Coleção pessoal de moringa

1 - 25 do total de 59 nesta coleção

Me dê a coragem


Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
meu PECADO DE PENSAR

Clarice Lispector

"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

Clarice Lispector

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.

Clarice Lispector

É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.

Clarice Lispector

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava, tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo (...).

O dinheiro não era nada, o poder não era nada. Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.

A beleza não era nada. Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.

Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.

Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.

A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.

Hermann Hesse

Chapeuzinho Vermelho,
quando sonha seu sonho,
tem o lobo no meio
e um medo medonho.

Mas também tem vontade
de seguir seu caminho.
E encara a verdade,
modifica o destino.

Se perder a esperança,
ao olhar-se no espelho,
não verá a criança
e desbota o vermelho.

Se não é confiante,
já não come nem sonha.
Tem o lobo distante
e a cara tristonha.

Mas, se grita o vermelho
e o sonho se solta,
tem o lobo no meio
e alimenta a revolta.

(do livro Fadas Guerreiras, com adaptação do autor)

Carlos Augusto Cacá

O cravo gostou da rosa.
E ela foi tão gostada
que o cravo fez um pedido
E a rosa foi encantada.

O cravo ficou contente.
A rosa foi visitar.
O cravo queria toda
A rosa pra se abraçar.

A rosa era tão linda
Que o cravo tentou prendê-la.
Assim quebrou o encanto
E agora não pode tê-la.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Descobri que tu me amas,
Ainda que amor pequeno.
De fato, tu não derramas
A insensatez do extremo.

Mas que me amas é certo.
Assim como é certo a lua
Esparramar seu afeto
Na escuridão da rua.

E sendo assim como és,
Ama pouco. É o bastante.
Não te convém o viés
De inconseqüente amante.

Ao amar suavemente,
Deixas clara, transparente
Tua alma comedida.

Me inspiras confiança,
Renovando a esperança
De iluminar-me a vida.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Vai morena gostosa,
Vai passear pelas ruas,
Com seu perfume de rosa,
Com suas costas nuas.

Vai mostrar como é bela
Vai chamando a atenção
A rua é passarela
Na minha imaginação.

Vai aonde quiser.
Mas vai e volta pra mim.
Pra ser minha mulher
Pra sempre até o fim.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Meu amor não é fogueira nem sopro.
Não se desfia nem se desdobra à toa.
É cauteloso e principia pouco
Para crescer a cada coisa boa.

Amor bondoso, resistente ao tempo,
Constante mesmo quando se magoa.
Envolvedor e, em seu envolvimento,
É mais amor e, sendo assim, perdoa.

Embora possa parecer maduro,
É meu amor também insaciável,
Sem rumo certo, amargo e inseguro.

É meu destino, mesmo tão amável,
Tornar o amor, além de insuportável,
Ao mesmo tempo, eterno e sem futuro.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Esse homem de que fala
bem que podia ser eu.
Suas pernas, duas alas
conduzindo ao apogeu.

O seu corpo como vi,
até as marcas de dores
que imagino em ti,
nos meus versos sonhadores,

as palavras provocantes,
presentes desde o começo,
já são coisas de amantes
e ainda nem a conheço.

Carlos Augusto Cacá

Eu faria o seu poema.
Não o que você merece,
que não é fácil fazer tanto.
Mas, um poema sincero,
pra gravar dentro de mim
as linhas do seu encanto.

Ele seria incompleto,
que nem tudo a gente vê.
E mesmo que eu pudesse
percebê-la como é,
não saberia explicá-la.
É que a poesia é falha
e o poeta, mais ainda.

Mas faria com vontade,
que a vontade me sobra
de te traduzir em traços,
rabiscos e embaraços
que eu pudesse entender.

Eu faria seu sorriso
de quem gosta de sorrir.
Suas pernas pelo mundo
abrindo trilhas de vida
e os pés firmes no chão.
Faria as suas mãos,
o seu abraço, os seios,
seus sonhos e devaneios,
e seu cansaço ocultado.

Eu faria seu rosto,
cabelo, boca e olhos.
Até sentir o seu cheiro
Perfumando meu papel.

