Gloria pires
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Veneno a flor da pele.
Cientes de tudo que possa vir a ocorrer contra eles, escrevem os indignados. Aquele aroma de falsidade no ambiente deixando todos zonzos, estava tudo claro, tinha significado puro. Fumaça do fumo mais letal. Risos, convites, falas, verdades oprimidas, mentiras devassadas, máscaras caídas ao chão. Quanta ironia. Sangue frio e a vingança mais perfeita, sem deixar marcas, vestígios. Estava ali, pronta para dar o bote, verdadeira cobra malévola, sutil, perspicaz. Ínfimo instante de enfermidade. A criativa sem traços típicos agiria harmoniosamente, sem desafinar. Vibração de sons e o baque exato. Seria eu a desafiante desejada? Para que tanto pranto? Vítima, destruição súbita. O jogo inicia-se agora, a cartada precisa. Deseja-se uma boa... Permita-me dizer, má sorte.
Carolina Pires Campos
Carne.
Corpo, calor, suspiros. Lábios, falas, fomes. Desejo, desejo, desejo. Pele, suor, carne. Dentes, unhas, bocas. Desejo, desejo, desejo. Mãos, braços, pernas. Infinitos, pés, encontros. Desejo, desejo, desejo. Segredo, perfume, chão. Ato, olhares, tato, vontade. Desejo, desejo e desejo. Era só o que ela sabia proferir...
Carolina Pires Campos
Alguns cigarros a menos, algumas fome a mais.
Abandonei meus maiores vícios, quanta saudade. Acho que esse conto termina por aqui. Estou a escrever poemas livres e brancos, sem rima, sem métrica, vendo fotos antigas da época que ainda nos completávamos e que juntos estávamos nas imaginações mais delirantes. Indubitavelmente, irreversivelmente, inconfundivelmente ele. Eu ainda o amo, é como ter que explicar o inexplicável. Eu o amo e ponto. É fato, é carne, é gesto, é fome. Para esquecê-lo precisava de um gesto mais ríspido para que eu pudesse detestá-lo ou temê-lo, mas não queria. Após abandonar o cigarro, abrir mão de Pedro, desistir de mim, Hellen, morri.
Pego o telefone e ele nem sequer me liga para me avisar de uma improvável volta, então eu ligo. Ele desliga. Eu ligo, ele desliga. Eu ligo, ele desliga. Eu ligo...
- Alô?!
- Oi... -... Um suspiro...
- Ainda te amo.
- Também. - Lágrima de alegria corre involuntariamente sobre meu rosto. Viver tudo de novo?... Acendi outro cigarro.
Carolina Pires Campos
Contumaz.
Amargurada, instransigente. Acho que hoje não seria o dia da minha maior simpatia, tenho repulsão. Meu estômago pesa, os músculos contraem e eu permaneço aqui, ilesa, incólume. Consternação no peito, a cabeça com mil adágios e a eventualidade durou apenas um homeopático, ínfimo instante. Oco. O amargo da língua.
Carolina Pires Campos
Tonificar.
Amo-te no vazio,
No sigilo do sem fim.
Invisível, árduo, absorvente.
Amo-te mais tarde.
Hoje, morrendo de saudades.
Amo-te no odiar,
No olhar, no sentir, no tocar.
Amo-te agora, subentendido.
Amo-te no mortificar,
Mas odeio-te no amar.
Carolina Pires Campos
Não é o génio, nem a glória, nem o amor que medem a elevação da alma: é a bondade.
Henri Lacordaire
Uma casa sem mulher não tem tormentos nem glória.
Lope de Vega
Que as armas cedam à toga, o triunfo militar à glória cívica.
Marcus Cícero
A glória consiste em tornarmo-nos um assunto, ou um substantivo comum, ou um epíteto....
Paul Valéry
Só é digno de glória o coração capaz de suportar o desgosto e de desprezar os prazeres.
François Fénelon
Os prazeres são passageiros, só a glória é perene.
Periandro
A glória de Deus é tamanha, que não pode deixar de perder-se quem se atreve a investigar-lhe a majestade.
Juan Vives
Estaria em crer que a glória de perdoar aos nossos inimigos valia bem a honra de os odiar para sempre.
Pierre Marivaux
Até a glória e a virtude têm inimigos, pois parecem condenar procedimentos contrários postos em confronto com elas.
Tácito
A aspiração à glória é a última da qual se conseguem libertar até mesmo os homens mais sábios.
Tácito
O amor é a paixão das grandes almas e faz-lhes merecer a glória quando não dá volta ao juízo.
Jeanne Pompadour
Foram sempre os poetas, homens apaixonados pela glória, a contar a vaidade desta.
Miguel Unamuno