Soneto

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Soneto da Mulher ao Sol

Uma mulher ao sol - eis todo o meu desejo
Vinda do sal do mar, nua, os braços em cruz
A flor dos lábios entreaberta para o beijo
A pele a fulgurar todo o pólen da luz.

Uma linda mulher com os seios em repouso
Nua e quente de sol - eis tudo o que eu preciso
O ventre terso, o pêlo umido, e um sorriso
À flor dos lábios entreabertos para o gozo.

Uma mulher ao sol sobre quem me debruce
Em quem beba e a quem morda, com quem me lamente
E que ao se submeter se enfureça e soluce

E tente me expelir, e ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir...

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes

Vinícius de Moraes
Soneto de Intimidade

Nas tardes da fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me oham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguido de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

Vinícius de Moraes

Soneto – Primeiro Ato Descoberto (keidylee.blogspot.com)

Lembro-me de ti! Nossos braços enlaçados
Invadiu-nos um barulho silente
Uma chama eloqüente
Meu peito não mais isolado.

Peito agora esbroado
E, caminho calmamente
Pensando no que fiz de indecente
Para não mais cometer esse doce pecado.

Continuo buscando o insensato
Lembrando-me do calor do teu abraço
O que fizemos no nosso primeiro ato.

Gentil é meu pranto sozinho
Rompeu-se mesmo sendo duro como aço
Em mim cravado está o teu carinho.

Keidy Lee Jones

MUSA

Que seja minha musa essa mulher
Que sonho sempre linda e prestimosa
Que de dia me xinga e à noite goza
Essa mulher que qualquer homem quer.

Que seja pro que der e o que vier
Que seja recatada e escandalosa
Que rescenda mais a alho do que a rosa
Que seja menos musa e mais mulher.

Que seja a mais sublime criatura
Que vejo em qualquer rua de Londrina
Mas que resida lá na Conchinchina

Que ela seja uma dama... sem frescuras
Que ela soe como um verso e uma piada
E que nunca, jamais, seja encontrada.

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

Soneto do Desempregado

Em que merda eu estou, meu amor,
Pra te pagar uma coca-cola
Quase tenho que pedir esmola,
E olhe que eu tenho o curso superior!

Procuro trampo seja do que for:
Seja de coveiro, de pegador de bola,
Seja de desentortador de mola,
De puxa-saco ou gigolô...

Aceito qualquer coisa, amada,
Aceito ser vendedor de enciclopédia,
Damo-de-companhia ou quebrador de pedra,

Aceito ser cobaia, limpador de privada,
Degustador de café, caninha,
Experimentador de camisinha...

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

SONETO DA FANTASIA
(Luiz Islo Nantes Teixeira)

Quando o escuro da noite cobre os teus passos
Tu segues sem embaracos pela noite vazia
Buscando a esperanca de uma alegria
Buscando prazeres de estranhos abracos

Segue as fantasias de um amor grande
Tentando mostrar alegria nos olhos tristonhos
Talvez procures os rastros de teus sonhos
Que tu perdestes nao sabes onde

E assim tu segues uma sombra invisivel
Desejando ser feliz na tua vida
Uma vida que ja foi linda e invejada

E assim tu desejas este sonho impossivel
Aumentando as magoas de tua alma ferida
Se iludindo em cada madrugada

© 2006 Globrazil Inc/Islo Nantes Music(ASCAP)
Emails: globrazil@verizon.net or globrazil@hotmail.com
Cell(914)776-4867 - New York - USA

Luiz Islo Nantes Teixeira

Soneto – O Casamento (Leia mais em keidylee.blogspot.com)

Quem chegara nesse instante?
Acabara de vez com a tempestade
Ouça meu peito delirante
Que erma toda a saudade.

Beija-me a boca palpitante
Acabe de vez com a ansiedade
Entrara meu amor, avante!
Saíra minha promiscuidade.

Parar de almejar
Você até em consciência
É beber um gole de absinto.

Meu corpo se põe a acabrunhar
Se deixo de lado a insistência
Nosso amor és todo o infinito.

Keidy Lee Jones

microsoneto

a
cor
da
dor

pra
pôr
na
flor

que é
bela
ela

se é
rosa
goza

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

A BOMBA DA PAZ

a
pomba-
bomba


ar-
romba
zomba


em
ti
bem

que a
vi

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

Sonetinho

ela
é
tão
bela

que
revejo-a
e
beijo-a

em
toda
e

qualquer
porta
janela

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

Soneto ao Casamento

casamento
amada
é
um

banquete
que
começa
num

fino
restaurante
e

termina
na
privada

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR

Soneto da perdida esperança

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Cartas Marcadas

A morte tem um gosto de vinho, espinho

Que bebemos pra curar outra ressaca

Da nossa vida que de repente empaca

Nessa estrada que tem mais pó do que vinho



A morte tem um gosto de amar sozinho

Degustado nas noites, feito uma faca

Que nos adoece sem remédio, maca

Que atravanca, impiedosa, nosso caminho



Tem um cheiro de efêmero nossa morte

Quando, implacável, nos mata eternamente

Naquele instante em que ri de repente



E rouba nossas cartas e nossa sorte

E nos mata de manhã, com seu punhal

Rutilante, endiabrado, celestial

João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
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