Música--bosque das flores
Como versos livres
- ao toque dos tico-ticos -
as flores que caem...
cada galho pro seu lado
mas na cor das flores
nenhum discorda
Guardei para você,
num verso de porcelana,
as flores da manhã.
de tantos instantes
para mim lembrança
as flores de cerejeira.
nem sabia os nomes
das flores ? agora
meu jardim já era
Lá, bem sobre a estrada,
a casa entre flores onde
não entrarei nunca.
flores ao vento
na cortina da janela
cores da primavera
folia na sala
no vaso com flores
três borboletas
É muito silêncio
enquanto as flores não crescem
e os poetas dormem.
em rincões e esquinas
frios cadáveres:
flores de ameixeira
planta com mil flores
uma é roubada -
ninguém notou...
Sonha o mendigo
Entre sacos de lixo
E flores de ipê
Muita brisa à noite.
Dos jasmineiros da rua,
perfumes e flores.
No perfume das flores de ameixa,
O sol de súbito surge -
Ah, o caminho da montanha!
Calam-se as cordas.
A música sabia
o que eu sinto.
Poderão arrancar todas as flores, mas não conseguirão acabar com a primavera.
Lino J. SomavillaSempre somos capazes de dar algo mais; mesmo nas pedras germinam as flores.
BergsonPorque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
"Quantas flores amarelas!"
Flores
De um pequeno degrau dourado -, entre os cordões
de seda, os cinzentos véus de gaze, os veludos verdes
e os discos de cristal que enegrecem como bronze
ao sol -, vejo a digital abrir-se sobre um tapete de filigranas
de prata, de olhos e de cabeleiras.
Peças de ouro amarelo espalhadas sobre a ágata, pilastras
de mogno sustentando uma cúpula de esmeraldas,
buquês de cetim branco e de finas varas de rubis
rodeiam a rosa d'água.
Como um deus de enormes olhos azuis e de formas
de neve, o mar e o céu atraem aos terraços de mármore
a multidão das rosas fortes e jovens.
Porque não sabemos o nome
Tenho de exclamar apenas:
"Quantas flores amarelas!"
