Textos de amor

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AMOR RADIANTE

Encantei-me com seu sorriso e seu olhar
Deslizei no tempo feito o vento em sua trajetória
Buscando por caminho presente na memória
Além da imaginação para o seu amor provar.

Encantado fiquei, minha imaginação se perdeu
Loucuras senti, em meu coração o destino selado
Permanecendo em mim o seu amor e o gravado
Na eternidade de um sonho que me envolveu.

Em cada olhar, uma busca permanente
Em cada sorriso, um atrativo presente
Feito o dia e a noite em minha vida.

Seu olhar é como o sol e sua cor
Contagia-me com seu raio fixador
Tornando você minha esfera preferida.

Mário Rodrigues da Silva

Talvez o amor não seja tão bom
Todos dizem q o amor é lindo, eu não descordo.
O amor é bom, mais sempre me trouxe mais lagrimas do q alegria.
Pq as pessoas querem tanto um amor, ele é apenas mais 1 verbo entre outros milhões
Pq o amor pra mim tem q ser estilo borboleta, quanto mais eu procuro e chego perto mais ela foge de mim.
Todos falam q o amor é uma rosa, até pode ser, cheia de espinhos q vc pode se machucar e q apartir de hoje não quero mais cheira-la.
Parece ter um cheiro perfeito, q te deixa feliz, animado e de bom humor.
Será q eu sou tão diferente assim? O amor me deixa muito triste, desanimada, mal-humorada, e detraída e pra mim o cheiro é o cheiro da dor.
Pq enquanto sorrio dizendo te, gostaria de uma lagrima no meu rosto pedindo para não continuar. Pq meu sorriso triste, é a tristeza de não poder sorrir.
Mais enquanto o amor te pega q você não tem o que fazer! Ai tudo piora.Agora eu choro por te querer e não te ter,triste por ver você feliz em braços q os meus.
E quando estou com você tudo mudo, eu poderia ter mais de uma opção, mais nunca da um bom resultado.
Eu poderia estar com você, e tu esperando algo mais de mim, e eu não pudesse fazer nada, como se você me falasse te amo, e eu quisesse dizer, valeu por ser um grande amigo.
Poderia estar amando quem me ame, mais imagine, viver pra sempre sonhando, achando q a vida é um paraíso, acorrentado nesse amor como se não tivesse a chave para me libertar.
Ver-me sonhando cada dia mais como se eu estivesse em um lugar q não tem como voltar ao mundo real, sonhar cada vez mais aumenta minha dor e me deixa cheia de ilusão.
Também poderia escolher te amar e você estar apaixonado por outra, como se você me pedisse para ficar contigo e eu aceitasse, mais você ainda a ama.
Depois de um tempo você chega em mim e diz logo q ainda ama ela. Eu falaria para você ir atrás de sua felicidade, de seu amor,com um lindo sorriso no rosto,mais na verdade querendo chorar.
Por trás de um olhar brilhante, gostaria de que lagrimas corressem sobre meu rosto, como se eu dissesse tudo bem querendo falar para deixar eu provar q poderia dar certo, enquanto eu falo tchau pra você gostaria de dizer para ficar mais um pouco comigo... Mais eu sabia q seria arriscado ficar com você pq eu sei q amor é sinônimo de dor

Mas mesmo depois de ver q o amor não é tão bom, pq eu não consigo para de te amar?

Monique Hoffmann

Amor é um fogo que arde sem se ver


Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luiz Vaz de Camoes

AMOR E ILUSÃO

O que é que eu faço
para amenizar minha dor,
que a cada dia me sufoca o peito
e da vida me tira o sabor?
Eu amei sem pensar
mas agora vou jurar
nunca mais me entregar
pra quem não sabe amar.
Como eu pude me iludir assim?
Parece que a dor jamais terá fim.
Você chegou me fazendo mil promessas,
mas prometi ao meu coração
que nunca mais caio numa dessas.
Você não tem coração.
Me iludiu a troco de nada
só por um pouco de emoção.
Enfim, fui enganada.
Um dia, ainda feliz serei.
Podes crer, eu me vingarei.
Quando você me procurar e sair da sua casa
disposto a me falar que só quer me amar.
Estarei te esperando com a mesma emoção,
olharei nos seus olhos e responderei: NÃO!

