Textos de luis fernando verissimo
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O Amor
Nem é preciso que seja extravagante,
Inesgotável o amor, amor sem fim,
Absolutamente transbordante,
Não é preciso que seja o amor assim
Absolutamente espetacular, feito um diamante,
Escrito inteiro de palavra sim,
Não é preciso que seja impressionante
Como uma musica de Jobim...
Basta que feito de sinceridade,
Que guarde sempre boa vontade,
Supere as crises de contradição...
Basta que seja, então, amor, mais nada,
A unir quem ama à pessoa amada,
Basta que venha do coração...
Luis Tavares
O amor (A palavra)
Como ela surge? Do breu? Do nada?
Como é que desconcerta o pensamento?
Como é que quase sempre ela se agrada
De quem não tem nada por dentro?
Como é que deixa a alma hipertrofiada?
Por que é que trás, às vezes, sofrimento?
Por que é que chega com voz tão delicada?
Por que é que se vai, quando vai, feito um tormento?
Por que é que é sempre intocada
E, ainda que cantada e decantada,
Nunca experimenta o envelhecimento?
Como é real se é coisa imaginada?
Como é verdade se não pode ser provada?
Porque é que eu ainda tento.
Luis Tavares
O Amor assim
Que seja sempre assim: palavra escrita,
Palavra além da palavra imaginada...
E que alimente a palavra dita...
E que sustente a palavra dada...
Que seja sempre assim: coisa sentida...
E porque coisa sentida, publicada...
Que seja a coisa mais publica da vida
E a coisa pessoal mais divulgada...
Amor. Que seja assim como o alimento
Da alma, do fotolog, do pensamento,
Da poesia, de cada um dos gestos seus...
Amor. Porque o amor não se copia.
Amor. Porque o amor é a cada dia.
Porque o amor é uma dádiva de Deus.
Luis Tavares
O amor começa como uma plantinha, tão frágil e pequenina que parece que não vai suportar a hostilidade do mundo. Precisa de carinho, de cuidado pra sobreviver num grande jardim.No começo a paixão é a chuva que rega com a abundancia as raízes dela.O tempo vai passando e então a pequena plantinha cresce, já não há mais chuva para água-la, mas ela foi sendo alimentada a cada dia pela água do suor, das lágrimas e da saliva dos beijos daquele relacionamento.E logo a plantinha/amor torna-se uma frondosa árvore no meio daquele jardim.E passa mais tempo ainda essa árvore dá frutos.Mesmo parecendo ser forte e imponente a árvore/amor, por dentro, lá no seu interior, ainda é aquela mesma plantinha frágil e pequena do começo do relacionamento, que parecia não ter chance alguma de vingar.Tudo que a plantinha/amor se tornou veio de dentro do peito dos dois, se um dia um dos dois deixar de alimentá-la ela morrerá, para o amor/plantinha sobreviver é preciso que o sentimento seja recíproco e que dure até mesmo depois da vida de um dos dois...
Existem amores...ainda bem que eles existem, senão seria apenas eu e o deserto, apenas eu deitado na areia sozinho olhando as estrelas.Existem amores que pertencem aos céus, porque são como uma tatuagem visível apenas pelos que se amaram, uma estrela brilhando no peito, como uma marca cósmica, uma infinita lágrima de alegria e um abraço sem fim! E ele está lá, bem no centro, agüentando firme em meio às terríveis tempestades que fustigam nosso coração.
André Luis Aquino
O amor, quando se revela, não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela, mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente. Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse, se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa.
O amor, quando se revela...
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
O coração assim
Não precisa usar palavras pra dizer...
Dispensa os gestos para se expressar...
Quem desejar tenta-lo compreender
Há que aprender
A sentir o seu pulsar...
Porque o coração é assim:
Dispensa a boca quando quer sorrir,
Esquece o corpo quando quer amar...
E quando ama, o coração faz dividir
Ficar com jeito de multiplicar...
Luis Tavares
O meu projeto de vida
Começo agora contar
Do meu projeto de vida
Estudo para realizar
A formação preferida.
Minha paixão é ler e escrever,
Pretendo me formar em letras e direito
Na minha vida não posso esquecer
Sempre agindo com o devido respeito.
