Musica classica
Se a música tem um número maior de amantes do que a poesia, ou a arquitetura, ou a escultura, tal não deve ao fato de ser mais espiritual, como se costuma dizer, mas sim devido ao fato contrário: é mais sensual.
Vitaliano BrancatiÉ preciso fazer um esforço para deixar de sentir o presente, como na música para deixar de ouvir o timbre dos instrumentos.
Hugo HofmannsthalA diplomacia sem as armas é como a música sem os instrumentos.
Otto BismarckA boa música nunca se engana, e vai direita, buscar ao fundo da alma o desgosto que nunca devora.
StendhalMúsica antes de mais nada.
Paul VerlaineArte estranha a pintura, em que toda a novidade, mais violentamente ainda que na música, espanta, repele e irrita não somente o público, mas a maior parte dos amadores e dos críticos.
Alphonse DaudetSó a música pode falar da morte.
André MalrauxA música é a alma da geometria.
Paul ClaudelO vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio.
Georges BraqueA vida é como um instrumento de música; tem de se elevá-la e libertá-la para a tornar agradável.
DemófiloToda a música que não pinta nada é apenas um ruído.
Jean AlembertA música é uma rejeição triunfante do mundo em que nascemos, um «não» à natureza, um corajoso desafio a Deus e aos deuses e a toda a espécie de poderes não-humanos dos quais se pensa que moldaram o cosmo; é um mundo rival feito pelo homem.
Walter KaufmannA música está em tudo. Do mundo sai um hino.
Victor HugoBroca no bambu
deixa furos de flauta.
O vento faz música.
Hermética música
há no silêncio da lágrima
que salga o mar.
Lágrima aflora.
Na música lá fora
uma alma chora.
Adoro sob todas as formas de linguagem a música, porque ignoro ainda a ignomínia da gramática e da filosofia.
Paolo MantegazzaCalam-se as cordas.
A música sabia
o que eu sinto.
nos fios
os pássaros
escrevem música
Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...
(Pablo Neruda)
