Shivas da india

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“Não existe receita para tornar-se amigo de alguém; é por isso que tornar-se amigo, ainda é um desafio para as ciências, e para os homens”.

Henrique de Shivas

Problemas?

I

Começa perguntando a ti mesmo se já não é hora de tomar decisões. Se já não tens suficiente experiência para saber o que te perturba, e qual a melhor maneira de resolver problemas. Garanto que teus problemas, se já ais de ler o que ti escrevo, estão bem longe de se constituir um sofrimento de uma criança Africana.

Pergunta a ti mesmo, se o teu problema é somente teu, ou se o é de uma outra pessoa, e pergunta por que o tempo, somente ele, cura; se já não dói muito, viver pouco na doença.

E no ontem, e também hoje, sempre erramos na culpa dos outros, não é verdade?

Deveríamos agir com força. E ser forte, é também ser verdadeiro; e sorrir sempre para os amigos, que estão ao teu lado; e que, sabendo que cada um o ama a sua maneira própria, haverão de magoar-te, como quem pisa num galho sem o ver.

Não condene a vida feliz, por um minuto de infelicidade.

Julgue melhor a ti, do que aos outros. E encontrarás a verdade dos teus problemas, na maioria das vezes, em tua própria lama; suja com lágrimas da ignorância.

II

Fazer de nós, a outra pessoa, não é uma aconselhável atitude; ainda mais quando somos confusos; - confundimos aqueles em que deveríamos confiar. E nos tornamos dois, uma única confusão, ainda maior.

III

Nos momentos de silêncio, ouça a voz do coração.
Nos momentos de alegria, não ria tanto, enquanto o outro chora; lembre-se disto.
E que no mundo, a vida é passageira; todos sabem. E preferem saber disso, equivocando-se, brigando.
Um minuto pode muito bem trair o carinho de amor, que temos por outra pessoa. Mas pergunta a ti mesmo se nunca fostes incauta? Se nunca fostes leviana? Se nunca errastes e quisestes mudar?
Assim, entenderás que nem tudo deve se observar do nosso lado; não deveríamos ser tão egoístas assim; querendo travesseiro e o lençol somente pra nós, enquanto o outro treme de frio.

IV

É bem verdade que fomos mal acostumados. E quando na juventude, o entrave bate a porta, procuramos o colo para deitar. E aprendemos a nos acovardar, temendo nos molhar numa tempestade que já desabou. E fechar os olhos para os problemas e as calamidades nunca foi uma boa solução. E fechar os olhos quando estamos na chuva, não diminui o molhado da roupa.

V

Julgar o outro pelo passado tenebroso; prova que és cauteloso. Embora extrema cautela seja traquina armadilha do diabo; caímos quando nos afastamos do Leão, para morrer na queda pelo Abismo.

VI

Se for possível, chore. Não deixe as lágrimas secarem no coração; encardida já é demais a vida!

VII

Uma roupa, um perfume, traz lembranças tristes; é de suma importância vestir a vida de roupas novas e perfumes límpidos; prontos pra tachar a vida de luzes mais belas e destinos mais sublimes.

VIII

Nunca pense três vezes numa mesma solução inválida. Tal atitude traz a idéia de que fracassamos sempre ao tentar sobrepujar empecilhos. E saiba que cada problema traz consigo a solução, que para cada pergunta existe uma resposta, e saiba que, se de um lado já fora feito algo de bom, talvez seja a hora de tu, fazerdes tua parte.

Henrique de Shivas

“É muito egoísmo querer ter amigos; sem antes nos perguntarmos se algum dia, nós, os solitários do mundo, tivermos a disponibilidade de sermos amigos de alguém”.

Henrique de Shivas

Talvez a Loucura, seja a melhor maneira de encarar a realidade.

Henrique de Shivas

O homem sempre busca um colo de mulher para deitar; um carinho para sonhar; e uma lágrima para pensar em quanta dor ela apazigua no toque; em quanta magia ela encanta no olhar; e quantas tristezas ela abafa no peito. Nossas paixões são imagens maternas; nós, homens, somos carentes eternos de cuidados maternos.

Henrique de Shivas

As frases nos conquistam, quando nos roubam, um pouco do mau-humor que possuímos.

Henrique de Shivas

“As coisas do coração não devem ser pensadas, devem ser vividas”.

Henrique de Shivas

A imaginação nos torna capazes de suportar a pungente realidade do mundo. Se pararmos em frente ao espelho, e chegando mais perto, olhar bem nos nossos próprios olhos, saberemos que “nós”, somos verdadeiros sonhadores.

Henrique de Shivas

“O pecado de elogiar é o de causar maior vaidade a aqueles que já não enxergam acima da lama que afundam”.

Henrique de Shivas

“O poder de uma mulher sobre as decisões de um homem, revelam do lado deste, a incapacidade de dominá-las. Principalmente num mundo onde o poder é desejado por todos; os homens serão os que mais sofrerão com o poderio feminino. Pois não basta estar somente apaixonado, para lhes obedecer, mas, totalmente, conformado e feliz com as bofetadas”.

