sexual

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Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.

Fernando Pessoa

Amor — pois que é palavra essencial

Amor — pois que é palavra essencial
comece esta canção e tudo a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
Reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma a expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
Fundido, dissolvido, volta à origem
Dos seres, que Platão viu contemplados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o clímax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

Carlos Drummond de Andrade

PESQUISA: MOTIVAÇÃO PARA O USO DAS DROGAS

INTRODUÇÃO
Em parceria com o COMEN-Araras realizamos uma pesquisa sobre o "Comportamento Estudantil da Cidade de Araras", visando a qualificação e quantificação do uso de drogas neste ambiente. Este levantamento foi feito de 01 a 04 de abril de 1997, com 12.053 resultados válidos, pesquisados em 04 dias - o maior resultado de pesquisa obtido neste curto espaço de tempo, que temos notícia.

A presente pesquisa visa buscar dados sobre a Motivação para o Uso das Drogas não apenas no meio estudantil e deve ser encarada como uma prévia, até que consigamos um universo pesquisado maior.
Perguntas escritas são apresentadas a usuários de drogas em processo de orientação/tratamento, em diversos pontos do Estado de São Paulo, a maior parte em cidades vizinhas a Araras.
As perguntas são apresentadas após serem ministradas palestras, com o título “Sexo Responsável”, que tem como finalidade abordar também os malefícios causados pelo uso das drogas e pelo descuido na preservação da AIDS, sem que estes dois objetivos fossem anunciados previamente.
Tal estratégia foi criada, após percebermos que os temas AIDS e drogas têm sido muito debatidos nas escolas e seja por mecanismo de auto-afirmação, seja por exaustão diante do tema, ou por não considerá-lo pertinente, os alunos passavam a participar dessas palestras com enfado, muitas vezes tumultuando o ambiente. Como o assunto sexo desperta muita curiosidade, o autor reservava, durante a explanação, um espaço curto, mas incisivo, para tratar os temas alvo, como possíveis causadores dos distúrbios da sexualidade e do relacionamento interpessoal.
A idéia da pesquisa surgiu, ao percebermos, que muitos usuários de drogas vinham, ao final da palestra, conversar conosco e por “sentirem um ambiente de não repressão”, começavam a contestar, a ratificar, ou tentar defender o uso liberalizado das drogas.
Sem impor nosso pensamento, pedimos permissão para oferecer as perguntas, que estão sendo respondidas de bom grado.

MATERIAL E MÉTODO:

Foram entrevistadas 512 pessoas de diversas cidades de São Paulo, a maioria próximas de Araras, sendo 403 (78,7%) do sexo masculino e 109 (21,3) do sexo feminino.
As idades variaram de 13 a 31 anos e a escolaridade constatada entre os entrevistados foi a partir do básico incompleto, com 308 (60,2%)alunos, o colegial, com 162 (31,6%)alunos e o superior, com 42 (8,2%)alunos.
Os dados computados foram obtidos sem indução de respostas, de alunos que afirmaram ser usuários frequentes de drogas, com uso frequente de álcool, maconha, cocaína e crack.

Também foram inquiridos outros dados:

Qual o percentual do uso das drogas, entre estes pesquisados (múltiplas respostas foram admitidas)?
Álcool (70%),
Maconha (60%),
Cocaína (30%) e
Crack (20%).

Quem o iniciou no uso das drogas?
Amigo: 286 (56%);
Comprou: 86 (17%);
Parente: 64 (12%);
Namorado(a): 51 (10%) e
Estranho: 25 (5%).

O que os levou a experimentar?
Curiosidade: 142 (28%);
Ambiente: 139 (27%);
Diversão: 134 (26%);
Tristeza 49 (10%) e <<<<<<
Tédio 48 (9%). <<<<<<

O que esperavam sentir/obter?
Mal: 84 (16%);
Alegria: 263 (51%);
Excitação sexual: 105 (21%) e <<<<<<
Paz: 60 (12%).

Perceberam alterações no desempenho sexual com as drogas?
Sim: 159 (31%); não: 353 (69%). <<<<<<

Que tipo de alterações sexuais?
Melhora: 114 (72%); <<<<<<
Piora: 45 (28%). <<<<<<

Qual droga produz melhora sexual?
Maconha: 85 (74%); ]
Álcool: 20 (18%) e ] >>>>>>114 (22,3%)
Cocaína: 09 (8%). ]

Qual droga produz piora sexual?
Crack: 39 (87%); ]
Álcool: 04 (9%); ] >>>>>> 45 (8,9%
Cocaína: 02 (4%). ]

O uso das drogas modificou sua preocupação com uso de preservativos e DST?
Não: 458 (89%) e
Sim: 54 (11%) >> (aumentava: 32 (59%); diminuía: 22 (41%)).

O uso das drogas modificava sua preocupação com a gravidez:
Não: 358 (70%);
Sim: 154 (30%) >> (aumentava: 127 (82%); diminuía: 27 (18%). <<<<<<

Como sentiam a vida após se iniciarem no uso das drogas?
Cheia de amigos: 134 (26%);
Normal: 195 (38%);
Solitária: 105 (21%);
Desesperante: 78 (15%).

