Rogerio

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VOU TENTAR SEMPRE
Ainda que o tempo, o maior e mais implacável dos carrascos, intente sobre o meu corpo físico, ele nunca terá poder sobre meu pensar, meu saber e minha vontade, pois estes são eternos. Por isto e tão somente por isto que vou tentar sempre, porque nunca é tarde para começar.

Antonio Rogério de Lima Grego

Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter
Sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito prá ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer?
Eu também não sei!
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também...

Fernanda Mello e Rogério Flausino

A amora adoça
mais na boca de
quem namora.

Rogério Viana

a aurora
estende a rede de bruma
pelos vales

Rogério Martins

a chuva põe-me grades na janela
um voo de andorinha
restitui-me o espaço

Rogério Martins

a estação amua
fumo de castanhas
à esquina da rua

Rogério Martins

à lareira
rom-rom do gato
ou da cafeteira?

Rogério Martins

a mó do poente
mói fogo
sobre os campos

Rogério Martins

a sombra da nespereira
mergulha
na frescura do poço

Rogério Martins

Absorto no dia-a-dia
nem percebí que o aborto
veio em forma de poesia.

Rogério Viana

Almas gêmeas.
A minha geme e a
outra não se acalma.

Rogério Viana

ao lusco-fusco
uma lufada faz tremer
o olho azul do charco

Rogério Martins

ao pé da janela
dormimos no chão
eu e o luar

Rogério Martins

ao voltar dos campos
abro a porta
e a lua entra comigo

Rogério Martins

após a festa da aldeia
ficou ainda um crepe
a lua-cheia

Rogério Martins

as pálpebras da noite
fecham-se
sem ruído

Rogério Martins

as rosas em botão
as raparigas
perdem o sono

Rogério Martins

Bashô baixou
no poeta do axé.
Arigatô, oxumaré.

Rogério Viana

Corre e abraça o
vencedor da corrida
lá na praça.

Rogério Viana

de manhã no Tejo
que revoada de flocos brancos
as gaivotas!

Rogério Martins

De que vinhas
vinham aquelas engarrafadas
paixões que me aniquilam?

Rogério Viana

dos ramos altos no rio
caem suavemente
farrapos do sol poente

Rogério Martins

durmo sob uma oliveira
com o musgo
por travesseiro

Rogério Martins

É devassa essa mulher
que seus sonhos expõe
quando abre a vidraça?

Rogério Viana

Encontro fugaz.
Neblina abraça o velho
lampião de gás.

Rogério Viana
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