Henrique de Shivas

Uma breve Indefinição do Eu

I

Nada pior, afirmo nada menos importante do quê, o deixar-se enganar pelas idéias de toda gente, não é mesmo? E cujas debilidades dos nossos pensamentos são como velhos sapatos furados, por onde entram desagradáveis pedrinhas.

II

Embora eu não seja depositário de palavras delicadas para com as pessoas cuja mediocridade sobrepuja as montanhas, e não possua nenhum escrúpulo se não aquele de não agradar a ordinária gente, e quase que insuportavelmente falando para não agradar a vaidade alheia; penso: - em não mostrar-me a vós, gratuitamente.

III

Pois, para não relevar aqueles segredos que todo mundo esconde: - a nojeira de nossa própria personalidade; agradeço enfim, o intuito daqueles que lêem minhas palavras com olhos de um Judas.

Se me entendes ou não, a traição da consciência é o pensamento pré-concebido. E muito pensamos por antecipação, sem nos apercebermos, não é mesmo?

IV

Aliás, evito pouco “tornar-me” claro no palavreado monográfico, pois, deixar-se enganar pela falsa noção de que as idéias que temos a respeito de uma dada coisa são verdadeiras, já é prova de tamanha estultice. Não é verdade?

V

E se és tu, “amigo” leitor, que “ais” de ler o que te escrevo agora; como um curioso: - deve-me suportar todos os perigos, se me queres conhecer.

VI

Garanto, pois; e não confiai tanto em mim!... não sejas mais um tolo no mundo; mas, assim mesmo, garanto não magoar-te nas chagas menos dolorosas. Sou bastante incauto para não tocar nas feridas da alma, quando estas ainda estão tão inflamadas.

VII

Sou como o tubarão a comer os cardumes do pensamento desprevenido.
E custo a ser diferente de uma idéia que se faz de um ácido e da sua corrosão.

VIII

Embora novamente, isso pareça ser um mal, eu assim tão braviamente instável e corrosivo; e de não ter deixado nada de sólido e entendido em teus pensamentos; sabes, pois: - que “o Sábio sem conceito”, sabe quê, igual ao fogo a acender as madeiras mortas, servindo de aconchego na noite fria ao valdevino passante, ou igual ao tubarão a equilibrar os ecossistemas marinhos, às vezes, o que te feres demasiadamente levar-te-á a compreender como manusear aquele ácido corrosivo e desentupir as valas da ignorância.

Henrique de Shivas

Esvaziando a mente, encontramos respostas certas.

Henrique de Shivas

Uma Receita para mudar o Mundo

I

Se tu desejas mudar o mundo: escreva. Porém, escreva para mudar o mundo das pessoas.

II

Suas aversões não querem mudar as pessoas do mundo: elas querem mudar as pessoas da alma.

III

Sabes o que é a alma? Eu vos digo: - ela é o motorista do ser desvairado; um piloto que faz mil piruetas perigosas, e o seu motor é o coração.

IV

Se tu és poeta, não há gramática mais sublime, do que aquela que não se importa com erros. Se não há erros em mudar as coisas; somente há verdades em mudá-las de lugar. Faça isso, não te arrependerás.

V

Sabes o que é a verdade? Eu vos digo agora: - a verdade, amigo, é uma coisa que agente usa, e depois joga fora. Não pretenda possuí-la demasiadamente. Ela é que nem a água que nos foge aos dedos; tocamo-a antes de tê-la percebido fugir.

VI

Mas se tu não és poeta, é filósofo, evite, pois, contar verdades a alguém. Evita também querer lutar contra a contradição. E deixa de lado um pouco da vaidade, e caminha que nem o poeta sem gramática, sem estética, sem compromisso com a própria poesia. És antes um humano, não o sabes muita coisa; e procurar saber de alguma coisa, já a muito tempo não traz o resultado esperado. As verdades não devem ser contadas, pois para cada pessoa, ela tem hora certa de se revelar; apenas esperam o momento propício à germinação, ao brotamento, as condições favoráveis de temperatura e pressão. As contradições não se vencem, já que são circuitos fechados, ficamos que nem perdidos, numa floresta, a girar sem encontrar uma saída. Por último: a vaidade; ela é uma roupa muito pesada, e enquanto agente se preocupa em não rasga-la nos espinhos encontrados pelos caminhos, outros, já chegaram aos seus destinos, leves, são e salvos.

VI

A vida só se valoriza bem, escrevendo.
A prova disso é que até os mortos já escrevem suas aventuras.
E por que não, nós, os vivos; não nos tornamos mais vivos (imortais), escrevendo?

VII

Escrevendo eu faço guerra. É verdade. Mas eu posso fazer “amor escrevendo”. Não é mesmo?

VIII

Assim como o nosso coração é ferramenta de Deus a serviço do diabo; temos que saber usá-lo. Pois uma navalha pode ferir a pele se não bem utilizada.

