Kathlen heloise pfiffer
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Fico me perguntando ás vezes o que está acontecendo com o mundo. Ele está de ponta cabeça, e ninguém reparou? Ou ele parou de girar e eu ainda estou no ritmo antigo? Sinto-me deslocada, sinto-me fora de área. Ligo a TV, e o noticiário diz que a terra virou um forno (não que eu precisasse ver isso na TV pra notar), que o gelo está derretendo, diz que mais uma bomba explodiu na faixa de Gaza, que os preços não param de aumentar, que os jovens morrem cada vez mais cedo. William Bonner não me deixa mentir. O mundo está às avessas. A terra está soterrada de violência, de guerra, de fome, de desespero. No fim do túnel só se vê a escuridão. E o fim do túnel está cada vez mais perto. Nós estamos nos auto destruindo.
Eu vejo fome por todos os lados. Fome de comida, fome de justiça, de liberdade, fome de amor, fome de saudade, e vejo a fome de dinheiro, de corrupção. As pessoas estão famintas. E não conseguem achar uma fonte que supra sua fome. Cada vez mais. Cada vez mais famintas. Cada vez com mais sede. E onde isso vai parar?
Mas os erros continuam. Perda total por todos os lados. Erros meus, erros seus, erros nossos. Nós estamos vendo tudo na nossa frente, e continuamos cavando nossa própria cova. Está tudo errado. Essa estupidez humana sem freios, essa sociedade medíocre que corrompe nossas crianças, que tira nossos amigos, que leva os de bem pro crime. Onde está o amor? Onde está o respeito? O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.
Chegamos a tal ponto de sentir fraqueza, fraqueza que parece nos impedir de fazer algo que valha a pena. Ficamos parados diante da destruição de braços cruzados. Assistindo ao massacre da nossa própria civilização. Mas nem sempre fraqueza é sinal de que não somos fortes. Enquanto ainda existirem pessoas que acreditam, haverá um caminho. Ainda que as luzes tenham sido apagadas, a chama da esperança sempre brotará. Enquanto existirem pessoas com esperança, ainda haverá uma solução. Somos gotas de água nesse lugar, mas juntos formamos um maremoto.
Kathlen Heloise Pfiffer
A vida é uma coisa muito complicada de se entender. Nós passamos por tanta coisa de uma vez só, passamos por tantos momentos, que quando para os pra pensar em tudo que aconteceu, percebemos o quão rápido nossa vida passou.
Parece até comum quando chega o final do ano, escutar coisas do tipo “Nossa como o ano passou rápido; parece que foi ontem que ele começou...” E é nessas horas, que percebemos que o tempo está passando, que os anos estão correndo, que o mundo está mudando, que a nossa vida está diminuindo.
Dizem que quando estamos morrendo, passa em nossa mente um filme de nossas vidas, com todas as horas que foram importantes pra nós, os momentos bons, os momentos ruins. Mas me pergunto uma coisa: será que é nessas horas que nos arrependemos do que fizemos, ou pior ainda, do que deixamos de fazer?
É freqüente ouvirmos pessoas mais velhas falando: ”Ah se eu pudesse voltar no tempo e ter minha juventude de volta, seria tudo tão diferente...”. Parece que as pessoas, quando ficam mais maduras, começam a pensar mais nessa história de juventude. Pra nós, jovens, essa juventude vai durar pra sempre, vai ser eterna. Às vezes deixamos de fazer algo porque achamos que ainda temos uma ‘’vida toda pela frente’’ Mas é ai que cometemos nosso maior erro.
Não podemos perder uma chance, uma oportunidade. A vida é uma só, por isso precisamos aproveitar cada momento, cada risada, cada lágrima, cada pôr do sol e cada dia de chuva.
Se você deixou de fazer algo que queria muito, corra atrás! Faça de tudo para conseguir alcançar seu objetivo. Não deixe que a vida passe sem ter feito tudo que você podia ter feito.
