Critica de augusto cury
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A saudade invade nossas vidas deixando um rastro de dor que nos deixa derrotados, mas como o amanhecer, vem você e enche meu ser de felicidade e amor...
A saudade é assim, um sentimento repentino que agradeço a Deus por senti-lo e torna-lo rápido pois não agüentaria ficar muito tempo longe de você.
Guilherme Augusto
Guilherme Augusto
"No amor o silencio pode valer + que muitas palavras
+ nenhuma palavra vale + que um sincero:
EU TE AMO..."
Victor Augusto (Mc Drack)
A descoberta do sabor de nossa amizade deve ocorrer à luz da paz e da sinceridade. Nossas bocas coladas representam o canal da cumplicidade de nossas intenções. Sinto-me meio ébrio com a tua lembrança e um tanto quanto ébrio na tua presença. Majestoso e errante é o caminho que o teu espírito expressa a beleza da vida, fortalecendo a essência da humanidade com o pólen do teu sorriso. Tu és um leito para o fluxo dos elementos que enaltecem a minha alma através dos sons secretos que retumbam atrás de minha armadura de fogo. Se puderes imaginar o ouvido mais apurado próximo às minhas veias e artérias, vais entender que é aí aonde estou. É aí que a tua vida passa pela minha. Eu, certamente, estava menos ébrio quando não te conhecia.
Augusto Vicente
A saudade invade nossas vidas deixando um rastro de dor que nos deixa derrotados, mas como o amanhecer, vem você e enche meu ser de felicidade e amor...
A saudade é assim, um sentimento repentino que agradeço a Deus por senti-lo e torna-lo rápido pois não agüentaria ficar muito tempo longe de você.
Guilherme Augusto
As cismas do destino
I
Recife. Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!
Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia... O calçamento
Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio calvo.
Lembro-me bem. A ponte era comprida,
E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!
A noite fecundava o ovo dos vícios
Animais. Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!
Tal uma horda feroz de cães famintos,
Atravessando uma estação deserta,
Uivava dentro do eu, com a boca aberta,
A matilha espantada dos instintos!
Era como se, na alma da cidade,
Profundamente lúbrica e revolta,
Mostrando as carnes, uma besta solta
Soltasse o berro da animalidade.
E aprofundando o raciocínio obscuro,
Eu vi, então, à luz de áureos reflexos,
O trabalho genésico dos sexos,
Fazendo à noite os homens do Futuro.
Livres de microscópios e escalpelos,
Dançavam, parodiando saraus cínicos,
Biliões de centrosomas apolínicos
Na câmara promíscua do vitellus.
Mas, a irritar-me os globos oculares,
Apregoando e alardeando a cor nojenta,
Fetos magros, ainda na placenta,
Estendiam-me as mãos rudimentares!
Mostravam-rne o apriorismo incognoscível
Dessa fatalidade egualitária,
Que fez minha família originária
Do antro daquela fábrica terrível!
A corrente atmosférica mais forte Zunia.
E, na ígnea crostra do Cruzeiro,
julgava eu ver o fúnebre candieiro
Que há de me alumiar na hora da morte.
Ninguém compreendia o meu soluço,
Nem mesmo Deus! Da roupa pelas brechas,
O vento bravo me atirava flechas
E aplicações hiemais de gelo russo.
A vingança dos mundos astronômicos
Enviava à terra extraordinária faca,
Posta em rija adesão de goma laca
Sobre os meus elementos anatômicos.
Ali! Com certeza, Deus me castigava!
Por toda a parte, como um réu confesso,
Havia um juiz que lia o meu processo
E uma forca especial que me esperava!
Mas o vento cessara por instantes
Ou, pelo menos, o ignís sapiens do Orco
Abafava-me o peito arqueado e porco
Num núcleo de substâncias abrasantes.
É bem possível que eu um dia cegue.
No ardor desta letal tórrida zona,
A cor do sangue é a cor que me impressiona
E a que mais neste mundo me persegue!
Essa obsessão cromática me abate.
Não sei por que me vêm sempre à lembrança
O estômago esfaqueado de uma creança
E um pedaço de víscera escarlate.
Quisera qualquer coisa provisória
Que a minha cerebral caverna entrasse,
E até ao fim, cortasse e recortasse
A faculdade aziaga da memória.
