Emo core na veia
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Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.
Aristóteles
ORACAO DO ROCK
Rock nosso que estais na veia
Muito escutado seja vosso solo
Venha a nós o riff inteiro
Seja feito barulho a vontade
Assim em casa como nos shows
Musica boa de cada dia nos daí hoje
Perdoai nossas loucuras
Assim como perdoamos os pagodeiros e sertanejos
Com aquelas músicas horríveis
Não nos deixeis cair em funk carioca
E livrai-nos do axé
AMÉM
Fernanda Cristine Cunha
TALVEZ...
TALVEZ TENHA SIDO POR UM OLHAR...
TALVEZ TENHA SIDO POR UM SORRISO...
TALVEZ POR AQUELAS PALAVRAS OU...
TALVEZ AQUELE INSTANTE CONTIGO...
TALVEZ UM DIA ESTAREMOS JUNTOS...
TALVEZ TUDO SERA ESQUECIDO...
TALVEZ POSSA EXISTIR OUTROS MOMENTOS...
E AI QUEM SABE...NEM TUDO ESTARA PERDIDO!!!
REGGAE NA VEIA
Coração de vagabundo bate na sola do pé...
Skate na veia pau no cú dos "mané"!
Chorão
Na casa de Nicolau,
cairam sete girau.
Sete veia correram com medo
o mundo ficou azul
sentiu-se um bafo de cu.
Voce peidou...
Branchu
Silêncio
é o melhor alucinógeno.
Adoro injetà-lo na veia
ou cheirar longas
fileirinhas de silêncio,
deixando descortinar
tempestades de imagens
no deserto da razão.
Maria Antonia
vou trançar
minha vida
em sua tela
e diluir
meu amor
em sua veia
Sumaya Prado
A minha vida anda tão preta e branca, e o pior é que não sei se quero colori-lá ou não tenho as cores certas para isso.
Ando confusa diariamente. Deixa assim estar.
Kathlen Heloise Pfiffer
o guiness bllow e o tchikennego eles nunca andam sós quando saem pra passear levam e véia negarréia...
punskao
Ô cumpade, tô precisando embirrar minha fia mais véia.
_ É verdade cumpade, sinhá já tá ficando pra titia.
_ Cê me ajuda arrumar um marido pr'ela, cumpade?
_ Posso fazê um esforcinho, sô!
_ Vou ficá muito agradecido.
_ E qual o tipo de sujeito qu'ela gosta?
_ Deixa isso comigo, me apresente o cabra.
_ O fio de Manelim tá no posto, sô.
_ O cabra é bão?
_ Num bebe, num fuma, num mente, num fode.
_ Lugar de santo é no céu, cumpade!
_ Tem o filho de Veríssimo!
_ E esse, cumpade, é bão?
_ Fuma, bebe, mente e fode, mas é amorento que só ele.
_ Fechado, cumpade, achei esse mió. Se o filho de Veríssimo é amorento, não precisa outro.
_ Por que, cumpade?
_ Quem tem amor, dispensa outros predicados, sô!
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Aquele que possui o amor não se desenvolve sem arrastar consigo alguém, para juntos se realizarem.
O amor é compulsivo.
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Amar é ceder fragmentos de nós próprios, até nos entregarmos por inteiro.
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Se existe uma forma suprema de viver, eu imagino que seja a de amar e nem sequer imaginar o que possa acontecer.
Amar é o direito de ignorar tudo mais.
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Só o amor vence esse monstro tirano chamado ego.
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... E o amor surgiu! Adeus armadilhas, adeus ameaças, adeus vida velha.
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Só pelos risos e brincadeiras esta vida já valeria a pena. Além disso, existe o amor. Não é o máximo?
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Dissecar o amor,
Dissertar o amor,
Disseminar o amor.
Não tem disse-me-disse nem discussão, só quem foi convertido, transformado e absorvido pelo amor, é que pode pregá-lo e distribui-lo.
O resto é teoria e barulho.
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Paradoxal é o amor. Deixamos de gozá-lo com profundidade, preocupados com a separação, menos ainda por temor de sermos prisioneiros dele.
Paradoxais somos nós que não vivemos absortos no momento presente, preocupados com os fantasma do depois.
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Não somos escravos ou prisioneiros do amor. O que chamamos de escravidão não passa de uma compreensão insuficiente das coisas. O amor nos desarma e oprime, para nos deixar mais acessíveis á sua entrega, para depois nos fazer grandes e livres.
O amor nos tortura para nos deixar maleáveis.
