A vida, sempre ela...

Muitas vezes me surpreendo tentando entender como fiz para chegar até aqui. Não foi fácil, confesso, mas nem sempre podemos contar com a facilidade para atingir nossos objetivos. Na maioria das vezes, a dificuldade se impõe em estado bruto, isso quando realmente queremos conseguir.
O mundo cor-de-rosa da infância só existe para nós. Porque naqueles tempos tudo são flores e sorrisos. Nossas lágrimas somente ocorrem quando nos sentimos de alguma forma ameaçados: um olhar zangado, uma recusa ao que pedimos, a palmada pelo erro cometido. Fora isso, somos sempre felizes, o tempo inteiro certos de que o mundo gira em torno de nós.
Quando crescemos e nos tornamos adolescentes percebemos que não é bem assim. É hora de sair do casulo e ali existem outros espécimes humanos que se aventuram pelo mesmo caminho. A exploração do mundo, tateando os sentidos, buscando explicação para as coisas, tentando compreender por que pessoas se matam por dinheiro quando tudo deveria ser apenas amor. E quando não encontramos o respaldo na outra pessoa, então nos debulhamos em lágrimas, pela primeira vez a recusa, nossa bolha explode e então nos tornamos personagem do mundo.
Nossos pais bem que disseram. É preciso estar preparado. Roubo aqui o pensamento de alguém que no momento não recordo quem é: a oportunidade favorece a mente preparada. Mas não podemos nos trancar naquele mundinho da infância, porque agora nossos hormônios estão à flor da pele e buscam o contato do outro, do sexo oposto, daquele que pode nos dar felicidade, ser a nossa complementação.
Certa vez vi num filme que ao nascermos nossa alma se divide em duas. Então passamos a vida inteira procurando nossa outra metade. Aqueles que dão sorte conseguem encontrar. Os que têm azar e não encontram estão fadados ao sofrimento pelo resto dos dias. A felicidade não reside apenas em encontrar a pessoa amada. É preciso, antes de tudo, saber conviver com a descoberta do mundo novo.

Toni Rodrigues

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