Monique Frebell

PRIMEIRO AMOR
Todo mundo já teve um primeiro amor... o último a gente nunca saberá qual é, mas o primeiro será sempre inesquecível. O primeiro amor é aquele que faz você suar frio, ficar quente, eloqüente, inconseqüente. Ele é sempre jovem, forte e vibrante. Por mais que tudo tenha dado errado e tenha sido mais que desajeitado, o primeiro amor é sempre cor de rosa, traz boas lembranças, promessas, poemas e prosas. Alguns também trazem boas risadas... o meu primeiro amor, tem o som de Kenny G, por isso inevitavelmente quando estou em salas de espera, dentistas e ambientes afins, fico com cara de boba e apaixonada, com aquele sorriso no rosto do privilégio de ter vivido um grande e incondicional primeiro amor e mais nada. O primeiro amor é saudável, é moleque, é pivete, é quando se joga confete, masca chiclete ao som de Ivete. É aquele que você se perde, se acha, transa na sala, no sofá, na cama de solteiro, na escada, no carro, no banheiro e também no chuveiro. O primeiro amor é uma explosão de hormônios, sentimentos inconstantes, intrigantes, interessantes, porque é a descoberta do desconhecido, o desbravamento do território virgem e nunca explorado com tantas sensações de prazeres. O primeiro amor é eterno, é um marco, mas no primeiro momento que achamos que não é, o primeiro amor é a morte, um sofrimento de posse e quase um deboche. O primeiro amor pode ser uma breve, eterna ou única história, pode ser até mesmo a última esperança, no espaço de um hiato, perdido no espaço, que liga a juventude à velhice na luxúria de amar um amor que é só meu, e é só seu... primeiro amor.

Ana Flávia Corujo

Fantasia em Vôo

Um beijo na tua boca
com muito amor e carinho
é melhor e mais gostoso
que uma taça de vinho

Teus olhos lagos serenos
são a minha perdição
Teu corpo pegando fogo
até parece vulcão

Vou atirando palavras
rumo ao teu coração
como menino brincando
com cinco pedras na mão

Queria ser uma rosa
pregada no teu vestido
para morrer afogado
no teu decote atrevido

No terreiro do teu corpo
quero ser um "passarim"
ciscando meu bom almoço
numa alegria sem fim.

Joseph E. de Sousa

Porque a saudade só vem depois do amor?

Seria melhor perguntar ao vento porque ele sempre se dobra em cada curva, mas o vento às vezes sopra longe daqui, esperar o vento é mesmo quem espera o amor que se foi. Nosso amor está perto, porém longe do coração, mas distante se nem distante se encontra esse amor, a saudade se prepara para atacar. A sobra dos sabores do amor é que atrai a saudade, vem como um animal sorrateiro, que nem cheiro vem sentir, como a essência do perfume que sobrou de ti. Tivera uma amostra, dessa tua virtude, com tudo que me prepara, entretanto preparado não está o coração, como se fossem anjos sem asas em resistir. O amor se nos dá asas não sei, mas o sereno da madrugada se mostra como sem tempo, em tempo, com tempo á resistir.
Como seria saudade depois de ti? Não me deste tempo para me acostumar, mas sempre o tempo vem como de costume, sem amor pra recordar. Se a saudade me faz chorar ao perceber que estou sem você aqui, quem dera essa saudade não viesse existir, futuro do amor com saudade, tem vontade de sumir. Sem conseguir tirar-te do coração, me sinto tão só, restando somente adentrar nesse mar, mas o rio dos sonhos vai desaguar em sua fonte de amor me afogar. Pena seria fazer tudo voltar ao começo, pois teria que sofrer outra vez, não tem coisa pior que sentir as coisas serem duas, com desejo de se repetir o que não serviu. Sinto-me preso entre as loucuras do que sem querer viesses aflorar, pois liberta-me do que só você saberia como me liberar, coração preso somente sabe sofrer enquanto, não sara, se é que sara.
Se somente amar e amar me viria livre desse dissabor, também sonharia com o mais completo amor, amar sem pudor, porque a saudade só vem depois do amor?*
Acredito que ela seja a metade escondida, a forma de dizer que nem tudo acabou, que nem tudo foi em vão e ainda a restos de amor. Talvez seja por isso, que ao acabarmos, ela com um tom suave, com uma fala mansa, vem desacorrentar o adeus, as palavras sórdidas ditas de cabeça quente, o lugar vazio na mesa, trazendo o sabor da sobremesa que antes insípida.
A saudade renova sua face, tira a palidez sem cerimônias. A saudade é uma forma de lembrar de fatos congelados e registrados na mente, em fusão disso faz você lembrar de um passado, que por sinal ainda não está totalmente esgotado na sua vida, na sua intimidade e na sua rotina.
Não que a saudade só venha depois do amor, é que antes não havia espaço pra ela, o ambiente era rodeada de cumplicidade, e atenções eram dadas para outros casos. Não que a dor só venha depois do amor, é que por achar que tudo foi em vão, você chega a desacreditar no amor, chega a trapacear seu coração, com isso acumulo de lembranças te perturba, tira o sono e transita como sombra em tua morada. Não é que a lamentação só vem depois do amor, é que antes não sobrava tempo para lamentar, mesmo com a falta de apetite, a barriga apenas sentia um frio, que alimentava e que a enganava. Não é que tudo vem só depois do amor, é que após você acordar pra vida, passara a observar, a verdadeira face de um ângulo diferente, sentiras o vento de um jeito indiferente, pelo simples fato de trazer o odor de um perfume, ouviras a música e acharas sem rima, e ao mesmo sem a proeza, também choraras ao ouvi-la desesperadamente, e perguntaras a si por que isso só acontece com você, achando que o outro só porque tem uma vida diferente da sua é sinal que esteja feliz, e quanto você morrendo aos poucos. Então, se tudo vem depois do amor é por culpa sua, por se entregar e amar primeiro o outro, por dedicar sua vida a ele, e em procedência disso as conseqüências acabam tomando o lugar dele, acabam revelando segredos privados, de um gosto amargo. Não que o que te contem pode ser contido, o amor quando chega é como um furacão, e torna-se o personagem principal, e você de uma só vez leva todos pra assistir o espetáculo, come pipoca, sorrir, se emociona, se assusta, se acovarda, se impressiona e em suspense te assusta, e quando menos se espera, a peça acabou, e você era apenas um espectador cheio de expectativas e sonhos dissolvidos após ligarem à luz, contudo tudo acaba se desfazendo e aparecendo nitidamente depois do amor.

