Textos de william shakespeare sobre surpresas
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É Natal. Onde estão os homens vestidos de vermelho? Nas ruas? Fazendo propaganda? De quê? Da fome dos meninos sem presentes (salvo bolas, carrinhos e bonecas que os auxiliem)? Ou vendendo, de dentro da barriga gorda, uma caixa de presente saída de uma sacola imaginária? Serão os seus sorrisos natalinos? Um em dez vive o Natal, os outros nove não têm presente. É Natal! Castanhas? Figos? Presentes? Onde estariam as bombas e granadas, teriam se ocultado por um pouco, ou explodem gentes diferentes em lugares diferentes, mas sempre se esquecendo, é Natal (?) Parariam os canhões por alguns dias? E se parassem, valeria? Janeiro traria sangue outra vez. É Natal, e o seu espírito invade as ruas, mas não acho sempre a sua força, perdida entre comércio, bêbados e tolos. Quem nasceu? Papai Noel? Jesus? É Natal. Mas até quando?
William Douglas
O Homem e o Leão
Fábula de Esopo
Um homem e um leão discutiam sobre qual deles era o mais forte, e decidiram conferir ali mesmo.
O homem levou o leão até uma sepultura, onde havia uma pintura do defunto matando um leão.
O leão retrucou:
_O que você me mostrou foi pintado por um homem. Se eu soubesse pintar, retrataria um leão matando um homem. Não vamos mostrar nada, pois é melhor medirmos nossas forças um contra o outro. Depois de matar o homem, o leão disse:
_Uma prova pintada não é suficiente. Ele agora descobriu que eu era mais forte.
Moral da história:
Nem sempre é verdade o que está escrito em algum lugar; é nescessário provar a verdade com atos.
Esopo
VIDA:BELEZA SEM FIM !
Faz parte da vida as surpresas,
Faz parte da vida as incertezas,
Faz parte da vida as decepções,
Faz parte da vida o sofrimento,
Faz parte da vida concientizar-se da vida...
Faz parte da vida as decisões,
Faz parte da vida usar de boas intenções,
Faz parte da vida a perseverança...
Faz parte da vida a bonança...
Faz parte da vida as discordâncias...
Faz parte da vida o respeito ao outro.
Faz parte da vida procurar melhorar-se,
Faz parte da vida doar-se,
Faz parte da vida ser autêntico,
Faz parte da vida sentir a vida do outro,
Faz parte da vida sentir o outro na sua vida,
Faz parte da vida, a vida do outro sair da tua vida...
Faz parte da vida entristecer-se...
Só não faz parte da vida sentir tua vida sem vida, quando tua vida é uma parte da VIDA que forma esta BELEZA SEM FIM!
José Guilherme
Dominado Pelo Amor
Já houve tempo em que eu pensei que tivesse domínio sobre mim mesmo;
Houve momentos em que eu enaltecido pensei que soubesse o que fazer da vida e quando fazer;
Em alguns momentos eu me senti forte o bastante para escolher o caminho que meu coração deveria percorrer...
Hoje eu não me sinto capaz de lutar contra o meu coração que é muito mais forte que eu;
Hoje é ele quem decide o que devo fazer e quando fazer.
Perdi a capacidade de escolher o que fazer, ouço sempre a voz do coração;
Sinto-me fraco para lutar contra o meu coração;
Sou e estou dominado pelo amor que por tanto tempo evitei.
Ah, como eu perdi tempo evitando o amor!
O amor supera tudo...
O tempo, por mais severo que pareça,
A distância, por maior que seja,
A força, por mais invencível.
Sinto-me um vencedor
Sinto-me um sonhador
Sinto-me muito feliz
Hoje eu tenho tudo aquilo que inconscientemente sempre busquei.
Estou dominado pelo amor e por ele me deixo guiar.
Tony Fraga
Aqui te amo.
Nos obscuros pinheiros o vento desenlaça.
A lua fosforesce sobre as águas errantes.
Dias iguais se perseguem.
A névoa se desenha em figuras dançantes.
Uma gaivota de prata se descola do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
Às vezes amanheço, e até minha alma está húmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Este é um porto.
Aqui te amo.
Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou te amando ainda entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nestes barcos graves,
que correm pelo mar até aonde não chegam.
Já me creio esquecido como essas velhas âncoras.
São mais tristes os molhes quando a tarde atraca.
Minha vida se afadiga faminta inutilmente.
Amo o que não tenho. Tu estás tão distante.
Meu fastio faz força com os lentos crepúsculos.
Mas a noite chega e canta para mim.
A lua faz girar sua roda de sonho.
Me olham com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar teu nome com suas folhas de cobre
Pablo Neruda
Pablo Neruda
O Que Não Se Pode Explicar Aos Normais
Sobre o amor, e o desamor, sobre a paixão,
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar,
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer,
Sobre a verdade e a ilusão,
Quem afinal é você,
Quem de nós vai mostrar realmente o que quer,
O coracão nesse furacão, ilhado onde estiver,
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais,
Sobre o porquê de tantos porquês,
E responder,
Entre a razão e a emoção
Eu escolhi você!
Letra de música da Banda Catedral
Banda Catedral
A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da Terra, sob nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos.
O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la.
A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer a excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos a nos encantar novamente dali a pouco.
Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me matariam se terminassem.
Às vezes, cruzo na rua com fantasmas que já foram bem vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente.
Algumas pessoas simplesmente são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade ou intenção, apenas esmaecem até desaparecer.
É mesmo impossível manter na memória da pele todos os que passaram por nós ou sermos mantidos por todos: gente demais, espaço de menos...
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotada com os erros cometidos e alegrias jamais revividas.
Para ser feliz é necessário pouca coisa além de se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas.
É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repeti-lo como um mantra: absolutamente nada é para sempre, nem mesmo os sentimentos que parecem ser (a vida seria um lago estagnado se só existisse o perene).
Nunca mais haverá amor como aquele?
Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.
Todo mundo passa.
E é bom que seja assim.
Ailin Aleixo
"Fico pensando as vezes,
Poxa, se eu tivesse conversado, contado sobre meus sentimentos,
será que hoje estariamos juntos?"
Hoje, eu penso, que nós dois juntos é uma coisa que poderia ser bem legal,
Mais quando eu resolvi tomar coragem, já era tarde né?!
Espero que hoje, vossos sentimentos se manifestem assim como os meus...
Coloquei uma foto nossa juntos, uma carta que escrevi do fundo do meu coração e deixo também meu telefone celular, e endereço de e-mail, eu vou ficar ansiosamente aguardando uma resposta sua sobre tudo isso que estou revelando.
Muitos Beijos. Eu te ADORO!!!!!!
yago....
Letra e musica - Tradução
Eu tenho vivido com uma sombra sobre mim
Eu tenho dormido com uma nuvem em cima da minha cama
Eu tenho estado sozinho por tanto tempo
Preso no passado, parece que eu apenas não posso ir em
frente
Eu tenho escondido todas as minhas esperanças e
sonhos
Apenas em caso de eu precisar deles de novo um dia
Eu tenho vivido acima do tempo
Para clarear os pequenos espaços nos cantinhos da minha mente
Tudo que eu quero fazer é achar um caminho de volta
para o amor
Eu não posso ir até o fim sem um caminho de volta para
o amor
Oh oh oh
Eu tenho assistido, mas as estrelas se recusam a
brilhar
Eu tenho procurado, mas eu apenas não vejo os sinais
Eu sei que estão logo ali fora
Deve haver algo para minha alma em algum lugar
Eu tenho procurado alguém para emitir alguma luz
Não apenas alguém para passar a noite
Eu poderia usar alguma direção
E eu estou aberto para suas sugestões
Há momentos que eu não sei se isso é real
Ou se alguém se sente do jeito que me sinto
Eu preciso de inspiração
Não outra negociação
Tudo que eu quero fazer é achar um caminho de volta
para o amor
Eu não posso ir até o fim sem um caminho de volta para
o amor
E se eu abrir meu coração para você
Eu espero que me mostre o que fazer
E se você me ajudar a recomeçar
Eu sei que estarei lá para você até o fim
Oh oh oh
(Celia Piovesan)tradução
Cálice
Soberbo gole,
neste cálice de poemas.
