Menino fino
Era um menino tão mau que só se tornou radiologista para ver a caveira dos outros.
Jô SoaresOra vede: Definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit causam, nec fructum: "O amor fino não busca causa nem fruto". Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: o amor fino não há de ter por quê nem para quê. Se amo por que me amam, é obrigação, faço o que devo; se amo para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo, como ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam, é agradecido; quem ama, para que o amem, é interesseiro; quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino.
Padre Antônio VieiraNão sei o que possa parecer aos olhos do mundo, mas aos meus pareço apenas ter sido como um menino brincando à beira-mar, divertindo-me com o fato de encontrar de vez em quando um seixo mais liso ou uma concha mais bonita que o normal, enquanto o grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente.
Isaac NewtonPegamos o telefone que o menino fez com duas caixas de papelão e pedimos uma ligação com a infância.
Millôr FernandesToda alegria é assim: já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.
Millôr FernandesComo a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?
Não explicaria. Daria uma bola para que ele jogasse...
Preciso de um homem
que seja como um menino
inocente e meio desastrado
que necessite dos meus cuidados
e a meu redor se faça pequenino.
Que seja dengoso e faça beicinho
querendo receber meus afagos.
Um homem…
Que seja como adolescente.
Teimoso, mas muito carinhoso
quando fala suave ao meu ouvido,
ser somente o meu carinho
a razão da sua vida, e desse modo,
faça-me sentir muito querida.
Preciso de um homem
que o seja de verdade.
Que quando me abraçar
o faça com sinceridade.
Que faça de mim o seu tudo,
como um homem faz
da mulher que ele quer.
Um homem…
Que ao ficar maduro
sua palavra seja tão séria
que não precise dizer “eu juro”.
Que seja íntegro e honesto,
me faça sentir feliz sempre,
estando longe ou perto.
Preciso de um homem
a quem o meu amor baste.
Que vendo além da aparência
perceba a luz da minha alma,
me ame pelo que eu sou
e a mim entregue o seu amor
com toda a sua essência.
Sim, quero um homem que
quando velhinho ame do mesmo jeito,
com ternura e muito carinho.
lhe diga com sinceridade:
Obrigada querido por fazer-me tão feliz,
minhas esperanças não foram vãs.
Toda alegria é assim; já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.
Millôr Fernandes[Consta na Lápide de Fernando Sabino]
Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino
E cruzam-se as linhas
No fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.
"O menino que mesmo apaixonado...
é triste...
O menino que mesmo feliz...
chora...
O menino que mesmo tímido...
chama a atenção...
O menino que mesmo complicado...
eh perfeitinho...
O menino que mesmo realista...
se iludeh...
O menino que mesmo chato...
eh legal...
O menino que mesmo amando...
eh odiado...
O menino que mesmo de bom humor...
eh antipático...
O menino que mesmo que mesmo bobinho...
sabe o que quer...
O menino que mesmo quetinho...
sabe provocar...
O menino que mesmo santinho...
sabe pecar !!!
O menino que mesmo sem coração.
aprendeu a amar....
O menino que vive na tristeza.
mas que tenta ser feliz....
O menino que ama.
não é amado....
o menino que é exemplo....
nem tanto assim....
O menino com sorriso.
mas quem disse que é felicidade??
o menino ruim
mas bom ....
um menino enfim ..complicado..
mas facil de ser entendido
PEDIDO DE UM MENINO POBRE
MEU PAIZINHO LA DO CÉU
TO AJOELHADO, SEM CHAPÉU
NESTA NOITE DE NATAL
E DAQUI DO MEU RANCHINHO
VÔ LHE FALA BEM BAIXINHO
PRA NINGUEM NÃO ME ESCUTAR
EU SEI QUE PAPAI NOÉL
NÃO ESQUECE OS QUE TÊM FÉ
E OS QUE NÃO SÃO PECADOR
MAIS NÃO SEI QUAL A RAZÃO
PAPAI NOÉL QUE É TÃO BÃO
DE MIM NUNCA SE LEMBROU
MEU COLEGUINHA DO LADO
NESTE NATAL PASSADO
GANHO BASTANTE PRESENTE
UMA BOLA UM TRENZINHO
UM PIÃO BEM BONITINHO
ELE SORRIU DE CONTENTE
EU TAMBÉM FIQUEI CONTENTE
COM TODO AQUELE PRESENTE
QUE O MENINO RECEBEU
PORQUE ELE FOI BÃOZINHO
VIU QUE EU ERA POBREZINHO
UM BRINQUEDO ELE ME DEU
APESAR DO ESQUECIMENTO
NÃO GUARDO RESSENTIMENTO
PAPAI NOÉL EU ADORO
PRA MIM ELE É INOCENTE
E SE NÃO ME DEU PRESENTE
TALVEZ NÃO SAIBA ONDE EU MORO
POR ISSO ESTOU AQUI
AJOELHADO PRA PEDI
PRA QUE SEMPRE ME AJUDA
PRA QUE EU SEJA UM HOMEM FORTE
ATÉ NA HORA DA MORTE
NUNCA ME FALTE SAÚDE
E SE EU FOR MERECEDOR
LHE, PEÇO UM GRANDE FAVOR
SÉ O SENHOR ME AJUDA
PEÇO-LHE DE CORAÇÃO
UM LIVRO DE RELIGIÃO
PRA TODA NOITE EU ESTUDA
SE EU RECEBER O LIVRINHO
LEIO-O COM CARINHO
NESTE RANCHO SOLITARIO
EU JURO EM TEU NOME SAGRADO
QUANDO EU FOR HOMEM FORMADO
HEI DE SER UM MISSIONARIO
QUERO ANDAR PRA CIDADE
PRATICANTO A CARIDADE
DE TODO MEU CORAÇÃO
QUERO ABRAÇAR AS COITADINHAS
INOCENTES CRIANÇINHAS
ESQUECIDO NO SERTÃO
POR ESTE BRASIL GIGANTE
QUERO SER UM CAMINHANTE
DE CIDADE EM CIDADE
ENSINANDO MULHER E HOMEM
RELEMBRO SEU SANTO NOME
COM TODA SINCERIDADE
QUANDO TUDO TERMINAR
E MEU CORPO REPOUSAR
POR DEBAIXO DE UMA CRUZ
SO QUERO O MAIOR PRESENTE
COM MINHA ALMA EM TUA FRENTE
MEU QUERIDO E BOM JESUS.
