Coleção pessoal de kanitz

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Entregar-se, doar-se
envolver-se ao ponto de
perder sua própria
identidade,sem temer
as desilusões,as
decepções e as
consequências da entrega,
só vale a pena se for com
amor...E por AMOR

Marcia Ruth Kanitz

O sentido da vida está em saber priorizar nossos passos e até nossos sonhos, se não os sonhos se transformam em pesadelos.

Jorge Reigada

Sei lá, Se estou pronto ou em construção
Sei lá, se sou cria ou criador,
o milagre ou a maldição
Sei lá, se gente ou aparição.
Sei là!

Jorge Reigada

Os covardes são fantásticamente privilegiados em encontrar esconderijos para suas personalidades.

Jorge Reigada

Morre uma flor,nascem botões resistentes,revolve a terra e solte as sementes.

Jorge Reigada

Pensamos sempre em eternizar o presente, só não contamos que as pessoas mudam.

Jorge Reigada

Se eu atendesse a consciência, seria um escravo das vaidades alheias.

Jorge Reigada

Sou a marca dos meus passos no amanhã.

Jorge Reigada

Nossos pensamentos são nossas armas para a vida plena ou para nossos suicídios cotidianos.

jorge reigada

Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queria só"

jorge Reigada

Nossas pernas são réguas, traçando nossos destinos

Jorge Reigada

As mentiras são como pedras que colocamos em nossa própria mochila da vida,no final, somos nós mesmos que teremos que carregar.

Jorge Reigada

É melhor estar preparado para uma oportunidade e nunca tê-la, do que ter uma oportunidade e não estar preparado.

Jorge Reigada

Tu vale o que pagam por ti.
Se tiveres preço, não valeras a pena.
Se não te compram, não possuirás coisas.
Se não possuíres coisas, não serás importante. Porem, se colocares a importância em possuir, que estes objetos que possuíres sejam mais valiosos que tu.
Pois, não serás o Rei de tua vida, mas escravo de tuas coisas.

Jorge Reigada

Fica-se enamorado quando se dá conta de que a outra pessoa é única.

Jorge Borges

Não me leve pelo seu caminho...
Não quero ir !

Quero seguir o meu.
Construir minha própria estrada, e caminhar por ela.

Terei meus tropeços, mas, conhecerei minha força.
Não quero seus cruzamentos, nem suas eternas encruzilhadas.

Quero ter curvas seguras e harmoniosas ...

Quero não ter seus olhos aflitos como paisagem.

Quero um acostamento florido e belo onde descansarei o olhar.

Quero constância na viagem.
Não quero tormento de seus atalhos espinhosos ou a loucura da sua ansiedade por chegar a lugar algum.
Quero a companhia tranqüila dos que sabem onde querem chegar.

Não quero seus mapas.
Quero rotas seguras e sem picadas na mata incerta na qual se transformou a sua vida.
Não quero minha estrada solitária. Como esta que seu ciúme criou.
Quero ser livre sem seus conselhos ou críticas.

Quero ficar sem seu cheiro, ele não combina com minhas flores.

Quero andar movido pela paixão e não pelo medo.
Quero olhar para todos os que passarem e ver em cada um, um amigo.
Afinal, eu sou gente...

Quero sentir a liberdade de ser viajante da minha estrada, e nunca a angústia confusa da sua.

Quero o fim da minha viagem antes da sua, para que eu tenha tempo de espalhar lanternas na chegada, facilitando a você encontrar o caminho com segurança.

Ficarei feliz se a minha estrada servir de esperança para quem que,
como você, estiver perdida por caminhos escuros e sem rumo...

Não te quero mal.
Só não te quero.

Jorge Reigada

Sou a pergunta
Que não tem resposta
simples,
Sou igual a todos e
diferente por
nascença..
Só não consigo
viver
no mundo como
indiferença...
Sou charco que
virou jardim,
Fui o jardineiro
que a plantou
em mim..

