A rosa de hiroshima
o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz
sobre a cerca,
os mais novos girassóis -
ninguém à vista
tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz
tatalou e caiu
com onda espiralada
fragor de entrudo
mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho...
gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado
verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota
o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa
sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube
alvor
avançavam parados
dentro da luz
entre as folhas
de um livro-de-reza
um amor-perfeito cai
os aloendros
em fila
nos separavam do mundo
há qualquer coisa no ar
além dos aviões
da Panair...
na barra sul do horizonte
estacionavam cúmulus
esfiapando sorveret de coco
por entre as vinhas,
ele abraça mais forte
e beija mais doce...
planta com mil flores
uma é roubada -
ninguém notou...
Pior que o amor perdido
é o amor que não foi dado
e tudo o que não foi gasto
no tempo que era devido.
Saudade do que fiz.
Saudade do que não fiz.
Não sei qual delas dói mais.
Nem o ácido do tempo
dissolve a dura saudade
em que o amor se tornou.
Não me dói o que perdi,
pois tive o prazer de ter.
Dói-me tudo o que não tive
e o quanto não pude ser.
