Analise o poeta florbela espanca
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A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.
Octavio Paz
Acredito que, em última análise, a função do líder é espalhar esperança.
Bob Galvin
Vulcões
Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.
No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal!
Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!
No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…
Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!
04/05/1916
Florbela Espanca
Poetas
Ai almas dos poetas
Não as entende ninguém,
São almas de violeta
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
" Quand la mort est si belle,
Il est doux de mourir " (V.Hugo)
.....
´Amemos! quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
...
Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
...
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Álvares de Azevedo e Poeta Bras
Ninguém é tão grande que não possa aprender e nem tão pequeno que não possa ensinar.
Píndaro poeta romano
Pensar é mais interessante do que conhecer, mas não é tão interessante quanto olhar.
Goethe poeta alemão
Poesia não dá camisa.
Mas quando o poeta tem uma musa,
não precisa de blusa,
vive de brisa.
Pedro Bial
SER POETA
Ser escritor, contista, cronista, romancista,
Narrador. Talvez seja fácil. Quem sabe...
É só tentar ordenhar da mente os fatos
Que não seja verdade, vá lá, porém, realista.
Ser escritor é brincar com as palavras.
É andar com o personagem num andor.
Às vezes breve do contista ou lógico do cronista,
Épicos do romancista ou simples do narrador.
Ser escritor é chorar pelo não vivido.
É amar o inexistente, mas, sofrer de corpo presente
Em frases, páginas ou livros que verdadeiramente
De real, só tem palavras e um sentimento contido.
Ser escritor é criar de forma incessante
história marcante daquilo que não se passou.
Criar frases não ditas, que escritas, quantas vezes,
se tornam malditas, revelando o que tanto calou.
Ser escritor é andar por frases e letras.
É se esconder por trás de uma vírgula ou ponto.
Na espreita do olhar do leitor. Ah! Que alegria
Quando vem o riso, um suspiro, um espanto.
Ser escritor é querer ser compreendido.
Já que perdido, só nas palavras se encontrou.
Ser escritor é ser das letras um atleta
Ser escritor até que fácil. O difícil e ser poeta.
Gostaria de ser poeta. Poeta mesmo, convicto.
Rimar alegrias, tristezas, decadências e mito.
Fazer das trovas uma paixão e do verso a emoção
Criar sonetos, quadras versos, oitavas e sextetos.
Mas como ser poeta? É tão difícil!
É preciso energia. Uma pitada de loucura, um pouco de nada...
A força da vida, a precisão de um míssil,
A leveza da alma, o peso de um sonho e a ternura da amada.
Ah! Ser Poeta.... Ser poeta é profecia, ou o oposto?
Raro em rimas de alegria. Rico em tramas de desgosto.
Simetria, postura do verbo, dimensões.
E ainda ter harmonia nas fleugmáticas explosões.
Ser poeta é ter um pouco de Dédalo.
Minotauro escrevendo em labirinto imaginário
Só que às vezes tropeça, lhe falta a rima..
Ufa, não minto. São horas de dicionário!
Talvez o poeta nunca tenha amado alguém,
A não ser sua própria criação, seu palavreado.
Seu amor, seu sonho, sua dor é real, porém,
Só nas palavras é que pode ser falado.
No fundo, ser poeta é uma doença incurável.
É um lamentar eterno em rimas contidas.
É a loucura de medir o incomensurável.
Ou viver, em um só corpo, varias vidas.
Um poeta é antes de tudo organizado.
Sua dor só é posta no quadrado.
Seu amor em trovas apresentado.
Seu coração, talvez eu oitavas seja notado.
Mas, para ser poeta, quantas rimas são precisas?
Quantos sonhos apaixonados?
Quantas noites mal dormidas?
Quantos amores pisoteados?
Mas, juro, que como da flor a mitose,
O poeta é um mutante, um viajante de partida.
Um viciado, que em overdose de neurose.
Transforma o nada na exaltação da vida.
31 de maio de 1989
Jorge Reigada
"...Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
Sem nos dar braços para os alcançar?!..."
Florbela Espanca
"Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto!"
Florbela Espanca
A UM MORIBUNDO
Não tenhas medo, não! Tranqüilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono...
A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono...
O que há depois? Depois?... O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?
Que importa? Que te importa, ó moribundo?
- Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida!...
Florbela Espanca
Caravelas
Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar!Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou nesse mundo imenso a exilada.
Tanto tenho aprendido e não sei nada
E as torres de marfím que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!
Se eu sempre fui assim este Mar morto:
Mar sem marés,sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!
Caravelas doiradas a bailar...
Aí quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida,e não voltaram!...
Florbela Espanca
Escreve-me ...
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
Florbela Espanca
Lágrimas Ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era q'rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das Primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
(...)
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
'Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tú és como Deus: Princípio e fim...
Florbela Espanca
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!
Florbela Espanca
Nosso sonho morreu. Devagarinho,
Rezemos uma prece doce e triste
Por alma desse sonho! Vá… baixinho…
Por esse sonho, amor, que não existe!
Vamos encher-lhe o seu caixão dolente
De roxas violetas; triste cor!
Triste como ele, nascido ao sol poente,
O nosso sonho… ai!… reza baixo… amor…
Foste tu que o mataste! E foi sorrindo,
Foi sorrindo e cantando alegremente,
Que tu mataste o nosso sonho lindo!
Nosso sonho morreu… Reza mansinho…
Ai, talvez que rezando, docemente,
O nosso sonho acorde… mais baixinho…
Florbela Espanca
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca