Coleção pessoal de zecapreto
Encontrados 20 nesta coleção
Sarabatana flechou coração do cantador da aldeia
Que vive apaixonado fazendo poemas pro rio
E passa o dia contemplando seu pé de taperebá
Beijando bocas sonhadoras que vem lá do Amapá
Zeca Preto
Vou batendo pilão na cadência desse carimbó
Anunciando aos meus guias os segredos dos tajás
Chamando os curupiras sonhadores da Amazônia
Pra essa festa danada de boa que é marabaixo.
Zeca Preto
Extravasa o pudor vadio
Da sinhá donzela
Que corroída geme de amor
Ao levar no céu azul
O mastro da liberdade.
Zeca Preto
Lembro da gente voltando da festa terminada
Em cambaleios abraçado a pessoa amada
Ouvia-se apenas os compassos de nossos passos
Que se harmonizavam com as cantigas
Que surgiam do silêncio romântico das estrelas
Que clareavam caminhos da minha cidade do interior.
Zeca Preto
Menino levado a tona das cores
Filho de Macunáima
Neto da sensibilidade
Guerreiro amazônico da arte
Passeando de ubá com simplicidade.
Zeca Preto
Hoje o meu quintal amanheceu lilás
Da cor do amor fugaz, da cor da sedução
Hoje as flores se abriram e choveu pétalas no chão
Fizeram do meu canto a cor forte da emoção
Ainda é tempo de jambo.
Zeca Preto
Do gosto a explosão
Da água o coração
Do caroço a compreensão
É tempo de jambo.
Zeca Preto
Eis-me aqui
Carne dada aos vermes
Sem arrependimentos
Dormindo nos meus culposos desejos
Sonhando com carícias impróprias.
Zeca Preto
Sinto falta dessa boca carnuda de acerola
Das curvas perigosas do teu corpo
Da vontade de beber em teu umbigo
O vinho menstrual de tua cólica.
Zeca Preto
Esterqueira,
Acúmulo de idéias liquidificadas
Na cabeça do arrogante homem da lei.
Zeca Preto
Me guarde agasalhado no seu coração
Me balance, me fale da nossa canção
E penetra sua voz suave sem cessar
Bem no pé da minha nuca..
Zeca Preto
Água distanciando do porto
Da beira à água
Caminhadas desenham
O desejo do rio.
Zeca Preto
Sorrio apenas o necessário
Para que o sorriso não seja apenas um escancarar de boca
Boca que seduz, assobia, devora,chupa que beija
Boca que poeta,encanta, canta e não cala.
Zeca Preto
Sou o Zequinha daqui mesmo da redondeza
Que de vez em quando acerta o rumo deslumbrante do show
E se propaga também nos refletores opacos da mediocridade.
Zeca Preto
Abre a porta do quintal podes entrar
Sou fruta de vez no teu pomar
Toma logo esse açaí mata a vontade
Devora esses olhos castanhos do Pará.
Zeca Preto
Tomara que existam cores no teu pensamento
Tomara que exista madrugada no teu bocejo
E que seja verso cada esquina donde moras
Pra que a poesia se encalhe no refrão dessa canção.
Zeca Preto
Eu quero mesmo é ficar em casa
No aconchego das curvas de teu violão
Beijando essa boca fresca de hortelã
Quarando a madrugada pra te consumir.
Zeca Preto
Sou paisagem da lembrança
Sou Saci dessa maloca
Vem jogar conversa dentro
Vem provar dessa paçoca.
Zeca Preto
Hoje eu não posso sair
Tô regando meu pé de música
Tô devorando uma cuia de acordes
Tô com cara de nova canção.
Zeca Preto
O teu importante rio chamado Branco
Sem preconceito em um Negro ele aflui
Zeca Preto