paulo Master e Fernanda Viana

AMIGA

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!...Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei prá minha boca!...

Florbela Espanca

O amor é tudo...




Temos a mania de achar que o amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus.
Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros.
Ele certamente está por ali, você quase pode sentir seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói,só o amor salva, só o amor traz felicidade.
Há quem acredite que amor é medicamento. Pelo contrário. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproxima, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima.
Você já ouviu muitas vezes alguém dizer:
"Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu". Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas.
O amor, ao contrário do que se pensa, não tem de vir antes de tudo.
Antes de estabilizar a carreira profissional, antes de fazer amigos, de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir de seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir, sem máscara e sem fantasia.
É esta a condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem, arrisco-me a sair em defesa do amor:
Ser feliz é uma exigência razoável, e não é tarefa tão complicada. Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade.
Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipe encantados.
O amor é o prêmio para quem relaxa.
Para completar, cito um famoso jornalista e escritor americano, Norman Mailer: "As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas."

Desconhecido

Carta de Seth

"Sou feito de sentimentos, emoções, de luz, de amor. Sou a voz que você ouve quando pede um conselho, sou quem te toma nos braços quando necessita, talvez, agora, enquanto lê essas palavras, eu esteja aí, ao seu lado, olhando dentro dos seus olhos como quem quisesse enxergar o que teu coração demonstra,mais tarde... à noite, quando você se deita... sou quem nina seus sonhos sentado ao seu lado esperando você dormir... dizendo que tudo vai ficar bem.
Se ao menos você pudesse me perceber, se notasse o que sinto ao seu lado... basta você querer, basta por alguns instantes esquecer seus problemas, fechar os olhos, como se nada mais existisse, me deixe chegar perto de ti... te abraçando... sinta meu coração batendo ao compasso do teu... sinta que não está sozinha, nunca esteve! Apenas esqueceste de olhar mais com os olhos do teu coração... então abra os olhos... veja os meus... me conheça.
Quem sou eu pra pedir para que me note? Apenas um anjo que se deixa levar por suas emoções, que desconhece o que é errado... se entrega, se rende... vagando por estrelas, nuvens, pelo céu escuro da noite... olhando pelos outros, despertando amores, anseios, paz nas almas que fraquejam, sentado ali de cima olhando você... te observando... deixando, às vezes, uma lágrima cair e se fazer uma gota de sereno que te toca os lábios... lágrima essa por não poder nada mais que apenas te ver... sentir sem poder tocar.
Manifestando através de pequenas coisas, como um sorriso sincero nos lábios de alguém que você não conhece, o toque de uma criança a te fazer carinho, palavras escritas nas páginas de um livro que te chamam atenção, palavras que mexem e emocionam o coração ditas do nada, como um sussurro em seu ouvido... e se um dia uma brisa leve e suave tocar seu rosto, não tenha medo, é apenas minha saudade que te beija em silêncio.
Os humanos têm um hábito muito peculiar de julgar seus semelhantes por sua aparência, de rotular pessoas as quais nunca viram... apenas pelo modo como ela se apresenta... porém, consigo ver dentro de cada um o que realmente são... e me assusto algumas vezes em como podem os humanos deixar-se levarem por embalagens, por invólucros... deixam de terem muitas vezes ao seu lado verdadeiros tesouros, amizade sincera, lealdade, companheirismo... simplesmente por não terem gostado do rosto do indivíduo. Imagine uma roseira cheia de espinhos, ninguém acreditaria que dela pudesse brotar uma rosa tão bela, sensível e delicada.
É do interior que nascem as flores. Pude conhecer seu interior... me deparei com uma flor linda... e com muitas qualidades. Se preserve assim... muitas vezes é melhor sermos o que realmente somos... a viver como as pessoas acham que deveríamos ser... Não existe ninguém melhor, ou pior que ninguém... apenas diferentes umas das outras e essas diferenças são que mostram quem realmente você é. Fico assim... dizendo as coisas que me aparecem dentro do peito, contando o que se passa em mim, como se estivesse desabafando... pois Deus nos fez para cuidar dos outros... e quem cuidará de nós?
Continuarei aqui... meio que escondido, ao teu lado, te olhando, te sentindo... esperando para que um dia você deixe seu coração "olhar" e me ver... daí, enfim, poderia eu mostrar o quanto você é especial pra mim. Um poema deixado no ar, palavras implorando para viver como uma estrela que o dia não vê e que espera a noite chegar para poder mostrar-se, a canção de amor que sai da sua boca... são as coisas que sempre sussurro ao seu coração, tento traduzir emoções que nunca senti antes, algo realmente novo pra mim, paz, atração, paixão, amor, algo especial... sincero... verdadeiro.