Aproveite seu tempo. Pois quando o filme de sua vida estiver passando diante de seus olhos, tenha a certeza de que o que você ver vai deixá-lo satisfeito. Vai perceber que mesmo o tempo tendo passado, os anos terem corrido, o mundo tendo mudado e a vida tendo diminuído, tudo valeu a pena. E mesmo sabendo que a vida é complicada demais para se entender, nós entendemos, que o que importa mesmo, é viver. (kety 01/12/07)
Kathlen Heloise Pfiffer
O medo que não se ve.
Eu já ouvi falar de todos os tipos de medo imagináveis. Medos compreensíveis, sim. Medo de altura, de barata, de elevador, de escuro, de porta giratória, de avião, de formigas em bando, medo de morte e até medo de estranhos. E por aí vai, cada um sabe bem o tipo de medo que carrega consigo. E é bom ter medo de alguma coisa. Porque se não a vida acaba por perder a graça, sem aventuras, tudo ficaria monótono. Mas tem um medo, que é bem mais complicado. Tem gente, que tem medo de amar.
Medo de avião, eu até entendo. O negócio pode cair lá de cima a qualquer hora. Mas medo de amar, medo do amor? Ah,daí a coisa complica. E olha, que não é nem uma, nem duas pessoas que têm esse medo. Infelizmente, isso acontece com muita gente, e nem sempre termina bem. E eu tenho muito receio desse tal medo de amar. Ele é invisível, não se sabe ao certo como combatê-lo.
Só mesmo quem sente, quem carrega esse temor dentro de si, sabe o que é a dor de temer o invisível. É aquele receio, que carregamos às vezes por anos dentro de nós. Um amor mal resolvido, uma partida inesperada, uma perda doída demais, um alguém que nunca chegou, ou um alguém que não vem mais. Motivos pra ter esse medo, acho que cada um tem o seu, poderia citar inúmeros deles aqui. Até ai tudo bem. É compreensível que as pessoas temam o sofrimento. Mas tudo tem um limite. Chega uma hora, que se deve guardar na gaveta esse sentimento, e trancar a sete chaves. E abrir os olhos e ver ao redor, e notar que ainda há vida lá fora. Por vezes, passamos tempo demais, sofrendo por causas perdidas. E na maioria das vezes, esse medo, advém de amores terminados doloridamente.
Vou te dizer; ela não vai voltar. Depois de tudo acabado, depois de ela ter se casado, ter construído uma família, é inútil você ainda esperar por ela. O que foi, foi. Você vai sofrer, você vai passar noites em claro pensando em como tudo seria se você tivesse feito as coisas um pouco diferente, mas agora é tarde. Não adianta mais esperar por ela, não adianta procurar ela em outras por ai. Você não vai ter ela de volta.
E ele também não quer mais saber de você. Você não soube respeitar o mundo dele, você não soube dar valor ao amor que ele lhe dava. Você não o ajudou quando ele precisou de uma luz, você o jogou nos braços dela. Você o deixou passar por aquela porta, sem nem ao menos lutar pelo seu amor. Choramingar agora, de nada adianta, ele não vai voltar.
Dói, dói muito quando nos deparamos com uma perda, com alguém que parte e que sabemos que será insubstituível. E depois disso, sentimos medo. Medo de passar por tudo isso de novo, vem ai o tal medo de amar. Eu entendo quem passa por isso. Eu mesma já passei. Mas acontece que tem gente que carrega esse medo consigo pra sempre. Gente que já sofreu tanto, que acabou por se acostumar com esse temor morando dentro de si. E essas pessoas, acabam por ficar cegas ao que lhes rodeia. Acabam desperdiçando chances e mais chances de ser feliz. Você se machucou no passado? Doeu? Ainda dói? Ótimo! Isso significa que você viveu intensamente por alguns momentos em sua vida. Mas agora pare e preste atenção: já passou da hora de deixar tudo isso pra traz. Abra os olhos, abra o coração, abra as janelas e a as portas de sua alma para o desconhecido! Deixe-se ser amado. Deixe que ele te chame pra sair, aceite um convite para um café com a moça do xérox. Vá ao encontro do desconhecido e deixe os fantasmas do passado, bom, deixe-os no passado!