Na ascensão barométrica da calma,
Eu bem sabia, ansiado e contrafeito,
Que uma população doente do peito
Tossia sem remédio na minh'alma!
E o cuspo que essa hereditária tosse
Golfava, à guisa de ácido resíduo,
Não era o cuspo só de um indivíduo
Minado pela tísica precoce.
Não! Não era o meu cuspo, com certeza
Era a expectoração pútrida e crassa
Dos brônquios pulmonares de uma taça
Que, violou as leis da Natureza!
Era antes uma tosse úbiqua, estranha,
Igual ao ruído de um calhau redondo
Arremessado no apogeu do estrondo,
Pelos fundibulários da montanha!
E a saliva daqueles infelizes
Inchava, em minha boca, de tal arte,
Que eu, para não cuspir por toda a parte,
Ia engolindo, aos poucos, a hemoptisis!
Na alta alucinação de minhas cismas
O microcosmos líquido da gota
Tinha a abundância de tinia artéria rota,
Arrebentada pelos aneurismas.
Chegou-me o estado máximo da mágoa!
Duas, três, quatro, cinco, seis e sete
Vezes que eu me furei com um canivete,
A hemoglobina vinha cheia de água!
Cuspo, cujas caudais meus beiços regam,
Sob a forma de mínimas camândulas,
Benditas sejam todas essas glândulas,
Que, quotidianamente, te segregam!
Escarrar de um abismo noutro abismo,
Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
Do que em toda a moral do cristianismo!
Porque, se no orbe oval que os meus pés tocam
Eu não deixasse o meu cuspo carrasco,
jamais exprimiria o acérrimo asco
Que os canalhas do mundo me provocam!
II
Foi no horror dessa noite tão funérea
Que eu descobri, maior talvez que Vinci,
Com a força visualística do lince,
A falta de unidade na matéria!
Os esqueletos desarticulados,
Livres do acre fedor das carnes mortas,
Rodopiavam, com as brancas tíbias tortas,
Numa dança de números quebrados!
Todas as divindades malfazejas,
Siva e Arimã, os duendes, o In e os trasgos,
Imitando o barulho dos engasgos,
Davam pancadas no adro das igrejas.
Nessa hora de monólogos sublimes,
A companhia dos ladrões da noite,
Buscando uma taverna que os acoite,
Vai pela escuridão pensando crimes.
Perpetravam-se os actos mais funestos,
E o luar, da cor de um doente de icterícia,
Iluminava, a rir, sem pudicícia,
A camisa vermelha dos incestos.
Ninguém, de certo, estava ali, a espiar-me,
Mas um lampeão, lembrava ante o meu rosto,
Um sugestionador olho, ali posto
De propósito, para hipnotizar-me!
Em tudo, então, meus olhos distinguiram
Da miniatura singular de uma aspa,
A anatomia mínima da caspa,
Embriões de mundos que não progrediram!
Pois quem não vê aí, em qualquer rua,
Com a fina nitidez de um claro jorro,
Na paciência budista do cachorro
A alma embrionária que não continua?!
Ser cachorro! Ganir incompreendidos
Verbos! Querer dizer-nos que não finge,
E a palavra embrulhar-se no laringe,
Escapando-se apenas em latidos!
Despir a putrescível forma tosca,
Na atra dissolução que tudo inverte,
Deixar cair sobre a barriga inerte
O apetite necrófago da mosca!
A alma dos animais! Pego-a, distingo-a,
Acho-a nesse interior duelo secreto
Entre a ânsia de um vocábulo completo
E uma expressão que não chegou à língua!
Surpreendo-a em quatriliões de corpos vivos,
Nos antiperistálticos abalos
Que produzem nos bois e nos cavalos
A contracção dos gritos instintivos!
Tempo viria, em que, daquele horrendo
Caos de corpos orgânicos disformes
Rebentariam cérebros enormes
Como bolhas febris de água, fervendo!
Nessa época que os sábios não ensinam,
A pedra dura, os montes argilosos
Creariam feixes de cordões nervosos
E o neuroplasma dos que raciocinam!
Almas pigméas! Deus subjuga-as, cinge-as
A imperfeição! Mas vem o Tempo, e vence-O,
E o meu sonho crescia no silêncio,
Maior que as epopéas carolíngias!