Desconhecido

Da chegada do amor


Sempre quis um amor
que falasse
que soubesse o que sentisse.

Sempre quis uma amor que elaborasse
Que quando dormisse
ressonasse confiança
no sopro do sono
e trouxesse beijo
no clarão da amanhecice.

Sempre quis um amor
que coubesse no que me disse.

Sempre quis uma meninice
entre menino e senhor
uma cachorrice
onde tanto pudesse a sem-vergonhice
do macho
quanto a sabedoria do sabedor.

Sempre quis um amor cujo
BOM DIA!
morasse na eternidade de encadear os tempos:
passado presente futuro
coisa da mesma embocadura
sabor da mesma golada.

Sempre quis um amor de goleadas
cuja rede complexa
do pano de fundo dos seres
não assustasse.

Sempre quis um amor
que não se incomodasse
quando a poesia da cama me levasse.

Sempre quis uma amor
que não se chateasse
diante das diferenças.

Agora, diante da encomenda
metade de mim rasga afoita
o embrulho
e a outra metade é o
futuro de saber o segredo
que enrola o laço,
é observar
o desenho
do invólucro e compará-lo
com a calma da alma
o seu conteúdo.

Contudo
sempre quis um amor
que me coubesse futuro
e me alternasse em menina e adulto
que ora eu fosse o fácil, o sério
e ora um doce mistério
que ora eu fosse medo-asneira
e ora eu fosse brincadeira
ultra-sonografia do furor,
sempre quis um amor
que sem tensa-corrida-de ocorresse.

Sempre quis um amor
que acontecesse
sem esforço
sem medo da inspiração
por ele acabar.

Sempre quis um amor
de abafar,
(não o caso)
mas cuja demora de ocaso
estivesse imensamente
nas nossas mãos.

Sem senãos.

Sempre quis um amor
com definição de quero
sem o lero-lero da falsa sedução.

Eu sempre disse não
à constituição dos séculos
que diz que o "garantido" amor
é a sua negação.

Sempre quis um amor
que gozasse
e que pouco antes
de chegar a esse céu
se anunciasse.

Sempre quis um amor
que vivesse a felicidade
sem reclamar dela ou disso.

Sempre quis um amor não omisso
e que suas estórias me contasse.

Ah, eu sempre quis uma amor que amasse.


Poesia extraída do livro "Euteamo e suas estréias", Editora Record - Rio de Janeiro, 1999,

Elisa Lucinda

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe,
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

Amor Irresponsável

Nenhuma palavra é mais escrita, nas mensagens que recebo do que o AMOR. Já li tantas vezes que já se tornou chato, como agravante, normalmente quem tanto escreve sobre o amor não o sente em sua plenitude. E até por medo ou neurose, vai divagando... horas o amor é a salvação em outras é a dor, desilusão. Será que entendemos mesmo este sentimento? Será que criamos em nós a capacidade de senti-lo?
Acho que não!
Por isso vamos escrevendo sobre ele como um cálice de néctar longe dos lábios dos mortais afirmando ainda que este néctar seria nossa glorificação. Mas se o amor é o néctar da salvação da humanidade, que diabos estamos bebendo que tanto faz as pessoas sofrerem?
Com certeza, amor não é!
Para mim é uma incoerência só. Na realidade estamos perdidos entre cenas de filmes e propaganda com ideais de perfeição que só existe em lapsos de tempo na cabeça de um escritor. Ou, simplesmente a tentativa de eternização de um momento de felicidade ou romantismo que um dia tivemos. Contudo, enquanto não conhecemos este amor( néctar) vamos vivendo aos atropelos e descobertas.