Uma coisa é sofrer por amor, e ter receio de não sofrer novamente. Outra coisa é fechar-se para o mundo, trancar-se na solidão de seu mundinho. Deixe que alguém te lembre o quão doce é a musica do mundo, deixe que alguém te mostre novamente como vale a pena amar. Porque nós sempre precisamos de ajuda, ainda mais, ajuda pra combater esse medo invisível. Medo invisível que é compreensível. Até certo ponto. Guarde-o então na gaveta e tranque bem. Tenha medo de avião, de barata, de escuro, de trovão, de macaco. Mas não tenha medo de amar.
(kety 06/12/07)
Kathlen Heloise Pfiffer
Em cada pensamento meu, tem um espírito que vibra, um sol que aquece, um anjo azul, um filme de amor, um sorriso eterno, um desafio.
Em cada momento meu, tem um poema escrito, uma foto rasgada, uma música lenta, um bilhete de eu te amo, um carro chegando.
Em cada sentimento meu, tem o aniversario de um amigo, um colar colorido, uma gota de chuva, um número de telefone, um sussurro no ouvido.
E em cada movimento meu, existe um carnaval em setembro, um arco-íris, uma tempestade em copo d'água, um amor explosivo, uma vontade de voar, uma alegria eufórica, e uma imensa vontade de VIVER.
Kathlen Heloise Pfiffer
Eu preciso de...
Eu preciso de tudo. Preciso da inspiração do poeta, da criatividade do autor, da imaginação do desenhista e do sofrimento do desconhecido.
Preciso do cafezinho da padaria, da versatilidade do humorista e da coragem do salva-vidas. Necessito urgentemente da seriedade do jornalista e da compreensão do vovô.
Decididamente eu preciso do abraço maternal, da comidinha caseira, da brincadeira de criança. Ainda que restrita, preciso da promessa de paz, do sonho de um futuro bom, mas isso deixa pra lá...
Estou dispensando o olho gordo! Disso, pode ter certeza que eu não preciso. E que se vá também a agonia do fim, a tristeza da saudade, a cara amarrada da manhã de segunda feira; que vá para onde o vento faz a curava e que esqueça do caminho de volta.
Falando em dispensa, não dispenso o “Bom dia” ao porteiro, lembro do obrigada e do “não há de quê” até mesmo ao estranho que me deixou entrar antes no elevador. Bons modos, nossa! Como eu preciso disso!
Eu preciso disso e de muito mais. Busco sempre o desconhecido, entretanto, não largo mão do convencional. E nessa incessante busca, sei que preciso, todo o tempo, da alegria em que consiste a vida. Preciso do amor que preenche a alma, preciso da serenidade que acalma o coração. E por aí vai. Aliás, esse por ai vai bem longe. É, eu preciso de tudo.
Kathlen Heloise Pfiffer
O verdadeiro gosto da felicidade
Ser feliz é algo muito relativo, certo? A minha felicidade, pode ser a infelicidade de outras centenas de pessoas, assim como a felicidade dos outros pode ser a minha tristeza. É assim, e sempre foi; não há como agradar a todos, o que é ótimo, pois, o que seria do amarelo se todos só quisessem o azul? O que seria do doce, se todos preferissem o salgado?
Estar feliz é algo que vem de dentro. A felicidade é conhecida por cada pessoa de um jeito, cada um sabe o que o deixa triste ou alegre. Cada um sabe se gosta mais do azul ou do amarelo, do doce ou do salgado, do barulhento ou do silencioso. E quando não sabe, sente-se mais feliz e completo ao descobrir, afinal, a descoberta do novo sempre acrescenta algo a nossa vida. Bom mesmo é descobrir que gosta do barulho do vento, que sente cócegas no lado de dentro do joelho, que morre de rir com o jeitinho do seu cachorro coçar o focinho, que se sente bem ao ler um livro, ao rolar na grama, ao se sujar de brigadeiro, que acha a maior graça o modo com que seu cabelo está quando você acorda. São essas pequenas descobertas de felicidade que tornam nossa vida mais alegre, mais leve, mais simples.