Era a revolta trágica dos tipos
Ontogênicos mais elementares,
Desde os foraminíferos dos mares
À grei liliputiana dos polipos.
Todos os personagens da tragédia,
Cansados de viver na paz de Buda,
Pareciam pedir com a boca muda
A ganglionária célula intermédia.
A planta que a canícula ígnea torra,
E as coisas inorgânicas mais nulas
Apregoavam encéfalos, medulas
Na alegria guerreira da desforra!
Os protistas e o obscuro acervo rijo
Dos espongiários e dos infusórios
Recebiam com os seus órgãos sensórios
O triunfo emocional do regozijo!
E apesar de já ser assim tão tarde,
Aquela humanidade parasita,
Como um bicho inferior, berrava, aflita,
No meu temperamento de covarde!
Mas, reflectindo, a sós, sobre o meu caso,
Vi que, igual a um amneota subterrâneo,
jazia atravessada no meu crânio
A intercessão fatídica do atraso!
A hipótese genial do microzima
Me estrangulava o pensamento guapo,
E eu me encolhia todo como um sapo
Que tem um peso incômodo por cima!
Nas agonias do delíríum-tremens,
Os bêbedos alvares que me olhavam,
Com os copos cheios esterilizavam
A substância prolífica dos semens!
Enterram as mãos dentro das goelas,
E sacudidos de um tremor indômito
Expeliam, na dor forte do vômito,
Um conjunto de gosmas amarelas.
Iam depois dormir nos lupanares
Onde, na glória da concupiscência,
Depositavam quase sem consciência
As derradeiras forças musculares.
Fabricavam destarte os blastodermas,
Em cujo repugnante receptáculo
Minha perscrutação via o espectáculo
De uma progênie idiota de palermas.
Prostituição ou outro qualquer nome,
Por tua causa, embora o homem te aceite,
É que as mulheres ruins ficam sem leite
E os meninos sem pai morrem de fome!
Por que há de haver aqui tantos enterros?
Lá no "Engenho" também, a morte é ingrata...
Há o malvado carbúnculo que mata
A sociedade infante dos bezerros!
Quantas moças que o túmulo reclama!
E após a podridão de tantas moças,
Os porcos esponjando-se nas poças
Da virgindade reduzida à lama!
Morte, ponto final da última cena,
Forma difusa da matéria imbele,
Minha filosofia te repele,
Meu raciocínio enorme te condena!
Deante de ti, nas catedrais mais ricas,
Rolam sem eficácia os amuletos,
Oh! Senhora dos nossos esqueletos
E das caveiras diárias que fabricas!
E eu desejava ter, numa ânsia rara,
Ao pensar nas pessoas que perdera,
A inconsciência das máscaras de cera
Que a gente prega, com um cordão, na cara!
Era um sonho ladrão de submergir-me
Na vida universal, e, em tudo imerso,
Fazer da parte abstracta do Universo,
Minha morada equilibrada e firme!
Nisto, pior que o remorso do assassino,
Reboou, tal qual, num fundo de caverna,
Numa impressionadora voz interna,
O eco particular do meu Destino:
III
"Homem! por mais que a Idéa desintegres,
Nessas perquisições que não têm pausa,
jamais, magro homem, saberás a causa
De todos os fenômenos alegres!
Em vão, com a bronca enxada árdega, sondas
A estéril terra, e a hialina lâmpada ôca,
Trazes, por perscrutar (oh! ciência louca!)
O conteúdo das lágrimas hediondas.
Negro e sem fim é esse em que te mergulhas
Lugar do Cosmos, onde a dor infrene
É feita como é feito o querosene
Nos recôncavos úmidos das hulhas!
Porque, para que a Dor perscrutes, fora
Mister que, não como és, em síntese, antes
Fosses, a reflectir teus semelhantes,
A própria humanidade sofredora!
A universal complexidade é que Ela
Compreende. E se, por vezes, se divide,
Mesmo ainda assim, seu todo não reside
No quociente isolado da parcela!
Ah! Como o ar imortal a Dor não finda!
Das papilas nervosas que há nos tactos
Veio e vai desde os tempos mais transactos
Para outros tempos que hão de vir ainda!