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Com certeza, nós todos amamos alguém que não seja o disponível. O amor ideal será sempre aquele que está por vir.
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Sim, estou em carne viva! Fui enganado por um sofrimento chamado paixão, que veio para tapear e atrapalhar a concretização do que eu realmente queria: amor.
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Chega um momento na vida, quer seja chamado ou não, que devemos estender a mão para alguém. É raro alguém não querer se unir a outro, para juntos compartilharem uma amizade ou paixão. Muitas pessoas só não se realizaram, ainda, porque são retraídas. Têm o coração sereno, mas se envergonham de convidar alguém para amar; por isso, é preciso que sejamos um pouquinho menos tímidos.
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O amor diz:
Quem é vivo, me encontra.
Quem me encontra, reconhece.
Quem me reconhece, se transforma em mim.
Quem se transforma em mim, é destruído.
Quem é destruído por mim, renasce para uma nova vida.
Amar é ser destruído, para renascer-se em um novo mundo, onde a vida é perfeita e plena.
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Encontros
Eu tinha falado muito de algo que deveria estar realizando em mim. Tinha feito muitos poemas sobre o amor, escutava inúmeras músicas românticas, até um livro fiz falando mito mais do amor do que qualquer outra coisa. O que eu não fazia em nome do amor? Teoricamente fazia muito. Mas aquele espalhafato todo, apear de ter sido com muita sinceridade, não teve muito valor, pois não vivenciava aquilo na prática.
Pra que divinizar o amor no papel, enquanto qualquer outro o vivia na prática? Refleti sobre isso profundamente e descobri que aquela minha compulsão em escrever, ver, falar e escutar sobre o amor era uma fuga da dúvida que gritava em mim. Eu estava cansando, fadigando e desacreditando. Estava onde o amor que eu tanto apregoava? Que valores falsos eram aqueles?
Corria da verdade da vida e, para enganar os outros, fechava-me em meu mundo e de lá deixava entender o contrário do que realmente eu sentia. Mas para que mentia para os outros, se não conseguia enganar a mim mesmo?
Amor teorizado, tão igual a nada! Revoltei com ele. Amor é só amor agindo, vibrando, encarando, entregando, enfim, amando. Como amar assim? Como amar na prática?
Notem que eu usei o passado para escrever. Por que? Porque agora quem responde a própria pergunta é um novo Charles, que fugiu dos excessos do amor carnal, aceitando que a vida também é espírito. É um Charles que encontrou Deus e penetrou na essência de sua profundidade, e descobriu que o verdadeiro amor – o amor da prática – é conseqüência desse encontro.
Pouquíssimas pessoas vivenciaram tão fisicamente o amor carnal, até que um dia minha alma também famélica exigiu o seu alimento. E ela foi mais privilegiada, pois contou com um nutricionista muito especial, que balanceava esse alimento à base de paz e amor. Esse nutricionista especial chama-se JESUS CRISTO, que me deu como sobremesa a dádiva de viver num mundo onde tudo passou a ser maravilhoso.
Está servido?!
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O mundo inteiro conspira contra mim
Eu não sei o que fiz de tão ruim
Se estou condicionado a esse triste fim
Da bomba da revolta acenderei o estopim
É melhor que não fique ninguém próximo a mim
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Aqui não se impõe nenhuma condição!
Que é a profundidade da satisfação.
Aqui reina o amor condicional!
Aqui é a casa do fantoche inanimado.
No meu relacionamento, o amor não foi o único objetivo alcançado!
Aqui vos fala um revoltado.
Eu não aceito nenhum desafio!
Aqui falo eu: um imaturo e infantil.
Aqui é o lugar onde tudo poderia ter sido e não foi!
Aqui é a covardia.
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Beijo beijado de uma boca querida,
Tão mais gostoso e profundo do que um beijo de uma boca oferecida.
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Poupar-me para quê?
Para morrer?
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O paradoxo é que só onde existe o fraco é que se precisa afirmar nossa força.
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Não tem como se encarcerar se de nós mesmos conseguimos nos livrar.
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O que eu quero é obter o meu próprio merecimento.
Quanto ás suas homenagens? Desculpem-me a franqueza:
Pouco importa, são irrelevantes.
Com todo o respeito: se mereçam!
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Xx
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Entre uma prostituta profissional e outra que dá só por ser liberal, a primeira nos causa menos mal.
A primeira é puta...puta.
A segunda é puta...tivo.
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Jesus sofreu, sofreu, foi muita humilhação.
Eu sei que ele perdoou, mas eu não sou divino, não!