Mas tem um tipo de felicidade que, para mim, é a mais satisfatória de todas. È a descoberta da felicidade compartilhada. Ser feliz sozinho é bom, ta certo, tem certas coisas que a gente sente e que ficam só mesmo pra gente, é íntimo. Mas quando você pode partilhar dessa felicidade com alguém, quando você pode rir e ouvir o riso da outra pessoa junto com o seu, quando seu olho enche de lágrimas de alegria e vê que a outra pessoa já está em sua direção para te abraçar, quando você fica com dor na barriga de tanto rir e percebe que é aquela pessoa especial que está fazendo peripécias e chorando de tanto rir, ah, essa felicidade compartilhada é que vale a pena.
È aquela felicidade de ver a alegria do outro, é a satisfação de conseguir fazer brotar um sorriso em meio a lágrimas, é o prazer de ver o brilho no olhar do amado ao falar de seus projetos futuros, é sentir o peito acelerado com as batidas do coração ao reencontrar com um sorriso largo aquele velho amigo, ao voltar de uma viagem e encontrar sua família te esperando no aeroporto. É a felicidade de fazer com que alguém se sinta especial, se sinta amado, se sinta feliz por sua causa. Ser feliz junto de alguém é a melhor felicidade que existe.
Porque sempre haverá quem goste do azul, do amarelo; do liso, do áspero; da comédia e do terror, esse é o mistério da vida: é sermos tão diferentes, mas tão iguais ao mesmo tempo. Mas também sempre haverá aqueles que, como você, gosta do azul, acha graça no salgado, adora uma comédia. Sempre haverá alguém que tenha algo que vai te completar, que vai te fazer se sentir realmente feliz. Essa história de ‘’toda tampa tem sua panela’’ é verdade sim. E não me venha com essa de eu sou uma frigideira, porque aqui em casa até frigideira tem tampa. O importante, é nunca desistir de ir atrás da felicidade, é ter alegria em viver, em buscar um futuro bom. Quando você menos esperar, vai compartilhar sua felicidade com quem você menos imagina.
Kathlen Heloise Pfiffer
A caixa do meu coração
Se eu pudesse fazer um pedido agora, somente um, eu pediria a Deus que me desse uma caixa. Mas eu queria uma caixa diferente. Esta caixa eu guardaria bem pertinho de mim, assim, em um lugar que estivesse ao meu alcance em qualquer momento. Os sentimentos nela contidos seriam grandes demais, mas, de acordo com meu pedido, eu gostaria de uma caixa bem pequenina, pra guardar num cordão, pendurado bem perto do peito. Uma caixa em que eu pudesse guardar não roupas, sapatos, fotos, cadernos, cartas ou jóias. Queria uma caixa em que eu pudesse guardar sensações. Uma caixa em que eu pudesse guardar o sentimento de cada momento, para que um dia, quando minha memória não for mais tão boa, quando a visão estiver mais fraca que nunca, a audição estiver errante, e o coração estiver batendo mais devagar, eu possa abri-la e ter novamente tudo aquilo que guardei tudo aquilo que um dia eu vivi.
Guardaria dentro da caixa, em primeiro lugar, a alegria da brincadeira de roda, das tardes brincando no pátio, dos desenhos da manhã, do nescauzinho feito todos os dias. Guardaria todos os natais, as páscoas com as pegadinhas do coelho no jardim, a brincadeira de pipa, as idas ao zoológico. Guardaria dentro da caixa, toda a alegria de ser criança, que agora, já falha um pouco na memória com o passar dos anos, e que eu sei, só tende a falhar cada vez mais. Em minha caixa, porém, esta alegria estaria a salvo.
