há as marcas das feridas mal cicatrizadas
E, há também, alegrias compartilhadas!
Em um espelho
Há diversos "eu", que foram ( Também os que nunca chegaram à ser)
Há o que é ( também o que não é)
Há os que serão! ( também os que nunca haverão)
Em um espelho
Estou eu...
E todas as pessoas que tocaram minh'alma!
Humberto
(IIº versão)
Em tuas veias corre mel
Teus lábios, são manjares
Teus seios, doces como as maçãs-do-amor
Tua pele, rescende ao mais inebriante bálsamo!
Infinitos sabores
Variadas texturas!
Eu...
Caníbal
Devoro-te!
Humberto
(IIº versão)
Agora!
Depois que te foste
No negro abismo que restou!
Ressurge tua face
Tua alva tez
Teus lábios, de vivo tom carmesim
Dos quais pende
Minúscula gota
De rubro sangue!
Derradeiro vestígio
Daquilo que foi minha vida!
Do meu ser
Restou somente
Esta oca carapaça!
Marionete manipulada
Por acaso
Pelo acaso!
Humberto
(IIº Versão)
Ao escolher um vinho para uma ceia
Escolhe-se algum que combine com o que será servido!
Ao escolher um sapato, uma mulher, considera a bolsa que irá usar!
Um homem deve escolher uma gravata, que combine com sua camisa...
Porém, ao acolher um amor
Deve-se acolher aquele, que
Apesar de divergente no pensar
De, diferente no ser!
Ao estarmos juntos
Nos torna completos!
Coisas, objetos
Podem combinar...
Amores, amantes
Devem complementarem-se!
A História e a Mitologia
Nos mostram que
Somente Narciso
Atingiu o "àpice"
Apaixonando-se
Por seu próprio reflexo!
Humberto
(IIº Versão)
Carne afaga carne
Carne maltrata carne!
Carne beija carne
Carne morde carne!
Carne ama carne
Carne odeia carne
Carne engole carne
Carne vomita carne!
Carne atraí carne
Carne traí carne!
Humberto
(IIversão)
Eu sofria por amar
Encontrou-me uma anja!
Secou minhas lágrimas
Fez cicatrizar minhas feridas!
E, depois de me fazer sorrir
Falou-me, desconhecer o que é o amor!
Minha doce anja!
Como não sabeis o que é o amor?!!
Se, ele é a tua própria essência....
Humberto
(IIºversão)
Melâncolia!
Resquício de um passado
No qual
Conjugávamos o futuro
Na primeira pessoa do plural
Hoje
Resta conjugar
Solidão
Na primeira do singular
(IIº versão)
Noite insone...
Desejo de descrever o amor...
Pouso sobre a alva folha, a caneta...
Assoma-me à lembrança
Camões e Poetas de igual valor
O que haveria eu de acrescentar???
Repouso sobre a alva folha, a caneta...
Escrevo teu nome
Aguardo por tí!
Convido-te à compartilhar do amor
Contido no silêncio das palavras
Não escritas!
(IIºversão)
Humberto
Amanhã
Acordarei sem teu sorriso
Não ouvirei a tua voz
Minha pele não estará impregnada com teu olor!
Amanhã
Sentirei falta de teu calor
Minhas mãos, não mais acolherão as tuas
Teu rosto, será uma lembrança querida!
Hoje
Por tua presença, minh'alma reclama sofrida!
(IIºversão)
Após acariciar teus cabelos
As mais finas sedas, me parecem àsperas
Ríspida se tornou a tez dos pêssegos
Depois que afaguei tua pele
Após sorver teu olor
Desnecessárias são as essências orientais
De que me vale experimentar manjares
Se a fonte de todas as doçuras, são teus lábios
Se, há beleza nas pérolas-negras...
Certamente, não se iguala ao brilho dos teus olhos!
(IIºversão)
Em minha língua
Sentí o sabor da tua carne!
Sentí o calor da tua carne
Sentí a rígidez da tua carne
Sentí a maciez da tua carne!
Na ponta de minha língua
Aparei o doce-amaro néctar
Das entranhas da tua carne!
(IIºversão)
E. se amanhã, eu não mais amar?
Como respirar?
Sobre o que pensar?
Com o que sonhar?
E, se amanhã, eu não mais amar?
Para que acordar?
Sair, para passear
Sequer almoçar ou jantar
Que sentido terá?
E, se amanhã, eu não mais amar?
Por quem irei esperar?
Satisfeito, por ao lado estar
Simplesmente, para escutar ou olhar!
Se, amanhã, eu não mais te amar??
(IIº versão)
Não mais sentir
Já não te amo!
Já não te odeio!
Eis-me
O fruto que obraste
Com refinado esmero!
Aquele que, ao ofertar-te o coração
Transmutasse-o em granito!
Eis forjado
Aquele que
não sente
Não odeia
Não ama
Não se importa!
(IIº versão)
Escoaram-se os sonhos
As alegrias
As esperanças!
Foi-me impossível retê-los
Lentamente, escorreram por entre meus dedos
Enquanto
Aguardava pelo amanhã!
De amanhã em amanhã
A vida consumiu-se
E, minh'alma secou...
(IIº versão)
Fui o mar...
Fui a garrafa à ele lançada...
Fui a mensagem, nela contida!
Porém...
Estavas demasiadamente entretida
Em venais passatempos
E não me recolhesse
Sequer em minha direção
estendes-te tua mão!