Gosto de estudar
Estudarei para o meu crescimento
Mas agora vou mencionar
O que eu farei para o meu sustento.
Com o intuito vou me formar
Sempre aprendendo com os professores
De cada um eu vou me lembrar
Nunca esquecerei os seus valores.
Na vida o mercado está aberto
Fecha-se para quem não tem formação
Para quem estuda é certo
Obterá sua estabilização.
Concerteza isso eu quero para mim
Estudo para ser um juiz
Se eu não estudar não será assim
Nunca concluirei o que eu sempre quis.
Mas não vou parar
Quero uma vida promissora
Mas sempre irei lembrar
Da minha grande professora.
O lema dela é certo
O segredo é estudar
Com ela eu fico esperto
Aprendo a me preparar.
Não poderei me abalar
Com as barreiras da vida
Nunca vou me abaixar
Minha cabeça estará erguida.
Na minha vida vou ser influente
Sempre vou andar por bons caminhos
Vou fazer as pessoas contentes
Vou virar uma rosa em vez de espinhos.
Por que assim vou conseguir
O que eu busco de fato
Que isso não sirva só pra mim
O que disse no meu relato.
Agora eu enfrento
Para muitos um temido projeto
Para mim eu não esquento
Eu falo do que é certo.
Sempre buscando experiência
Com sutileza vou seguindo
Aprendo a escrever com inteligência
Pois agora estou partindo.
Partirei para o meu futuro
Sempre me esforçando
Agradeço a Deus por tudo
A vida que estou levando.
Termino esse poema
Com tanta felicidade
De uma coisa eu tenho pena
Para os que fogem da realidade.
Fernando Marcos M. de Souza
O olhar da palavra
Tem gente que detesta poesia...
E não por não gostar, mas por ter medo...
Como quem morre de medo de bruxaria
Ou de os versos comentarem os seus segredos...
Tem gente que tem pavor, mas que ironia:
A poesia é leve feito um brinquedo,
Não tem pecado, a nada desafia,
E nunca fez ninguem morrer mais cedo...
É só palavra. E quem se arrepia
E teme os resultados que ela cria,
É porque andou, e como andou, pecando...
O que essa gente não desconfia
É que o mal não é o verso. É a hipocrisia.
O verso é só a palavra observando...
Luis Tavares
O poeta e a cortesã
Por que eu dentre todos esses mortais tenho que merecer tanta dor? O amor em mim sempre foi um ato dramático da vida. E esse suplício rouba-me muitos anos de minha eternidade. Não posso controlar o que sinto e nem por quem irei sentir. A luxúria transformou em fogo a nossa amizade.
Os olhos daquela cortesã insistiram em me devassar, estavam só escolhendo onde iam me cortar, me fez em pedaços com sua boca, mordeu minhas pernas, coxas, barriga, pescoço, orelhas...a ponta da língua dela sabe o gosto das paixões e nosso desejo foi sendo traduzido em vozes.Nossos gemidos tornavam-se canções.
E ela foi cantando, seu grito vinha de seu ventre, galopando em desafio sobre meu corpo fui conhecendo a mulher que mora dentro dessa cortesã. E quando eu finalmente fiquei louco, ela renovada tornou-se sã....
“Esquecimento! - mortalha para as dores -
Aqui na terra é a embriaguez do gozo,
A febre do prazer:
A dor se afoga no fervor dos vinhos,
E no regaço das Margôs modernas
É doce então morrer!
Depois o mundo diz: - Que libertino!
A folgar no delírio dos alcouces
As asas empanou! -
Como se ele, algoz das esperanças,
As crenças infantis e a vida d'alma
Não fosse quem matou!...”
Casimiro de Abreu - Dores
André Luis Aquino
O que escrevo ás vezes era para ser um solilóquio, a fala de alguém consigo mesmo, mas que socializo pela necessidade de não encarcerar minhas idéias, para dar vazão as minhas dúvidas e certezas e mapear meus sentimentos, e assim eu o faço através da escrita. Dessa maneira vou me fazendo feliz, já que a minha felicidade, para a benção da minha alma, reside em coisas pequenas e simples, mas que me são essenciais. Quando o contato não é físico o relacionamento entre mentes não é uma troca só de superfície.Ele é profundo.