Jorge Reigada

LOUCO


Quero ficar só, sozinho com minhas lembranças.
Quero sentir as mil agulhadas da recordação, a suave dor da saudade.
Mas só, sozinho.
Quero que me venha a mente o passado já que no futuro não penso e o presente não vivo.
Viver para que? Para manter a recordação? E sentir a dor intensa da separação?

Não, não quero mais ter os pensamentos controlados.
Que a inexistência de idéias me permita viver absorto a tudo e a todos.

E tudo por sua causa.
Se você compreendesse meu esforço, se apercebesse que o amor por você me tolhia
nada de ruim teria acontecido.
E hoje estaríamos juntos unidos pelos laços do amor do meu amor ao menos.
Você não quis. Achou-me fraco eu sei.
Sentiu que podia me dominar.
E numa fúria indomável pôs tudo a perder.
Todo um sonho, o meu sonho. A vida, papel em que desenhei o amor perfeito.

Quando nossos olhos se espelharam a primeira vez.
Seu sorriso um amanhecer de um lindo dia me trouxe a esperança de ver meu desenho concretizado.
E na minha ingenuidade, na ânsia de realizar o meu ideal tracei as mais belas formas e em prosa cantei.

Quando vires a tarde triste
Com ar de que vai chover
Lembra-te que são meus olhos
Que choram por não te ver.

Mas, aos poucos vi desmoronar pedra por pedra aquele castelo de amor tranqüilo que tanto imaginei.
E o sonho fechou a janela pela qual olhava a vida me deixando só a realidade que vi estampada
em seus olhos ferinos.


Quis fugir, mas, não consegui.
Sentia-me preso as suas garras, aprisionado pelo seu cheiro,
hipnotizado pelo seu olhar.
E qual cão que se sujeita a vontade do dono quedei-me quieto ao seu lado aconcheguei-me aos seus pés.

Como sofri. Quanta vez tive vontade de correr, de sumir desaparecer para sempre.
Mas, quando seus olhos para mim voltava, sua voz fazia-se ouvir a meu lugar retornava
aconchegado a seus pés.

Hoje, não a vejo mais e aprisionado neste quarto sou considerado louco.
Louco porque me desprendi da coleira, da corda que me envolvia o pescoço e procurei ser livre...
Não. Louco, porque não consigo afastar de mim sua presença.
Louco por não esquecer sua vos, seu olhar.
E irado desfiro murros contra a parede e vejo as feridas abertas em minhas mãos
salpicarem o chão com gotas de sangue. E quando as gotas procuro.
Vejo o seu nome por elas escrito. então, choro...
Um louco também sabe chorar..

Jorge reigada

Nossas pernas

Diagramas, esquadros, catetos, compassos
Nossa vida e desenhada por nossos passos.
Caminhamos em retas, curvas, tangentes
ascendente, descendente, em torno, através

Nossas pernas são pincéis...
Traçam caminhos, como o jogo do destino
Descubra o caminho da felicidade
O um; o dois; o três... são milhares, desatino.

Nossas pernas são possantes, dançantes
pena que não somos gigantes
Para enxergar mais longe e saber
o real caminho a percorrer

Nossas pernas são fatores, vetores
Nos colocam longe daquilo que desejamos
Ou caminhamos para perto do que tememos
Tremem ante amores, valores, temores.

Nossas pernas são compassos,
Desenhando curvas na valsa da vida
Giros no grande salão da ilusão, passos
Pernas, pra onde me levam agora, me diga?

Não, não me falem. Apenas andem, me levem
Não me deixem parar, continuem a caminhar
Mesmo já sem muita força, me ajudem
Fecho os olhos a cada passo, ainda quero sonhar.

Não tenham medo de tropeçar, bambear
Apenas andem, mesmo que seja devagar
Confio em cada tropeço, em cada passo torto
Me mostram que ainda não estou morto

Me postam a realidade de ter muito a andar
Aprender, passear pelos campos do que não sei
No campo dos sonhos, por um segundo,ser rei
Não quero saber para onde andar, apenas caminhar.