“Teremos amigos e
Amores vários, talvez
Amor de mãe é mais raro
Achamos só uma vez”

Este autor não é desconhecido, só que não lembro seu nome. Esta quadrinha já ultrapassou um século e continua presente em modernos recitais. Ela foi escrita por um detento que espancava a mãe até ao aleijão.

Amor de mãe é raro realmente, um pouco parecido com aquele néctar...
Acompanho mães que (por amor) batem nos filhos os queimam ou simplesmente os abandonam no lixo urbano. Os degradam psicologicamente incapacitando-os de ter uma vida plena e funcional cobrando um preço, pela eternidade, de ter nascido daquele ventre. Algumas ainda - acobertadas por médicos ávidos em pegar células tronco - os arrancam aos pedaços do ventre com curetas, agulhas de tricô e até os envenenam dentro do próprio útero desde que não faça mal a ela (mãe) e tudo isto com uma única lógica (O corpo é meu e tenho o direito de fazer dele o que quiser).
Vejo crianças que são obrigadas a "parecerem" educadas todo o tempo, acabam tão castradas que se tornam adultos muito antes do tempo, e na maturidade se perdem querendo voltar a ser criança. Ou tão mimadas que não conseguem crescer.
Lares, em que a criança só pode viver se seguir as regras da casa ou ao contrário ela faz as regras da família.
O desequilíbrio é fantástico, e tudo feito em nome do amor, (aquele que causa dor).
Assisto a pais querendo que o filho faça tudo o que eles não tiveram a capacidade de fazer e quando o filho não consegue, lá vem uma saraivada de palavras assassinas de caráter. Ou quando pais bem sucedidos, querem dar ao filho tudo que eles (pais) não tiveram, sem contudo, dar ao filho a responsabilidade e a beleza de lutar por tudo que quiser possuir . E lá se vão presentes e mais presentes sem que o garoto faça qualquer esforço para ter. O que esta criança vai pensar quando crescer? Alguns matam os pais...
Percebo jovens falarem tão mal de seus pais e prometerem que nunca serão como eles, para depois, como mãe ou pai repetirem as mesmas agonias que lhe foram impostas.
Por amor, alguns pais, muito ocupados em dar conforto para o filho, mal têm tempo para olhar para eles, ajudar nos trabalhos de casa, conversar com eles ou dar um simples carinho, e somente por culpa os enchem de presentes como se estes tivessem a capacidade de substituir o (amor) não recebido.

Nestes últimos 5 anos a juventude perdeu os ídolos caseiros e os trocou por guitarristas drogados, pagodeiros traficantes, funkeiros assassinos. Que exemplo que estas pessoas podem dar?
Isto não é novo, mas agravou-se.
Não vou citar nomes, mas tenho certeza que todos sabem bem as pessoas que me refiro. A maioria dos ídolos que temos foram ou são pessoas problemáticas que só são ou foram capazes de viver sob o foco do palco.
A grande maioria morreu de overdose e passou a vida enfiadas em vários processos criminais.
Estas são as pessoas que escolhemos para idolatrar.
Se esta piora vem acontecendo de 5 anos para cá, segundo análise estatística da Universidade de Oxford, é por que o número de avós que, antes da internet e das confrarias da terceira idade, era o esteio moral da família. Esta avó largou tudo para viver amores irresponsáveis em salas de chat ou em salões de clubes falidos tornando-se pessoas ridículas, inseguras e dependentes de palavras que precisa ouvir. Algumas senhoras de 60 anos com muitos nicks eróticos e pouca cepa ,egoisticamente admitem, que já criou seus filhos e que agora o problema são deles.

Graças a Deus não são todas.

