Resenha ferna capelo gaivota

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FERNÂO CAPELO GAIVOTA


FERNÂO CAPELO GAIVOTA

Wanderlino Arruda


Superfície azul do céu,
asas em curva de dores,
Fernão Capelo levanta e voa,
porque voar é importante,
mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente,
viver em infinitos,
voar dias inteiros
só aprendendo a voar.

Gaivota que se preza
tem de sentir as estrelas,
analisar paraísos,
conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza
precisa buscar perfeição.
Importante é olhar de frente,
em uma, em dez, cem mil vidas.

Para Fernão nada é limite:
voa, treina, aprende,
paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito,
o caminho é nas alturas!

Fernão Capelo gaivota

Gaivota. Espuma instável.
Líquida turquesa: inunda os olhos
a marinha na parede.

Yeda Prates Bernis

Asa quebrada
da triste gaivota
sonho de voar!

Rodrigo de Almeida Siqueira

chuva na praia
o céu beija o mar
- gaivota espera

Zezé Pina

Gaivota

Gaivota, trazida pelo vento,
Corta o ar envolta em brumas.
De tão leve aninha as plumas
E faz o mar unir-se ao firmamento.

Lança-se em vão no infinito,
Envolve-nos em sua dança.
Exibe-se com graça e avança
Ruflando as asas de um modo tão bonito

E da janela observo tudo a volta
Mas o que mais me encanta é a gaivota
No seu vôo alto e fiel.

Pássaro de brancura alva
Feito um brilho de estrela d’alva
A desenhar pela manhã a flor do céu.

Luciana Mara Ribeiro

SEJA GAIVOTA, SEJA LIVRE, APRENDA A VOAR

Ricardo Cavalcante

O PLÁGIO DE SARAMAGO...OU NÃO

Não sei nem como enquadraria este texto. Seria como uma resenha de quem durante quinze anos viveu da crítica literária, só deixando de fazê-la por uma questão de ética. Não seria justo comentar alguém que exerce o mesmo ofício que eu. Mas alertei leitores, aqui no Brasil, que José Saramago, por coincidência ou não, escreveu em seu romance, Levantado do Chão, a mesma história que seu compatriota português, Manuel da Fonseca, escreveu anteriormente em Seara dos Ventos. Reparem que ambos os livros foram publicados, em Portugal, pela mesma editora Caminhos. Nada tenho contra Saramago, que inclusive tive a honra de entrevistá-lo aqui no Brasil, como repórter da revista Manchete. Como uma autora, aqui do Luso, que, aliás, respeito por ter tido a coragem de denunciar um vergonhoso caso de plágio, questiono: quem denunciaria Saramago? Quem ousaria a dizer que, ao menos para mim, a obra de Lobo Antunes, tardiamente chegada ao Brasil, é bem melhor do que a dele? Lobo Antunes é tímido, evita entrevistas, não tem o marcketing do seu par de ofício, o que não condeno. Só aproveitei a situação para levantar esta questão. Acho que poetas que preservam a boa poesia deveriam, com todo respeito, procurar ver que a obra, pelo menos em versos, de Saramago é muito ruim. E depois de Memorial do Covento -romance primoroso-, exceto Ensaio Sobre a Cegueira, nada mais ele escreveu de produtivo. A exemplo de Machado de Assis nunca devia ter escrito poesia. Seu romance Jangada de Pedra é um lixo, ele próprio me reconhceu isto na entrevista em que me deu. Alguém se levantará para dizer o contrário? Prêmio Nobel nada diz. Nem sempre é honesto, como o Oscar, no cinema.

Julio Saraiva