Nossas pernas são réguas, traçando nosso destino
Me mantém um menino, um adolescente, gente
Um retirante e um chegante, uma tangente
Minhas amigas fiéis, vocês são meus cordéis

Obrigado.

Rio, 17 de junho de 2003

jorge Reigada

Culpa

Por detrás de nossas tristezas e frustrações, detrás da nossa insatisfação na vida, de nossos tédios e angústias está um sentimento. O mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos. Que é o sentimento de CULPA.
O sentimento de culpa é um apego ao passado, é o arrependimento de alguém não ter sido como deveria ter sido. É uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido. O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: “Não deveria”.

A culpa é a frustração entre a distância do que nós fomos e a imagem do que nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base da autotortura.

É como se dentro de nós se processasse um julgamento em que o eu ideal, imaginário é o juiz, e o eu real, humano é o réu. E como nosso pensamento nos exige algo impossível, nosso eu real nunca poderá atendê-lo. Este é um ponto fundamental.

Na culpa nos dividimos em duas pessoas: Uma real, errada, má e ruim. A outra ideal, boa e certa. E que tortura a outra.

É como se dentro de nós processasse um julgamento em que o eu ideal, imaginário é o juiz, e o eu real, concreto, humano é o réu. O eu ideal sempre trás exigências impossíveis e perfeccionista. Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. E como nosso pensamento nos exige algo impossível. Nunca o nosso eu real poderá atende-lo. Este é um ponto fundamental.

Muitas pessoas dedicam sua vida a tentar a concepção do que elas devem ser ao invés de se realizarem por si mesmas. A diferença entre a auto-realização e a realização da imagem é muito grande. A maioria das pessoas vive apenas em função da imagem ideal e este é um instrumento fenomenal para se fazer o jogo do neurótico. A autotortura, o auto-aborrecimento, o auto-castigo a auto-punição. A culpa.

Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento e culpa.

A culpa é também a tristeza de não sermos perfeitos. É a tristeza de não sermos Deus. Por não sermos infalíveis. É um profundo sentimento de orgulho e onipotência. É uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição. É um desejo frustrado. É o contato direto com a realidade humana em contraste com as sua imperfeições perfeccionista, com seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo.

O mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude.

A culpa sempre se esconde atrás da máscara do aperfeiçoamento como garantia de mudança. Mas nunca dá certo.

Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos. A lista dos nossos pecados no confessionário é sempre a mesma.

A culpa longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos.

Por isso mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio. Não existe linha de tratamento psicológico que não esteja interessada em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa.

A culpa é a vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito. Seja esta expectativa clara e explícita, ou seja, uma expectativa interiorizada no decorrer de nossa existência.

Por isso é que se diz que ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos e a nossa recriminação interna vem, nem mais nem menos, das vozes do passado, ainda recriminatória de nossos pais, mães, mestres ou outras pessoas que ainda cultuamos. Mas aquilo que nos leva a este sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva são algumas crenças falsas.

Trabalhar o sentimento de culpa é primordialmente descobrir as convicções falsas que existem em nós. Aquelas verdades que cremos, que sendo errôneas, nos levam a culpa.

A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição. Quem acredita que é possível ser perfeito viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa.

A expectativa de vida é um produto de nossa fantasia. Quanto maior a discrepância entre a realidade objetiva e a nossa fantasia, tanto maior será nosso esforço na vida e maior a nossa frustração.

Respondendo à esta crença opressora da perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas necessidades. Nós nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente, as nossas limitações e desempenhamos papéis sem base em nossa capacidade. Criamos um terrível inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário.

Respondendo ao ideal de perfeição nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros. É muito comum no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem se amando um ao outro e sim a imagem de perfeição que cada um fez do outro. É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal.

