Muitos de mim
Todos querem liberdade, muitos a possuem, poucos a merecem.
Marquês de MaricáMuitos livros devem o seu sucesso à afinidade entre a mediocridade das ideias do escritor e as do público.
Sébastien-Roch ChamfortDos especuladores em revoluções muitos se perdem, e poucos prosperam por algum tempo.
Marquês de MaricáMuitos escritores esgotam-se antes dos seus livros.
SofocletoDifícil é reconhecer de longe / a índole de muitos, por mais que sejamos sábios: / de fato, alguns escondem sob a riqueza a sua maldade, / outros, sob a miserável pobreza, escondem a sua virtude.
Teógnis MégaraO poder repartido por muitos não é eficaz em nenhum.
Marquês de MaricáÉ coisa mais ilustre e mais louvável deixar após si muitos benefícios, do que deixar muitos troféus.
XenofonteQualquer carreira no mundo artístico é uma montanha-russa, e muitos sucessos resultam da combinação de várias circunstâncias felizes. Mas deve existir algo mais também.
Orson WellesHá muitos homens reputados infelizes na nossa opinião, que todavia são felizes a seu modo, segundo as suas ideias.
Marquês de MaricáUm homem pode saber mais do que muitos, porém nunca tanto como todos.
Marquês de MaricáOnde existem muitos para comandar, nasce a confusão.
L. EinaudiA intolerância irracional de muitos escusa ou justifica a hipocrisia ou dissimulação de alguns.
Marquês de MaricáTive de abandonar muitos desesperos, a esperança é que custa a suportar.
René DaumalMuitos homens são louvados porque são mal conhecidos.
Marquês de MaricáA credulidade e confiança de muitos tolos faz o triunfo de uns poucos velhacos.
Marquês de MaricáQuando muitos homens estão juntos, é preciso separá-los pelos ritos, senão matam-se uns aos outros.
Jean-Paul SartreNas divergências civis, quando os bons valem mais do que os muitos, os cidadãos devem ser pesados, e não contados.
Marcus CíceroA fruição desencanta muitos bens e prazeres sensuais, que a imaginação, os desejos e as esperanças figuravam encantadores.
Marquês de MaricáFecha e deixa solto - Martha Medeiros
Muitos leitores mandam sugestões de tema para crônica, e nem sempre posso aproveitá-las, não porque não sejam boas, mas é preciso que eu comungue da mesma idéia, senão vira uma simples encomenda e o texto sai frio. Mas semana passada um internauta chamado Paulo me contou um papo que teve com um amigo e eu não pude desprezar o depoimento dele, até porque, além de divertido, considero o assunto de utilidade pública.
Ambos maduros, com alguns casamentos nas costas, estavam se queixando das namoradas. Não agüentavam mais a ladainha: "onde foi, onde estava, por que não ligou, não me disse que foi, de quem é esse número, liguei e não atendeu, eu vi que você olhou pra ela, a que horas você chegou, você não me convidou, por que você não atendeu, o que vamos fazer no Carnaval, você quer que eu vá ou não, assim não vou".
Ri muito quando ele reproduziu esse pout-pourri de lamentações. É bem assim. Os apaixonados costumam massacrar. Eu só acrescentaria que esse massacre não é só feminino: tem muito homem que age da mesma forma.
Mas prosseguindo. O amigo de Paulo, durante a conversa, apontou uma saída: "Elas precisam aprender com os flanelinhas".
Como?
"O flanelinha te indica um lugar pra estacionar e diz: fecha e deixa solto". Não é simples?
Eis a fórmula sugerida por eles para fazer as relações durarem mais do que três semanas: fecha (sim, um relacionamento fechado, fiel, bacana), mas deixa solto. Mantenha um espaço para respirar. Permita um mínimo de mobilidade: poder empurrar um pouquinho pra frente, um pouquinho pra trás. Possibilite uma manobra, um encaixe. Não puxe o freio de mão.
Essa crônica foi praticamente escrita pelo meu leitor Paulo, cujo sobrenome não vou revelar para que suas namoradas não se sintam expostas. Mas seja para Paulos, Marias, Anetes ou Ricardos, a regra do flanelinha deve ser seguida e regulamentada: fecha e deixa solto. Confia. Ninguém quer invadir seu relacionamento, mas é preciso que haja flexibilidade, ajuste às novas situações, enfim, tem que relaxar um pouco.
Tem quê? Bom, talvez não tenha que relaxar, se esse tipo de queixa (onde foi, com quem estava, por que não ligou) for considerado um carinho, um cuidado, parte do jogo do amor, sem causar maiores irritações. Mas, antes de iniciar um interrogatório desse tipo, sonde o terreno, veja se está agradando. Geralmente, pessoas maduras já estão com a paciência esgotada para investigações minuciosas. Desconfio até que a irritação se dá por que "onde fomos, com quem fomos e por que não ligamos" não tem nada de excitante ou misterioso: fomos almoçar com a mãe e o celular ficou sem bateria. Se estivéssemos fazendo algo realmente condenável, aí sim, justificaria uma crucificação verbal. Ao menos as respostas exercitariam nossa criatividade e cinismo.
Mas como somos todos inocentes, feche e deixe solto.
Fim de semana
Fim de semana
vou passear,
reunir os amigos
pra conversar.
Há muitos assuntos
para tratar,
é sentar-se a mesa
e começar.
Eu vou à praia,
à beira mar,
vou a um clube
ou a um bar,
vou a um descampado
para jogar,
também vou
para acampar.
Fim de semana
vou passear,
há muitos lugares,
é só inventar.
Amizades ficam,
a juventude passa,
aproveite agora,
arrependimento mata.
Reúna os amigos
e aproveite a vida para gozar,
quem sabe uma sexta ou um sábado!
É só combinar...