Derrama versos
sobre temas
tão diversos
quanto os olhos que degustam
essas páginas.
Salpicam gotas
na leitura que embriaga.
Em preto-e-branco
se derrama entre capas
poesias declamadas
em silêncio.
Um gral de letras
consagrado pelo tempo.
Um sentimento
que sobeja de minh’alma.
Eis o meu cálice,
transborda em versos
que carregam o meu sangue.
Relatos
Eu abriria meus olhos
e escreveria relatos de alguém que vive
na incongruência dos próprios pesadelos.
Contaria segredos
de pessoas que lutaram indignadas,
por ser uma delas.
Não há estilo em minhas linhas tracejadas
na loucura;
uma figura assombrada com o sorriso falso de quem chora e ri.
Não há motivo para dormir na rua
e muito menos para acordar aqui.
Desvencilhei-me de caprichos tolos.
Um bezerro de ouro,
ídolo de uma fé pagã.
Acorrentaram os meus tornozelos
junto ao muro das lamentações.
Belos pés cristãos pisaram o meu corpo;
eu não estava morto a essa altura.
Em volta de minha cintura
puseram o cinturão da castidade.
A minha mocidade tornou-se uma iniqüidade.
A minha real vontade,
uma escanifrada anciã.
Os deuses se jogaram lá do céu.
Diziam os velhinhos encantados.
Abriu-se uma fenda neste charco
aonde uma caricatura indecente
que parece está contente, chora.
Quem amaldiçoou a minha hora,
corria em um camelo no deserto.
Plantou-se a céu aberto um mar de rosas.
Já não chovia ao findar a tarde,
no distante brejo.
Mandei um beijo para minha eterna diva
e nunca mais chorei de tédio.
Não coroei senhores de gravata.
Nem dediquei meus livros a insípidos glutões.
Talvez o português me traduzisse.
Em minha esquisitice,
rechaçaram meus sermões.
A luta em meu campo, foi marcada com a cal.
Puseram sal na sola dos meus pés.
Qual rei tu és?
O rei do carnaval.
Indignado chutei o futebol
e na rede adversária fiz mil gols.
As ruas se enchiam de silêncio noite adentro.
Pela janela se escuta o meu sono.
A mãe que acompanha sua filha ao cinema;
o bêbado que olha pro telhado;
o reprimido que se encontra encarcerado
em seu poço de problemas.
A sua solidão na cena é retratada
na peça ainda limpa do lençol.
Ele ou ela, põe os olhos na janela
para ver se alguém subia a escada.
O que seria do aroma, longe dela.
Ela, flor que abre bela no espaçoso jardim.
Ela é tudo para mim:
o resultado da soma entre cobertor e cama;
o frio que acompanha uma noite de inverno;
o amor que é eterno
no coração de quem ama.
Ela é circunspecção sem agonia;
uma boca que declama
a mais admirável poesia;
a perfeita companhia de uma luva, uma mão.
Ela é toda uma estrada além da curva.
A vontade é que me cura.
Não há sombra em meio à rua,
quando a lua se oculta na intensa escuridão.
Ao dedilhar um velho refrão,
recobrei minha voz
e a vontade de nunca calar.
Falo até demais, com as mãos no ar,
a gesticular além...
Numa poltrona de trem,
acredito que posso sonhar com nós.
Quem sois vós?
Ninguém.
Não foi minha, essa resposta.
Mesmo estando eu de costas, sei quem és.
És a dona dos pincéis
que pintaram minha cor,
uma única que sou.
Eu fecharia meus olhos
e apagaria relatos de alguém que morre.
Não contaria segredos,
por não ter o direito de vilipendiar sua
campa.
Eu vou dormir em sua cama
para acordar bem mais cedo.
Um pensador na guerra
- Não o mate.
- Por que?
Ele veio para matar;
por que deixá-lo viver?
- Não viemos para matar.
Viemos para vencer.
- Pensei que fosse uma guerra.
- Guerra,
não é mais que o domínio.
Sei que há vidas no caminho,
malsinados inimigos,
como nós.
- Como seremos heróis,
sem cadáveres pelo chão?
- Os verdadeiros heróis
estão cobertos por lençóis
atrás do muro da prisão.
- E as ordens do quartel?
- Ordem é resolução.
Se está em nossas mãos,
cabe a nós, esse papel.
- Ora, não me aborreça.
Você até parece Deus.
- Deus é apenas, não esqueça,
um movimento de adeus.
- Pelas mortes que causei,
a quem vou pedir perdão?
- Ao seu frio coração,
pela ilusão da lei.
- Tudo bem, não o matarei.
Mas, se um deles me ferir,
como devo então agir?
- Haja pelo coração,
apesar da reação interferir.
- Se seu golpe for fatal,
obviamente irei morrer.
- Não faz mal.
Se acaso não o conter,
mais do que um grande herói,
serás um mártir.
Simulacro
Feições guardadas pelo tempo,
olha através da tempestiva areia.
Areia solta, jogada pelo vento.
Sangue que jorra da estranha veia
e estagna num movimento lento.
Há uma cáfila ao entardecer.
Parece estar numa moldura, estática.
O simulacro, o que quer dizer?
Uma incógnita da matemática
que erigida quer permanecer.
Os hieróglifos marcaram sua base;
uma mensagem através dos séculos.
E até hoje, pouco ainda, se sabe.
Sua presença é cheia de mistérios.
A solução ainda é um quase.
Sob as areias do deserto quente,
seu corpo parece está enterrado.
Vai levantar-se! É o que a gente sente.
Porém, é apenas um pensar errado.
Um ser pagão que age diferente.
Sopra o hálito da noite tão fria,
e a sombra erguida, permanece lá.
Um beduíno não se assustaria,
pois suas preces são para Alá
que pela efígie o vigiaria.
O simulacro é uma visão insueta
que me deixou pasmo ante a fotografia.
O transmutei com o bico da caneta,
passando o que vi, para a poesia.
Retratei a sua essência em letra.
Ingratidão
A noite
era extremamente fria.
Eu já sentia
uma imensa solidão.
Sozinho,
era certo, dormiria.
E ao deitar,
quem sabe, ouviria
o bater de uma mão.
No leve toque,
indagaria:
Quem bateria
na porta
do meu rude coração?
Seria a mais doce
companhia
ou seria,
talvez,
a ingratidão?
O matuto
O matuto está triste,
cabisbaixo e pensativo.
Não encontra um só motivo
para saber se existe.
Tal canário sem alpiste,
preso a uma velha gaiola,
vendo longe a aurora,
sem ter ânimo pra cantar.
Com vontade de voar
para longe, ao horizonte;
a saudade o consome
antes mesmo de partir.
O matuto fica ali,
a pensar no que seria
sem a única companhia,
a choupana em que vive.
Tal amor só visto em versos,
o matuto é regresso
de um lugar que não existe.
Olhos verdes
Nunca esqueço
do par de olhos
que através do espelho
parecia eterno.
Da mesma cor e brilho
da palha da espiga do milho
quando amanhece,
após uma noite de inverno.
Nunca esqueço
dos lábios tocados em segredo.
Quiçá, pela cor dos olhos,
sinto o gosto de menta
que à boca adormece.
Aí a saudade aumenta
e o amor cresce.
Nunca esqueço
e até me aborreço
no sinal que me diz siga,
pois lembrando de seus olhos,
paro no meio da pista.
Nunca esqueço.
Acho até que enlouqueço,
quando na bandeira hasteada,
vejo os olhos na altura
do retângulo que tremula.
Nunca esqueço
que no matagal espesso,
eu me perco,
confundindo cada folha
com seus olhos verdes.
Nunca esqueço,
pela aléia, o passeio.
Ver na fonte,
o espelho que reflete o jardim.
Olhos verdes
que olhavam para mim.
Sem condição
Seus ombros à amostra,
me deixam insinuado.
Seu corpo ainda agora,
me deixa provocado.
Seus seios contornados
pela blusa,
me fazem sinal da curva
do seu corpo ondulado.
Seu jeito comportado
não me mantém à distância.
Na sua tolerância,
encontro o meu pecado.
Seus olhos não perturbam minha paz,
além do mais,
recebem meu recado.
Seu pare, deixa disso, mais cuidado,
só fazem aumentar o meu querer.