A resposta a isto é a frustração mútua de não encontrar a perfeição esperada, gerando tensões e hostilidades em um longo jogo de culpa.

Esta situação se aplica a todas as relações onde pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito.

Embora, as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente parecem não acreditar que são humanas.

Embora, digam que a perfeição não existe, continuam a se torturar, a se punir e punir aos outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista do qual não querem abrir mão.

Outra crença que nos leva a culpa, esta talvez mais sutil, mais encoberta e profunda em nossa vida, é acreditarmos em que há uma relação necessária de erro e culpa. A vinculação automática entre erro e culpa.

Quase todas as pessoas a quem tenho perguntado de onde vem o sentimento de culpa me respondem taxativamente que vem dos seus erros.

Acreditamos que a culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode de maneira alguma haver erro sem culpa. Se acreditarmos nisso estamos num problema insolúvel. Ou vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa. E isto é impossível porque sempre haverão erros em nossa vida. Ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos. Esta vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa.

A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro. Vem do nosso conceito relativo ao erro. Vem da nossa raiva por termos errado.

Uma coisa é o erro, outra coisa é a culpa. Erros são erros e culpa é culpa. São duas coisas distintas, separadas, em que nós unimos de má fé a fim de não deixarmos saída ao nosso sentimento de culpa.

O erro é o modo diferente, fora de algum padrão. O que é chamado erro é a saída fora de um modelo determinado que pode ser errado hoje e não amanhã, pode ser errado em um país e não em outro.

A culpa é um sentimento. Vem de nós, vem da crença que errar é errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas.

Crença que cada erro deve corresponder necessariamente a um castigo. De que cada falta deve corresponder a uma punição. Aliás, o sentimento de culpa é o castigo que damos a nós mesmos por termos errado.


Não é possível não errar. O erro é inerente a natureza humana. Ele é necessário a nossa vida. Na perfeição humana está incluída a imperfeição. Só crescemos através do erro.

As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa. Assumir o erro é aceitar que erramos e nos responsabilizamos pelo que fizemos ou deixamos de fazer.

Mas, quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros numa tentativa infrutífera de acabarmos com nossa culpa.


O perfeccionismo é a morte lenta;

Há um texto de Hugh Preter, que diz.

“ se tudo ocorresse perfeitamente como eu planejara, jamais experimentaria algo novo. Minha vida seria uma repetição infinda de sucessos já vividos. Quando cometo um erro, vivo algo inesperado. Algumas vezes reajo como se tivesse traído a mim mesmo. O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita presunção de que sou perfeito e que se for muito cuidadoso, não perderei o céu.
Contudo, o erro é a demonstração do que sou. É um solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não comando os fatos. Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de lamentar, terei crescido”

Este é o texto.

O perfeccionismo é uma maldição, é uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo.
Não tenha medo de erro. Erro é um jeito de fazer algo diferente, talvez criativamente novo.

Algumas pessoas me perguntam como avançar em relação a este sentimento. Como arrancar de mim este hábito de me deprimir com os erros cometidos.

Existe uma saída para o sentimento de culpa. Façamos uma fantasia:


Imaginemos por um instante que estamos a morte. E nosso sentimento, neste momento, é de angústia, tristeza e frustração por todos os erros cometidos, por tudo que deveríamos ter feito e não fizemos. Remorsos pelos fracassos, como pai, como mãe, Omo profissional, como marido ou esposa, como religioso ou cidadão. Mas, ao mesmo tempo estamos com um profundo desejo de morrer em paz, de sair deste processo íntimo de angústia e morrer tranqüilos.

Qual a única palavra que se pronunciada neste momento e sentida com todo o coração teria o poder de transformar a nossa dor em alegria, o nosso conflito em harmonia, nossa tristeza em felicidade?

Somente uma palavra teria esta magia: PERDÃO.

O perdão é uma palavra perdida em nossa vida. O primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o perdão. O sentimento de autoperdão.