Guardaria também a sensação de carinho familiar. Um dia, meus pais não estarão mais aqui. E quando este dia infeliz chegar, eu abriria minha caixa, e sentiria todo o amor deles novamente. Sentiria a segurança de meus pais, o amor deles por mim, a preocupação. Sentiria novamente toda a felicidade que passei ao lado deles, todas as barras que seguramos juntos também. Lembraria de como foi o importante tudo que me ensinaram, da angustia que passei e que lá estavam eles ao meu lado. A sensação de ter alguém que goste realmente de mim, que se preocupa, a sensação de ser acolhida, de saber que não estou sozinha no mundo, tudo isso ficaria eternamente guardado dentro de minha caixa.
Guardaria na caixa todas as lembranças de meus amores. O sentimento do amor, do afeto. O sentimento de querer mais e mais, de querer estar junto, a sensação de pele tocando na pele, de braços, beijos, laços. De suor, de arrepio, a sensação que só um beijo pode causar, a imensidão de se perder nos abraços de alguém. Guardaria também a sensação das lágrimas de amor, da dor da saudade. Guardaria o sentimento de aprendizagem que cada amor meu me deu. Isso tudo faria com que eu me sentisse mais viva no futuro, mais feliz por tudo que um dia vivi.
Mas em minha caixa, se eu pudesse, eu guardaria um pouco de cada amigo meu. Assim, um pedacinho de tudo que vivi com eles, cada sensação. Guardaria a euforia de todas as festas, de todas as parcerias, de todas as farras vividas. Guardaria a empolgação que passei ao lado de cada um deles, os planos feitos com tanto afinco. Guardaria todas as tardes e manhãs na escola, todas as risadas, todas as brincadeiras. Guardaria a compreensão de cada um deles, os conselhos, o apoio das horas difíceis. Guardaria o sentimento do companheirismo, o sentimento de adrenalina de todas as vezes que juntos aprontamos, guardaria as emoções que passei ao lado de cada um deles. Mas eu digo os amigos mesmo, que são poucos, mas que são especiais. Aos amigos, eu deixaria um lugar especial em minha caixa, um lugar de fácil acesso, um lugar que a velhice um dia não me impedisse de chegar.
Como esse pedido é um tanto quanto impossível, tentarei guardar, não em uma caixa, mas em minha memória, até quando eu puder, todas essas lembranças e sensações. A todos os que amo, que um dia amei, a todos aqueles que fizeram parte da minha vida em algum momento, que foram especiais, que marcaram algum momento, que me fizeram feliz, a todas estas pessoas, saibam que vocês estão em meu coração. Saibam que, no entardecer de minha vida, quando vocês estiverem na caixa do meu coração, eu vou abri-la, e vocês serão como as estrelas, que iluminarão minha noite.
22/05/08
Kathlen Heloise Pfiffer
É como um filme que vai passando em minha mente. Um filme em preto e branco. O cenário muda a aparência já não engana mais. Os discursos vazios e cheios de clichês são os mesmos, acrescentados de alguns porquês a mais ou então a menos. O gosto amargo da derrota insiste em emergir das sombras, o gosto da decepção, do sentimento de perda, o sabor violento de uma despedida. Tudo isso nos persegue como noutra vida, noutra estação. As folhas que caem são as mesmas, todas carregadas de mentiras, de falsas promessas, de desejos não saciados, de beijos não dados, de corpos que não se tocam mais. Tudo isso se mistura num cenário escuro, exaustivo, de ar pesado. Tudo isso traz novamente aqueles dias frios, dias sozinhos, aqueles dias de que tanto eu um dia quis fugir, mas que insistem em me perseguir. São os dias em que me vejo mais uma vez sozinha.
Kathlen Heloise Pfiffer
A minha vida anda tão preta e branca, e o pior é que não sei se quero colori-lá ou não tenho as cores certas para isso.
Ando confusa diariamente. Deixa assim estar.