A dúvida faz crescer
minha ilusão,
que eu terei nas mãos
a chance de fazê-la entender.
Amar é mais que ter.
É aceitar querer
sem condição.
Desapontamento
À espera, no portão,
eu permaneço na calçada,
com um aperto no coração
e a porta escancarada.
De minha mão,
despenca a rosa despetalada,
pela ilusão
de rever a minha amada.
A espera é em vão.
A noite é fria e devassada
pela enorme escuridão.
A chuva é anunciada
com o ressoar de um trovão.
Tal qual devoto em oração
aos pés de uma enorme estátua,
eu permaneço na intenção
de espera-la.
E mesmo fora de estação,
demora, encharca e enfim, passa.
Uma sombra risca o chão,
a lua surge envergonhada.
O sol ensaia uma versão
anunciando a madrugada.
Distante, escuto uma canção,
a que marcou a nossa data.
Por não conter a emoção,
perco-me em lágrimas.
No bolso ponho minha mão,
retiro a carta.
Na certa a resposta é não,
adentro em casa.
Despenco em cima do colchão
no qual a amava.
Fora a maior decepção
da qual lembrava.
Um carro chama a atenção,
buzina e pára.
Como se fosse uma aparição,
ela entra e fala.
Dá-me a notícia, a voz chocada.
A dama que está em questão,
teria sido atropelada.
Digam ao mundo
Comunicar aos pósteros
e entre eles, eu.
Modular a mensagem
evocada no silêncio dos que não lamentam.
Será um futuro catastrófico
que nos espera
ou a redenção da terra
diante dos homens.
Nunca flagraremos nossas mães
renegando nossa carne.
Agora eu peço apenas que não dêem adeus.
Digam ao mundo:
- Estou à vossa procura.
Quantas delas morrem na áfrica.
Quantos olhos sem lágrimas
assistem seu agonizar.
Não falo de personagens em contos.
Falo de crianças,
entre elas, eu.
A quem devemos evocar perdão
ante a tenebrosa atitude de omitir-se?
Agora eu peço apenas que não dêem adeus.
Digam ao mundo:
-Estou à vossa procura.
Interesses
Longe dos meus parentes,
revi o campo em que pisava;
minas espalhadas sob os pés
da ganância exacerbada.
Quem tu és?
Por cada beijo na face,
uma lágrima derramada.
Em cada um, disfarce.
Dura vida.
Durei muito.
Idade e experiência em conjunto,
deram-me a prova
de que a ingratidão existe.
E sob a cova,
ainda amaldiçoaria minha estirpe.
Migração
É madrugada.
Voa no céu, em grupos separados,
algumas aves do verão passado.
Voltei há poucos dias para casa.
É apenas um regresso temporário.
As folhas espalhadas, do novo calendário,
são como plumas ao vento.
Tal como as aves eu sigo a estação
em um constante movimento.
Vou e volto
num empenho cronológico,
numa eterna migração.
Transtorno
Dentro de mim,
transtorno,
um déficit enorme
de atenção.
Eu ando na contra-mão
de um mundo torto.
Um caçador sem rosto.
Um rosto sem decisão.
Chamam-me de louco,
de homem-ilusão.
A minha auto-estima
é vão
que passa na porta aberta.
Percebo na certa,
detalhes ao meu redor.
Todavia, não sei de cor,
a minha lição.
Meus lábios dizem sim.
Meu cérebro,
não.
Último poema
Desde origem,
eu rabisco versos toscos.
Arabescos que me envolvem dia-a-dia.
São regados de tristeza e alegria
num canteiro
tão repleto de poesia
que fascina o coração.
Entre as rugas de meu rosto
e os vincos de minha mão,
se esconde minha idade.
Com a farpa da saudade
no meu peito,
vou perdendo o meu jeito
de viver.
Foram anos de peleja
que enrijeceram meus nervos
e nas dobras, os meus dedos
não sustentam a caneta.
Porém, eu sei que é a cabeça,
o verdadeiro problema.
E quem sabe, esse seja
o meu último poema
ou apenas,
mais um deles.
O pirata
Velho abutre que come
minha carniça, sem asco,
que não importa meu nome
e nem na vida, o que faço.
O velho abutre tem fome
e dilacera minha pele.
Temendo que outro tome,
com uma bicada ele fere.
Colado ao chão, vulto em larva.
Dissolvo-me na areia,
a qual o mar vem e lava.
Minha ossada se arrasta,
procura o que a vida inteira,
transformara em desgraça.
Saturação
Quem deveria escrever
as primeiras palavras,
eu ou você?
Qual de nós dois,
seria mais fiel
aos nossos atos?
Quantos retratos
resumidos numa única decisão.
Olhos velados
sob o toque da emoção.
Escuto sua voz dizer:
-Não dá mais.
E de repente, há uma paz
que eu não consigo entender.
O amor já não mexia
com o meu ser.
A vida é um ato conjugal,
enquanto um fato sepulcral
não vier surpreender.
Astronauta
Sou aquele astronauta
que procura companhia
nessa lua que me guia
na intensa noite fria,
na mais rude solidão.
Um poeta sem razão,
com sua fé abalada,
sua alma desgarrada
que caminha na estrada
à procura de harmonia.
Ledo engano, eu seria,
entre passos pela lua;
atravessando a rua
na qual minha pele nua
desejava se aquecer.
Um astronauta que vê
a eterna poesia;
não nos versos que eu fazia,
mas na incrível harmonia
que acabo de encontrar.
Volto à terra, pisar,
sem esquecer que existi
num mundo que nunca vi,
sobre o qual eu escrevi
em algum outro lugar.
Insulto
Escrevo à noite toda,
a observar a escada
que me levou, infinitas horas,
àquele quarto.
Todas as cartas foram amassadas
e depois queimadas
na lareira ardente.
Minha alma quente
se esfria
ao raiar do dia,
ainda chorava.
A tua culpa,
foram minhas lágrimas derramadas
após clamar por teu nome,
diversas vezes.
Como um retrato na parede
que observa os que passam
sem fazer conta de sua existência,
você me silencia,
depois de fitar-me.
E na escuridão,
teu rosto se desvaira
e tão amargamente
me insulta.
Um pescador
Saí bem cedinho para pescar.
Peguei o meu barco na beira do mar.
Escuto alguém, distante, gritar:
- Meu velho, não vá
- Meu velho, não vá.
Eu olho para casa;
não há ninguém lá.
Pensei ser as ondas do mar
querendo avisar:
- Meu velho, não vá
- Meu velho, não vá.
Eu iço a vela,
distante da praia.
Avisto uma arraia
que parece voar.
Em seu movimento me diz:
- Meu velho, não vá.
- Meu velho, não vá.
Pensei novamente,
foram as ondas do mar.
O barco balança
para lá e para cá.
O sol já começa a esquentar.
Avisto no céu
uma nuvem a passar.
Num estrondo escuto:
- Meu velho, não vá.
- Meu velho, não vá.
A chuva que cai
escurece o mar.
Diviso um corpo a boiar.
No meu desespero,
começo a gritar:
- Há um homem no mar!
- Há um homem no mar!
A onda o traz
em um arrastão.
Com o meu arpão,
consigo puxar.
Então reconheço
que o morto sou eu.
O eu afogado,
de olhos grelados,
me diz preocupado:
- Tentei lhe avisar.
- Tentei lhe avisar.
Custei a aceitar
que há muito perdera,
a vida no mar.
Um dia, em sonho,
expus a um poeta,
alguém que na certa,
a minha história
podia contar.
Soneto do amor às escondidas
Eu tenho um pouco de pressa
para encontrar uma rua.
Na rua, uma casa aberta.
Na casa, uma dama nua.
O tempo talvez, não meça
o grau de minha vontade.
Espero que nada impeça,
desejo de minha idade.
A taramela mantinha
a porta ainda fechada.
Jogo uma pedra da rua.
Sorte que ninguém vinha.
Um rosto vem à sacada.
Mais belo que a própria lua.
Velas
Eu acho
que a tal felicidade
é uma vela
que se acaba dia-a-dia,
assim como a vida.
E o toco que nos resta,
a idade sopra
com sua boca venenosa,
o hálito da morte
que nos apaga a chama.
Há velas
que já nascem apagadas.