Além do mais, Jesus disse que eles não sabiam o que faziam não.
Ela tinha consciência de tudo e mesmo assim dilacerou meu coração.
Ela pegou todo o meu amor e faz a maior avacalhção.
Não, eu não sou divino. Eu não perdôo, não!
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Pior do que um zunzunzun de um homem imbecil que papagueia bestagens, é onde reina o silêncio mentiroso.
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Obedecer a certos preceitos, certas regras e certas leis, já é uma aberração, e você ainda cria as suas próprias?
Se bem que quem conhece a gente. é a gente mesmo.
Vai ver que são uns desenfreados que não podem ficar á deriva, e eu aqui falando bestagens.
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Se sou feliz, porra, pouca me importa se é preciso saber viver!
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Muitas pessoas estão pré-condicionadas a admirar e respeitar apenas as pessoas "pomposas" e deixam de relacionar com as simples, que são as mais extraordinárias, verdadeiras e indispensáveis.
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Não temos a noção exata de tanto que as pessoas precisam de nós.
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Nem sempre o cachorro abana o rabo.
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Ou tudo é muito simples ou tudo é sem autenticidade.
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Rir de nós mesmos, rir dos outros, ou de todos ou de ninguém.
O importante é que se ria. Assim como o sexo, depois de tê-lo feito, o sorriso também nos deixa com uma gostosa sensação.
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Ai de quem não encarar a vida como uma brincadeira.
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Sempre estamos querendo achar a felicidade além do horizonte.
Quem está do lado de lá procura aqui a sua.
É hora de rever nossos pontos de vistas.
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Os eus que me fizeram, esses nada me deram.
Os eus que me fiz, ainda não me fizeram feliz.
Os eus que ainda serei...
Quem viver, verá!
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Relacionamento sem assédio?
É amizade ou tédio.
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Não quero caviar que faça chorar
Nem filé mignon que me faça sofer.
Troco tudo por pão e água, que me dão prazer.
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Para que faça valer a pena a saúde, devemos viver com vontade e muito amor.
Para que duas pernas e uma vida para quem não quer se mexer?
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Cidade Solidária
Há algum tempo, eu presenciei um acontecimento entre três mendigos, que me deixou bastante reflexivo:Eu estava no ponto de lotação da Praça Cel. Ribeiro quando vi um senhor estacionar seu belo carro e entregar a um mendigo um bonito embrulho e felicitá-lo pela passagem do Natal, para logo em seguida retirar-se. O mendigo imediatamente abriu o embrulho, era um panetone muito fino. Deu uma mordida e, para surpresa dele, detestou o produto. Olhou para o lado e deparou-se comigo e outro mendigo comendo acarajé. Convidou-nos para provar do panetone. Eu recusei, mas o mendigo que estava ao meu lado provou do panetone e como o outro, também não gostou. Em retribuição deu o restante do acarajé para o amigo que lhe deu o panetone que se deliciou com o pequeno pedaço. Ficaram os dois conversando até passar um transeunte todo sujo e esfarrapado, desse tipo que ignoramos e fazemos conjecturas a respeito, empurrando um carrinho de madeira cheio de papelão e latas. Como o elemento tinha um semblante muito carrancudo, talvez pela fadiga e cansaço, os outros dois, um pouco desconfiados, ficaram inseguros em abordá-los, mas com um certo esforço ofereceram a ele um pedaço de panetone. O homem olhou, como não sabendo o que era aquilo, mas aceitou e, ao contrário dos dois, adorou e comeu muito do panetone. Em agradecimento, tirou de dentro do carrinho um pão de sal murcho recheado com salame e deu para os dois, que são só aceitaram, como se deliciaram como o novo lanche. Despediram-se e cada um tomou seu rumo.
Os povos se fecharam nos seus mundos e a cada dia se isolam cada vez mais dos seus semelhantes. Mas aqui em Montes Claros, onde existem hoje todas as coisas que chamam a atenção para sinais encantadores de uma boa vida, se não na infra-estrutura ainda, pelo menos na convivência harmoniosa entre os seus moradores, ultimamente tem me chamado a atenção as atitudes de amor e solidariedade dos seus moradores.
Pessoalmente, tenho vivenciado muitas situações bonitas. Nesse caso dos mendigos, pode ter sido um acontecimento banal, mas sinceramente eu fiquei emocionado e não consigo tirá-lo do meu pensamento. Eu, que leio muito, não encontrei em nenhum romance, em nenhum livro de auto-ajuda, em nenhuma tradução de estórias estrangeiras, nada que me marcasse tanto. Talvez por não ter sido um enredo fictício, talvez por ter sido uma cena real, palpável e bem na minha frente.
