Verão

Encontrados 67 com a expressão verão

Lá vai o mendigo,
Céu e Terra o estão vestindo:
roupagens de verão!

Kikaku

estrada poeirenta
de verão
figueiras enfarinhadas

Rogério Martins

serpenteando
no rio de verão
rubra corrente

Seishi Yamaguchi

Preso na cascata
um instante:
o verão

Matsuo Bashô

Apenas os bastões dos peregrinos
Se movem através
Do campo de verão.

Ishu

Brilha mais ereto
o penhasco sob o sol:
ah o verão fértil.

Anibal Beça

Noite de verão,
cadeiras na calçada,
assunto: calor.

José N. Reis

como fede no verão
a bosta fresca
pisada no chão

Olívia Iceberg

As amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Alma lavada.
Cheiro de terra molhada
Chuva de verão.

Maria Angélica Shiotsuki

No inverno te proteger
no verão sair pra pescar
no outono te conhecer
primavera poder gostar
e no estio me derreter
pra na chuva dançar e andar junto!

Beto Guedes

Eu fico a me perguntar. De onde vem tanta beleza.
Tu és um irradiar de sol em um dia de verão, um brilho em noite de lua cheia.
E por mais bela que seja a beleza de tudo que há na natureza, nada compara a beleza que emana de teu coração, que enaltece a alma e faz de todos os homens que a vê, escravo do teu brilho, a vê, escravo do teu brilho.

denis

No inverno sou budista
E no verão sou nudista

Joe Gould

Amar é dejesar-te perto de mim,é beijar a tua boca e senti-la quente como sol de verão.Amar é passer, saltar,correr, rir, sofrer contigo...

ernestina ribeiro

Alma lavada.
Cheiro de terra molhada
Chuva de verão.

Maria Angélica Shiotsuki

Verão. Meio-dia
Na sombra de uma nuvem
o boi cochila

Eunice Arruda

Relvas de verão
sob as quais os guerreiros
sonham.

Matsuo Bashô

Estas lindas noites de verão deixam perfumes no ar, aqueles que ficaram gravados dentro da gente. No calor destas noites viajo no tempo, lembrando de outras noites quentes e mágicas impressas na alma....
O perfume da dama da noite se espalha no ar, desligo as luzes e vou sentar-me à janela, ouvindo esta musica ao longe... Fecho os olhos e posso sentir toda aquela energia, fico a sonhar ate que uma lágrima liberta cai no meu colo e um sorriso de saudades se esboça no meu rosto.
Sonho...essa porta dissimulada da alma, que se abre diante dos cheiros de uma noite de verão, da magia do luar, iluminando a cálida noite, traçando linhas no tempo....
Ah, essas noites quentes, estreladas e mágicas de verão...

sonia schmorantz

Sensação



Pelas tardes azuis do Verão, irei pelas
sendas,

Guarnecidas pelo trigal,
pisando a erva miúda:

Sonhador, sentirei a
frescura em meus pés.

Deixarei o vento banhar
minha cabeça nua.



Não falarei mais, não
pensarei mais:

Mas um amor infinito me
invadirá a alma.

E irei longe, bem longe,
como um boêmio,

Pela natureza, - feliz
como com uma mulher.

Rimbaud

Ao sol do verão
o sorvete se derrete.
Namoro desfeito.

Anibal Beça

Pequenas coisas

Um dia de sol,
Ir à praia no verão
Sair pra dançar
Deitar no sofá
Assistir um bom filme
Ver crianças brincando
Passear no jardim
Sentir o perfume das flores
Pisar na areia
Ver a natureza
Admirar a lua e o céu estrelado
Sorrir do nada
Contar uma piada
Rever um grande amor
Amar sempre alguém
Olhar uma paisagem e dizer
“Como Deus é grande.”

Pamela Tailine Amorim

Álvaro de Campos

A Casa Branca Nau Preta

Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se...
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro...
Não existe manhã para o meu torpor nesta hora...
Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim...
Há uma interrupção lateral na minha consciência...
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par...
Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo,
E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma...

Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver só dois...
Um quarto estado pra alma, se são três os que ela tem...
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...

As naus seguiram,
Seguiram viagem não sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das canções mortas do marinheiro de sonho...

Árvores paradas da quinta, vistas através da janela,
Árvores estranhas a mim a um ponto inconcebível à consciência de as estar vendo,
Árvores iguais todas a não serem mais que eu vê-las,
Não poder eu fazer qualquer coisa gênero haver árvores que deixasse de doer,
Não poder eu coexistir para o lado de lá com estar-vos vendo do lado de cá.
E poder levantar-me desta poltrona deixando os sonhos no chão...

Que sonhos? ... Eu não sei se sonhei ... Que naus partiram, para onde?
Tive essa impressão sem nexo porque no quadro fronteira
Naus partem — naus não, barcos, mas as naus estão em mim,
E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...

Quem pôs as formas das árvores dentro da existência das árvores?
Quem deu frondoso a arvoredos, e me deixou por verdecer?

Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele,
Sentir sem auxílio de poder para quando quiser, e o mar alto
E a última viagem, sempre para lá, das naus a subir...

Não há, substância de pensamento na matéria de alma com que penso ...
Há só janelas abertas de par em par encostadas por causa do calor que já não faz,
E o quintal cheio de luz sem luz agora ainda-agora, e eu.

Na vidraça aberta, fronteira ao ângulo com que o meu olhar a colhe
A casa branca distante onde mora... Fecho o olhar...
E os meus olhos fitos na casa branca sem a ver
São outros olhos vendo sem estar fitos nela a nau que se afasta.
E eu, parado, mole, adormecido,
Tenho o mar embalando-me e sofro...

Aos próprios palácios distantes a nau que penso não leva.
As escadas dando sobre o mar inatingível ela não alberga.
Aos jardins maravilhosos nas ilhas inexplícitas não deixa.
Tudo perde o sentido com que o abrigo em meu pórtico
E o mar entra por os meus olhos o pórtico cessando.

Caia a noite, não caia a noite, que importa a candeia
Por acender nas casas que não vejo na encosta e eu lá?

Úmida sombra nos sons do tanque noturna sem lua, as rãs rangem,
Coaxar tarde no vale, porque tudo é vale onde o som dói.

Milagre do aparecimento da Senhora das Angústias aos loucos,
Maravilha do enegrecimento do punhal tirado para os atos,
Os olhos fechados, a cabeça pendida contra a coluna certa,
E o mundo para além dos vitrais paisagem sem ruínas...

A casa branca nau preta...
Felicidade na Austrália...

Àlvaro de Campos

Sobre nós, nada precisaremos dizer...
Vivemos em uma nova era.
Eles verão,
Nós primavera!

Milena Palladino

a maudade ta no mau olhado de quem ve com maudade.
e jamais verao a beleza interior , jamais verao além do que forneçe seus dois olhos podres de preconçeitos.

joao paulo

o amor e como uma brisa de verão

renancarlospereira
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