Kathlen Heloise Pfiffer
Lembranças de uma viagem
Eu estava pensando sobre uma viagem que fiz para Porto Seguro, lembrando de tudo que havia acontecido em uma semana de pura alegria, diversão, e não pude deixar de lembrar sobre algo que fizemos na última noite daquela viagem. Era uma espécie de brincadeira, em que você tinha que ir até a frente de todos, e pegar um pouco de carinho de um saquinho, e mandar pra quem quisesse. Como o tempo era curto, muitos deixaram de ir até lá e mandar este carinho. Bom, eu tive a oportunidade de ir, e mandei para duas pessoas muito especiais que fizeram a minha semana de férias valer a pena. Duas grandes amigas. Entretanto, talvez por toda a emoção da despedida, todo o sentimento de saudade que aos poucos ia crescendo, eu acabei mandando este carinho pela metade.
A princípio, acredito que todos nesta viagem estavam com o mesmo pensamento apreensivo, afinal, eram duas escolas diferentes, que pouco se conheciam. Eu mesma cheguei a pensar que, nunca que ambas iriam realmente se unir. Acontece que, isso não ocorreu. As diferenças, ou até mesmo as coisas em comum, fizeram com que nos tornássemos um grupo unido, um grupo que brincava junto, ria junto, enfrentava o cansaço junto. Alguns mais juntos que outros, outros nem tão juntos assim. Mas sempre unidos. E no fundo, foi isso que fez toda a magia da viagem acontecer. Afinal, o que vai ficar pra sempre na memória, não é somente as festas, os lugares visitados e conhecidos. O que vai ficar de verdade, é aquela risada de um tombo, é aquele abraço conjunto de felicidade, aquele beijo com carinho, um aperto de mão de fidelidade, um ataque de nervos por causa da roupa jogada no chão. Vai ficar na memória a invasão dos quartos (das varandas), os devaneios, os planos feitos com afinco pelos grupos, as amizades feitas, renovadas, reforçadas. Tudo isso é o que levaremos conosco para a posteridade, é o que contaremos para nossos filhos, e quem sabe um dia netos.
E se eu pudesse novamente mandar meu carinho, eu mandaria para todos que fizeram parte da minha semana. Todos que me garantiram risos, abraços, devaneios, festas, todos que me fizeram sentir especial. A todos os meus antigos amigos, que só fizeram reforçar meu sentimento por eles, que só fizeram com que eu percebesse o quão importantes em minha vida são, por todo o apoio, todo o companheirismo, todas as parcerias. Um carinho mais do que especial para os que entraram na minha vida. Todos que conheci, todos com que junto fiz festa, gritei, pulei, conversei sério também, conheci um pouco além de apenas um nome e sobrenome. (especialmente aos vizinhos de varanda, que eu incomodei até dizer chega). Um carinho especial também para aqueles que não conversei muito. Ora, vocês também fizeram parte de tudo que eu vivi, e vocês também serão lembrados. Um carinhos a todos vocês que fizeram esta viagem acontecer, pois, ir sozinha para lá, não seria NADA, e sem vocês, não haveria mágica ou lembrança boa alguma na melhor semana da minha vida.
Por fim, aos que leram até aqui, venho fazer um pedido. Um pedido com carinho. Durante a viagem, e antes também, ouvi varias vezes a frase: “Sabem quantas pessoas da minha turma de terceirão eu ainda tenho contato? Nenhuma. E com vocês será a mesma coisa.” E sabe o que nós fizemos ao escutar isso? Alguns choraram, alguns aceitaram em silêncio, e uns poucos pensaram que não seria assim. Eu peço a TODOS que pensem que não será assim. Porque dessa vez, não podemos fazer diferente? Porque aceitar que o tempo nos separe, que a vida nos leve para longe? Aceitar isso seria assumir que somos fracos, que nada teve real valor, que tudo significará apenas fotos velhas em um álbum. Não, não pode ser assim. Não deixem que o tempo leve o melhor de vocês, não deixem que o tempo leve aqueles que lhe serviram de alicerce em sua caminhada, serviram de base na construção de seu caráter. Não deixe que a vida leve o que de melhor você obteve.
Fica aqui um pedido de uma amiga. Um pedido difícil, mas não impossível.
