Miguel torga
Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha (1907 - 1995), médico, poeta, escritor e ensaísta português.
Encontrados 306 com a expressão miguel torga
A dor é a substância da vida e a raiz da personalidade, pois somente sofrendo se é uma pessoa.
Miguel Unamuno
Onde quer que a virtude se encontre em grau eminente, é perseguida; poucos ou nenhum dos famosos varões do passado deixou de ser caluniado pela malícia.
Miguel Cervantes
As obras que se fazem depressa nunca são terminadas com a perfeição devida.
Miguel Cervantes
Quem não sabe nada, seja ele senhor ou príncipe, deve ser incluído no número das pessoas vulgares.
Miguel Cervantes
Tenta viver em contínua vertigem apaixonada; só os apaixonados levam a cabo obras verdadeiramente duradouras e fecundas.
Miguel Unamuno
Onde intervêm o favor e as doações, abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.
Miguel Cervantes
Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero.
Miguel Cervantes
A beleza na mulher honesta é como o fogo afastado ou a espada de ponta, que nem ele queima nem ela corta a quem deles se aproxima.
Miguel Cervantes
A palavra sábia é aquela que, dita a uma criança, é sempre compreendida sem a necessidade de explicações.
Miguel Unamuno
A vida afectiva é a única que vale a pena. A outra apenas serve para organizar na consciência o processo da inutilidade de tudo.
Miguel Torga
A maior desgraça que pode acontecer a um artista é começar pela literatura, em vez de começar pela vida.
Miguel Torga
Nada levarei quando morrer, aqueles que me devem, cobrarei no inferno.
Miguel Rio Branco
Trocaria a memória de todos os beijos que me deste por um único
beijo teu. E trocaria até esse beijo pela suspeita de uma saudade tua,
de um único beijo que te dei.
Miguel Esteves Cardoso
A poesia é uma pintura cega e a pintura é uma poesia muda.
Miguel Gontijo
A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água.
Miguel de Cervantes
Livro de Horas
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão em leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser Homem.
De ser o anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser o monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!
Miguel Torga
É instrutivo ver os vários retratos que fazem de nós pela vida fora. Com traços lisonjeiros ou desagradáveis, entram-nos sempre pelos olhos dentro como estranhos, a perturbar uma paz que tinha um rosto habitual, familiar, a que estávamos acostumados. À imagem tranquila, sobrepõem-se outras inquietantes que não servem no cartão de identidade, e, contudo, nos identificam publicamente mais até do que a que nele figura. É que não se trata de neutras fotografias. São perfis apaixonados, justos ou injustos, com as virtudes e os defeitos cruamente patenteados. Quem um dia nos lembrar, é por eles que nos lembra. Somos o que nós sabemos, e parecemos o que os outros dizem de nós.
miguel torga
O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindima de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura. E que a doçura que não se prova se transfigura noutra doçura muito mais pura e muito mais nova.
Miguel Torga