Se a culpa é a vergonha da queda, o autoperdão é o elo entre a queda e o levantar. O perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo. O perdão é sempre a si mesmo. O perdão ao próximo é um modo de dizermos que já nos perdoamos. O autoperdão é a paciência diante da escravidão, é o vislumbre da aurora no final da noite.

O autoperdão é dizer adeus a um passado é restabelecer nossa unidade que a culpa havia dividido.

O perdão é a aceitação da vida como ela é. A criança faz isto muito bem.

Não fique aborrecido com seus erros. Alegre-se por eles.
Você teve a capacidade de dar algo de si.


14 de maio de 1989

jorge Reigada

"Sou forte o suficiente para vencer os medos e os melindres de uma alma feminina."

Marcia Ruth Kanitz

Amor Irresponsável

Nenhuma palavra é mais escrita, nas mensagens que recebo do que o AMOR. Já li tantas vezes que já se tornou chato, como agravante, normalmente quem tanto escreve sobre o amor não o sente em sua plenitude. E até por medo ou neurose, vai divagando... horas o amor é a salvação em outras é a dor, desilusão. Será que entendemos mesmo este sentimento? Será que criamos em nós a capacidade de senti-lo?
Acho que não!
Por isso vamos escrevendo sobre ele como um cálice de néctar longe dos lábios dos mortais afirmando ainda que este néctar seria nossa glorificação. Mas se o amor é o néctar da salvação da humanidade, que diabos estamos bebendo que tanto faz as pessoas sofrerem?
Com certeza, amor não é!
Para mim é uma incoerência só. Na realidade estamos perdidos entre cenas de filmes e propaganda com ideais de perfeição que só existe em lapsos de tempo na cabeça de um escritor. Ou, simplesmente a tentativa de eternização de um momento de felicidade ou romantismo que um dia tivemos. Contudo, enquanto não conhecemos este amor( néctar) vamos vivendo aos atropelos e descobertas.

“Teremos amigos e
Amores vários, talvez
Amor de mãe é mais raro
Achamos só uma vez”

Este autor não é desconhecido, só que não lembro seu nome. Esta quadrinha já ultrapassou um século e continua presente em modernos recitais. Ela foi escrita por um detento que espancava a mãe até ao aleijão.

Amor de mãe é raro realmente, um pouco parecido com aquele néctar...
Acompanho mães que (por amor) batem nos filhos os queimam ou simplesmente os abandonam no lixo urbano. Os degradam psicologicamente incapacitando-os de ter uma vida plena e funcional cobrando um preço, pela eternidade, de ter nascido daquele ventre. Algumas ainda - acobertadas por médicos ávidos em pegar células tronco - os arrancam aos pedaços do ventre com curetas, agulhas de tricô e até os envenenam dentro do próprio útero desde que não faça mal a ela (mãe) e tudo isto com uma única lógica (O corpo é meu e tenho o direito de fazer dele o que quiser).
Vejo crianças que são obrigadas a "parecerem" educadas todo o tempo, acabam tão castradas que se tornam adultos muito antes do tempo, e na maturidade se perdem querendo voltar a ser criança. Ou tão mimadas que não conseguem crescer.
Lares, em que a criança só pode viver se seguir as regras da casa ou ao contrário ela faz as regras da família.
O desequilíbrio é fantástico, e tudo feito em nome do amor, (aquele que causa dor).
Assisto a pais querendo que o filho faça tudo o que eles não tiveram a capacidade de fazer e quando o filho não consegue, lá vem uma saraivada de palavras assassinas de caráter. Ou quando pais bem sucedidos, querem dar ao filho tudo que eles (pais) não tiveram, sem contudo, dar ao filho a responsabilidade e a beleza de lutar por tudo que quiser possuir . E lá se vão presentes e mais presentes sem que o garoto faça qualquer esforço para ter. O que esta criança vai pensar quando crescer? Alguns matam os pais...
Percebo jovens falarem tão mal de seus pais e prometerem que nunca serão como eles, para depois, como mãe ou pai repetirem as mesmas agonias que lhe foram impostas.
Por amor, alguns pais, muito ocupados em dar conforto para o filho, mal têm tempo para olhar para eles, ajudar nos trabalhos de casa, conversar com eles ou dar um simples carinho, e somente por culpa os enchem de presentes como se estes tivessem a capacidade de substituir o (amor) não recebido.