IX

Outra prova de que escrever é bom é que os nossos escritos podem ser lidos por outras pessoas. Não é maravilhoso? E se tu já estás a ler este meu escrito, já me fazes feliz.

X

Nada melhor do que fazer as outras pessoas menos tristes. Mas é preciso reservar um tempinho para também entrarmos nesta orgia de felicidades.

XI

E nunca é tarde para mostrar aos outros, aquilo que agente pensa de melhor; nossos melhores pensamentos são os melhores presentes que damos à humanidade. E se no Inferno tão distante não faltam boas intenções, garanto que aqui não é muito diferente de lá.

Henrique de Shivas

Se a vida fosse coisa importante para os homens; todos estariam mortos.

Henrique de Shivas

Palavras simples, muitas vezes nos enganam pela facilidade.

Henrique de Shivas

“Não sei se sentimentos são razões da alma ou instintos disfarçados de mulher; forçando, nós, homens, a buscar amor, num consolo desprezo. Ou, na dúvida que me cabe, não sei se é loucura dizer que louco é o ser dominado pelo sentimento, ou se o é insanidade ousar dominá-los. Mas, de dúvida não me resta em pensamento... já porque a seguinte máxima me diz e me consola: - eis que respiro e sinto; nada mais importa, do que viver num colo de uma mulher carinhosa, e dormir”.

Henrique de Shivas

“Querer ser livre é estar preso ao próprio desejo de ser livre. Enfim, um paradoxo que a razão ordinária não compreende”.

Henrique de Shivas

“Querer “ter” Conhecimento não é querer ser Livre ou procurar a Liberdade, mas estar preso ao próprio desejo de Descobrir”.

Henrique de Shivas

A Inveja

Hoje Eu vi nos olhos das pessoas,
O seu segredo de inveja,
De querer ser o que não é.
Suas vidas são tristes, é certo.
Seus semblantes pesam demasiadamente,
E porque em si não encontram a si mesmas,
É lá no Outro que procuraram existir.

Henrique de Shivas

A Dor traz na sua bolsa oculta um pirulito para cada tristeza.

Henrique de Shivas

Olhar diferente de tudo consiste em ver o diferente em tudo que se olha.

Henrique de Shivas

“Não se vence os sentimentos pela demora; se vence pelo esgotamento das sensações, quando já não mais desejamos provar, do caju doce, ou da doce desgraça”.

Henrique de Shivas

“Perdem muito, as pessoas, que não se debruçam sobre o universo do estudo as religiões; erram, quando não ACREDITAM que a ciência também é uma CRENÇA. Assim o fazem, muitos, que se inebriam com um determinado conhecimento; elogiam-no, reverenciam-no, vangloriam-no, e por serem doutrinas, métodos, tábuas, etc. pelas quais se entregam diariamente sem cautela, por hábito imposto ou por inclinação a imbecilidade, e também por serem um tanto vaidosos e egocêntricos, atrevem-se a intitularem-se portadores da razão, do conhecimento e da verdade. Tal atitude vem delinear no quadro do pensamento humano, um rabisco de mau gosto, um desenho um tanto obsoleto e pueril, uma caricatura irônica do ser que busca o alto das montanhas na profundidade das cavernas...; mais do que nunca, sempre domados pelos invisíveis açoites da idéias preconcebidas, lutamos na defesa daquilo que nos corrompe, para nos tornarmos corruptores de toda a humanidade. Não queria eu, usar-me de palavras tão instáveis, que apesar de serem fáceis de compreender a alguns poucos, são herméticas a maioria, principalmente aos que estão corrompidos; mas, que na verdade, o que aqui quero salientar, aliás, apelar e implorar, a quem esteja lendo estas páginas, é que, salvem-se da indiferença e do apego aos abstratos conceitos: eles têm o poder de vetar os nossos olhos; e já é tarde demais para não abrirmos os olhos agora”.

Henrique de Shivas

“Anda de mãos dadas, a Dor e a Criatividade; quando muita criatividade reside no ser que pensa, somente os grandes resultados são produtos da dor; é assim que anda, e evolui o humano: na dor que vence, sempre há cura, na arte do pensar”.

Henrique de Shivas

Na história dos combates internos, nunca tal prática maravilhosa de amar, mostrou-se tão devastadora; esfacelamos um pouco de nossa modéstia, quando, nossas volições guiadas em prol da concretização dos nossos próprios anseios, em detrimento dos de outra pessoa, forjamos nossa verdadeira imagem de repugnante, de vil; para, nesta batalha de idéias mais do que instintivas, lutarmos por sangue de volúpia, por vida de conquista e por água purificada na dor; salgamos um tanto demasiadamente a comida, e cedo ou tarde, agonizaremos nas possíveis enfermidades daí decorrentes, e, na gordura que usufruímos quando saboreamos estas apetitosas sandias da juventude, condenamo-nos ao martírio do porvir, repleto de murmúrios, gemidos, lamentos e cruzes.

Henrique de Shivas
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