Cartas de sedução

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Quando o teu corpo adoçava



Quanto no teu olhar

reluzia a sedução,

cristais acenavam

em teu corpo

descoberto

E o meu corpo

Em teu corpo

Adoçava.



Era um só corpo

que abraçava

a todo o tempo

quando o tempo

contigo dançava…

num sémen,

onde o desejo

não era abstracto

e recomeçava.



Além de nós,

havia um tempo

que anunciava

um vento criador

e uma ligeira brisa

separava

nossos corpos do fogo…



Depois eras a diva

num período de advento

e trazias no teu corpo

estrelícias

de chuva e vento



E a terra revestia-nos

de volúpia

para que

recomeçássemos:

Suspiros

da procriação

misturavam-se

em cores férteis,

nos corpos nus

- cio da natureza,

entreaberto…



Depressa a natureza

descobriu

desvarios

sem tempo

de um tempo

de germinação

e não mais o vento

te esfriou o calor

que te avermelhou

o rosto...

em contratempo.



Que rápido

passou o tempo

através de nós:

momento

a momento

quando no teu corpo

adoçava o vento…

thais pereira

AULA DE AMOR

Mas, menina, vai com calma
Mais sedução nesse grasne:
Carnalmente eu amo a alma
E com alma eu amo a carne.

Faminto, me queria eu cheio
Não morra o cio com pudor
Amo virtude com traseiro
E no traseiro virtude pôr.

Muita menina sentiu perigo
Desde que o deus no cisne entrou
Foi com gosto ela ao castigo:
O canto do cisne ele não perdoou.

Bertolt Brecht

Sedução
[Bruna Lombardi]

Dentro de mim mora o animal
indômito e selvagem
que talvez te faça mal

talvez uma faísca
relâmpago no olhar
depressa como um susto
me desmascare o rosto
e de repente deixe exposto
o meu pior

em mim germina
uma força perigosa
que contamina
uma paixão vulgar
que corta o ar e que
nenhum poder domina

explode em mim
uma liberdade que te fascina
sopro de vida
brilho que se descortina
luz que cintila, lantejoula
purpurina
fugaz como um desejo
talvez te mate
talvez te salve
o veneno do meu beijo.

Bruna Lombardi

DA SEDUÇÃO DOS ANJOS

Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa e mete -
- Lhe a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar.

Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
P'ra que do choque no fim te não caia.

Exorta-o a que agite bem o cu
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido

Desde que entre o céu e a terra flutue -
Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.

Bertolt Brecht

Nas linhas bárbaras do teu corpo
Eterno, que vive em mim
Possuirei todas as horas concedidas pelos céus
Dessa volúpia perene, constante.

Beijo cada milímetro de tua pele
O teu dorso de Deus Grego
Estatua esculpida em mármore
Que gélido em minhas mãos criam vida .

És divino ou profano
Sábio ou feiticeiro com o poder de me extenuar
De consumir-me as entranhas
Em teu jeito de amar.

Exauris minha alma por completo
Te apropria do meu espírito
Em tempo remotos de tua saudade
Ao soar o sino de minha clausura.

Wanda Ayala

Rendo-me aos teus carinhos
Aos teus beijos que me despertam o capricho
De ter-te com volúpia e prazer
De no amanhecer amar-te.


Entrego-me sem pudores
Caem os tabus e as mascaras que acompanham o dia a dia
Digo-te coisas ao ouvido, te instigo mais
A loucura e o prazer já são as únicas coisas que nos restam.

Não há o porque lembrar-se de nada
Se a chuva cai, se o sol já não brilha
O mundo explode em cores
Conquistamos o momento de êxito.

Somos agora uma única inspiração
Uma única célula a formar o universo
Nosso universo particular
Onde só é essencial o ímpeto de nossos corpos a estremecer.

Wanda Ayala