Mozart sonata auto de fe
Não consigo escrever poesia:não sou poeta.Não consigo dispor as palavras com tal arte que elas reflitam as sombras e a luz,não sou pintor...Mas consigo fazer tudo isso com a música...
Wolfgan Amadeus MozartRenda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice LispectorNasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra.
Mark TwainEu estou consciente e tenho o poder de pensar como eu quero. Tenho o direito de pensar no que eu quero para o meu próprio bem. Eu tenho e posso impor ao meu mundo interior tudo aquilo que eu quiser. E quero me sintonizar com o melhor. Esqueço, a partir de agora, a pessoa que eu fui, sobretudo meus vícios de pensamentos. Penso apenas na paz. Penso nela, permitindo que seu perfume toque minha aura e atinja todas as áreas da minha vida, todos os cantos do meu corpo. Penso na paz com uma mensagem de ordem e equilíbrio perfeito.
Deixo fluir na minha cabeça a consciência do 'eu posso'. Eu posso estar na paz. Impor essa paz é praticar o meu poder pessoal com responsabilidade divina, obtida por herança natural. O melhor para mim é um grande sorriso no peito. É a felicidade barata e fácil a que tenho direito. É tão simples pensar que o melhor está em mim! A beleza está em mim. A suavidade está em mim. A ternura, o calor, a lucidez e o esplendor das mais belas formas do universo estão em mim. Aí eu me abro inteira, viro do avesso e sinto que não há fronteiras nem barreiras para mim. Sinto que o limite é apenas uma impressão. Sinto que cada condição foi apenas a insistência de uma posição. Sinto que sou livre para deixar trocar qualquer posição por outra melhor. Sou livre para descartar qualquer pensamento ruim, qualquer sentimento ou hábito negativo, qualquer paixão dolorosa. Porque eu sou espírito. Sou luz da vida em forma de pessoa.
Ah, universo, eu estou aberta para o melhor para mim. Eu sei que muitas vezes sou levada por uma série de pensamentos ruins. Mas é porque eu não conhecia a força da perfeição. Eu não conhecia a lei do melhor. Agora eu me entrego, me comprometo comigo, com o universo e contigo. Vou manter a minha mente aberta. Esse momento me desperta, me traz a inspiração ao longo do dia onde se efetiva a luz que irradia para quem insiste no próprio aperfeiçoamento.
Não quero pensar nas minhas fraquezas. Quero olhar bem fundo nos meus olhos e ver como eu sou bonita, como fiz e faço coisas maravilhosas e como o meu peito está cheio de vontade. Eu assumo a responsabilidade sobre essas vontades e me projeto com força nessa identidade de saber que eu posso, sim, fazer o melhor. Despertar o meu espírito é viver nele. É ter a satisfação de ser eu mesma. É poder ser original, única, pequena e grande ao mesmo tempo. Sei agora que o melhor está a meu favor. Meu sucesso, aliás, é o sucesso de Deus que se manifesta em mim como pessoa em transformação. Eu sinto como se tivesse sentado nessa cadeira da solidez universal porque eu estou no meu melhor. Porque sou o sucesso da eternidade, porque estou há milhares de anos seguindo e não fui destruída. Porque o universo garante. Grito dentro de mim mesma: de todas as coisas da vida, o melhor ainda sou eu. O melhor sou eu!
Abandonar a vida por um sonho é estimá-la exactamente por quanto ela vale.
Michel de MontaigneA paz da consciência é o maior de todos os dons. Uma pessoa com a consciência limpa não tem motivos para temer os espectros.
Lin YutangO homem que não sabe dominar os seus instintos, é sempre escravo daqueles que se propõem satisfazê-los.
Gustave Le BonA sorte ajuda os audazes.
VirgílioQuando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é... Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!
Quando me amei de verdade
Quando me amei de verdade,
pude compreender
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,
na hora certa.
Então pude relaxar.
Quando me amei de verdade,
pude perceber que o
sofrimento emocional é um sinal
de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida
fosse diferente e comecei a ver
que tudo o que acontece contribui
para o meu crescimento.
Quando me amei de verdade,
comecei a perceber como
é ofensivo tentar forçar alguma coisa
ou alguém que ainda não está preparado
- inclusive eu mesma.
Quando me amei de verdade,
comecei a me livrar de tudo
que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas,
crenças e - qualquer coisa que
me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoismo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.
Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!
Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.
Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.
Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco
a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Acredite em você mesmo, pois é só voce que pode se alto julgar. Ouse, arrisque e nunca se arrependa. Não desista jamais e saiba valorizar quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom, ninguem nunca precisou de restos para ser feliz.
Pâmela Rugoni BelinProblemas?
I
Começa perguntando a ti mesmo se já não é hora de tomar decisões. Se já não tens suficiente experiência para saber o que te perturba, e qual a melhor maneira de resolver problemas. Garanto que teus problemas, se já ais de ler o que ti escrevo, estão bem longe de se constituir um sofrimento de uma criança Africana.
