Trava lingua
Encontrados 105 com a expressão trava lingua
Ainda que eu falasse a lingua dos homens, e falasse a lingua dos anjos, sem amor, eu nada seria.
Renato Russo
A língua lambe
A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
Carlos Drummond de Andrade
A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros.
Provérbio chinês
Eu sei de que maneira pródiga a alma empresta / Juramentos à língua quando o sangue arde.
William Shakespeare
Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória.
Charles Baudelaire
A minha língua jurou, o meu coração não.
Eurípedes
Não amemos de palavras nem de língua, mas por ações e em verdade.
Textos Bíblicos
Nada é tão flexível como a língua da mulher, nada é tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, nada é mais sensível do que as suas lágrimas.
Plutarco
A única coisa que temos de respeitar, porque ela nos une, é a língua.
Franz Kafka
Escreve claro quem concebe ou imagina claro; com vigor, quem com vigor pensa, por ser a língua um vestido transparente do pensamento.
Miguel Unamuno
Se o poeta fosse casto nos seus costumes, os seus versos também o seriam. A pena é a língua da alma: como forem os conceitos que nela se conceberem, assim serão os seus escritos.
Miguel Cervantes
Sem uma língua comum não se podem concluir os negócios.
Confúcio
Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Deve elevar-se sozinha no éter.
Khalil Gibran
“A degeneração de um povo, de uma nação ou raça, começa pelo disvirtuamento da própria língua.”
Ruy Barbosa
A língua... é uma ponte que te permite atravessar com segurança de um lugar para outro.
Arnold Wesker
Fora da língua natal ninguém respira amplamente - tudo o que existe vive da existência do verbo.
Anne Noailles
Não seria a música uma língua perdida, da qual esquecemos o sentido e conservamos apenas a harmonia?
Massimo Azeglio
Nunca xingues numa língua que não conheces, pois o insulto pode ser contra ti.
Jô Soares
Uma língua afiada é a única ferramenta aguçada que melhora com o uso constante.
W. Irving
ESOPO E A LÍNGUA
Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um
conhecido chefe militar da antiga Grécia.
Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os
males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião
sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:
Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude
da Terra está à venda no mercado.
Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando?
Como podes afirmar tal coisa?
Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá
e trarei a maior virtude da Terra.
Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos
voltou carregando um pequeno embrulho.
Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua,
e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
-- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo. -- A língua é, realmente,
a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer,
aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são
divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos
poetas se tornam conhecidas de todos.
Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
-- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado,
que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
-- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização
de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei
o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos
voltava com outro pacote semelhante ao primeiro.
Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua.
Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele
surpreendente resposta:
Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua,
bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a
planos inferiores se transforma no pior dos vícios.
Através dela tecem -se as intrigas e as violências verbais.
Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas,
podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões
infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões
populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis
refutar o que digo? -- Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os
senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante,
reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo,
deu-lhe a liberdade.
Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de
fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se
espalham por todo mundo.
Esopo
A língua girava no céu da boca
A língua girava no céu da boca. Girava! Eram duas bocas, no céu único.
O sexo desprendera-se de sua fundação, errante imprimia-nos seus traços de cobre. Eu, ela, elaeu.
Os dois nos movíamos possuídos, trespassados, eleu. A posse não resultava de ação e doação, nem nos somava. Consumia-nos em piscina de aniquilamento. Soltos, fálus e vulva no espaço cristalino, vulva e fálus em fogo, em núpcia, emancipados de nós.
A custo nossos corpos, içados do gelatinoso jazigo, se restituíram à consciência. O sexo reintegrou-se. A vida repontou: a vida menor.
Extraído do livro "O amor natural", Editora Record – RJ, 1992, pág. 29.
Carlos Drummond de Andrade
Aquele que sabe muito e que não é capaz de conter a língua é como uma criança armada com uma faca.
Calímaco