Uma fuga fácil, mas penosa tanto para ela como para aqueles que a cercam. O verso da moeda, também esta para aquele filho que prefere que a velha mãe (para ele, agora inútil) passe madrugadas sob a luz de um abajur olhando fixamente para a tela de seu computador vivendo as falsas emoções que são lhe imputadas por falsos Nicks, falsos amores ideais, falsos poetas, personalidades de contos de fadas. A encher o saco deles.
Na maioria são seres "incompreendidos" ou até incompreensíveis que procuram a metade de sua laranja e se procuram uma metade é simplesmente por não se considerarem inteiros. Apenas carência, fuga, numa procura em vão de seu ideal perdido. Logicamente não se pode culpar a internet, ela apenas permitiu que a carência de vida real, latente nestas pessoas, ganhassem uma válvula de escape, e os nicks tornaram-se mais importantes que os nomes.

Vivemos a modernidade, colaboramos com ela, mas será que estamos satisfeitos com o que conseguimos?

Já perguntei a mães na fila de presídios para levarem um conforto aos filhos lá aprisionados, como ela se sentia em estar ali. A maioria me respondeu: “eu dei a melhor educação, mas ele não quis seguir o bom caminho.” Culpa do Governo, culpa da sociedade, etc.
Ou seja, ela se eximiu de ter errado. O erro é do filho ou dos outros e ela por ser mãe (arrependimento mudo), leva um bolinho, um celularzinho ou um revolvinho para o coitado.

Amor de mãe é raro, às vezes não o achamos nem uma vez.

Este Néctar da salvação esta e sempre esteve a nosso alcance só que tivemos e temos medo de mudar nosso conceito de vida.
Outro dia recebi uma frase que dizia que o verdadeiro amor é o AMOR de Cristo... é desestimulante ver isto, para mim é o suicídio de todo o amor real que podemos doar a nossos semelhantes. Em sua grandeza, este mesmo Cristo abominaria esta idéia, mas enfim, os covardes são fantasticamente privilegiados em encontrar esconderijos para suas personalidades medrosas.

Podemos parar de mentir para nós mesmo e positivamente ser feliz, sem que esta felicidade seja uma brutal exigência diária.
Podemos amar, mas com responsabilidade e respeito.


Rio 03 de Dezembro de 2002

Jorge Reigada

Falei pro meu coração





O mais belo poema de amor foi escrito com

lágrimas de saudade.

Amores do passado, do presente velhos temas...

Tão iguais

Estranha... é minha tentativa de esquecer...

Vivo mergulhada nas lembranças.

Ti amo demais

Impossível esquecer a primeira vez que te vi

Hoje é só saudade,recordações.

Coisas do amor nunca mais .

Fui por você foi esquecida.

como um cigarro na borda de algum cinzeiro.

Porem.......

não posso ouvidar que tive você

ao alcance de minhas mãos.

Fico a imaginar...como poderia ter sido diferente.

Hoje só podemos ser amigos simplesmente.

Amigos,simplesmente ,nada mais.

Vou passar a vida inteira te amando.

Se não fosse a gota não haveria a chuva...

Se não fosse você....não haveria a canção.

Estranha no meu peito

Estranha na minha alma

Agora eu tenho calma

Não te desejo mais

Podemos ser amigos simplesmente

Amigos, simplesmente, nada mais

Já falei pro meu coração

Coisas do amor nunca mais.

Isadora Cristina Jacob Moreira

Futuros Amantes


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
No porta-retratos
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
nossa terra será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, teus segredos...

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Isadora Cristina Jacob Moreira

Amando uma Mulher
(Santaroza)

Para se ter o amor de uma mulher
basta tão pouco...
Elas pedem tão pouco...
Elas querem tão pouco.

Elas querem companhia,
Elas querem alegria.
Se possível...
uma poesia!
Um beijo, uma flor
Um sincero amor.
Um parceiro de confiança.
Nem precisa aliança.
Pois no fundo,
são como crianças!

Mulher é um ser tão
especial e superior,
que sorri mesmo sentindo dor.
Ama sem complexo ou pudor.
E ainda nos faz pensar
que somos o ganhador,
quando na verdade,
sem elas somos o perdedor.

Portanto,,
para ter esse presente,
basta ser presente.
Ser sincero e permanente.
Ser carinhoso, depois amoroso!

E antes de ser gostoso,
ser jeitoso.
Dar antes de pedir.
Calar para ouvir.
Amar como
a flor e o beija-flor.

João Santaroza

O amor é um milagre
que não acontece todos os dias...
Ele chega sem avisar,
nos toma a maior parte do dia
e quando chega a noite,
ele queima por dentro da gente.
O amor nos dá asas,
nos faz acreditar na liberdade,
nos faz acreditar que é possível,
que alguém, em algum lugar,
faz tudo pra nos fazer contente.
O amor lapida até a mais antiga pedra.
Nos faz sonhar acordados,
nos perdoa,
quando estamos desolados.
Nos levanta,
quando não temos mais forças,
nos acalenta,
quando estamos sozinhos.
O amor, pela simples palavra,
nos faz sentir importantes,
quando, muitas vezes,
estivemos no fundo do poço.
O amor, em sua cor toda branca,
não pode ser manchado,
nem usado pra outros fins,
porque por ser intenso,
por ser maravilhoso,
deve ser cuidado,
deve ser acreditado,
pra que nunca,
em nenhum momento,
estejamos diante deste amor,
magoados...