E novamente
O ciclo das marés
Afastou-me de tí!
(IIº versão)
Mulher, tua alma é como um rio
Serena e ao mesmo tempo impetuosa
Pode-se afogar-se em sua correnteza
Pode-se lavar nela nossas impurezas.
Se irada, devasta à tudo em teu alcance
Se, calma, nos alimenta e sacia à todas as sedes!
Tua essência, pode-se compreender
Mas, jamais decifrar!
A única forma de dominá-la
É abandonar a pretensão de contê-la!
Alma guerreira
Teu fruto destroe impérios!
Geradora da vida
Teu fruto ergue impérios!
Por tí , bárbaros choraram tal pueris infantes!
Por tí, santos pecaram!
A ciência desvendou cada átimo do ser humano
Mas, só tú és capaz de dar-nos à vida!
Por não compreender-te
Atrocidades foram cometidas!
Buscando compreender-te
Legaram-nos, os poetas, os mais admiráveis escritos!
Pequeno botão rosáceo
De tez pálida
Preste à aflorar
A doçura desenha-se em teu semblante!
Sua boca
Delicado desenho
Lábios de traços marcados
Por suaves linhas
Porém, forte, segura!
Densa e negra cabeleira
Profunda
Tal e qual o noturno céu
Ausente de estrelas e luar
Forrado com o mais macio veludo negro
Finos fios de seda, que deslizam
Por entre meus dedos!
Surgiste em minha vida, e
Tuas palavras me alegraram
Tua presença, trouxe-me à luz!
Tua terna mão
Sobre a minha repousada
Enquanto meus olhos encontram nos teus
Toda a compreensão
Saciedade
Reciprocidade
Aos quais anseio!
Adormeço ao som de teu coração
Onírica melodia...
Já não mais desejo o despertar!
Anseio, por, jamais deixar de sentir
Tua pele
Em contato com a minha
Teu olhar
Dissipando-me toda a angustia
Teu sorriso
Encantando-me
Seu existir
Me tornando plenamente feliz!
(II versão)
Cativar
É tua forma de agir
Quando certo, sei que estarás ao meu lado
Contra o mundo, se necessário for
Se errado, serás aquela que me mostrará aonde errei
Se, me adentro às trevas da melâncolia
Teu sorriso brilhará
Mostrando-me o caminho da alegria
Quando meu coração está ferido
Tuas palavras, têm o poder de sará-lo
Se o medo me paraliza
Tua força e coragem, ajudam-me a seguir adiante
Mesmo que, tudo pareça em desordem
Que a solidão, tome ares de onipotente
Sempre haverá teu nome a ser clamado em meu auxílio
Teu nome...Amiga!
És minha "droga"
Se não te tenho
Caio em crise de abstinência
Não consigo me concentrar
Ou em outra coisa pensar
Exceto
Em te ter
Para que esta dor em meu peito, passe...
Preciso, das doses de teu sorriso
Preciso aspirar ao teu olor
Necessito, que, injetes em mim, teu olhar...
Anseio por uma overdose de tí!
"-Declamas à mim teu amor?
Por assim agires
Não terás de mim
Sequer aquilo
Ao qual aqueles
Que me desprezam
Rejeitaram!
À tí
Não dispensarei
Nem mesmo
A hipócrita piedade
Que me dedicam
Aqueles pelos quais rastejo!"
(A*T*P*M)
A trinta e oito, trinta e nove, quarenta graus
Ferve os órgãos
Febril luta orgânica
Lábios ressecados, árida língua
Chumbo nos pulmões
Lava escorrendo nas veias e artérias
O corpo luta tentando expulsar o mortal vírus...
Minh'alma!
Porque resistir?
Porque não antecipar o fatal destino?
Há limite para a dor?
Humilhação incessante
Recaídas constantes
Certezas vacilantes
Verdades mutantes
Agonia dilacerante
Angustia cortante!
Nas chagas abertas
Pululantes vermes
Devoram mais que a alma
Aniquilam o equilíbrio!
A platéia ansiosa
À espera do primeiro fraquejo
Ao primeiro sinal de fadiga
Pronta, para em uníssono urrar!
Vejam!!
Este ser, não pertence à nossa estirpe
Não possui nossa força
Deixa-se arrastar pelas adversidades
Fraqueja ao deparar-se com contrapontos
Tem sentimentos!
Não há erro em buscar ser feliz!
Não há pecado em gozar a vida!
Porque mutilarmo-nos em benefício de terceiros?
Que muitas vezes, só nos dedicam, indiferença e desprezo!
Isto, jamais pode ser confundido com amor!
Não é secando aos sentimentos, em prol de outrem
Que estaremos afirmando nosso poder de amar!
Será a vida, somente um peso, uma cruz à qual estamos atados...
Espiando, em busca da redenção póstuma?
Ao avaliarmos nossa existência, o que terá nos sobrado?
Somente felicidades que proporcionamos e dificuldades que enfrentamos?
Não há amor unilateral...
Não há amor na solidão...
Para que floresça e evolua, o amor, deve ser compartilhado...
Do contrário, se transmutará em, angústia e dor!
É necessário aceitar ao amor que nos é oferecido com sinceridade e deixar que a alma reflita este sentimento ao ser amado...
Somente assim, poderemos afirmar:
"Amo e sou amado!
