Coleção pessoal de lovelyjay

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Sentimento sem título

Sorte tem os bêbados,
pois conseguem dormir.
Sorte tem os Loucos,
pois são livres para agir.
Sorte tem os idiotas,
pois conseguem amar e sorrir.
Gostaria de fugir da realidade em que vivo
e entrar em um copo de whisky,
Para ser Louco e idiota
Assim, faria o que quisesse
Sorriria, dormiria e teria a capacidade de amar.
Ah! como eu os invejo!

Mauricio Pereira

Das Sete Canções de Declíno

Um frenesi
hialino arrepiou
Pra sempre a minha carne e a minha vida.
Foi um barco de vela que parou
Em súbita baía adormecida...

Baía embandeirada de miragem,
Dormente de ópio, de cristal e anil.
Na ideia de um país de gaze e Abril,
Em duvidosa e tremulante imagem...

Parou ali a barca – e, ou fosse encanto,
Ou preguiça, ou delírio, ou esquecimento,
Não mais aparelhou... – ou fosse o vento
Propício que faltasse: ágil e santo...

...Frente ao porto esboçara-se a cidade,
Descendo enlanguescida e preciosa:
As cúpulas de sombra cor de rosa
As torres de platina e de saudade.

Avenidas de seda deslizando,
Praças de honra libertas sobre o mar...
Jardins onde as flores fossem luar;
Lagos – carícias de âmbar flutuando...

Os palácios a rendas e escumalha,
De filigrana e cinza as catedrais –
Sobre a cidade a luz – esquiva poalha
Tingindo-se através longos vitrais...

Vitrais de sonho a debruá-la em volta,
A isolá-la em lenda marchetada:
Uma Veneza de capricho – solta,
Instável, dúbia, pressentida, alada...

Exílio branco – a sua atmosfera,
Murmúrio de aplausos – seu brou-há-há...
E na Praça mais larga, em frágil cera,
Eu – a estátua que nunca tombará...

Mário de Sá-Carneiro

Epígrafe

A sala do castelo é deserta e espelhada.

Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu --- e até o ar é uma ruína...
Vem de Outro tempo a luz que me ilumina ---
Um som opaco me dilui em Rei...

Mário de Sá-Carneiro

Como eu não possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá-Carneiro

7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

Mário de Sá-Carneiro

Último Soneto

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

Mário de Sá-Carneiro

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Mário de Sá-Carneiro

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

sinto-lhe como ponte elevadiça.
subo. desço.
entro e saio.
jamais fico,
jamais ao lado.
somente embaixo,
somente em cima.

Fernanda Young

não mais delirar,
nem sentir no corpo
esse seguir sem descanço,
atrás de sutilezas que não
podem ser descritas.

Fernanda Young

'E não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor. Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela. Eu te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível. Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim. ‘Já conheço os passos dessa estrada’... E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.'

fernanda young

quantos dias perdi você,
olhando para mim,
dentro do seu corpo.

Fernanda Young

Para quem me odeia

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta. Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.

Com amor, da sua eterna.
Fernanda Young.

Fernanda Young

- Mais um despertar difícil. Fico durante dez minutos amaldiçoando todas as noites passadas em branco, os copos a mais, os cigarros que não tinha vontade, e tomo a resolução de nunca mais sair, de parar de beber, de fumar, de ir cedo pra cama, de só comes sushi e frutas.

jay

“Não entregues tua alma à tristeza e não te aflijas com tuas preocupações. A alegria do coração é a vida da pessoa, tesouro inesgotável de santidade, a alegria da pessoa prolonga-lhe a vida. Tem compreensão contigo mesmo e consola teu coração; afugenta para longe de ti a tristeza. A tristeza matou a muitos e não traz proveito algum, o ciúme e a raiva abreviam os dias, como a preocupação traz a velhice antes do tempo. Um coração luminoso e bom está num continuo festim; seus manjares são preparados com capricho”

(Eclo 30 22

Fazes-me falta.
Cansa-me esta falta de ti, e passaram-se apenas horas desde que te abracei pela última vez e te disse ao ouvido, repetidamente, "Basta chamares por mim". Sei que percebeste o sentido desta frase, inacabada e interrompida pelos soluços e pela surpresa de te ver chorar como eu. Cansa-me esta falta de ti, lembra-me a aulas de faculdade e passos largos pela rua Miguel Bombarda, a conversas intermináveis e confissões proibidas.
Cansa-me saber-te longe do alcance do meu abraço e de um passeio durante a tarde, para matarmos as saudades. A falta de ti entedia-me e faz-me querer atravessar fronteiras, á procura da irmã que me roubaram, mantendo-se como uma impressão , uma comichão nas costas que não consigo alcançar, uma pedra no sapato que começa a fazer ferida.