Desconhecido

O Amor

Estavas tão próximo de mim... tão longe para tocá-lo..
constantemente via-me...nunca olhei-te...

Falou-me evasivamente....li-te verdades...
sobrenatural me seguias...iluminei-te a dúvida...

Tentou-me discórdia...confirmei-te sinceridade...
desconfiando me testou ... presentiei-te a crença...

Induziu-me incertezas....respondi-te vivência...
reclamando seus tormentos....devolvi-te a paz....

Ofereceu-me vitrines....pedi-te simplicidade...
temendo seus anseios... dei-te- cumplicidade...

Convidou-me proclamas... lembrei-te silêncio...
protelando seus momentos...mostrei-te urgência...

Conheceu-me intimamente...mantiveste inatingível...
instigaste meus sentidos....sussurrei-te desejos....

Quis-me desarmada...afastando medos...
manipulando meus instintos...ofereci-te inteira...

Singiu-me de felicidade...impregnando esperanças....
enlaçando meus sentidos...fecundei-te a alma...

Duvidou-me verdade...pedindo imagens...
lendo meus sentimentos...ruborizei-te a vergonha...

Enraizado no objeto nobre de nosso peito...
Ei-Lo : latente...imuni... inteiro...forte...

Mantenho-Te no Lugar Mais Terno e Seguro: Meu Coraçaõ !!!

PP M Lourdes L Mello

"Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar".

A Mim ? Basta Sentir, e Tendo por Quem Sentir, Faz-me Ver
Que Estou Viva em Amor..!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mário Prata

O contrário do Amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.
Martha Medeiros

Martha Medeiros

Vai-vem Enigmático


Por Vênus
Corpos imantados de prazer
Atraem-se pelo belo fato do amor
Enlouquece a carne de desejo.
Faz do sangue cálice espumante de fervor
Desvaira a alma
A sede aparentemente insana
Cessa no doce suor
Que de nós exala
Faz do corpo escravo.
Vai-vem enigmático
Que nos cela em paradoxo.
Corpo ou alma?
Gelo ou Brasa?
E mais tarde...
Quando a emoção é tanta
Os corpos explodem
E a gigante gana
Se desfaz em gozo.
E mesmo ainda sem entender nada
Continuamos colados
Calados. Saciados e presos na odisséia do amor que nos liberta do mundo!

Desconhecido

Me perdi no teu corpo
Me tranquei em teu peito
Me entreguei por inteiro
Às delícias deste amor
Que me une
Que me aproxima
Mergulhei em teu suor
Saboreei o que há de melhor
Em tuas curvas perfeitas
Em teus pelos mais íntimos
E me achei
Te perdendo em meu corpo
Te trancando em meu peito
Te entregando por inteira
Às delícias deste amor
Que te une
Que te aproxima
Mergulhando em meu suor
Saboreando o que há de melhor
Em minha pele mais áspera
Em meus pelos mais íntimos
E te achei
Então
Nos perdemos em nossos corpos
Nos trancamos em nossos peitos
Nos entregamos por inteiro
Às delícias deste amor
Que nos une
Que nos aproxima
Mergulhamos em nossos suores
Saboreando o que há de melhor
Em tuas curva perfeitas
Em minha pele mais áspera
Em nossos pelos mais íntimos
E nos achamos.

Desconhecido

Em busca da Esperança

Assim crescemos perante um Mundo de Amor que nossas adoradas mães plantaram em nosso caminho, ignorando que suas lágrimas vaticinavam desilusões nos sonhos que íamos edificando.

E PORQUÊ?

Tu que passas por mim e não me vês, porque te esqueces que já foste o que sou, a Esperança o Amanhã, olha à tua volta e vê a miséria que desbasta o Mundo pela pobreza de espírito em que muitos se deixam afundar, quando a opulência lhes cega os sentidos em detrimento dos que nada têm, e se tornam mais pobres que os pobres, quando a Razão os abandona desnudando-os de Sentimentos.

Esses sim, são pobres!