E te gravaria em mim,
no escuro do meu dentro
pra cintilar como estrela.
Mesmo te fazendo errada,
incompleta, inacabada,
Sempre poderia vê-la,
mostrando o rumo da estrada.
Eu faria a caminhada
se eu pudesse fazê-la.

Carlos Augusto Cacá

A independência
ainda é pendência.

Carlos Augusto Cacá

Tanto o desejo a tomou
Pelos braços, pelas pernas,
Que a mulher retirou
O seu homem das cavernas.

Deu-lhe à luz pra que enxergasse
A maravilha das cores
E esperou que ele voltasse
Trazendo ramas de flores.
E seu homem, agradecido,
Ao vê-la assim se dando,
Foi ficando enternecido.
Foi ficando, foi... ...ficando.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)
Carlos Augusto Cacá

Carlos Augusto Cacá

Um fantasma paira sobre nossos sonhos.
Esbraveja, ameaça e desanima.
Tanto alarde, tantos brados tão medonhos
Que há perigo de aceitarmos uma sina.

Mas será tão forte assim o nosso algoz?
Pode alguém subtrair nossa esperança?
Só se não soubermos nem quem somos nós
Nem de onde brotam os sonhos de criança.

Sendo assim, façamos a declaração:
Nascem os sonhos do fundo do coração.
É o sangue que os liga às raízes.

E o que somos é fruto do que fazemos.
E, por isso, hoje nos reconhecemos
Proletários de todos os países.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

A segurança do palco
Não seduz a trapezista.
A sua alma de artista
Projeta-a para o alto.

Se há um risco no salto,
Há outro na plataforma:
Viver essa vida morna,
No máximo, balançar.

Porém, se quiser voar,
E se confia em meus braços,
Salte e ouça os aplausos
Quando eu te colher no ar.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

É bom lembrar como aprendi a caminhar.
A cada tombo percebia o duro chão.
Mas não desiste quem enxerga a lhe esperar
Sorriso aberto, esparramado coração.

Mão estendida à minha mão me dava o prumo.
Ainda assim, não impedia o novo tombo.
Apoio apenas, quando ainda é alto o ombro,
Deixando claro serem meus o risco e o rumo.

Se ainda hoje o meu destino é tão distante,
Já me conforta a cada passo estar mais perto.
O importante é escolher o rumo certo.

Na companhia de incontáveis caminhantes,
Sigo seguindo, solto o passo e vou adiante,
Cabeça erguida, pés no chão e peito aberto.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Lá estão elas rompendo a estrada.
Deixam distantes seus dias risonhos.
Já desistiram dos contos de fadas.
Hoje cultivam os seus próprios sonhos.

Lá estão elas cerrando fileiras.
Trazem enxadas e foices nos ombros.
Fadas Madrinhas se tornam guerreiras.
Marcham por sobre seus próprios escombros.

Se já não têm o destino nas mãos,
Se, sob os pés, lhes retiram o chão,
Ainda assim vão em busca da vida.

Se lhes acuam, empurram pra morte,
Criam desvios, mas mantêm o norte.
Seguem marchando feito Margarida.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Pra mim, você era tanto
Que não podia alcançar.
É como uma estrela no canto
Do céu de qualquer lugar.

Sendo assim inatingível,
Eu deveria evitar
Esse amor tão impossível,
Tão distante a cintilar.

Mas, se o coração reclama.
Eu me ponho a imaginar
Que dorme em minha cama
E fico assim a sonhar.

Acaricio a roupa
Que trouxe pra se deitar.
Não sei se é você a louca,
Se sou eu a delirar.
Só sei que te vejo ardente
Querendo se entregar.
Ou vira estrela cadente,
Ou eu aprendo a voar.

(do livro: Fadas Guerreiras, à venda em www.caca.art.br)

Carlos Augusto Cacá

Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçadas na mesa todos completam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema - uma linha que seja - de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país.

Ferreira Gullar

Ferreira Gullar

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

MANOEL BANDEIRA

Reverência ao destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade
Páginas:  1 2 3   Próxima