A rosa branca de fenix faustino
tomando banho só
no riacho escondido -
cantos de bem-te-vis
O casulo feito
bicho dentro dele dorme
vestido de seda.
o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz
sobre a cerca,
os mais novos girassóis -
ninguém à vista
Os trigais maduros
marcaram de cor dourada
minha pobre infância.
tênue tecido alaranjado
passando em fundo preto
da noite à luz
tatalou e caiu
com onda espiralada
fragor de entrudo
mar não tem desenho
o vento não deixa
o tamanho...
gato no galho,
bem-te-vis na janela,
e eu no telhado
verdes vindo à face da luz
na beirada de cada folha
a queda de uma gota
o bambual se encantava
parecia alheio
uma pessoa
sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube
alvor
avançavam parados
dentro da luz
entre as folhas
de um livro-de-reza
um amor-perfeito cai
Lanternas quebradas
pirilampos precavidos
não vagam na noite.
os aloendros
em fila
nos separavam do mundo
No extremo vazio
do mais oco, sopro sons:
flauta de bambu.
Os meus sentimentos
como origami no arame
sempre em movimento
há qualquer coisa no ar
além dos aviões
da Panair...
Venha colibri:
dentro do meu coração
já é primavera.