Nós, pobres filhos da vida que nada mais nos dá que as migalhas do teu orgulho, olhamos para ti que nos podes valer apenas com o incentivo de em nós acreditares incondicionalmente sem olhares à nossa côr, ao nosso credo, à nossa posição social ou a actos irreflectidos dos nossos antepassados que nós temos que aceitar quando tu condenas sem razão aparente, e lanças-nos num abismo de trevas sem futuro, repleto de lamentos, roubando-nos a inocência, desmoronando nossas fantasias e nossos sonhos que te prometem um Mundo melhor.

Passas por nós e não nos vês mesmo que te olhemos nos olhos, só porque não podemos comprar o que tu compras e te dá distinção.

Ensinas a teus filhos que se devem somente relacionar com gente da mesma estirpe e não com os que são da nossa laia e colocas-nos a um canto, porque os cantos têm menos amplitude esquecendo-te que todos temos o mesmo direito, pois somos todos iguais.

Pagas para que te socorram nas pequenas aflições, quando nós, quase morrendo, nos retiras o direito de um pouco de alívio.

Dás às tuas gerações futuros brilhantes, com a força e inteligência de muitos que tu fazes viver na obscuridade com receio de descobrirem que sem eles nada consegues.

És destaque e dos teus fazes notícia, porque não te vestes de serapilheira.
Colocam-te um tapete vermelho para realçar teu desfile e obrigam-nos a aplaudir-te.

Somos carne para canhão e tu és o herói que ganhas a guerra, quando nós nos negamos a enfrentar uma batalha que não é a nossa, mas a do teu inimigo, comum à nossa.
A pobreza, que te enriquecerá de gloria.

Cumprimentam-te porque o poder te ilumina quando nós não passamos de sombras obscuras do teu desdém.

Nem te lembras que Jesus por não ter nascido em berço de ouro também foi perseguido, quando na sua humildade ocultou ser o Rei do Universo. Esqueces-te que por detrás da humildade estão os mais altos valores.

Esqueces-te que sem nós não chegas a lado nenhum.

Não te pedimos muito!

Simplesmente igualdade e um sorriso de credibilidade para que nos sintamos Alguém neste mundo de Ninguém, pois nossa coragem e valentia levar-nos-ão até onde tu criaste o direito de só vós poderdes chegar, quando ainda há tanto para explorar e todos nós somos tão poucos e tão pequenos neste jovem Universo sem fim.

E para que um dia, já tarde de mais não te venhas a arrepender, perante a criança de outrora que
já deixou de o ser, a ele te venhas humilhar quando dele fores necessitar e de ti ele se venha a compadecer, guarda esta mensagem no teu coração.


Tentei ser luz no universo da tua existência, passei por sombra nada mais.

Tentei fazer-te ver que o Outro poderias ser tu, e Tu o Outro
Não passaram de sussurros para ti e nada mais.
Não ficaste atento a emoções, sentimentos,
Para ti eram simples lamentos
Minha vida foram mágoas nada mais.

Permaneci na penumbra dos teus sofrimentos
Sofri com lamentos, lágrimas e ais.
Quis moldar-te à minha inocência e aos meus sentimentos
Em troca de sentimentos aos meus iguais
Mas tudo foram suspiros e ais.

Tentei ser “ tu “, sem a mim dizer adeus
Vi meu coração perecer sufocado em ais.
Por me iludir em teus sentimentos que aos meus
Nunca chegariam a ser iguais.

Quis ser Futuro na tua vida, fui Esperança de outros a mim, iguais.
Sombra iluminada, por ti, obscurecida
Reavivada por outros demais.
Memórias de uma vida
Lamentos, mágoas, simples ais.


Para que a Vida não seja um mar de lamentações, mas um Éden promissor de muita Felicidade, vamos dar as mãos, espalhar a Paz e a igualdade, e olhar para os outros como nós sendo.

Mas olha para nós!

Olha-nos bem de frente, para nós um dia te darmos a confiança que em nós depositaste um dia também.

Eva Oliveira

O AMOR NO COLO




A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda.

Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo.

Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.

Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.

Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.

Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.

Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"

Haverá a indignação como última esperança.

Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.

Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela.

Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.

Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.

Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.

Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.

Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.

Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.

Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.

O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.

Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.

Fabrício Carpinejar

Eu tenho um amor
Um amor que é tudo pra mim.
È tudo que posso desejar.
È tudo que tenho de valor
mesmo que as pessoas digam não
eu sei quem é ele
Ele é o meu amor
Aquele amor que é fundamental
que me faz feliz
até nos dias de dor...
Não consigo viver sem esse amor
Prefiria morrer do que estar longe dele
Desse amor tenho lembranças infinitas
de um tempo bom de momentos eternos
E dele não quero só as lembranças
quero uma vida inteira
Quero os dias de sol com um sorriso que tanta amo.
Quero ter a memória da vontade de te querer e sempre poder dizer...
como eu te amo.

Monique Flock
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