Como o machucamento das insônias
Te estraga, quando toda a estuada Idéa
Dás ao sôfrego estudo da ninféa
E de outras plantas dicotiledôneas!
A diáfana água alvíssima e a hórrida áscua
Que da ígnea flama bruta, estriada, espirra;
A formação molecular da mirra,
O cordeiro simbólico da Páscoa;
As rebeladas cóleras que rugem
No homem civilizado, e a ele se prendem
Como às pulseiras que os mascates vendem
A aderência teimosa da ferrugem,
O orbe feraz que bastos tojos acres
Produz; a rebelião que, na batalha,
Deixa os homens deitados, sem mortalha.
Na sangueira concreta dos massacres;
Os sanguinolentíssimos chicotes
Da hemorragia; as nódoas mais espessas,
O achatamento ignóbil das cabeças,
Que ainda degrada os povos hotentotes;
O Amor e a Fome, a fera ultriz que o fojo
Entra, à espera que a mansa vítima o entre,
— Tudo que gera no materno ventre
A causa fisiológica do nojo;
As pálpebras inchadas na vigília,
As aves moças que perderam a asa,
O fogão apagado de uma casa,
Onde morreu o chefe da família;
O trem particular que um corpo arrasta
Sinistramente pela via-férrea,
A cristalização da massa térrea,
O tecido da roupa que se gasta;
A água arbitrária que hiulcos caules grossos
Carrega e come; as negras formas feias
Dos aracnídeos e das centopéias,
O fogo-fátuo que ilumina os ossos;
As projecções flamívomas que ofuscam,
Como uma pincelada rembrandtesca,
A sensação que uma coalhada fresca
Transmite às mãos nervosas dos que a buscam;
O antagonismo de Tifon e Osíris,
O homem grande oprimindo o homem pequeno,
A lua falsa de um parasseleno,
A mentira mateórica do arco-íris;
Os terremotos que, abalando os solos,
Lembram paióis de pólvora explodindo,
A rotação dos fluidos produzindo
A depressão geológica dos pólos;
O instinto de procrear, a ânsia legitima
Da alma, afrontando ovante aziagos riscos,
O juramento dos guerreiros priscos
Metendo as mãos nas glândulas da vítima;
As diferenciações que o psicoplasma
Humano sofre na mania mística,
A pesada opressão característica
Dos 10 minutos de um acesso de asma;
E, (conquanto contra isto ódios regougues)
A utilidade fúnebre da corda
Que arrasta a rês, depois que a rês engorda,
A morte desgraçada dos açougues...
Tudo isto que o terráqueo abismo encerra
Forma a complicação desse barulho
Travado entre o dragão do humano orgulho
E as forças inorgânicas da terra!
Por descobrir tudo isso, embalde cansas!
Ignoto é o gérmen dessa força ativa
Que engendra, em cada célula passiva,
A heterogeneidade das mudanças!
Poeta, feto malsão, criado com os sucos
De um leite mau, carnívoro asqueroso,
Gerado no atavismo monstruoso
Da alma desordenada dos malucos;
Última das criaturas inferiores
Governada por átomos mesquinhos,
Teu pé mata a uberdade dos caminhos
E esteriliza os ventres geradores!
O áspero mal que a tudo, em torno, trazes,
Análogo é ao que, negro e a seu turno,
Traz o ávido filóstomo noturno,
Ao sangue dos mamíferos vorazes!
Ah! Por mais que, com o espírito, trabalhes
A perfeição dos seres existentes,
Hás de mostrar a cárie dos teus dentes
Na anatomia horrenda dos detalhes!
O Espaço — esta abstração spencereana
Que abrange as relações de coexistência
E só! Não tem nenhuma dependência
Com as vértebras mortais da espécie humana!
As radiantes elipses que as estrelas
Traçam, e ao espectador falsas se antolham
São verdades de luz que os homens olham
Sem poder, no entretanto, compreendê-las.
Em vão, com a mão corrupta, outro éter pedes
Que essa mão, de esqueléticas falanges,
Dentro dessa água que com a vista abranges,
Também prova o princípio de Arquimedes!
A fadiga feroz que te esbordoa
Há de deixar-te essa medonha marca,
Que, nos corpos inchados de anasarca,
Deixam os dedos de qualquer pessoa!
