Metodo infantil - flora figueiredo
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Olhos cegos olham para si,
Tudo está normal,
Tudo esta escuro,
Olhos cegos olham para a Amazônia,
Tudo está diferente,
Tudo está escuro.
Vítor Figueirêdo Leite
Você não é o que você usa,
Você não é o que você tem,
Você é seu pensamento,
Você é aquele pequeno detalhe,
Você é aquele pequeno ato.
Vítor Figueirêdo Leite
Olhamos para si.
Olhamos para o outro,
Não nos comparamos,
Escolhemos falar do outro,
Reclamamos, Fofocamos, debochamos, falamos...
Vítor Figueirêdo Leite
" Não há o que neste mundo não possa ser dividido.
Não há sonhos grandiosos que não possam ser transformados em milagres existentes.
Não há quem ame e não persevere, ou mesmo, tenha esperança.
Mas há vida em nós, exatamente, da medida dos nossos sentimentos.
Se amamos mais, vivemos mais.
Se amamos menos ou pouco, vivemos tão inconstante e derradeiramente!
Há algumas coisas pequeninas que transformam nossos dias e nossas atitudes diante do mundo.
Coisas estas que, muitas vezes, não enxergamos diante de nós; passam despercebidas, envoltas na correria dos dias.
Palavras, sorrisos, gestos...
Tudo contido num emaranhado de circunstâncias que devíamos priorizar, mas nunca há tempo suficiente.
Aprendí, por mais que não tenham me ensinado, que pequenas e singelas coisas podem nos transformar...
Aprendí, ao contrário da educação encarceradora que tive, que o mundo está à nossa volta para ser desbravado, questionado e, diante de nossas atitudes, transformado...
Aprendí que a maior fidelidade da vida é aquela que devemos à nossa felicidade. Não importa o quão feliz estou, mas importa que eu sempre caminhe ao alcance dos meus objetivos. E no final do caminho, ou não, sempre poderei dizer que não há arrependimentos...
Pois amei, segui e perseverei em busca de sonhos!
Isto já significa tudo!"
Ana Beatriz Figueiredo Mota
Ilusão desmedida, desenfreada, devassa, estúpida!
Que circunda minh'alma vaga...
e a faz desordenada , alada!
Que vem estragar minhas palavras...
Com um olhar destrincha os gestos,
desarma, desnuda, rebusca.
Se ao menos eu gritar teu nome pudesse...
VIDAAAAAAAA...
O que mais hei de entregar-te?
Se quando me olhas,
já não sou eu,sou metade.
Inteira, mente, só a ti pertences.
Antes que eu morra pelo platônico descompasso
e antes mesmo de ser findado meu querer,
sem haver, alento, começado.
Vira-te, que contemplar prefiro as suntuosas nuvens,
ou ao breu da noite, atravessar ...
À tempestade, até mesmo, se vier.
Pois apenas uma senha entrega-me,
an-da...
Vá pra onde não me alcança teu olhar.
E em secreto esconde meu pesar.
D'onde nenhum ser possa avistar.
Ana Beatriz Figueiredo Mota
Há certas coisas que reconhecemos necessitar delas para viver. Há outras que apenas existem em nossas vidas por acaso ou para preencher lacunas.
Quando entrei para o meu atual curso de graduação, letras (português), já tinha minhas convicções formadas a respeito do que desejava pra mim e, mais ainda, daquilo que não desejava.
Apesar de ter sido uma boa aluna de português e biologia, tais abordagens nunca me interessaram, a não ser o fato da literatura tornar-se presente nos momentos em que escrevia por catarse ou por nenhum motivo. Escritos estes que poderiam até se tornar relevantes, não fosse meu espírito muito mais inquieto e sagaz que a “plausível” alma dos literatas.
Descobri com o tempo: “Não nasci para escrever para os outros.” E não aceito hipocrisias a respeito do fato de nascermos ou não determinados, até porque não creio em destino; mas acredito que tais fatos e compreensões podem lhe aguçar a alma desde a mais tenra idade, outras não.