Outras,
se derretem ao longo da vida
e parecem queimar para sempre.
A lenda de Jeshua
Eu caminhei entre pirâmides,
desafiei faraós
e sob meus lençóis,
dormiram anjos.
Eu derrotei gladiadores
em pleno Coliseu;
ajoelhei imperadores
aos pés de um só Deus.
Eu traspassei as muralhas da China.
Atravessei o canal da Mancha.
Manchei o santo sudário
com o meu sangue.
Meu nome
é esperança.
Eu conquistei castelos medievais.
Seus ancestrais,
em mim, resumo.
Eu sou o eixo central
que movimenta esse mundo.
Sob efeito
Acalentar-se ao sol
sob o efeito da cerveja.
Um copo sobre a mesa,
com espuma, feito o mar.
Na onda que me dá
essa loura servida,
um êxtase, uma alegria,
uma vontade de cantar.
O paladar me faz criar poesia.
Degusto a fria macia
que foi lúpulo a esperar
pela fermentação que já fazia
o álcool que iria embriagar.
Com uma caneta
e um guardanapo de papel,
faço o maior escarcéu,
à vista desse céu
juntar-se ao mar.
Não canso de esperar
pela noite fria;
pois sob a lua, declamo poesia
até que o sol possa voltar.
Convés
Foste meu caminho sem regresso
em um verso.
Minha poesia mais bonita.
Entre as estrelas,
rabisquei um só desenho,
o seu rosto,
como eu bem queria.
Foste a derradeira flor
perdida no deserto.
Em meu universo,
um farol de guia.
Arrancaste o aviso que dizia:
“Uma saudade”.
O vazio da idade,
preenchias.
Foste o colorido
de uma tela que eu pintava.
A mão que segurava o meu filho.
O espírito de um cético
que chorava.
A paz esperada
por um homem aturdido.
Foste o barco rijo
que sustenta a onda em fúria.
O pescador que nada
à procura de si mesmo.
Para mim,
a mais incrível criatura.
A doce loucura
do desejo.
Foste na verdade,
o meu mundo.
Hoje, na saudade,
apenas és
um velho convés
com o qual afundo.
À margem
Rostos que titubeiam
entre becos escuros,
enquanto a luz vermelha gira
sobre o automóvel.
Uma sirene esperada.
Uma vontade desesperada
de correr.
O mundo evita me ver.
Seria ver sua cara.
Sua própria cara no espelho da dor.
Fumaça, angústia e silêncio.
Tripé de minha verdade.
Na face,
bem mais idade.
No peito,
uma chaga,
o rancor.
O homem com a arma
O homem com a arma
não parece sadio.
Muitas vezes,
ele veio à calçada,
num eterno desafio.
Ele a conserva na mão
à espera de alguém.
Não parece estar bem.
Muito menos ter razão.
O homem com a arma
usa botas de cor preta.
Ele mexe com os olhos
numa espécie de careta.
Ele pensa que é um herói,
uma espécie de cowboy,
onde o bem vence o mal.
O homem com a arma
não é normal.
É um homem atormentado.
O estereótipo do soldado
que mata sem ver a quem.
Oração
Estou à espera
de um louco que fala;
de um outro que cala,
eu estou à espera.
Estou à espera
de algum outro que diga;
de algum morto que viva,
eu estou à espera.
À espera da terra
que me foi prometida.
À espera da antiga
razão de viver.
À espera da noite
que parece tão fria.
À espera do dia
para me aquecer.
Eu estou à espera
de uma nave do espaço;
de um homem de aço,
eu estou à espera.
À espera de olhos
que não vejam o que faço.
Trabalhar sem cansaço,
eu estou à espera.
À espera dos tempos
do juízo final.
À espera que o mal
se sujeite ao bem.
À espera também,
que não exista pecado
e que Deus e o diabo
não existam. Amém.
Sem resposta
Em que mundo vivo?
Perguntei mil vezes,
sem obter resposta.
Ninguém o sabe.
Desconhecemos as árvores,
as aves e ainda mais,
desconhecemos à nós mesmos.
Perguntaria aos nobres medievais.
Perguntaria aos eleitos.
Perguntaria aos decrépitos ancestrais.
Aos letrados em direito.
Perguntaria aos mendigos
e aos bastardos.
Aos que se encontram perdidos
e aos que se acham encontrados.
Perguntaria aos padres e aos ateus.
Teria inversa resposta
da razão e de Deus.
Perguntaria aos detentos e culpados.
Aos inocentes que são escravizados.
Perguntaria, enfim, à humanidade:
Em que mundo vivemos,
de verdade?
Moderninha
Não escuta as minhas queixas,
nem se deixa
enganar.
Onde anda,
antiga dona?
Eu preciso lhe encontrar.
Toma a frente,
quer pagar.
Sob a roupa transparente
quer ensinar a amar.
É só fico,
até mais,
depois de amanhã lhe encontro.
Passe sábado,
eu me apronto
e te levo pra jantar.
Onde anda,
antiga dona?
Eu preciso lhe encontrar.
Eu não posso na segunda,
é preciso trabalhar,
diz com naturalidade.
Ai! Que enorme saudade
do antigo e doce lar.
A tosse
Escrevo o que penso,
em silêncio.
Penso que os versos são meus.
Não há dono.
Não há posse.
Apenas o poeta tosse
os versos que não são seus.
UTI
Alcova branca.
Retalho de vida.
Mangueiras que suspiram meus gemidos.
Silêncio interrompido pelas máquinas.
Algumas vozes.
Alguns cochichos.
O arrastar de pés de pano e sandálias.
Sorrisos inibidos pela ética.
Moral estética
de um profissional cansado.
Picadas e zumbido de abelhas.
Casa sem telhas.
Uma escada sem sobrado.
Corpo despido, mal coberto
por ter feito um movimento involuntário.
Uma mão humana
de alguém que banha
e me livra de dejetos execrados.
Dom ou frieza.
Dor e tristeza.
O que faço eu aqui,
onde há lágrimas derramadas
entre os leitos.
UTI.
Eu
Eu sou um outro
entre os que me acham,
que esse eu
sou eu,
que sou eu mesmo
entre os que desejam,
que eu seja
outro
que não seja eu.
Afazeres
São tantos afazeres
e não há nem um prazer.
São tantos afazeres nessa casa
que eu esqueço de viver.
Meu filho me responde.
Meu marido não faz por onde
entender.
São tantos afazeres nessa casa
que eu esqueço de viver.
Vassoura, rodo e pano.
Fogão, pia e muito o quê fazer.
A vida onde está?
Só vejo desengano.
São tantos afazeres nessa casa
que eu esqueço de viver.
A filha, ainda pequena,
me tira a paciência.
De tudo, eu tenho que saber.
Onde está o caderno?
Um labutar eterno.
São tantos afazeres nessa casa
que eu esqueço de viver.
Acordo.
Já começa a rotina
que dura até o dia anoitecer.
Uma atividade que jamais termina.
Uma injusta sina
que me faz enlouquecer.
São tantos afazeres nessa casa
que eu esqueço de viver.
Soneto do ermitão
Procuro desfrutar essa vida,
vivendo escondido no anonimato,
no mais verde e denso mato,
como um santo numa ermida.
No nascer de cada dia,
vejo a luz no imenso lago.
Sem palavras eu me calo
quando o sol nele irradia.
Quando é noite enegrecida,
a lua nova é percebida
na água calma e iluminada.
A cabana que me abriga,
torna branda minha fadiga,
com sua porta escancarada.
O milésimo poema
Não é nenhum show,
nem estréia no cinema.
Não é nenhum gol,
nem prêmio da mega-sena.
Não é corpo infectado
que ficou de quarentena.
Não é nenhum cálculo
para solução de um problema.
Não é nenhum sermão,
nem celebrada novena.
Não é nenhum furacão,
nem a tarde mais amena.
Não é o dramaturgo,
nem mesmo o ator em cena.
Não é o frio noturno,
nem a tarde calorenta.
Não é tua solidão,
nem a mão que ainda acena.
É apenas o brotar de um grão,
meu milésimo poema.
A ilha inacessível
Por que a mãe ainda fala
com a filha,
se em sua ilha,
ela vira o rosto
e cala?