Pergunta a ti mesmo, se o teu problema é somente teu, ou se o é de uma outra pessoa, e pergunta por que o tempo, somente ele, cura; se já não dói muito, viver pouco na doença.
E no ontem, e também hoje, sempre erramos na culpa dos outros, não é verdade?
Deveríamos agir com força. E ser forte, é também ser verdadeiro; e sorrir sempre para os amigos, que estão ao teu lado; e que, sabendo que cada um o ama a sua maneira própria, haverão de magoar-te, como quem pisa num galho sem o ver.
Não condene a vida feliz, por um minuto de infelicidade.
Julgue melhor a ti, do que aos outros. E encontrarás a verdade dos teus problemas, na maioria das vezes, em tua própria lama; suja com lágrimas da ignorância.
II
Fazer de nós, a outra pessoa, não é uma aconselhável atitude; ainda mais quando somos confusos; - confundimos aqueles em que deveríamos confiar. E nos tornamos dois, uma única confusão, ainda maior.
III
Nos momentos de silêncio, ouça a voz do coração.
Nos momentos de alegria, não ria tanto, enquanto o outro chora; lembre-se disto.
E que no mundo, a vida é passageira; todos sabem. E preferem saber disso, equivocando-se, brigando.
Um minuto pode muito bem trair o carinho de amor, que temos por outra pessoa. Mas pergunta a ti mesmo se nunca fostes incauta? Se nunca fostes leviana? Se nunca errastes e quisestes mudar?
Assim, entenderás que nem tudo deve se observar do nosso lado; não deveríamos ser tão egoístas assim; querendo travesseiro e o lençol somente pra nós, enquanto o outro treme de frio.
IV
É bem verdade que fomos mal acostumados. E quando na juventude, o entrave bate a porta, procuramos o colo para deitar. E aprendemos a nos acovardar, temendo nos molhar numa tempestade que já desabou. E fechar os olhos para os problemas e as calamidades nunca foi uma boa solução. E fechar os olhos quando estamos na chuva, não diminui o molhado da roupa.
V
Julgar o outro pelo passado tenebroso; prova que és cauteloso. Embora extrema cautela seja traquina armadilha do diabo; caímos quando nos afastamos do Leão, para morrer na queda pelo Abismo.
VI
Se for possível, chore. Não deixe as lágrimas secarem no coração; encardida já é demais a vida!
VII
Uma roupa, um perfume, traz lembranças tristes; é de suma importância vestir a vida de roupas novas e perfumes límpidos; prontos pra tachar a vida de luzes mais belas e destinos mais sublimes.
VIII
Nunca pense três vezes numa mesma solução inválida. Tal atitude traz a idéia de que fracassamos sempre ao tentar sobrepujar empecilhos. E saiba que cada problema traz consigo a solução, que para cada pergunta existe uma resposta, e saiba que, se de um lado já fora feito algo de bom, talvez seja a hora de tu, fazerdes tua parte.
Se você não se valorizar, chegará uma hora em que todos acreditarão em você. O contrário também é válido.
Jefferson Luiz MaleskiDá tanto trabalho escrever um livro mau como um bom; ele brota com igual sinceridade da alma do autor.
Aldous HuxleyO homem auto-satisfeito desconhece o vexame.
Textos TaoístasNOTA SOCIAL
O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.
Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.
As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência
(...)
Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.
Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem.
(...)
A gente não é super-herói nem superfracassado.
A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza...
"Com o Câncer você perde tudo, perde o auto domínio,
mas não perde a FÉ.
O CÉU é pra quem SONHA grande ,
AMA grande e tem a CORAGEM de
VIVER PEQUENO!!!!”
Auto-Retrato
Visto roupas-rasgadas; tênis-pichados, furados; devassados pela vida.
Ando pelas noites a beber, a viver o Pecado, o Prazer, a Discórdia.
Todos me ouvem: sou Imoral, poeta dos palavrões; sem pudor, artista, rebelde, odiado.
Visto roupas-negras, roupas-nuas de pecado: nutro-me de Estrada, Vento e Natureza.
Bebo das Bebidas... como dos comprimidos, dos êxtases, das balas, dos doces; iluminado pelas luzes do Arcanjo LSD; salvo pelo deus Bacco – perdido pelas Ninfas do Orgasmo.
Fumando meu cigarro; perambulando pelas docas-noturnas...
Com minha mochila; com meu chinelo manchado de sangue, lama e poeira.
Meus dedos estão podres de tanto andar; meu organismo desfalecido pelas drogas do mundo...
Tranquilamente fumando; queimando o brakeado; dançando com Shiva sua dança de prazer; tal como as ondas do mar, neste mergulho de loucura; nesta vida de Sentido pelos vales-inóspitos: pelas Colinas do Delírio, com meu diário e poesia-viva – sentado sobre a Montanha da Alegria, do Prazer, da amizade-subversiva.