Então, para ser clara e coerente, me esbarrei no português como alguém que esbarra num muro de concreto. Escrever, sei. Não sei e nem quero ter na minha vida a incontestável futilidade gramatical, a sintaxe mórbida, a ortografia remediada.
Meu marido, que ao contrário de minhas frustrantes escolhas, mas não de minha alma, é professor de física e matemática, me revela ao decorrer de sua longa jornada de estudos e trabalhos uma ciência maravilhosa e ,essencialmente, muito mais próxima a Deus.
Numa casa ornada de livros, de todos os tipos e gostos, comecei a provar desde menina os sabores de alguns. Posso não entender de física, mas me emociono ao ler trechos de Fritjof Capra, Albert Einstein; biografias de Newton, Currie e suas essenciais e maravilhosas ciências.
Considero abusivo e ignorante a opinião de ditos “letrados” que ironicamente maldizem as ciências exatas com suas estipulações de botequim: “Para que serve isto” ou “ O que vamos fazer com a matemática?”.
A verdade não é o que faremos com a “matemática” e sim o que ela faz por todos nós desde os primórdios. Talvez estes escritores velhacos entendam-na se saírem um pouco de seus primitivos contextos amorosos e ilusórios e olharem para os lados. Vamos começar pelas aparelhagens hospitalares, pela tecnologia que permite a nós conversarmos por celulares, MSN, palm-s; para o vasto mundo que nos circunda com carros, letreiros, músicas em mp3, mp4, cinemas, televisões, maquinários industriais, comerciais, etc. Na verdade a pergunta seria: “O que a matemática não tem feito por você?”. E a resposta é evidente: não há nada em que ela não esteja presente.
Confesso que muitos escritores ainda diriam: “Não utilizo computador para redigir, uso a manual máquina de datilografia”. Pergunte-o: “E que profissional criou a máquina de datilografia?”.
Não há como esconder. Se algumas pessoas, por mais vazias ou não, consideram suas ciências interessantíssimas, que retirem suas viseiras antes de estipularem sobre ciências que não lhe são sequer compreendidas superficialmente.
Por fim, não gostaria de estudar matemática ou física. Considero-me imatura para tal fenomenal lógica mundial. Sou apaixonada pela área de gráficos, desenhos industrias e design. Quem sabe um dia consiga ter coragem suficiente para colocar um ponto final nesses vazios discursos gramaticais e me entregar completamente à ciência tecnológica de criação, que não me levará completamente à física ou à essencial matemática, mas me colocará lado a lado à elas. Pois em todas as outras ciências há enormes vestígios destas e muitas pessoas fingem não ver.
Me orgulho do meu marido que ama o que faz e não haveria como não amar. Me invejo dele pelas horas infindáveis de estudos com alma e coração. Me perguntava o que o levava à isso e termino concluindo e saciando minhas próprias dúvidas com uma frase de Murray Gell- Mann:
“É a aventura mais perseverante e grandiosa da história humana – essa busca de compreender o universo, como ópera e de onde veio. É difícil imaginar que um punhado de habitantes de um pequeno planeta que gira em torno de uma estrela insignificante numa pequena galáxia possa ter por objetivo uma completa compreensão do universo em sua totalidade, um grãozinho de criação acreditando realmente ser capaz de compreender o todo.”
É esta a real diferença entre os lingüistas, poetas, gramáticos e os físicos, metafísicos, matemáticos e cientistas. Enquanto os primeiros almejam e procuram, desesperadamente, entenderem e traçarem a compreensão humana e divina em algumas metafóricas linhas, os segundos já conhecem infindamente, expressam claramente e vivem intensamente desta essência, há muito tempo. E o mais importante: sem se mostrarem arrogantes e soberbos com as outras ciências. Pois têm a perfeita compreensão que no mundo tudo se interliga para o bem comum.
É maravilhoso reconhecer a mais nítida essência divina presente nas coisas criadas e, mais ainda, saber que as ciências exatas nos aproximam de toda essa criação, de Deus e de nós mesmos.
Ana Beatriz Figueiredo Mota
CAMÕES
Amor é susto que se torna um hábito
É relâmpago que se cristaliza
É não saber andar onde se pisa
É morrer de nascer, e nascer de um óbito.
É buscar o infinito andando em círculo
É velejar sem rumos e sem brisa
É crer que cada instante se eterniza
É ter a majestade do ridículo
É ter a sabedoria na inocência
É cândida nudez sem dor nem mácula
É sofrer a indecência da decência
Ser anjo Frankenstein, arcanjo Drácula
Amor é aprendizado sem lições
Que o digas tu, não eu meu bom
Camões.
Guilherme Figueiredo.
No jogo da vida não se ganha,
Apenas se joga,
Joga-se com a procura da vitória,
Não sabendo que só podem perder”
Vítor Figueirêdo Leite
Por um instante eu queria ser lúcida
e velar meu sono de maresia
e deitar meus braços sobre as pontes
que unem sonhos e fantasias.
Queria estar repleta de sentidos,
e de sentidos, ser exata
alheia ao mundo
fulgaz ao caos
remando a vida
aparando lágrimas e estrelas.
Queria ater-me a olhares sutis,
desvendar enigmas,
aparar a brisa
e fugir do tempo.
Fugir do destino do fim.
Fugir, por apenas um instante
e por tantos outros,
de mim."
Ana Beatriz Figueiredo Mota
Ao meu querido professor...
Eu confesso – Poucas são as pessoas que gostam de mim – pois não sei fingir.
Tenho uma alma revolucionária, ao extremo, e me provocam agonia e pesar tantas manifestações desumanas e miseráveis.
Ultimamente tenho pensado a respeito disso e cheguei a algumas conclusões.
Antes de tudo, devo ponderar sobre a facilidade e destreza que certas pessoas encontram em serem mesquinhas, pobres de espírito, baixas moralmente e desfavorecidas em intelecto. E isto não é marca de classes menos abastadas; pelo contrário, vejo cada vez mais pessoas que se dizem “endinheiradas” cometerem barbaridades contra as condutas da boa educação.
Exatamente isto, talvez mesmo por se taxarem “endinheiradas”. Possuem apenas dinheiro, folhas ao vento, mas sem nenhum valor espiritual, sem qualquer civilidade social ou condições normais e saudáveis de raciocínio .
E, realmente pensando sobre isso, sentindo-me envolvida por um mundo caótico e sem freios de cidadania, me surpreendi com a existência, bem nítida, de pessoas raríssimas, que diante de tanta falta de educação, indignidade e lixos humanos, conseguem se fazer “luzes” aos olhos alheios. Conheço poucas pessoas assim, mas tenho orgulho de suas existências presentes e coexistentes à minha vida.
Uma dessas pessoas? O meu professor de literatura. Seu nome pode ser dito, sem receios: Osmar Oliva.
Não estou escrevendo sobre o assunto para alçar elogios de ordem prosaica ao nobre docente. Quero apenas, diante de tantas desfavoráveis experiências humanas, citar apenas uma das poucas que pode ser digna de louvor.
Bem... O professor e doutor Osmar Oliva é alguém que se atém a comentários pertinentes à sua disciplina, ao conhecimento científico de sua área e também de outras, e nunca à comentários extraclasse. Respeita nossos horários de início e término de aulas, mesmo que alguns necessitem sair mais cedo para conseguir condução, o que ele entende perfeitamente.
Mas o que me chama mais atenção nele é a maneira de ser humilde e voraz, simultaneamente, em seus discursos. É humilde ao apontar nossas falhas de maneira coesa e ética, é voraz em nunca atingir um desafeto com más palavras, antes com boas palavras aos que à ele parecem pertinentes. É exatamente isso que me encanta em sua fala.