Nem terás no trabalho que tiveste
A misericordiosa toalha amiga,
Que afaga os homens doentes de bexiga
E enxuga, à noite, as pústulas da peste!
Quando chegar depois a hora tranqüila,
Tu serás arrastado, na carreira,
Como um cepo inconsciente de madeira
Na evolução orgânica da argila!
Um dia comparado com um milênio
Seja, pois, o teu último Evangelho...
E a evolução do novo para o velho
E do homogêneo para o heterogêneo!
Adeus! Fica-te aí, com o abdômen largo
A apodrecer!. .. És poeira, e embalde vibras!
O corvo que comer as tuas fibras
Há de achar nelas um sabor amargo!
IV
Calou-se a voz. A noite era funesta.
E os queixos, a exibir trismos danados,
Eu puxava os cabelos desgrenhados
Como o rei Lear, no meio da floresta!
Maldizia, com apóstrofes veementes,
No stentor de mil línguas insurrectas,
O convencionalismo das Pandectas
E os textos maus dos códigos recentes!
Minha imaginação atormentada
Paria absurdos... Como diabos juntos,
Perseguiam-me os olhos dos defuntos
Com a carne da esclerótica esverdeada.
Secara a clorofila das lavouras.
Igual aos sostenidos de uma endeixa,
Vinha me às cordas glóticas a queixa
Das coletividades sofredoras.
O mundo resignava-se invertido
Nas forças principais do seu trabalho...
A gravidade era um princípio falho,
A análise espectral tinha mentido!
O Estado, a Associação, os Municípios
Eram mortos. De todo aquele mundo
Restava um mecanismo moribundo
E uma teleologia sem princípios.
Eu queria correr, ir para o inferno,
Para que, da psiquê no oculto jogo,
Morressem sufocadas pelo fogo
Tôdas as impressões do mundo externo!
Mas a Terra negava-me o equilíbrio...
Na Natureza, uma mulher de luto
Cantava, espiando as árvores sem fruto,
A canção prostituta do ludíbrio!
Augusto dos Anjos
Copo d`água,
Observo um perfil e busco a medida do amor. Quanto devo adicionar para afogar a estupidez humana? Quanto os homens precisariam sorver por um palmo a frente de seus olhos? Dispondo, os homens, de matéria-prima para o destempero, recolhem-se perante sua sede.
Augusto Vicente
Cuidem da higiene do espelho de vossa alma, pois é ele que reflete o quanto crescemos como homens. Há homens que passam tanto tempo distraídos e auto-enganados, que não percebem o quanto se encontra embasada a sua postura.
Augusto Vicente
Deus,
Deus é poderoso não porque pode criar ou destruir, mas porque sua magia se expressa através do comportamento e das boas ações dos seres humanos. Ele dispõe da habilidade de transformar o mundo por nossas mãos e não a partir de raios. As pessoas se equivocaram em algum momento da história. Deus age através de nós. Somos parte do continente de seus desejos. Nossas mãos podem transformar suas mais belas intenções em fatos. Nossas pernas são quem o movem. Ele é onipresente onde nos fazemos existir, modificando vidas e atitudes. Ele é onisciente à medida que nos reconhecemos como grupo portador da chama da paz e a distribuímos através dos bons exemplos. Ele é onipotente todas as vezes que destruímos, ou pelo menos negociamos, com as forças navegantes de nossa mente.
Augusto Vicente
É bom lembrar como aprendi a caminhar.
A cada tombo percebia o duro chão.
Mas não desiste quem enxerga a lhe esperar
Sorriso aberto, esparramado coração.
Mão estendida à minha mão me dava o prumo.
Ainda assim, não impedia o novo tombo.
Apoio apenas, quando ainda é alto o ombro,
Deixando claro serem meus o risco e o rumo.
Se ainda hoje o meu destino é tão distante,
Já me conforta a cada passo estar mais perto.
O importante é escolher o rumo certo.
Na companhia de incontáveis caminhantes,
Sigo seguindo, solto o passo e vou adiante,
Cabeça erguida, pés no chão e peito aberto.
(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)
Carlos Augusto Cacá
EU NOS VI ALI...
