Anjos

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Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
(A Hora da Estrela)

Clarice Lispector

O tempo pode apagar a lembrança de um
corpo ou de um rosto, mas nunca de
pessoas, como você, que souberam fazer
de um pequeno instante,
um grande momento!
Te amo meu anjo!

desconhecido

Ainda que eu falasse a lingua dos homens, e falasse a lingua dos anjos, sem amor, eu nada seria.

Renato Russo

Ainda somos anjos.

Quando em nossa inocência falamos em carma ou depressão
No fundo pouco sabemos sobre um ou outro. Mas acre-
ditamos que um anjo vai nos ajudar e enquanto não vem a
ajuda vamos sendo o anjo que nossos amigos esperavam.

Ainda somos anjos

Quando nosso emocional já cansado da luta pela sobrevi-
vência ainda tem forças para levar pela mão aquele
que perdeu o motivo da vida.

Ainda somos anjos

Quando aprendemos a escutar nossos corações que
muitas vezes já ferido ainda se coloca a disposição
de um novo amor.
Quando deixamos a criança dentro de nós falar
bem de leve em nosso ouvido o quanto ainda
temos de amor para dar.

Ainda somos anjos

Quando descobrimos que apesar de carregamos em
nossos corações mágoas que não sangram mas tam-
bem não cicatrizam descobrimos a beleza da
bondade e somos capazes da doçura do carinho.


Ainda somos sonho

Quando perdemos o medo do novo. Quando construímos
nossos velhos desejos colocando pedra por pedra o cas-
telo que sonhamos. E mesmo com as ferramentas já gas-
tas pelo tempo, os braços fracos ainda somos capazes
desta construção.

Ainda somos a fé

Quando agradecemos a vida, quando erguemos nossos
olhos para o eterno e sentimos em nós a presença de
DEUS

Somos anjos sim.

PELO SIMPLES DESEJO DE VIVER, DE SONHAR,
DE SE DAR, DE AMAR.


14 de outubro de 2001

Jorge Reigada

IDEALISMO [Augusto dos Anjos]

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
O amor da Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?!

Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!

Augusto dos Anjos