OPRESSÃO E DOR
"...porque os remédios normais
nem sempre amenizam a pressão..."
(O RAPPA)
Ela veste o casaco de couro negro
A saia curta e as meias rendadas
Abre uma garrafa de vodca
E passa a odiar cada minuto dos
Seus quinze anos de vida
A maquiagem sombria e o brinco no nariz
São suas armas de defesa
Contra a podridão do mundo
Enquanto ouve o Rappa no rádio
Lembra a origem da criança
Que carrega na barriga
Fruto de um, dos vários
Estupros de seu padrasto
No fundo queria apenas ser um anjo
A voar sobre um mundo rude e primitivo
Ser a esperança etérea da justiça
Pulou da janela do oitavo andar
Planou como um pássaro e encontrou
A paz no momento em que seu corpo
Atingiu o solo.
Adriano Saraiva
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