Somente à custa de esforço
e de palavras,
se atravessa esse fosso
de tempestuosas águas.
A juventude,
essa ilha inacessível,
com seu mar de inquietude,
torna quase impossível
conquistá-la.
Evolução
Sombras em cavernas,
mortas sobre lanças,
tornaram-se eternas
por meio de danças.
Conquistaram novas terras
através de matanças.
Desbravaram suas serras
por meio de andanças.
Criaturas modernas
de obesas panças,
de ações tão lerdas
e atitudes mansas.
Exílio
Vejo no rosto de quem chora,
a dor e o clamor de quem partiu.
Partiu para sempre,
foi embora.
Quem chora agora,
já sorriu.
Quem não lhe viu,
só tarda a hora.
No espelho, chora quem partiu.
Ainda espero sua volta.
Quem sabe mora
no Brasil.
Autoria
Eu estaria um dia,
em paz;
se meu eterno amor
sobrevivesse à mim.
Só assim,
nenhuma forma mais.
E nesse dia, enfim,
eu deixaria sinais
da enorme alegria,
em versos que jamais
seriam atribuídos
à minha autoria.
O anjo rebelde
Descer do céu não foi proeza,
forma dantesca
de alma cruel.
Aproveitou minha fraqueza,
ingênua presa.
Hoje, sou réu.
Rejeita os dogmas da igreja,
a mesma
que o libertou.
Enquanto minha face beija,
revela a página
que me enganou.
Eis o que o anjo ainda guarda;
meu satânico querer.
O meu desejo é sua arma,
é o seu poder.
O motivo que me cala,
não é o anjo,
é você.
Árvore desfolhada
Tal qual os galhos de uma árvore,
eu envergo-me
com o peso do silêncio e do fracasso.
Ainda resisto ao tempo,
tocando no solo talado,
onde não há frutos,
somente folhas secas
e vermes que se alimentam do passado.
Minha noite é sombria e demorada.
Minhas costas, às vezes, sedem
como a árvore tombada.
E tentando reerguer-me do chão que finco,
com afinco, o meu ser,
eu tento esconder as minhas mágoas.
No enxerto do querer, em ramo desfolhado,
sai um broto em solidão.
Minhas atitudes
como folhas de um galho emancipado,
mudam suas cores
na razão
e morrem na infinita incongruência
entre liberdade e insurreição.
Tato
Você não me enxerga
e também não me escuta.
No entanto, toca a minha face
e sente em três diferentes partes
o que falo.
Você anda descalço
e sabe como é o mar,
através da areia.
Esta é sua única maneira
de sentir.
Você é um ser profundo,
uma pessoa muito especial
que viaja de uma forma racional
perfurando o silêncio e a escuridão
do mundo.
E nessa imensidão,
está sempre só.
Todavia, através do tato
desata o nó
e se liberta
para a terra
dos sentidos.
Passatempo
Meu passatempo é literário.
Minha arte,
poesia.
Sou em parte
libertário,
como também
elegia.
Passo o dia
em meu quarto,
uma imensa cela vazia.
Entre dominós jogados,
sou a pedra duplo nada
que no momento oportuno,
toma conta da jogada.
Numa taça celebrada,
sou o líquido que derrama.
Sob o peso de minha campa,
eu sou luto
e mais nada.
Imorredouro
Ainda posso escrever,
mesmo que amputem minha mão.
Com os olhos,
pelo que vejo.
Pelo que sinto,
com o coração.
Não peço por piedade.
Nem imploro por perdão.
Não que seja vaidade,
é apenas decisão.
Mesmo que cortem minha língua,
meus versos não calarão.
E outras bocas, ainda,
na certa, declamá-los-ão.
Ferimentos
Ouço os gritos
de um povo que não chora.
Comovida,
vejo a tépida senhora.
Uma hora
atrás,
sua casta é dissolvida.
Uma questão resolvida,
nada mais.
As caveiras
não são marcas nas bandeiras,
são abantesmas
do novo amanhecer.
Nunca foram os piratas;
apenas ferimentos da espada
de quem usurpa o poder.
Só você
A quem devo olhar?
Em quem, posso me ver?
Não quero me espelhar
para deixar de ser.
Pra você ter que ganhar,
eu teria que perder.
Eu luto pra lhe encontrar.
Você para me vencer.
A quem devo perguntar?
Não queria me esquecer.
Mas esquecer é tentar,
tentar é sobreviver.
Pra você me enfrentar
é necessário viver,
viver muito além de mim.
Além de mim, só você.
Em plena luz do dia
Mesmo que eu pudesse desfazer as minhas [malas,
não poderia mais ficar.
Desfez-se o lar
na decisão daquela hora.
Não havia candura,
nem razão à altura
de nós dois
na durabilidade do agora,
na volatilidade do depois.
Havia tão somente,
dois caminhos diferentes
a seguir,
em nada convergentes.
E mesmo que um de nós
voltasse um passo atrás,
não poderia mais
o descobrir.
O amor perdeu-se ali,
em plena luz do dia,
com ele, a alegria
do sorrir.
Últimas lembranças
Na resistência infinita do mourão,
vejo as mãos
que um dia, o sepultaram.
O arame,
tantas vezes já trocado,
mantém-se frouxamente distendido.
A mesma voz ainda alcança o meu ouvido,
força voltar-me à procura do passado.
Vejo ao longe, o mais antigo telhado.
Continuo a descida,
sem compreender os meus passos.
É lá em cima
que estão suspensas
minhas últimas lembranças.
Triste milagre
Amar você
é tudo que importa.
É só abrir a porta
para me ver ajoelhado.
Não rezo
por estar o meu pecado
acima do meu erro,
além de minha alma.
Aquele que me acalma
é o mesmo que enlouquece.
De fato,
o amor ninguém merece.
É a mais alegre prece
e o mais triste milagre.
Talvez o mundo acabe
enquanto nos amamos.
Na esfera dos enganos,
você é a minha parte.
Raro entardecer
Não quis pensar,
apenas resolvi
que ia andar
por onde sempre a vi.
Em outro olhar,
eu vi o teu, sorri.
Sem entender,
a outra me acenou.
Palavra tola, amor,
para quem amava.
Eu caminho taciturno
como o raro entardecer
do dia em que a encontrara.
E mesmo deslocada pelo tempo,
ainda existe em mim,
a hora exata
de nosso alinhamento,
num eterno eclipse
lunar.
Disparates
Numa aldeia de doentes e loucos,
havia uma verdadeira lenda.
Um anônimo e estranho poeta,
conhecido por seus versos toscos.
Acreditava estudioso
de uma espécie diferente.
Viajava o mundo todo,
a procura do ser “gente”.
Seus diversos personagens,
entre eles um modesto,
autor de um só projeto
daquelas rudes paragens.
O surgimento da aldeia,
dizia um grande adulador,
foi há novecentos anos.
Há noventa, por favor.
Havia uma fazendeira,
que achava divertido
abrir e fechar porteira
para passar o marido.
Havia uma jovem calada.
Sua língua, quem comeu?
Já que ela não nos fala,
falamos você e eu.
Um pequeno coletor,
varria todo o jardim.
Gritava um beija-flor:
-Deixe um pouco para mim.
Não se sabia a verdade,
se ela já nascera um dia.
Havia a jovem inata.
Sua idade, qual seria?
A menina distraída,
de tudo já esquecera;
até mesmo que um dia
pediu pra viver, e morrera.
A bela virgem bióloga,
de todo bicho entendia.
Até que uma simples minhoca
deu-lhe uma rasteira um dia.
Sentia pena de tudo,
passava o dia animado,
acreditava que absurdo
era alguém ser maltratado.
Moça velha na janela,
não parava de fofocar.
Se acaso um dia ela pára,
vai danar-se a namorar.
Comia tudo, o glutão,
sai de baixo por favor!
Quando ele estava com fome,
era um terrível mau humor.
Papagaio friorento
passava o dia a reclamar,
quando o pingüim calorento
botava o circo pra gelar.
Queira o leitor desculpar
essa minha brincadeira.
Eu apenas quis mostrar
que também escrevo asneira.
Silente poente
Um dilema
que não tem mais jeito.
Uma bomba que explode no peito.
Um coração que arde.
Uma luva
em que a mão não cabe.
