Coleção pessoal de adrianovox

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⁠Com isso, descobre-se que
O nosso maior medo é recomeçar,
Mas que não vale a pena se perder,
Pois em meio a esta sórdida embriaguez,
O que importa é amanhecer.
Deixa amanhecer...
Há mil motivos para viver.

⁠És bela sim, por natureza,
Esbelta aos olhos do luar,
Onde se afloram canções inigualáveis
De silêncio.

⁠Não há um pensamento sequer
Para dizer o indizível
Existente.
O cantar do galo
Quebra instantaneamente
O exprimível
No poema.

⁠No meu quarto,
À noite, a inspiração se mostra
Evasiva pelas letras que elaboram
O luto do poema.

⁠Escrevo espantado
E com o tempo
De sobra
Quando algo
Incomoda

O inexprimível
Em fala.

⁠Eu sou o poeta
Que não escreve
Poemas ou poesias
Quando quer
Ou é solicitado

⁠Poesia é assim,
Nasce porque tem que nascer:
Inspirada, espantada, revoltada,
Questiona nosso prazer
Absoluto,

O nosso redor oculto,
Onde não existe, infelizmente,
A poesia,

Quem dera se existisse
A escutaria,

E punha-me a contemplá-la.

⁠Não existe poesia,
Quem me dera,
No mundo contemporâneo:
Neste mundo de sofreguidão,
Sem ânimo.

⁠Mas ainda lembro,
Atônito,
Que os ouvia conversando
Sobre ter adiantado um vale
Para pagar o mercado
Da mulher e filha,
Sobre ser feliz e
Brindar cada dia
Os amigos...
E era disso que eu queria
Ter tecido minha poesia,
Que se foi
E não volta mais,
Pois cada momento é
Único.

⁠O poeta esconde de si
A sua condição,
Mas admite seus anseios
E acredita no mundo literário.

O que torna a face oculta
Do poeta
É a sua condição de não
Saber o que se é.⁠

⁠Minha poesia é o
Meu mundo.
O mundo é injusto.
Por isso, digo:

Acabou-se a inspiração.
Meus melhores poemas
Estão de castigo.
Distantes.

⁠Alguém,
Alguém de muito longe,
Sacana,
Roubou minha poesia.
E me deixou assim,
Enfastiado.

⁠Da poesia ecoa-se toda esperança
Do eco ainda não difundido ou interpretado,
Da mais intensa inspiração perdida
Nas pautas da vida ou nos traços do fado.

⁠A poesia soa como delicadeza,
Aberta ao mundo das letras vigentes,
Como pura magia do sorriso de criança
Ou da mais sublime estrela cadente.

⁠E se não fosse fatal
Não seria palavra,
E se tampouco real,
Não existiria declaração de amor.

⁠A palavra é temática da vida,
Dos temas quase impercebíveis.
Ora expressada, ora escondida,
Às vezes suave, às vezes fatal.

⁠⁠Por que ler ‘Em alguma parte alguma’
Se existe alegoria, ideologia e fantasia?
É que é apenas Gullar,
E sua magnífica poesia.

⁠O poeta é uma caneta,
Uma caneta no papel,
Observa, reflete e constrói versos:
Modula a vida, modula o céu.

⁠Uma poesia
Nada seria na escuridão se
Sensível não tocasse um coração
Nem arrepiasse a pele da humanidade.