O amor já assumiu na minha vida muitas formas, tanto físicas como psicológicas, sentimento que deixa marcas boas e cicatrizes doloridas, mas que se não existissem na vida da gente nossa existência seria um árido deserto de experiências materiais e egoístas.Amor sempre se confundiu com paixão pra mim, jamais beijei alguém sem que esse contato mudasse pra sempre a composição química do meu corpo.Porém paga-se um preço alto por essa intensidade. Mas para se compensar é preciso fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento.
O repertório do amor e paixão é bem variado, sempre tive horror a padrões físicos ou psicológicos, tem pessoas que se envolvem sempre com pessoas “iguais” ou repetidas. Depois de uma adolescência em que todos meus amores foram platônicos e nenhuma paixão foi correspondida, meu amor então foi de uma Femme Fatale a uma moça ingênua e sem “pecados”.Não importa no corpo em ele que esteve ou está, tesão e ternura, calma e loucura, amizade e passionalidade, ardem todos juntos nessa mesma fervura do caldeirão que prepara essa formula mágica do amor
André Luis Aquino
O sentimental sente as flores;
E dedica sua vida justamente para a rosa mais cretina.
O sonhador imagina as flores;
E dedica sua vida justamente para o sonho de mais mentiras.
O cretino vê as flores;
E dedica sua vida para estragar flores das pessoas mais divinas.
O sincero se declara para as flores;
E dedica sua vida para as verdades que são tentativas da mentira.
O mentiroso mente para as flores;
E dedica sua vida para alimentar a dor da sua própria vida.
E aquele que não tem esperanças não sente, não vê e nem imagina flores;
dedica sua morte a uma rosa, na fé de encontrar novas flores e vidas...
Fernando Zéqui
Os amantes do círculo polar‏
Deve ser a parte tóxica do meu sangue que faz isso comigo, o meu louco gosto pelas segundas intenções. Amorardente, sempre buscando sangrar pelo umbigo.Nos conhecemos na escola, ainda na infância.E os anos nos juntam e nos separam com tanta freqüência, como se tudo isso estivesse acontecendo ao sabor do vento.
Amordormente. Deve ser a parte doce do meu sangue que faz isso com a gente. Naquela época mal nos falávamos; apenas nos olhávamos, enamorados, mas sem coragem de se aproximar. Duas crianças que se apaixonaram uma pela outra, sem que um saiba do sentimento do outro.
Amorlouco, deve ser a parte venenosa do meu sangue que faz isso comigo.Quando alguém mente não nos olha nos olhos, pra te confundir eu faço exatamente ao contrário.Uma história de amor que atravessa duas décadas repletas de altos e baixos, cheias de idas e vindas.Amorencontrado, deve ser a parte suave do meu sangue que faz isso com a gente.Medos, amores, ciúmes, tudo isso vai e vem, regido pelo destino, por uma lei aleatória de encontros e desencontros.
Amorperdido pela parte do meu sangue malvado. “Eu poderia contar toda a minha vida como um trem de coincidências”. Direção é o meu sexto sentido. Amoreterno é a parte sólida do meu sangue carinhoso.“A vida tem muitos ciclos”.
Há coisas que nunca acabam e o amor é uma delas.
André Luis Aquino
Os olhos de um homem podem desempenhar duas funções: uma é ver a energia enquanto flui no universo e a outra é "olhar as coisas neste mundo". Nenhuma dessas funções é melhor do que a outra; entretanto, treinar os olhos apenas para olhar é um desperdício desnecessário e lamentável.
(Carlos Castaneda)
Uma lenda antiga reza que Demócrito teria cegado seus próprios olhos pra pensar melhor.Não que os olhos seja um estorvo, afinal ver é um dos sentidos mais completos do universo. Nos permite aprimorar suas percepções do mundo.No entanto os olhos podem mostrar apenas aquilo que queremos ver, por isso é possível notar que não somos donos dos nossos olhos, apesar de imaginar que aquilo que vemos é real isso prova-se totalmente falso se pudéssemos mergulhar melhor naquilo que vemos apenas a superfície. O calor não está na chama, a doçura não está no doce.Olhar não é provar, não é experimentar, olhar é apenas se ter idéia, estimar.E ás vezes nossos olhos nos enganam.