O mais silente poente.
Uma carta que não tem resposta.
A proposta
mais vil e indecente.
Um eterno demente,
isolado.
Mais volátil
que o éter derramado.
É assim a minha forma de amar.
Um passado que teima em voltar
ao presente.
Uma criança
Todos os meus dias
são enfado.
Além do meu escárnio,
o não sorrir.
Toda esperança no porvir.
Em uma fenda cai,
além do meu cansaço,
o meu fim.
Uma criança
toca em meu braço
e diz: - Vai.
Essa criança
me despiu de mim
e eu caminhei em paz.
Ainda mereço ser feliz
Vejo pequeninos
despojados
sob lâmpadas apagadas,
e mesmo assim,
ainda mereço ser feliz.
Vejo a raiz
de uma árvore desfolhada,
entre lâminas afiadas,
virar móvel que alguém quis,
e mesmo assim,
ainda mereço ser feliz.
Vejo a cicatriz
de uma face torturada
e reconheço seu algoz;
calo minha voz
por ver a sua mão armada,
e lá no topo da escada,
vejo o fim do meu país.
E mesmo assim,
ainda mereço ser feliz.
Vejo meus enganos
no espelho dos seus erros.
Passam-se os anos,
e o que vejo?
Que mesmo assim,
ainda mereço ser feliz.
O poema que eu quero
Quero um poema
que não fale de saudade,
onde a dor e a crueldade
não sejam fatos reais.
Que entre as páginas dos jornais,
seja relido;
não por tê-lo comovido,
mas por não sabê-lo mais.
Nesse poema,
que o amor não seja tema
para uma grande atriz,
e que a paz
não seja apenas um desejo.
Que o covarde perca o medo
de um dia ser feliz.
Que a verdade não escolha minha boca,
que escute uma outra
que ainda saiba o que diz.
Meu querido sertanejo
Nas palmas de tuas mãos,
tua história eu releio.
No rogar de uma oração,
meu querido sertanejo.
Na lembrança de um sertão.
Na sombra de um juazeiro.
No clarão do lampião.
No curral e no vaqueiro.
No inverno ou no verão.
No caminho do formigueiro.
Na colheita do feijão.
Na flor do algodoeiro.
Na enorme gratidão
de ter sido companheiro.
Nos teus filhos, na versão,
dos teus netos no terreiro.
Nas noites de solidão.
Nos dias que metem medo.
Na saudade de uma mão,
na pitada do tempero.
No canto do azulão.
Nas verdades, nos segredos.
No esturricar do chão.
No último e no primeiro.
Oito décadas de emoção,
foste em parte e não inteiro,
em pedaços de ilusão
como todo brasileiro.
Ilhado II
Não seria o amor
tão venerado,
seria vago,
sem ter uma companhia.
Se não houvesse
o ser lembrado,
amor negado,
em suas lágrimas,
ao seu lado,
afundaria.
Sob as águas
de um mundo afogado,
em meio ao lago,
uma ilha surgiria.
Assim, veria
a si mesmo,
amor ilhado,
como escravo
de sua própria companhia.
Gatilho
Era mesmo preciso
arrastar o meu corpo
entre valas de esgoto.
Na favela eu nasci.
Um pequeno indeciso,
com uma enorme ferida
que deixou cicatriz.
No meu mundo, eu via
quanto medo fazia
não poder ser feliz.
Nunca soube escrever.
O meu dedo era o giz
que marcava com um X,
quem devia morrer.
Era mesmo preciso
esconder o meu rosto
e o profundo desgosto
de um homem sem brilho.
Num império ilegal,
minha força era o mal.
Minha fé, o gatilho.
Goles
Minha senilidade de alcoólico
causa o sofrimento alheio.
Num choro incontido e derradeiro,
vê o meu último gole.
Vejo a superação de uma doença
e o prazer em subserviência
a um lugar eternamente melancólico.
Minha sensação
é que o tempo
passa e arrasta meu futuro.
Quando o vejo num profundo escuro,
peço perdão
por todos os meus goles.
Assim, como as ruínas
pela areia espalhada com o vento,
ocultam-se as marcas de meus porres
e volto a devastar a minha alma
sob escombros de uma triste vida,
mergulhado no líquido que embriaga
na entrada de uma porta sem saída.
Rude
O que um homem faria
sem seus modos rudes,
sem suas calças compridas;
entre palavreados,
sem verbos errados,
sem as mãos erguidas;
sem o desapego às suas amantes,
sem os erros constantes,
farras e bebidas;
sem as flores pisadas
por suas botas de couro;
sem as extravagantes risadas,
sem o dente de ouro;
sem o desprazer pela vida?
O que um homem faria
sem seu preconceito,
sem a dureza no peito,
sem sua grosseria;
sem seus atos inconseqüentes;
sem suas músicas indecentes;
sem a velocidade
que o aleijaria;
sem menosprezar o prato em que come
e sem dar seu nome
ao seu filho bastardo?
O que seria de um homem
sem sua tola frieza,
sem sua falta de gentileza,
sem seu mundo amargo?
Sobrevivente
Levo minha dor
por entre campos de concentração
e lágrimas no coração
por ter perdido a cor.
Campos sem flor.
Corpos que brotam do chão
rachado de rancor.
Não há abrigo que possa ocultar
o que passou.
Peço por favor,
que tentem escutar
uma triste e dolorosa canção
que fala de amor,
que fala de perdão,
que não fala de mim,
que sou apenas um fim
de antemão.
Churrasco
Goteja, a gordura
de um animal sangrado.
O fogo atiçado
na brandura
de meus nervos.
O sangue, a pouco lavado,
toma outro aspecto,
e eu por perto
salivando desejo.
E entre goles,
a conversa em tom alto,
a discreta fumaça,
o cheiro da cachaça,
os amigos ao lado
e o prazer de revê-los.
Alpendre
Sob a telha mal botada,
uma brecha
que ao sol não pôde deter.
Sob a casa assombrada,
uma sombra,
que não se assombra
quem a vê.
Entre armadores de pau
e pilares de argamassa,
olho o vento que espalha
a areia no quintal.
Vejo a vaca no curral.
Da coivara, a fumaça.
Minha avó achando graça
de algo que ela não entende.
É assim que a vida passa
bem debaixo do alpendre.
Vínculo
A comida que esfria
no fogão apagado
e a espera infinita
pelo seu doce amado,
desarmaram
o amor que sentia.
Mais um dia,
entre tantos,
roubado.
Onde estaria ele àquela hora?
Encharcado de bebida
como outrora.
Um sorriso enganado
de uma velha senhora.
Que vazio,
não ter passado.
Páginas em branco,
sua triste história.
Suas lágrimas não disfarçam suas mágoas.
Suas mãos fechadas
desobedecem sua vontade.
Ainda seria possível nessa idade,
recuperar o tempo perdido?
Um desespero escondido
dentro de casa.
Um ser anônimo.
Desse vínculo crônico,
tornou-se escrava.
Eu quero
Eu quero acordar bem cedo,
passar as mãos em teu rosto
e também em teus cabelos;
sentir o gosto de sal e sol em teu corpo.
Eu quero ver refletir como um espelho
sob o céu azul,
a água que escorre em teu corpo nu,
e esquecer meus pesadelos.
Eu quero mergulhar em teu pranto
para dizer que te amo tanto
que não posso mais viver.
Eu quero enfim, morrer
e em minha lápide escrever
o mais triste verso,
aquele que não fala de regresso,
apenas diz para esquecer.
Eu quero renascer um dia,
para reencontrar na alegria,
a minha humilde atitude
de ajoelhar-me aos teus pés.
Quero adorar quem tu és,
não pelo teu sorrir,
mas pela minha quietude
em te ver partir.
O impostor
Um valente sedutor,
conquistador exigente.
Comentava toda a gente:
- É um homem vigoroso.
O poeta cauteloso,
observa indiferente.
Isso não é condizente
com seu trejeito jocoso.
É um grande traidor;
sempre uma mulher diferente.
Não dá a elas valor;
ao amor é indiferente.
O poeta percebia
com os seus olhos sagazes,
e para si repetia:
- Ele gosta é de rapazes.
Chamas e solidão
Eu estava tão sozinho,
um passarinho sem ninho
que não podia voar.