O professor derrota verbalmente, com uma oralidade magnífica, os tons alheios de arrogância e desumanidade. Ele declara, de um modo não-verbal, olhos de superioridade à ignorância que persuade os mesquinhos, e parece conseguir vê-la ao longe, como algo que não quer atingir nunca, pois sabe que estas banalidades pertencem apenas aos tôlos.
Então, eu utilizo agora um grande clichê: “Quero ser como ele, quando eu crescer.”
Quero que minha alma atenha-se acima das coisas mundanas, momentâneas e que coexista na delicadeza da nobre linguagem humana. Desejo mais afetos que inimigos e quando não puder tê-los nessa ordem, desejo o silêncio, somente. O meu e o alheio.
Que eu esteja, sempre, acima das coisas e das pessoas pequenas. Que eu apenas sinta que passaram por mim, como o vento, por mais que o vento seja dotado de uma positividade enigmática. Apenas peço a Deus que me dê forças e coragem para não responder aos medíocres, que ocupam suas vidas e suas podres almas de tanta sordidez e futilidades, da vida alheia, da inveja ao mérito dos justos.
E por isso também que estou escrevendo. Por que parece tão fácil responder com grosserias à pessoas baixas e tão difícil assumir a nobreza de caráter de apenas uma, quando a encontramos em nossas vidas?
Escrevo para dizer ao professor Osmar e às raras pessoas como ele que sinto orgulho de conhecê-los, de tê-los tão próximos, para que talvez eu consiga absorver e aprender coisas boas. Escrevo para que estas poucas pessoas possam ter a certeza de uma admiração verdadeira e saudável, porque são dotados de atitudes saudáveis e justas.
Escrevo para não perder meu tempo com pessoas ou coisas fúteis. Prefiro preencher minhas horas com palavras afetuosas e puras.
Neste semestre, essencialmente, entre tantas decepções e desprazeres, pude conhecer uma pessoa maravilhosa, que com certeza ofuscou e apagou muitas tristezas, muitas lágrimas, não só minhas, mas de muitos colegas... Com a sutileza de suas considerações, com sua evocação e admiração machadiana, com seus apontamentos sobre a sedução da escrita, com sua postura lúcida e perfeita, com a aura do professor realista e espontâneo. Passei a amar a literatura, passei a ler Machado de Assis. Quero ter como exemplo pessoas excelentes e íntegras!_________________________________
Ana Beatriz Figueiredo Mota
Não deixe portas entreabertas.
Escancare-as ou as bata de uma vez.
Porque por meias entradas entram meias felicidades.
(Flora)
Somos todos parasitas da terra, que como todo parasita destruimos tudo aquilo que mas precisamos.
Jhonattan Figueiredo
Saudade é uma palavra um sentimento tudo 1. Porque quando mas que uma se torna solidao.
Jhonattan Figueiredo
O amor é um sentimento bom, cruel mesmo é a paixão. Deus inventou o amor mas a paixão não, essa foi criação nossa.
Jhonattan Figueiredo
Eu quero ser usado pra curar sua carência
eu quero que voce me bata com o seu labio no meu
eu quero que voce me diga nao, quando eu perguntar se vai embora.
Jhonattan Figueiredo
Ah! tanto se escorrega numa casca de laranja como numa folha de rosa! O coração endoidece com a cabeça. O amor faz de um homem um santo ou um diabo...
Antero de Figueiredo
Esse método estóico de bastar às nossas necessidades suprimindo os nossos desejos equivale a cortarmos os pés para já não precisarmos de calçado.
Jonathan Swift
A abelha tristonha,
fauna e flora devastadas,
produz mel amargo.
Leila Míccolis
O fato da consciência humana permanecer parcialmente infantil por toda a vida é o âmago da tragédia humana.
Erik Erikson