Millor amigo amor
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Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.
Millôr Fernandes
De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.
Millôr Fernandes
Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono.
Millôr Fernandes
Metade da vida é estragada pelos pais. A outra metade, pelos filhos.
Millôr Fernandes
Acreditar que não acreditamos em nada é crer na crença do descrer.
Millôr Fernandes
Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos.
Millôr Fernandes
Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.
Millôr Fernandes
Há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos.
Millôr Fernandes
Não é que com a idade você aprenda muitas coisas; mas você aprende a ocultar melhor o que ignora.
Millôr Fernandes
Quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso.
Millôr Fernandes
Ser génio não é difícil. Difícil é encontrar quem reconheça isso.
Millôr Fernandes
Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala.
Millôr Fernandes
O mal de se tratar um inferior como igual é que ele logo se julga superior.
Millôr Fernandes
Paz na terra aos homens de boa vontade. Isto é, paz para muito poucos.
Millôr Fernandes
Poesia Matemática
Às folhas tantas Do livro matemático Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável E viu-a, do Ápice à Base, Uma Figura Ímpar; Olhos rombóides, boca trapezóide, Corpo otogonal, seios esferóides. Fez da sua Uma vida Paralela a dela Até que se encontraram No Infinito. "Quem és tu?"indagou ele Com ânsia radical. "Sou a soma dos quadrados dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa." E de falarem descobriram que eram - O que, em aritmética, corresponde A almas irmãs - Primos-entre-si. E assim se amaram Ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação Traçando Ao sabor do momento E da paixão Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas E os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E, enfim, resolveram se casar Constituir um lar. Mais que um lar, Uma perpendicular. Convidaram para padrinhos O Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro Sonhando com uma felicidade Integral E diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones Muito engraçadinhos E foram felizes Até aquele dia Em que tudo, afinal, Vira monotonia. Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum Freqüentador de Círculos Concêntricos. Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, Uma Grandeza Absoluta, E reduziu-a a um Denominador Comum. Ele, Quociente, percebeu Que com ela não formava mais Um Todo, Uma Unidade. Era o Triângulo, Tanto chamado amoroso. Desse problema ela era a fração Mais ordinária. Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade Como, aliás, em qualquer Sociedade.
Millôr Fernandes