O Menino Azul
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
— de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
o menino me ensina
como um velho sábio
o quanto sou menina
QUINTAL DOS MEUS SONHOS
Solitário, um menino excluído brinca
No fundo do quintal com uma rodinha nas mãos.
Parece estar dirigindo, mas tão concentrado...
"Esse menino, não joga bola,
Não brinca com os outros,
Não se aproxima de meninas...
Não sei o que vai ser dele!" _ fala a mãe, solteira, do garoto.
Aliás, a família comenta o estranho jeito de ser do menino.
O tempo vai passando e ele continua isolado,
Mas substitui a rodinha por um papel e uma caneta.
Quantas fantasias e viagens fantásticas ele teve naquelas tardes de solidão?
Os melhores sonhos, são os que sonhamos acordados,
E são esse que ele, agora já adulto, publica em jornais e revistas.
Agora que ficou conhecido de todos,
Deixou de ser desconhecido pela família.
O menino olhava a avó escrevendo uma carta.
A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Na verdade estou escrevendo sobre você.
Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
A avó diz:
- Tudo depende do modo como você olha as coisas.
- Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão que podemos chamar de Deus, deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade.
Segunda: de vez em quando, eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. isso faz com que o lápis sofra um pouco. Mas, no final, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira: o lápis é companheiro da borracha para apagar o que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa não é necessariamente algo ruim...
Quarta: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
Quinta: o lápis sempre deixa uma marca...
Portanto, lembre-se: tudo o que você fizer na vida, irá deixar traços... Por isso, procure ser consciente de cada ação para que todos seus desenhos sejam lindos!!!
o menino me ensina
como um velho sábio
o quanto sou menina
O menino é o pai do Homem
Fernando SabinoO Menino e o cinema
Aquela gripe inesperada era tudo que ele não precisava. Justo nesse dia!
Ele estava ardendo em febre e mesmo assim implorava para sua mãe para ir ao cinema. Afinal de contas, hoje era quinta feira e era o dia da continuação da sua série favorita. Se ele perdesse essa parte de hoje, ficaria sem entender a próxima parte.
Dona Rebecca não queria saber de argumentos, com aquela gripe e com esse "febrão" ele teria que ficar em casa e pronto. Ai dele se desobedecesse!.
Uma angústia passou pelos olhos do menino. Escondeu a cabeça sob as cobertas e chorou.
Chorou ao lembrar-se das dificuldades da vida, da pobreza em que viviam, e do filme que era exibido em séries todas às quintas-feiras lá no Cine Ok. A série era o "Vale dos desaparecidos" e era o único filme que ele e o irmão pagavam para ver, afinal aquele velho golpe de andar de costas quando o povo saia do cinema não funcionava no Cine Ok.
Chorando e com a febre subindo, o menino pensava em Deus e na sua justiça. Por quê ele tinha que ficar com febre justo hoje? Por quê na quinta-feira? Que injustiça era essa? Tantos dias diferentes para ficar doente, e justo hoje ele amanhece com essa febre que só veio para atrapalhar tudo...
Adormeceu com a febre que insistia em queimar. Acordou horas depois com os gritos dos amigos.
Ao abrir os olhos no quarto humilde, o garoto viu aquele monte de amiguinhos falando ao mesmo tempo. Ele não entendia nada, era muita gente , muitas palavras e nenhum entendimento. Só quando seu irmão pediu silêncio foi que ele soube que havia escapado da morte. O Cine Ok havia pegado fogo naquela tarde de quinta-feira e haviam muitas vítimas.
Por isso, quando você não entender o porquê de uma doença, daquele pneu furado pela manhã, o trem que não chega, o avião que não sai, o carro que você não consegue comprar, os pequenos acidentes que te atrasam em um compromisso, faça como o menino Senor Abravanel (ou Silvio Santos, como você quiser), que aos 12 anos descobriu que Deus cuidava dele e com certeza tinha uma missão muito maior do que aquele filme de quinta-feira á tarde.
Será que a sua febre não está te livrando de uma tragédia? Não é hora de agradecer?
Agradecendo por tudo que recebemos, nós não caímos no risco de sermos injustos, nem com Deus, nem com ninguém.
Reclame menos, agradeça mais e viva feliz!
(História real baseada na vida de Silvio Santos)
Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).
O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?
O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.
O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.
Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.
Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.
Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.
