Ua de borges carneiro
Um dia passa,passa-se um outro dia,uma página vira,vira-se uma outra página,e quando olhamos para trás percebemos que o presente virou passado,e deixamos de dizer coisas,de viver momentos,de sentir desejos,de amar e sermos amados,mas um outro dia pássa-ra,uma outra página sera virada,e uma nova vida nascerá.
Cristiano CarneiroDispersão
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.
A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.
Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... Mas recordo
A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )
E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
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Paris - maio de 1913.
Nessa busca desenfreada pelo "sucesso", o homem deixou do "Ser" e passou a desumano.
Wandréia CarneiroÉ um império
essa luz que se apaga
ou um vaga-lume?
No deserto
acontece a aurora.
Alguém o sabe.
"Eu sempre achei que o paraiso era como uma livraria"
Jorge Luis BorgesSob o alpendre
o espelho copia
somente a lua.
Acho que o escritor deve escrever para a alegria do leitor.
Jorge Luis BorgesCreio que uma forma de felicidade é a leitura.
Jorge Luis BorgesA verdade é que morremos a cada dia e nascemos a cada dia.
BorgesAqui... aqui onde eu não moro
Eu não pertenço a este lugar
Onde quem amo me sufoca,
Me sufoca de tanto esperar.
Aqui.. aqui onde o que sonho
Nada cabe mais em mim.
Vivo distante em pesadelos
Só esperando as horas do meu fim.
Aqui.. aqui onde visto-me ou dispo-me,
Onde cada minuto é dor ou despedida
Quando o vento calcula a dor
E passo a ser apenas alma sofrida.
Aqui... aqui onde presto ou não presto,
Onde cada um julga à seu ver.
Quando sempre faço verso
Dizem que é só algo mais que não posso ter.
Aqui... onde me despeço de tudo
Que eu não pude ser.
Grito, choro e esbravejo.
Assim vocês não vão me ter.
Os pecados são tudo o que eu não ousei cometer,
Tudo isso que de uma vez não se pode comer.
E se beber, beber até não poder mais.
É ter sem ter indecidindo-se
Mais a mais um pouco mais,
Além do que convém ver.
Pedaço de alma que rasgou em um arame
Que não estava quando passei.
Parei para ouvir o que dizia
O vento da noite.
era oculto e perfeito demais.
Quem irá decifrar? Eu? Você?
Ou nosotros? Oh! Os outros
Nunca correspondem ao que nos agrada
E se metem ao que não lhes pertence,
Mas quem não gosta de ser outros?
Outros em sensações, situações
Em que não se pode ser nós mesmos,
Em reações que não parecem ser nossas,
em sentimentos que não parecem
Florescer do coração humano,
Doente ao receber afeto e triste ao perdão,
Frivolo ante a futilidade,
Na irritabilidade de cada ser.
Ser simples,
Agir simples.
Prefiro que os ratos roam meu coração
A ter que suportar tal...
Medo do silêncio que não grita e não grito.
Sauspiro hoje antes que miléssimos atrás
Quando e enquanto os outros permitem.
Choraria se já não o estivesse chorando
Por que abandonar uma alma ao marasmo?
Não sabes que o vazio rapta almas?
E que o suicidio do eu seja uma solução,
Um eu que não sonha mais,
Só deita e espera a consumação do fato.
Os pecados são tudo o que eu não ousei cometer...
Nathália BorgesA velha mão
segue traçando versos
para o esquecimento.
Amor, doce flor,
Puro ecanto, em algum canto
Deste vago correr pelas veias
Ao prazer da primeira visão na noite.
Pecado, fruta doce
Desce e sobe fazendo do corpo, escravo.
Estalo de submersa alegria
Ante ao prazer, ante de sede.
Amor, eis a dor.
Arde, fere, aumenta,
Esquenta a batida do teu, meu coração.
Pecado, eis o sabor.
O calor à furtiva respiração
Em que se une o pecado ao amor.
Esta é a mão
que às vezes tocava
tua cabeleira.
Somos peças e atores de um grande espetáculo...a vida!
Eder BorgesNós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo!
Eder BorgesA vasta noite
não é agora outra coisa
se não fragrância.