Tendo eu criado asas
desde o primeiro piar,
via o meu jardim virar
uma torre de fumaça.
A fonte em que eu bebia
tornou-se lama escorrida.
Vi meu ninho se queimar.
Entre chamas e solidão,
na palma de uma mão,
fui tirado do lugar.
Num jardim ensolarado,
lembro do ninho queimado
e da mão a me salvar.
A morta II
Era outono,
o vento soprava seu frescor.
A sua mini-saia encardida,
deixava à mostra
suas pernas tortas
como as árvores desfolhadas
do matagal onde fora assassinada.
Havia sangue impregnado em suas roupas
e nas folhas secas
onde seus cabelos desgrenhados
acomodavam o seu crânio exposto,
enquanto a docilidade de seu rosto
parecia,
com seus olhos arregalados,
pedir inutilmente:
-Deus, não me deixa morrer.
Afazeres II
Já lavaste o rosto,
menina?
O sol já vai raiar.
Bota a água no fogo,
Menina,
pro café eu tomar.
Já botaste o alpiste,
menina,
para o teu sabiá?
Vá aguar o terreiro,
menina,
pra poeira baixar.
Onde está meu chinelo,
menina?
Quero me levantar.
Põe mais lenha no fogo,
menina,
pro feijão cozinhar.
Vai lavar as panelas,
menina,
pra fazer o jantar.
Apaga o candeeiro,
menina,
que eu já vou me deitar.
Peço a tua bênção,
mamãe.
Vou também me deitar.
Que Deus te dê destreza,
menina,
pra amanhã trabalhar.
Com as duas dormindo,
leitor,
posso a história acabar.
Bem-te-vi
Não percebeu?
O bem-te-vi estava morto.
Seu canto ouço,
longe, quando havia vida.
Faltou comida.
Virou comida.
Viu, as formigas sob as penas?
Teve pena,
ou apenas deu às costas por não ver uma saída?
Estranho silêncio
faz seu bico na areia.
Na velha teia,
a aranha se balança;
em sua dança,
faltou o canto de alegria.
Quase um bom-dia,
um desejo de esperança.
O revoltado
Revoltado com tudo,
com todos, consigo mesmo;
com tudo que ainda impõe medo;
com tudo que lhe faça mal;
com aqueles que dizem amém;
com os que não crêem também;
com aquele que se vê, é louco;
com aquele que se diz normal.
Revoltado com a própria revolta,
com o mundo que gira à sua volta;
com tudo que é dito importante;
com tudo que é tornado banal;
por não ter se revoltado antes
da sua revolta final.
Reavivadas
Não faça de seus passos
uma simples caminhada.
Sinta o vento
na antiga estrada,
o que dizem as aves,
as árvores e o caminho.
E mesmo estando sozinho,
não esqueça de sorrir.
Todas as pegadas
reavivadas,
devem ir
a uma pequena ilha
que se encontra situada
no oceano do existir.
O interruptor da sala
Reservo-me
a compor pedaços de letras
que falam de amor.
Um dote perdido,
um beijo esquecido,
uma abelha sem flor.
Escorre o mel
do favo apertado na mão.
Em pingos,
do céu
cai a água que enche
o rio de qualquer mês.
Nomes fictícios.
Acreditamos em santos,
que são vocês.
Entre artifícios,
fogos,
artífices que se encontram em prantos.
Rebelados,
revelados em um negativo,
e na tomada fecho o circuito
com meu dedo positivo
e ilumino a sala,
enquanto a vala do esgoto
está a céu aberto,
seu corpo descoberto
e pútrido.
Quem será o primeiro?
Todo dia
é a mesma fumaça
que se dispersa
no café que esfria
na caneca.
O jornal
não me dá alegria.
Mas, a crônica lida
faz-me achar graça;
a autora foi muito esperta
numa crítica que disfarça.
Ao dobrar e guardar o jornal,
sinto o peso da vida real
entre os meus dedos.
Quanto à vida, tornou-se banal.
Tanto medo
desse mundo que espera, lá fora,
pela hora
de quem for primeiro.
Busto
O meu rosto cinzelado
no estuque de madeira
é a mais triste maneira
de me ver.
Não importa
de que forma fui moldado.
Nem importa
de que forma vim morrer;
se entre credos e marias,
dentre iníquas poesias
ou no talhe do querer.
Sem meus braços,
meu abraço vou perder.
Pouco mais que a cabeça,
que o mundo não me esqueça
sem me ver.
Eis um tronco de pau oco
sobre a viga,
como um totem adorado,
erigido pelo fado,
renegado por você.
A luz que vem do quadro
Na escuridão,
vive quem não pode ver.
Não poder ver
é não poder enxergar.
Para enxergar
é preciso saber ler.
Para saber ler
é necessário aprender.
Para aprender,
basta alguém para ensinar.
Seja na infância,
como adulto ou idoso;
a educação
é o mais nobre legado.
O tempo todo,
há alguém do nosso lado,
o professor,
uma luz que vem do quadro.
Na paciência,
com extremoso cuidado,
imprime à voz,
sua ofuscante doutrina.
Benevolente
nesse duro aprendizado.
Caminho andado
sobre passos, que ensina.
Luz que ilumina
o caminho aos letrados.
Que recrimina
sempre com nova lição.
E compreende
que o verdadeiro sábio,
num eterno aprendizado,
vive em comunicação.
João Felinto Neto
Por sobre as nuvens
Existe um lindo céu
Maravilhoso céu
Morada dos Anjos
Por sobre as nuvens
Existe um trono
Cujo Rei
Está assentado
A direita de Deus
Céu, lindo céu
É o lugar
onde eu quero viver
Pra sempre
Céu, lindo Céu
É o lugar
que o meu deus preparou
Pra mim
Céu, lindo céu
Onde com os Anjos
eu cantarei
adorando ao Senhor
Italo Villar
O COITO E A SAUNA
Melhor é foder primeiro, e então banhar.
Esperas que, curva, sobre o balde se ajeite
O traseiro nu miras com deleite
E tocas-lhe entre as coxas a reinar.
Mantém-na em posição, mas logo após
Assento no piço lhe seja permitido
Se duche quiser na cona, invertido.
Depois, claro, seguindo nossos avós,
Serve ela no banho. As pedras põe a apitar
Com bátega rápida (que a água ferva)
Com tenra bétula te açoita e corado
Em balsâmico vapor mais esquentado
A pouco e pouco te deixas refrescar
Suando agora a fodança em caterva.
Bertolt Brecht
5 da manhã... o dia está amanhecendo
finas gotas de chuva caem sobre a grama
e eu estou aqui... pensando em você..
ela caminha sozinha... mas não sem proteção..
anjo, voe para longe
sonhe com um mundo só nosso
e agora, não há ninguém que possa nos parar...
sonhe com um mundo distante... e lá será nosso refúgio...
memorias que estarão em mim pra sempre
eu sinto vontade de correr pra você
e te entregar meu coração amante....
anjo, voe para longe
agora nao há ninguém para chamar seu nome
sonhe com um destino só nosso....
e seu olhar guiará meu caminho....
realize o que você sente... e só assim será feliz...
Thaysa Tavares Herédia
Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Define-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.
Pablo Neruda
Direi a toda a humanidade,sobre as maravilhas que vi,fiz e encontrei neste planeta.
Direi sobre os amores, sobre as promessas cumpridas ou não.
Falarei aos quatro cantos que só amei uma vez e somente uma vez me encontrei em tamanha felicidade.
Direi que estes poucos espaços de tempo que estive aqui eu consegui sorrir, chorar, magoei-me, acho que magoei também.
Eu sei o que fui e o que vai ficar quando a brisa pairar sobre minha cabeça e me remover deste universo, sei que tudo o que fiz aqui se foi comigo e que nenhum outro ser vai sentir a emoções que para mim foram doadas enquanto aqui eu estive.
Direi que minha vida só fez sentido porque todos os sentidos e prazeres que a vida me deu para viver eu vivi, e fui feliz.
anonimo
ão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.
Lya Luft
“Mas não é agindo apenas sobre o corpo dos indivíduos, degradando-lhes o tamanho, mirrando-lhes as carnes, roendo-lhes as vísceras e abrindo-lhes chagas e buracos na pele, que a fome aniquila o homem. É também atuando sobre seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social.