Sou poeta destes que vive o Momento; destes que andam pela noite; passando de braço em braço, pessoa em pessoa, beijo em beijo.
Há noites que eu durmo no chão, na dura-calçada sob gélido-frescor, perto dos esgotos...
Há noites que eu durmo entre tetas d’amor: mulheres do acaso; amantes do Esmo; acalentadora dos poetas-mundanos onde eu bebo em seus bicos os doces-leites d’Alegria; arranhando em suas carnes – friccionando o pênis de meus desejos-indomáveis em suas calcinhas manchadas de Doce-Orgasmo.
Dizem que eu sou Mundano, Vagabundo, Imundo.
Dizem que eu sou Imoral, Perdido, Parvo.
Eu sou tudo isso, digo.
Eu sou tudo isso agora: a encarnação d’Alegria; o vivo-cálice de vinho: sorriso-louco – poeta-maldito que o mundo criou.
Tranquilamente fumando; pelas orlas das praias-longínquas, desérticas... sobre as falésias, sobre os Abismos: ¿que tal inclinar-se para a Morte – desafiar o Absurdo?
Às vezes eu corro nu pelos bares, quando bêbado e gritando blasfêmias-poéticas; querem-me prender por que acham que minha ousadia é mal-educada: sou Bandido, Mundano – sou miserável!
Às vezes eu corro nu pelas Igrejas, quando alucinado pelas Drogas da Fobia; quero eu o consolo de Deus – então me expulsam do Lar-Divino, da dita Casa de Deus, só porque eles não sabem que Deus nos criou todos nus, loucos, desobedientes e bobos.
Dizem que eu sou Mundano, Vagabundo, Estúpido.
Dizem que eu sou Imoral, Perdido, Inescrupuloso.
Eu sou tudo isso, digo.
Sou a salmonela das refeições; sou o esterco impregnado no fundo do bojo... O resto de comida que o rato comeu.
Sou a brincadeira de mau-gosto, o Padre que comeu a virgem-freira e embriagou-se do vinho-sacro – o sangue de Cristo.
Ando pelas noites, bebendo, curtindo a vida; estuprando a Verdade; devassando o medo; estrangulando as limitações; lançando-me as alcovas do Impossível e do Absurdo.
Ando pelas noites, fumando o brakeado, misturando tudo num coquetel que vai dar na mente uma alegria-particular: uma alegria-peculiar que pertence ao meu sonho de viver, de andar, de descobrir, de escarrar e foder.
Minhas calças são folgadas, são rasgadas, são fétidas pela corrida-cotidiana...
Durmo sobre os prédios, nas docas-sorumbáticas; durmo sobre a Mata, ao lado dos escorpiões, da besta da noite, do maldito Mefisto.
Durmo sob o Céu, próximo ao Abismo; ou na estrada-sombria, longe de tudo, aonde um cão, certa noite, veio-me lamber os lábios-molhados de vômito.
Durmo sabendo que Amanhã haverei de acordar-fodido. Fodido d’astenia-ressaca... vomitando os destroços do pretérito-mnemônico e louco... tossindo o pigarro – as enfermidades dos vapores-ludibriantes... agonizando na febre do livre-arbítrio... curando a dor com mais Cachaça e Fumo... com mais Droga, Dor & Prazer.
Sou a catinga dos pêlos-pubianos, o doce-estragado que dá dor de barriga.
Sou o ladrão de comida – aquele que não é regido por Lei, mas somente por Amor, Desejo & Paixão.
Sou tudo o que você não pode ser; porque você quis ser mais um parvo senso-comum a viver uma vidinha-medrosa de Comodidade, Conforto e Tédio.
Minha família é o Mundo; assim, brigamos de vez em quando...
Meus filhos são todos os mendigos, todos os rebeldes e todos os apostadores no Acaso.
Minha escola é o Mundo. O Mundo me ensinou a ser torpe; a ser um “moralista às avessas”, que não teme viver sua Imoralidade, seu Cadafalso, sua sina-perigosa & Bela.
Com minha guitarra nas costas, sob os perfumes dos Édens, ao lado de Bacco – protegido por Thor – vou-me feliz ao Paraíso da Loucura cursar a Imortalidade.
Meus cabelos são longos; são madeixas crespas e assanhadas, encruzilhadas e ríspidas. Minha barba é messiânica: minha história, Divina.
Meu corpo está coberto por cinza; da poeira das estradas, do pó das estrelas e do ácaro dos cadáveres, que o tempo levou no vento.
Meu destino está traçado rumo à rota do imprevisto.
Com minha guitarra nas costas, sob os perfumes dos Édens, ao lado de Bacco – protegido por Thor – vou-me feliz ao Paraíso da Loucura cursar a Imortalidade.