Já tenho saudades tuas.

lovelyjay

"Amar sem sofrer
Nunca mais
Mesmo que seja fingimento

Fingirei que senti
Para enganar aos interessados e aos avessos desses
A mim mesmo que sou o mais tolo de todos

E se um dia de verdade sofrer
Ao menos terei elegância ao derramar lágrimas de sangue

Tornarei real todo o fingimento
Sentido por homens vis
Como eu"

Diego Santana

"As horas frias congelam a insistência das dores cálidas
Que não tem mais razão
Se é que tiveram algum dia

Os amores acabados juntam-se a papeis sem cronologia
Em gavetas que nunca abro
Papeis esses que não releio
Sonhando com a vela acesa para qualquer santo falsário
Que os queimará

Extinqüindo minhas memórias
Outros serão poupados de suas críticas hipócritas
Enfevercidas pela vontade abafada

Nunca saberão quantas bocas beijei
Nem as que desejei
Jamais suspeitarão do "primo Basílio"
Nos primeiros dos "cem anos de solidão"
Que degustei faminto

Hoje tudo é tão mórbido
As paredes brancas
A voz que canta um blues
Sem piedade

Esse estado de dormência
Serve como paleativo
Para que a dor não se faça mais presente

Vou pôr as cinzas no congelador"

Diego Santana

ESTAÇÕES

O frio do inverno
Que acalantou minhas angústias
Que tremeu meus gritos
Aproxima-se do fim
Num prenúncio de fluorescência

Essa transição silenciosa
Parece insossa quando percebo que a noto
Vejo o tempo em sua divisões milimétricas

Suporto a dor a cada dia com conforto
Quero senti-la na próxima estação.

Diego Santana

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

Clarice Lispector

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Clarice Lispector

"Se existe tanta crise é porque deve ser um bom negócio." [Jô Soares]

"Em uma coisa os bêbados e os geógrafos têm razão: a Terra gira." [Jô Soares]

"Não há nada de errado com a velhice que a morte não resolva." [Jô Soares]

"É bem melhor pensar sem falar do que falar sem pensar." [Jô Soares]

"Não há nada de errado com a juventude que a idade não cure." [Jô Soares]

"Quanto maior a dor, maior o alívio." [Jô Soares]

"A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa. " [Jô Soares]

"A comissão faz o ladrão." [Jô Soares]

"Era tão azarado que, se quisesse achar uma agulha no palheiro, era só sentar-se nele." [Jô Soares]

"Junta médica é uma reunião que os médicos fazem nos últimos momentos de nossa vida para dividir a culpa." [Jô Soares]

"Esse sorriso tão lindo que você tem é seu mesmo ou é patrocinado por algum creme dental?" [Jô Soares]

"Houve uma guerra que durou 100 anos. É dose. Os soldados morreram todos de arteriosclerose." [Jô Soares]

"Era um sujeito realmente distraído: na hora de dormir, beijou o relógio, deu corda no gato e enxotou a mulher pela janela." [Jô Soares]

"As duas mulheres se pareciam tanto que todos pensavam que fossem gêmeas. Mas não: eram clientes do mesmo cirurgião plástico." [Jô Soares]

"A prova de que a natureza é sábia é que ela nem sabia que iríamos usar óculos e notem como colocou nossas orelhas." [Jô Soares]

"Era um menino tão mau que só se tornou radiologista para ver a caveira dos outros." [Jô Soares]

"Faça piada velha para público novo e piada nova para público velho." [Jô Soares]

"Nunca faça graça de graça. Você é humorista, não político." [Jô Soares]

"Gordo, quando está fazendo dieta, sempre faz a barba antes de se pesar." [Jô Soares]

"Morava tão longe, que o carteiro mandava suas cartas pelo correio." [Jô Soares]

"No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora." [Jô Soares]

"Não há amizade, que por mais profunda que seja, que resista a uma série de canalhices." [Jô Soares]

"É bem melhor pensar sem falar, do que falar sem pensar." [Jô Soares]

Jô Soares

A prova de que a natureza é sábia é que ela nem sabia que iríamos usar óculos e notem como colocou nossas orelhas.

Jô Soares

O verdadeiro amor não é somente aquele que faz, mas também aquele que olha no momento certo, silencia na hora exata e acarinha quando mais precisamos.

Oswaldo Grimaldi

AH ... A POESIA!!!


Oh ... poesia,
Veja só o que aconteceu,
Alguém que pensa tudo saber,
Resolveu instituir o dia de hoje como seu,
Mas discordo dessa decisão,
E é até mesmo muita pretensão,
Escolher apenas um dia para a emoção,
Todos os dias são feitos para amar,
E deixar a alma voar livremente,
Libertando os sentimentos,
Juntando letrinhas,
Formando palavras,
Que magicamente se transformam em versos,
Revelando segredos,
E tantos desejos,
Todos os dias são dias,
De deixar a lágrima rolar,
Seja de alegria ou saudade,
E de sorrir como criança,
Que encontra a felicidade,
No mágico mundo dos sonhos,
Todos os dias são dias,
De falar da beleza das flores,
Ouvir o canto dos pássaros,
E de declarar o amor sentido,
Todos os dias são dias,
De trocar beijos apaixonados,
E envolver-se em abraços calorosos,
Todos os dias são dias,
De amar e ser amado,
A poesia é vida,
E como as batidas do coração,
Acelera a respiração,
Como podem escolher somente um dia para ser seu?
Ah...poesia todos os dias são seus,
Minha alma não vive sem a sua,
Pois você faz parte de mim,
E eu faço parte de você ...

Patrícia Montenegro
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