No estudo da influência da fome sobre o comportamento humano devemos considerar, em separado, a eventualidade da fome aguda das épocas de calamidades e a da fome crônica, latente ou específica.
Nenhuma calamidade é capaz de desagregar, tão profundamente e num sentido tão nocivo, a personalidade humana como a fome, quando atinge os limites da verdadeira inanição. Fustigado pela necessidade imperiosa de comer,o homem esfomeado pode exibir a mais desconcertante conduta mental. Seu comportamento transforma-se como o de qualquer outro animal submetido aos efeitos torturantes da fome(...). - 1957
Josué de Castro
Sobre o Beijo
Movimentos sincronizados...
A coração bate mais forte
As mãos tem seus lugares
Fecham-se os olhos
E os lábios se tocam
O beijo...
Depois suspiros
O gosto doce na boca
Abrem-se os olhos
E então...
Nada mais importa
E tudo o que você quer
E beija-la de novo
Para sempre...
Arturo Angelin
Tenho medo de ouvir as tuas ultimas
Palavras sobre esse tal assunto
Por que no fundo sempre
Queremos as mesmas coisas
Mesmos ideais com jeito
Diferente de pensar
Cada uma sempre tão independente
E no fim tão dependente um do outro
Era então uma noite fria
Sem estrelas no céu
Era eu era você
Mesmas idéias
Mas hoje sem nada pra conversar
Não saberei o que te responder
Quando você me perguntar
Seja o que for não saberei responder
Por que naquela noite fria eu precisei de você
E você não estava
Nem ao vivo muito menos em pensamento
Você não se fez presente
Era sim o que falávamos que jamais chegaria
É sim o que chamávamos de impossível
É assim o fim?!
Paula Câmara Ferreira
Já escutei e li tantas coisas sobre o que é um amigo...
E hoje parei pra pensar...
Será que sou seu amigo como penso ser?
Às vezes dentro da gente existe a certeza do que a gente seria capaz de fazer por alguém que a gente gosta
Mas será que esse alguém sabe realmente disso?
Será que você sabe até onde pode confiar em mim e o tudo que eu seria capaz de fazer se fosse preciso?
Algumas vezes demora um pouquinho até se descobrir que determinada pessoa é única mas quando se percebe isso...
a gente corre pra junto dela ...
Pra contar alguma coisa muito boa que se viu ou o que a gente ta sentindo...
Para rir junto do que se achou engraçado, e quando se está triste é junto dessa pessoa que se quer ficar apenas por segurança..
Pra se sentir querido...
Pra se ter certeza que alguém gosta mesmo da gente.
E mesmo calado, quietinho.
O coração da gente diz baixinho...
Obrigado por ser meu amigo!
Desconhecido
A uma mulher
Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade.
Rio de Janeiro, 1933
Vinícius de Moraes
Se você não tem mesmo certeza se é amor o que está sentindo, não se preocupe. A melhor coisa sobre o amor é sua constante incerteza. Um dia você está seguro, sabe exatamente o que está se passando com você, então numa semana inteira de angústia, sua certeza desaparece e você não tem mais certeza de nada.
Um dos grandes mitos que nos engana muito, é como saber quando o amor verdadeiro chega; outro é, se não sentimos aquela descarga elétrica que nos tira a respiração, então não é amor; e um terceiro é a existência da "Pessoa Certa".
E nada disso é verdade...
Namorar é muito divertido e romântico, mas eu descobri que para muitos casais o namoro é uma fonte de angústia, por causa do medo da rejeição e da solidão.
O mito do "Amor Romântico" é o que causa mais sofrimento, pois hoje em dia ninguém demonstra o romantismo que tem dentro de si, para não se tornar uma pessoa "careta", e é essa expectativa do amor romântico que deixa as pessoas solitárias e inseguras. E o mais interessante é que somos nós mesmos os responsáveis pela manutenção desse mito, somos nós que damos a expectativa que o mesmo terá.
E ninguém tinha me dito que eu passaria o tempo avaliando as diferenças que me separavam da pessoa que talvez eu estivesse amando. Ficamos todo o tempo tentando descobrir qual é a natureza do amor verdadeiro, isto machuca as pessoas e aumenta as dúvidas a respeito dos sentimentos dedicados a ela. Muita gente pensa: ... se tivesse encontrado a pessoa realmente certa, não estaria em conflito com ela o tempo todo...
desconhecido
O Valor da Amizade
Sandra Quevedo Demarchi Nogueira
Você já parou para pensar sobre o valor da amizade?
Às vezes nos encontramos preocupados, ansiosos,
em volta há situações complicadas, nos sentindo meio que perdidos, mas somente o fato de conversarmos com um amigo, desabafando o que nos está no íntimo, já nos sentimos melhor, mesmo que as coisas permaneçam inalteradas.
Quantas vezes são os amigos que nos fazem sorrir quando tínhamos vontade de chorar, mas a sua simples presença traz de volta o sol a brilhar em nossa vida.
A simplicidade das brincadeiras pueris, da conversa informal,
momentos de descontração que muitas vezes pode ser numa conversa rápida ao telefone, no vai e vem do dia ou da noite,
no ambiente de trabalho ou de escola, enfim, em qualquer lugar a qualquer hora.
Entretanto, não existe só alegria, amor, felicidade nesta relação que como em qualquer outro relacionamento,
passa por crises passageiras, por momentos intempestivos, abalos ocasionais.
Ainda que tenhamos muito carinho pelo amigo em questão,
às vezes por insegurança, por ciúme, por estarmos emocionalmente alterados ou nos sentindo pressionados,
acabamos sendo injustos com ele e isso pode ser recíproco.
Podemos comparar esse elo de amizade ao tempo que passa por alterações climáticas constantemente, mas é dessa forma que aprendemos a nos conhecer, compartilhar momentos, que se desenvolve uma amizade.
Diante do amigo somos nós mesmos, deixamos vir à tona nossos pensamentos a respeito das coisas, da vida, nos mostramos como verdadeiramente somos.
Há amigos que nos ensinam muito, nos fazem enxergar situações que às vezes não percebemos o seu real sentido,
compartilham a sua experiência conosco, nos falam usando da verdade que buscamos encontrar.
São eles também que nos chamam a razão, chamando a nossa atenção quando agimos de modo contraditório, que nos dizem coisas que não queremos ouvir, aceitar, compreender.
Ao longo de nossa vida muitos amigos passam por ela e nos deixam saudade, mas também deixam a recordação de tudo que foi vivido.
É na amizade verdadeira que encontramos sinceridade, lealdade, afinidade, cumplicidade, simplicidade, fraternidade.
Amigos são irmãos que a vida nos deu para caminhar conosco ao longo da nossa jornada espiritual, extrapolando os limites do tempo, continuando quando e onde Deus assim o permitir.
hyderlam
É assim todo o dia
O sol clareia brando
A lua suaviza meu pranto
Medito sobre minha vida vazia
Lágrimas de suplício
Lágrimas geladas...
Lágrimas desperdiçadas...
Tentando aliviar meu martírio
E eu odeio tudo isso
Odeio sentir essa tortura
Ser seguida por essa amargura
Até já tentei suicídio
Minha lamúria
Meu terror que queima minha alma
Minha mortificação que não me deixa ter calma
Minha eterna fúria
Lágrimas...
Lágrimas de dor
Lágrimas sem amor
Mágoas...
Tentei me afogar
Nessa lamentação inútil
Nesse lamento fútil
Na bruma que disfarça o mar
Mas isso não me protegeu
Só me trouxe mais aflição
Só trouxe minha crucificação
Mas isso não me abateu
Pois, assim como eu
Nesse mundo profano
Sufocado nesse desejo insano
Muita gente morreu...
Nessa imortal depressão...
rodrigo of filth
REFLEXÕES SOBRE UM AMOR IMPROVÁVEL
Intangível para mim é teu amor, e corpo também
nem ao tempo a esperança pertence
amor, sexo, luxúria e desejo meu
infinitas vezes quisera
acariciar teus cabelos e com
recebimento de um beijo roubado
afagar tua pele com fervor
Enquanto isso a vida continua
Inacabada
Inalterada
Inacessível...
Adriano Saraiva