Nestes últimos 5 anos a juventude perdeu os ídolos caseiros e os trocou por guitarristas drogados, pagodeiros traficantes, funkeiros assassinos. Que exemplo que estas pessoas podem dar?
Isto não é novo, mas agravou-se.
Não vou citar nomes, mas tenho certeza que todos sabem bem as pessoas que me refiro. A maioria dos ídolos que temos foram ou são pessoas problemáticas que só são ou foram capazes de viver sob o foco do palco.
A grande maioria morreu de overdose e passou a vida enfiadas em vários processos criminais.
Estas são as pessoas que escolhemos para idolatrar.
Se esta piora vem acontecendo de 5 anos para cá, segundo análise estatística da Universidade de Oxford, é por que o número de avós que, antes da internet e das confrarias da terceira idade, era o esteio moral da família. Esta avó largou tudo para viver amores irresponsáveis em salas de chat ou em salões de clubes falidos tornando-se pessoas ridículas, inseguras e dependentes de palavras que precisa ouvir. Algumas senhoras de 60 anos com muitos nicks eróticos e pouca cepa ,egoisticamente admitem, que já criou seus filhos e que agora o problema são deles.

Graças a Deus não são todas.

Uma fuga fácil, mas penosa tanto para ela como para aqueles que a cercam. O verso da moeda, também esta para aquele filho que prefere que a velha mãe (para ele, agora inútil) passe madrugadas sob a luz de um abajur olhando fixamente para a tela de seu computador vivendo as falsas emoções que são lhe imputadas por falsos Nicks, falsos amores ideais, falsos poetas, personalidades de contos de fadas. A encher o saco deles.
Na maioria são seres "incompreendidos" ou até incompreensíveis que procuram a metade de sua laranja e se procuram uma metade é simplesmente por não se considerarem inteiros. Apenas carência, fuga, numa procura em vão de seu ideal perdido. Logicamente não se pode culpar a internet, ela apenas permitiu que a carência de vida real, latente nestas pessoas, ganhassem uma válvula de escape, e os nicks tornaram-se mais importantes que os nomes.

Vivemos a modernidade, colaboramos com ela, mas será que estamos satisfeitos com o que conseguimos?

Já perguntei a mães na fila de presídios para levarem um conforto aos filhos lá aprisionados, como ela se sentia em estar ali. A maioria me respondeu: “eu dei a melhor educação, mas ele não quis seguir o bom caminho.” Culpa do Governo, culpa da sociedade, etc.
Ou seja, ela se eximiu de ter errado. O erro é do filho ou dos outros e ela por ser mãe (arrependimento mudo), leva um bolinho, um celularzinho ou um revolvinho para o coitado.

Amor de mãe é raro, às vezes não o achamos nem uma vez.

Este Néctar da salvação esta e sempre esteve a nosso alcance só que tivemos e temos medo de mudar nosso conceito de vida.
Outro dia recebi uma frase que dizia que o verdadeiro amor é o AMOR de Cristo... é desestimulante ver isto, para mim é o suicídio de todo o amor real que podemos doar a nossos semelhantes. Em sua grandeza, este mesmo Cristo abominaria esta idéia, mas enfim, os covardes são fantasticamente privilegiados em encontrar esconderijos para suas personalidades medrosas.

Podemos parar de mentir para nós mesmo e positivamente ser feliz, sem que esta felicidade seja uma brutal exigência diária.
Podemos amar, mas com responsabilidade e respeito.