08/2008 kety
Kathlen Heloise Pfiffer
Debaixo de sete chaves
O homem é naturalmente um ser carente, necessitado de afeto e atenção. E durante sua vida encontra nos seus semelhantes este afeto, criando laços que, não necessariamente, vêm do sangue, que não necessitam de parentesco algum. Estes laços servem como alicerce para a construção de uma verdadeira amizade. Amizade que, devidamente cultivada, serve como pilar na construção do caráter de cada indivíduo.
Disse a canção: “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração”. Este é o desejo íntimo de todos, ter um amigo sempre por perto, dentro de uma caixinha, para quando a saudade bater, tê-lo logo ali ao lado. Acontece que não funciona assim.
A vida por si é uma constante mudança, cheia de idas e vindas. Hoje mora-se aqui, amanha se ganha um emprego e se vê morando do outro lado do pais. E então como ficam os amigos? Ficam para trás, e não há caixinha em que se possa carregar um amigo. E o momento em que se vê parte de si mesmo ficando para trás. Separações existem não só em amores, mas também em amizades. E esta é uma das separações mais dolorosas por qual o homem passa: a despedida de um amigo.
Contudo, quando a amizade é verdadeira esta suporta distâncias, o passar dos anos, suporta todas as possíveis barreiras. A amizade genuína é construída em cima dos laços do companheirismo. Ela existe sim. Não é possível levar o amigo da escola para a faculdade consigo, mas, quando o sentimento é verdadeiro, as lembranças vividas ficam. São estas lembranças que fazem parte da bagagem que cada homem carrega dentro de si, até o fim de seus dias, até o momento que a memória não ser errante. A verdadeira amizade existe e atravessa todos os obstáculos, pois sua real essência está dentro de cada um de nós, “debaixo de sete chaves, dentro do coração”.
kety
Kathlen Heloise Pfiffer
Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo.
Carta de Abelard à Heloise
É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo.
Carta de Heloise a Abelard
A fé da ciência
Voltaire disse que, se não houvesse um Deus, ele haveria de ser inventado. É verdade. As pessoas necessitam acreditar que existe algo maior acima delas, um ser superior, uma força indescritível, algo, ou alguém, que faça com que o mundo gire. É essa força, ao qual chamamos de Deus, que nos move, que nos dá forças para irmos adiante, que faz com que tenhamos esperança em dias melhores, é a este Deus, independente de religião ou credo, que atribuímos nossa fé. É a este mesmo Deus que recorremos quando precisamos de forças, quando o que necessitamos, vai além de qualquer compreensão humana, ou explicação científica que possa constar em livros.
É a fé em uma força maior, que faz com que a cada dia que passa, o homem busque novos horizontes, tenha sede de conhecimento, tente descobrir coisas novas que ajudem a melhorar nossa vida. E por que não, é a fé que move a ciência. Se não houvesse a fé, pra que buscaríamos descobrir coisas novas? De que adiantaria tantos esforços?
A falsa ciência cria os ateus, a verdadeira, faz o homem prostrar-se diante da divindade. A ciência pode sim explicar muitas coisas que acontecem por aqui, mas ainda assim, há falhas nessas explicações, há simplesmente indagações sem respostas, espaços não preenchidos. E é nessa hora, que evocamos a um Deus que preencha estes vazios, vazios que nenhum físico ou químico é capaz de preencher. A fé em Deus mora no limite aonde chega a ciência. Ciência que faz com que procuremos sim saber como tudo acontece, de que é feito nosso mundo, como viemos até aqui, para onde vamos. E quando nos cansamos de procurar por estas respostas na ciência, é novamente a Deus que recorremos. Porque o que realmente conta nessa vida é a certeza de um Deus, que, apesar da cegueira humana, é o sol de justiça e de vida, para sempre.
A fé é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a fé abrange o mundo inteiro. Porém, como disse Albert Einstein, a ciência sem a religião é aleijada, a religião sem a ciência é cega. E é assim que se faz a vida. Precisamos da ciência para que possamos viver e da fé para que nos impulsione a continuar vivendo. Se é a ciência que explica como gira o mundo, é a fé que faz com que este giro valha a pena.
Kathlen Heloise Pfiffer
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