Casualmente me chegou às mãos uma foto feita pela sonda "Mars Reconnaissance Orbiter" a partir da superfície de Marte. Mostra a Terra tendo a Lua ao fundo; foto recente... e... ao observá-la me remeteu a uma série de reflexões...
Naquele pálido ponto azul existem 7 bilhões de pessoas, além de outras milhares espécies animais, enfim...fauna, flora, minério, terra, água, vida !!!
Vc consegue visualizar o que estava acontecendo na Terra no momento dessa foto ?
Alegrias pelo nascimento de um filho querido; tristezas pela morte de alguém; aniversários, festas, vitórias, derrotas, frustrações, riqueza, pobreza, decepções, conquistas, a "primeira vez" de milhares de seres... humanos ou irracionais, a "última vez" de outros milhares, expectativas, tristezas, guerras, saúde, o "primeiro amor", o "último amor", a vida sem nenhum amor, a perda, o ganho, a genialidade, a inteligência, o vazio intelecutal, o sorriso, a lágrima, fome, doença, fartura, fé, esperança...
tudo que você possa imaginar e o que não possa imaginar acontece nessa "bolinha" azul... e não em outro lugar...
Os 7 bilhões de pessoas não se encontram durante uma vida... por isso, nada é por acaso.
Os encontros, ainda que em enorme quantidade, são limitados.
O "acaso" nos coloca à prova diariamente, exatamente em função desses encontros serem especialíssimos, necessários, indispensáveis para a realização de cada um de nós, ainda que efêmeros ou duradouros, ainda que conscientes ou insconscientes, ainda que vividos com efervescência ou desprezo, ainda que absorvidos e logo depois descartados...
E ao ver o mundo nessa perspectiva, bem... não importa o que realmente eu possa ter pensado, prefiro apenas verbalizar: "eu nos vi ali..."
Augusto Cesar Malheiros
Homenagem póstuma,
Quantas manhãs de domingo já ocorreram? Esta chuva, fina, vista por tantos olhos. Através de tantas janelas. Ouço o ranger de minha alma através, não mais do castanho, mas do novo branco de meus olhos, que não refletem nem mais a sombra de minhas lágrimas, já com sabor de sal sem doce. A expectativa do ranger da porta de meu quarto é a maior de todas as torturas. A dor que aguarda para ser arrebatada. Impressionante, o costume ao som do silêncio. Tornei-me uma escritora. A tua ausência me obriga a escrever como uma forma de me calar. Por anos estive livre em sua prisão. Verdades e mentiras convivendo na mesma sela. As minhas demandas, hoje, estão me sufocando no pavilhão da solidão. E eu acreditando na sua ressurreição. Recebes esta homenagem póstuma, da desgraçada, com quem conviveste por 47 anos, e que sofre implorando a Deus, todos os dias, pelo último suspiro.
Augusto Vicente
Idealismo
Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
Quando, se o amor que a Humanidade inspira
É o amor do sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?
Pois é mister que, para o amor sagrado,
O mundo fique imaterializado
— Alavanca desviada do seu fulcro —
E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
Augusto dos Anjos
Jesus Cristo investiu sua inteligência em pessoas complicadíssimas para mostrar que todo ser humano tem esperança. As pessoas maiis difíceis com quem você convive tem esperança. A historia de Jesus é um exemplo magnífico. Demostra que as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje, poderão ser as que mais nos darão alegria no futuro. O que fazer? Invista nelas! Não seja um manual de regras e criticas! Surpreenda-as! Cative-as! Ensine-as a pensar! Compreenda-as! Plante sementes!
- ' Augusto Cury[/b] em " Nunca desista dos seus sonhos"
Augusto Cury
Minhas vibrações nascem no andar do pensamento, descendo através das escadarias envolvidas por corrimões forjados com as artérias que pulsam no peito da aflição e da alegria. Vibro e expresso em meu corpo o respeito pela vida, admirando e buscando reconhecer a importância dos caminhos que as pessoas escolhem seguir.