CONCLUSÕES:

1 – Os indutores ao início das drogas, continuam sendo na maior parte os amigos, parentes e nesta pesquisa, o(a) namorado(a). A atitude espontânea da compra e fornecimento pelos estranhos é minoria.
2 – Os motivos declarados, que induziram ao uso da droga foram em 81% das vezes, por curiosidade, ambiente ou necessidade de uma diversão diferente, motivações comuns às atitudes dos jovens. Entretanto, em 19%, dos entrevistados, houve indução alternativa à tristeza ou ao tédio.
3 – A questão seguinte, nos mostra que 51% dos usuários se confessaram necessitados de alegria , 21% de mais excitação sexual e 60% de paz. O mais curioso é que apenas 16% temiam passar mal..
5 – 31% dos entrevistados acharam que as drogas usadas alteravam seus comportamentos sexuais, sendo que destes, 72% se sentiam mais dispostos e 28% tiveram uma piora. A droga que mais favorecia a a melhora era a maconha.
6 – 22 (4%) entrevistados se descuidavam da prevenção às DST e 27 (5%) à gravidez, sob o uso das drogas.
7 – Após iniciarem o uso das drogas, 183 (36%) entrevistados relataram uma piora no estilo de vida e 329 (64%) não se queixaram.
8 – Sabemos que os jovens têm muita relutância em admitir seus erros, problema este decorrente de uma sociedade de espelho, falsa e embusteira, em sua maioria. Mas as respostas fornecidas foram, a nosso ver, honestas em sua maioria, coincidentes com o observado em consultório. Os resultados desta pesquisa de certa forma, complementam e esclarecem alguns pontos não elucidados na pesquisa anterior.
9 – As respostas obtidas, mais espontâneas, respondidas em ambiente de confiança apontam para o acerto do método de abordagem do problema drogas e AIDS, usando-se o curso “Sexo Responsável” para inicialmente despertar interesse e depois permitir uma abordagem concisa, mas incisiva dos problemas decorrentes do uso das drogas e as conseqüências do sexo irresponsável, notadamente a AIDS e as doenças sexualmente transmissíveis.
Também apontaram para a criação do Curso de “Formação de Orientadores Sexuais”, onde estamos multiplicando nosso trabalho de ajuda e orientação, contando com professores, pessoal da área de ciências humanas, inclusive de advogados, que freqüentam nosso curso.
Queremos ressaltar que o curso facilita a estes profissionais a competência para abordar e orientar, não raro com obtenção de resultados de cura, para até 80% dos necessitados de orientação sexual.
A certeza desta afirmativa se deve ao fato de que 20% dos problemas sexuais exibidos, exigem mais que uma terapia sexológica em prosa, usando para seu tratamento substâncias restritas à área médica, como anti-depressivos, que como já salientamos em outro trabalho (Depressão) neste Recanto das Letras, não são substâncias causadoras de dependência química.
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Caso alguém queira participar, envio o questionário a seguir:

PESQUISA SOBRE COMPORTAMENTO HUMANO

A presente pesquisa tem por finalidade levantar alguns usos e costumes da população estudantil. Ela é totalmente sigilosa, não existindo nenhuma forma de identificação do entrevistado. Por isto, solicitamos que você a responda se quiser, mas se o fizer, responda-a com o máximo de sinceridade e coragem, usando letras de forma. Mesmo se não quiser responder, deposite o questionário na urna que será colocada na sua escola

1.0 – Qual a sua idade? ____ anos.
2.0 – Qual o seu sexo? ( ) Masculino ( ) Feminino.
3.0 – Qual o seu grau de escolaridade? ( ) Básico ( ) Colegial ( ) Superior.
4.0 – Já fez uso de drogas mais de uma vez? ( ) Sim ( ) Não.
5.0 – Quais? ___________________________________________________________________.
6.0 – Quem lhe forneceu droga pela primeira vez? _____________________________________________.
7.0 – O que o levou a experimentar droga pela primeira vez? ______________________________________________
______________________________________________________________________________.
8.0 – O que esperava sentir/obter, ao usar droga pela primeira vez? ______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
9.0 – Notou alguma modificação no seu desempenho sexual, durante o uso das drogas?
( ) Sim ( ) Não.
10 – Com que droga? ____________________________________________________________.
11 – De que tipo? _______________________________________________________________.
12 – Sob o uso das drogas você notou modificação na sua preocupação com o uso de preservativos e Doenças Sexualmente Transmissíveis? ( ) Não ( ) Sim: ( ) Aumentou ( ) Diminuiu.
13 – Sob o uso das drogas você notou modificação na sua preocupação com a gravidez? ( ) Não ( ) Sim: ( ) Aumentou ( ) Diminuiu.
14 – Como você passou a sentir sua vida, após o uso das drogas? ________________________

OBRIGADO PELA PARTICIPAÇÃO!


Pesquisa elaborada por
Dr. Márcio Funghi de Salles Barbosa
Médico Psiquiatra
pergunteaodoutor@drmarcioconsigo.com
Fones para contato:
(019) 541-1254 e 541-1754
Permitida a divulgação e cópia por todo o
Território Nacional, por qualquer mídia.
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www.drmarcioconsigo.com/pergunte

Marcio Funghi de Salles Barbosa

Vida em sociedade
Discordo diametralmente com toda e qualquer atitude que possa aumentar ainda mais as diferenças de: sexo, credo, etnia, raça. Não vejo mudança de comportamento por parte do sexo masculino ao ser excluído de viajar no mesmo vagão ou ônibus onde circula o sexo feminino. Sugiro à empresa que gerencia o metropolitano paulista, à secretaria de transportes, campanhas educativas, com temas de : Respeito à vida, à mulher, por assim entender que ali pode estar a sua vovó, a sua mamãe, a sua irmã, a sua filha. Acredito na educação, no respeito e em princípios que norteiam a vida em sociedade.

Fátima Bindes