Rio 03 de Dezembro de 2002

Jorge Reigada

SER POETA



Ser escritor, contista, cronista, romancista,

Narrador. Talvez seja fácil. Quem sabe...

É só tentar ordenhar da mente os fatos

Que não seja verdade, vá lá, porém, realista.



Ser escritor é brincar com as palavras.

É andar com o personagem num andor.

Às vezes breve do contista ou lógico do cronista,

Épicos do romancista ou simples do narrador.



Ser escritor é chorar pelo não vivido.

É amar o inexistente, mas, sofrer de corpo presente

Em frases, páginas ou livros que verdadeiramente

De real, só tem palavras e um sentimento contido.



Ser escritor é criar de forma incessante

história marcante daquilo que não se passou.

Criar frases não ditas, que escritas, quantas vezes,

se tornam malditas, revelando o que tanto calou.



Ser escritor é andar por frases e letras.

É se esconder por trás de uma vírgula ou ponto.

Na espreita do olhar do leitor. Ah! Que alegria

Quando vem o riso, um suspiro, um espanto.



Ser escritor é querer ser compreendido.

Já que perdido, só nas palavras se encontrou.

Ser escritor é ser das letras um atleta

Ser escritor até que fácil. O difícil e ser poeta.



Gostaria de ser poeta. Poeta mesmo, convicto.

Rimar alegrias, tristezas, decadências e mito.

Fazer das trovas uma paixão e do verso a emoção

Criar sonetos, quadras versos, oitavas e sextetos.



Mas como ser poeta? É tão difícil!

É preciso energia. Uma pitada de loucura, um pouco de nada...

A força da vida, a precisão de um míssil,

A leveza da alma, o peso de um sonho e a ternura da amada.





Ah! Ser Poeta.... Ser poeta é profecia, ou o oposto?

Raro em rimas de alegria. Rico em tramas de desgosto.

Simetria, postura do verbo, dimensões.

E ainda ter harmonia nas fleugmáticas explosões.



Ser poeta é ter um pouco de Dédalo.

Minotauro escrevendo em labirinto imaginário

Só que às vezes tropeça, lhe falta a rima..

Ufa, não minto. São horas de dicionário!



Talvez o poeta nunca tenha amado alguém,

A não ser sua própria criação, seu palavreado.

Seu amor, seu sonho, sua dor é real, porém,

Só nas palavras é que pode ser falado.



No fundo, ser poeta é uma doença incurável.

É um lamentar eterno em rimas contidas.

É a loucura de medir o incomensurável.

Ou viver, em um só corpo, varias vidas.



Um poeta é antes de tudo organizado.

Sua dor só é posta no quadrado.

Seu amor em trovas apresentado.

Seu coração, talvez eu oitavas seja notado.



Mas, para ser poeta, quantas rimas são precisas?

Quantos sonhos apaixonados?

Quantas noites mal dormidas?

Quantos amores pisoteados?



Mas, juro, que como da flor a mitose,

O poeta é um mutante, um viajante de partida.

Um viciado, que em overdose de neurose.

Transforma o nada na exaltação da vida.





31 de maio de 1989

Jorge Reigada

"Sou mais que meus erros, e superior a meus acertos"

Jorge Reigada

Que parte da arte me parte,
que encanto possui meu triste canto,
Que canto em mim me esconde em pranto.
Impossível, isto está à parte da minha arte.

Impresso, nos olhos, expresso no mito,
qual fortaleza pode ter um grito,
que tenha mais pdoer de quem silência?
quando na alma a tristeza evidência.

Partes, mas não me partes.Uma página lida
Como um canteiro, sou criatura viva, brida
Morre uma flor, nascem botões resistentes.
Revolver a terra, e soltar as sementes.

Não há poesia nos sonhos meus.
Nem melancolia,na frase sentida.
Apenas algém de partida.
Adeus..

01 de março de 2003

Jorge Reigada
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