Augusto Vicente
Mulheres,
O que vocês esperam é o arrebatamento primitivo, requintado de cavalheirismo. É serem tomadas em meio a um chamado ermo de sonhos, e não de enganos. Eu sei que vocês querem ouvir o uivo distorcido do vento que sopra de dentro para fora e serem sorvidas pelo abismo da paixão. Mulheres! Um homem pode ser tudo para uma mulher, desde que a escolha e a ame. O homem que encontra o matiz perfeito entre os seus poderes e o amor por uma mulher, certamente reconhecerá a expressão “companheirismo” como o combustível da nave-mãe, estrela guia para o seu verdadeiro eu.
Augusto Vicente
Não desanime jamais. Buscai entender o funcionamento da emoção e do pensamento. Seja um cientista do seu temor. Observe as forças que tendem a ti lançar contra o amor,o perdão e a auto-estima. Apavore-as com cores. Surpreenda-as da mesma forma que um maestro arranca lágrimas de Deus, pelo exemplo da compreensão.
Augusto Vicente
O meu nirvana
No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéa Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéas —
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéas!
Augusto dos Anjos
O nascimento,
Ainda que não houvesse filosofia, haveria de entregar-me a ti, só por ousadia. Haveria de te mostrar os meus planos e o que penso. Eu faria questão de realizar o parto do primeiro pensamento sobre os sentimentos da minha alma por ti. Escuta-me, pois estou disposto a ti doar os meus olhos. É certo, porém, que o nosso crescimento ocorre à luz do calor humano. Devemos significar um para o outro, uma parte de nosso todo, sendo que as outras partes haverão de serem encontradas em outros continentes. É pisando no chão desse mundo e conhecendo os outros que descobriremos se existem razões dignas para nos amarmos.
Augusto Vicente
Paradigma,
Um lado pra ser respeitado. Uma face obscura vibrando. Esse lado também sou eu. Quando falo dele só consigo olhar para minhas mãos, para os meus dedos, para a minha pena. Essa face, também faz parte de mim. Eu a respeito tanto que escrevo sobre ela. A minha sina é dar atenção a ela. O brilho de uma face negra que ofusca o meu sol. Ofusca o ouro de minhas armas. Esta face, é membro de meu corpo e quer a minha mente. Está oculta, sempre... sempre ali. Converso, aperiodicamente, com ela. Criamos empatia um pelo outro. Dessa face não se bebe e nem se banha. Mato a sede com palavras ao vento.
Aguardo assim, o próximo eclipse.
Augusto Vicente
SEM RAZÃO, DE CORAÇÃO
19/05/2007 - 00:27 hs
...ALGUNS DIZEM QUE NÃO SINTO
SUA FALTA,
NA VERDADE NÃO SINTO MESMO,
POIS SUA PRESENÇA É MUITO
CONSTANTE EM MIM...
TUDO ISSO IMPEDE QUE SÓBRE
ALGUM TEMPO PARA QUE EU
A SINTA, POIS TE SINTO.
...NÃO QUERO ENTENDER PORQUE
FUI GOSTAR DE VOCÊ,
SÓ QUERO VIVER
E SEM QUERER, FAZER
VOCÊ VER E PERCEBER
O QUANTO GOSTO DE VOCÊ.
...SEI QUE DEUS NÃO NOS
DEIXA PASSAR POR NADA ENVÃO,
PRINCIPALMENTE QUANDO É
RELACIONADO A COISAS DO
CORAÇÃO.
...TUDO TEM RAZÃO
DIANTE DA NOSSA
INCOMPREENSÃO.
George Augusto
Soneto
Ao meu primeiro filho nascido
morto com 7 meses incompletos
2 fevereiro 1911.
Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
A tua morfogênese de infante,
A minha morfogênese ancestral?!
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!...
Ah! Possas tu dormir feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!
Augusto dos Anjos
SONETO
Canta teu riso esplêndido sonata,
E há, no teu riso de anjos encantados,
Como que um doce tilintar de prata
E a vibração de mil cristais quebrados.
Bendito o riso assim que se desata
- Citara suave dos apaixonados,
Sonorizando os sonhos já passados,
Cantando sempre em trínula volata!
Aurora ideal dos dias meus risonhos,
Quando, úmido de beijos em ressábios
Teu riso esponta, despertando sonhos...
Ah! Num delíquio de ventura louca,
Vai-se minh'alma toda nos teus beijos,
Ri-se o meu coração na tua boca!
Augusto dos Anjos