Quando as pessoas são solidárias, uma boa ação sempre provoca outras. Um presente oferecido por um senhor, desencadeou uma sucessão de pequenos bons gestos. E se hoje estou expondo esses fatos, é apenas para deixar claro que devemos mudar nossas opiniões a respeito dessas pessoas ou pelo menos rever essas opiniões. Devemos não ser tão indiferentes a essas "pessoas nojentas" que, no nosso modo de entender, só bebem, roubam e estragam a imagem da cidade. Será quem são de fato os nojentos? Quem são os "engravatados e limpinhos?..." Eu vejo tantos políticos, intelectuais e artistas apregoando a solidariedade e o amor, o que acho até louvável da parte deles, mas será que palavras e suas "influências" resolvem alguma coisa? Para que tantas conversas, tantas reuniões e tantos "grandes acontecimentos", para depois levar essas grandezas ao confinamento em seus mundos?O que sei, é que homens que estão á margem da sociedade, passam fome, sentindo frio nas madrugadas nos bancos das praças; esses homens, que tinha todo o direito a revolta interior, amargura e ao ódio, é que me mostraram, pela naturalidade de seus gestos, que a sociedade desinteressada é que é a expressão pura do amor.
É Claro que a lembrança desse acontecimento não me traz só imagem agradável. Sempre trará a imagem de homens esfarrapados e sujos, que vivem num sofrimento anormal, num isolamento absoluto, incompreendido pela nossa insensatez hostil.Mas graças a Deus, como eu dizia no princípio, aqui em Montes Claros vem se instalando uma consciência mais humana, despertada por um espírito de mais espontaneidade nas relações interpessoais. Apesar de ser uma das maiores cidades do Estado de Minas Gerais, apesar de toda evolução tecnológica e de aqui ser um berço cultural riquíssimo, nos recusamos a ser influenciados por essa sinistra maneira de amputar o contato direto com as pessoas.Desejo a todos nós, não só aos montes-clarenses, que esses costumes de solidariedade que temos por aqui, se fundem cada vez mais com os aspectos bom da evolução e tecnologia, para nos fundamentar, cada dia mais, no trabalho da paz e do amor com nossos semelhantes.Se é insensato e errado sequer pensar que alguém possa viver apenas para arruinar a vida do próximo, então, está na hora de levar não só os nossos pensamentos como as nossas ações mais a sério e expressá-los na ponderação, decência e humanidade. Que comecemos dos nossos quintais e gradativamente espalhemos pela cidade de fora a fora.Pode até parecer um sonho, mas como esses dons intrínsecos do norte mineiro e com essa nova consciência, acho que nós aqui da região teremos a chance de ver tudo melhorar.É claro que não conseguiremos acabar com a mendicância e com a miséria, pois a cidade é grande e convidativa, mas não podemos conformar a indiferença e desprezo por essas pessoas. Enquanto um elemento desse sentir frio e passar fome, temos que nos manifestar e ajudá-los de qualquer maneira.
Nós que queremos bem a Montes Claros e quem a vier morar nela, temos o dever de fazer valer a velha máxima: " Que a vida valha a pena de ser vivida."Em nome desse sublime instinto arraigado em nosso ser, é que me embasa a esperança de uma vida melhor para nossos conterrâneos e estrangeiros que moram nessa cidade - essa sim, maravilhosa
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Joãocologista
Trabalhando num estabelecimento de saúde, aqui em Montes Claros, convivi com pacientes que queriam agendar consultas para diversos especialistas da área médica.Problemas de saúde são comuns a todos nós, mas no meu setor convivia com situações hilariantes no dia-a-dia, que suavizavam essas tristezas. É sobre a pureza e inocência de certas pessoas, que provocavam essas situações, que quero abordar agora.Vamos a elas:
Tem um caso de uma senhora, que chegou e me fez a seguinte pergunta:_Ô rapaz, aí tem Joãocologista?Eu fique sei entender qual era o especialista que ela realmente precisava e, para descobrir tive que interrogá-la, até o momento em que ela me interrompeu e disse:_ Sabe o que é? To com as "coisas" toda rachada, moço.As coisas as quais ela se referia eram "coisas mesmo". Eu não quis entrar em detalhes mas bem que me deu vontade de falar com ela que essas "coisas" vinham eram rachadas mesmo e que não tinha necessidade marcar nenhuma consulta por isso, mas evidentemente eu só limitei a pensar e agendei uma ginecologista pra ela, mas antes de informá-la ela continuou e disse:_ Nas beiradas, sabe moço, tá tudo estalado, rachado, rachadinho.Informei a ela que já tinha agendado para um ginecologista, mas fiquei imaginando se, no caso dela, manteiga-de-cacau não resolveria.