Por pior que seja aos olhos dos outros, nenhum homem consegue suportar uma imagem horrível e repugnante de si mesmo durante muito tempo. O amor que sentimos por nós mesmos nos faz querer ser bem vistos porque vivemos sobre o império da beleza que associa a imagem ao amor.
Mas vamos parar de conversa e “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida e nos arrasta moço sem ter visto a vida”.
André Luis Aquino
Os Sonhos
Sonhar é não saber se vai acontecer!
Sonhar com um grande amor,
È sentir total prazer,
Por isso me faça um favor!
Não deixe seu sonho escapar,
Por eles siga em frente,
Nunca se deixe levar,
Por um pensamento inexperiente!
Nunca deixe de sonhar!
Pense antes de agir,
Como você irá chegar,
Fazer a realidade existir!
Na sua vida seja influente!
Sempre ande por bons caminhos,
Faça as pessoas contentes,
Vire uma rosa em vez de espinhos!
Nunca faça humilhação,
Não faça ninguém entristecer,
Isso é uma condição,
Que a vida nos coloca a aprender!
O sonho ninguém pode pegar!
Os sonhos só poderão ver,
Mas o que acontece se não lutar,
O sonho não irá acontecer!
Só assim poderá chegar a algum lugar,
Seja uma pessoa muito importante!
E assim irá realizar,
O que você busca a todo instante!
Fernando Marcos M. de Souza
PASSAGEM DAS HORAS
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô--ô-ôôô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagascar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta entrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta sociedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?
(...)
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...
Fernando Pessoa
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..
Fernando Pessoa
Pouco importa de onde a brisa
Traz o olor que nela vem.
O coração não precisa
De saber o que é o bem.
A mim me basta nesta hora
A melodia que embala.
Que importa se, sedutora,
As forças da alma cala?
Quem sou, p'ra que o mundo perca
Com o que penso a sonhar?
Se a melodia me cerca
Vivo só o me cercar...
Fernando Pessoa
Qual é a diferença entre amigos de verdade e amor ?
a amigos numca vao te trair, ou te deixar na mão
amor tambem nao vai te trair ou te deixar na mão,
vai fazer vc esqueçe a quelas pessoas que um dia vc chamou de
amigos
Fernando César dos santos Junio
Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.
Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.
Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.
Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.
Fernando Pessoa
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.
Lá nu~a saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.
Brado: -- Não me fujais, sombra benina! --
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,
Torna a fugir-me; e eu gritando: -- Dina...
Antes que diga: -- mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
Luís de Camões
Quando estou só reconheço
Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.
E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.
Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.
Fernando Pessoa
Que apesar de todas as dificuldades, apesar de algumas tristezas que insistem em estar, que mesmo com essa montanha erguida, o sol possa ser seu presente mais doce.
Desejo ao teu coração o querer que ele quer. Que nas palavras que ele sussurra dentro do seu peito sejam ouvidas aquelas que têm sabor de liberdade. Que você esteja atento para o sopro da sua vontade real e jamais desista dos seus passos em direção à verdade.
Desejo que sua percepção acorde mais plena no calor de um sol novo e renovador. Que ele lhe encoraje às atitudes que estão querendo respirar. Aquelas que sempre são substituídas, aquelas que não se arrojam por ter os pesos de conceitos por demais antigos.
Desejo que você aceite seu tempo, seja ele qual for. Que sinta serenidade na espera necessária para que a semente plantada brote no tempo certo. Desejo então que sua flor seja inteira, e mesmo que inicialmente pequena e frágil, ela lhe traga as luzes de uma estrada azul.
Que sua sabedoria esteja desperta aguardando com tranqüilidade o desabrochar da sua flor. Em paz, em cadência ritmada com o aprendizado que vem chegando. Em mais suaves permissões a você. Em muito mais reconhecimento da sua coragem.
Desejo a você um sol diferente. Espalhando seu sorriso pela densidade das nuvens, simplificando o aspecto complicado de alguns momentos e mostrando-lhe a fonte essencial para sua sede.
Desejo que a cada instante você desnude mais seu coração e deixe que nele vibre em tom maior: "O AMOR"!!! O AMOR na sua expressão mais simples. Que não mede, não faz contas e que tem o poder de lhe erguer acima de todas as montanhas escuras.
andre luis
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando.
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!
Fernando Pessoa