Teve o caso do moço que consultou com o urologista e passou no agendamento para marcar o retorno e me perguntou:_ Rapaz, você já consultou com médico de próstata?Eu respondi que não, que mais alguns anos à frente, certamente.Ele disse:_ Mexe com isso não, menino! Isso não é trem de gente, não.Eu comentei com ele a respeito da consulta, se era muito incômodo o processo. Ele responde:_ Incômodo! Pelo amor de Deus, põe incômodo nisso. Eu achei que o médico enfiava o dedo e só dava uma mexidinha para localizar a tal próstata. O filho de uma égua ajeita a mão direita com a esquerda e empurra de uma vez. A porra do lençol estava solta no colchão e eu deslizei até bater com a cabeça na cabeceira da cama, que era de ferro. Doeu pra cacete. Ó qui ó! (Me mostrando um galo roxo na testa).Despediu-se, me alertou de novo, para que eu não mexesse com isso, não. O que ele não sabe, é que quando ele bateu com a cabeça na cama e gemeu de dor, os outros pacientes que estavam aguardando não quiseram mais consultar e foram todos embora, achando que o grito que ele deu fosse da dedada no orifício do reto.
Tem a estória da dona que chegou e me perguntou:_ Moço, aí tem médico de gordura?Ela se referia a um endocrinologista. Eu a informei que no momento a médica estava de férias e que ainda não tinha previsão para quando agendaria novamente. Indiquei um outro local que ela pudesse ir, quando ela indignada me interrompeu e disse:_ Olha moço, eu tô aqui nessa cidade desde ontem e desde quando cheguei não parei inté agora de transar. Transei de manhã, transei de tarde e, pelo que estou vendo, você vai fazer eu transar de novo. Para que evitar que ela "transasse" mais uma vez, eu resolvi ligar para confirmar que no local que eu indiquei realmente tinha o especialista que ela precisava. Uma vez confirmada a existência do especialista, disse a ela que poderia ir, que dessa vez ela não iria transar á toa.Ela me agradeceu e antes de ir embora, disse:_ Aqui em Montes Claros a gente consegue as coisas, mas tem que transar muito primeiro, viu moço!
E por falar em transa daqui, transa dali, tem o caso do rapazinho que consultou com o proctologista, que precisou dar-lhe um toque retal, ao qual ele retribuiu com um frenético gemido. E o médico, irritado, falou:_ Está sentindo alguma coisa, rapaz?Ele imediatamente respondeu:_ Muito amor pelo senhor, doutor! Pára com isso, doutor, se não eu morro!
E teve uma dona que me perguntou:_ Ô, rapaz! Aí vocês tem médico de cabeça?Eu poderia ter respondido que sem cabeça é que não tinha, mas limitei a responder que sim, uma vez que ela se referia a um psiquiatra.
E uma paciente assídua, que se tornou minha amiga, sabendo do meu problema de insônia, perguntou-me:_ E aí, Charles, tudo bem? Já está conseguindo dormir direito?Eu respondi que ainda não, que eu me condicionei a não dormir e que não tinha remédio que desse jeito. Ela me respondeu:_ Pois eu é o contrário, to dando pra dormir mais ainda.Ela se despediu e eu fiquei tendo a certeza que dormiria muito pouco, porque absolutamente eu não "daria" para dormir muito.
E uma moça bonita que chegou e fez um pedido:_ Queria fazer uma ligação, moço!Eu expliquei que o telefone do meu setor era só ramal e a mandei procurar a telefonista. Quando ela, indignada disse:_ Ô, rapaz, eu sou pobre, mas não sou burra. Minha cunhada ligou foi com um médico e do bom, não foi com porqueira de telefonista nenhuma não, viu! Ela queria fazer uma ligação de trompas, para não ter mais filhos. Pode? Poderia ficar horas citando sobre essas situações engraçadas, que faziam do meu setor de trabalho uma diversão diária.
Pode parecer um humor negro, mas por trás de todos esses acontecimentos engraçados existia muita solidariedade e harmonia entres nós funcionários e os usuários, que eram a razão de ser do nosso atendimento, tanto que numa pesquisa feita, foi apontado um índice muito alto de aprovação dos nossos serviços. Portanto...
Muita saúde e humor para todos nós.
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CHARLES CANELA