Coleção pessoal de kanitz

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Já não conto mais os anos,
estou atento aos minutos,
às horas, aos dias e noites,
da aurora às vezes,
até o pôr do sol,
do latido de cachorros
ao chilreio de pássaros
às formas das nuvens,
o cheiro da grama,
o perfume das flores,
da casca das árvores,
de colher amoras no pé,
Atento à vida,
como não a via há muito.
E estou gostando muito de tudo isso.

Adroaldo Bauer
Beijo, amiga.

Adroaldo Bauer

Sofro mais um dia sem ti

Hoje, já por mais um dia
A lua apareceu tão nua
E ninguém bateu à porta

Sem campainhas. Os cães
ameaçam ou festejam as
visitas nem. Não ladram...

As festas que te faziam
As horas de rebuliço, os
pássaros em chilrreio, as
auroras perdidas sob os
lençóis. Tudo é silêncio.

Silencio sem mais aquela
Sem tua leveza tão bela.
Ser sequer teu perfume,
desvanecido no tempo já

Dizer o quê? Nova jornada
é fechada, inda não estás.
Ausente de mim és, querida
meu amor inda é dor só, e
dizer que, de tanto assim?

Dizer nada, que não magoe
ainda mais a dorida passada
dos noites e dias, o distanciar
mais, cada vez muito mais de ti.

Rompem-se já as últimas fibras
enlaçadas na carne endurecida
do meu peito, que afrouxara
ante a visão do éden ao lado
teu, minha tão sempre amada.

É tarde, tão tarde, soa o alarme!

Adroaldo Bauer

Quando se ama

Saiba eu, e pouco sei,
importa que se ame,
entrega de alma e corpo

O demais é conseqüência
Se insânia, se perdição,
se lembranças, saudades

Se um desejo tão louco
de uma urgente vingança
Se noites de muita aflição

tudo, porque houve amor.
E pode, ocorre muita vez,
que haja prazer, carinho

luzes, flores, sutis aromas
deliciosas manhãs, amáveis
céus estelados em noites
à beira amar. Só por amar

Adroaldo Bauer

Desejo

E se o corpo pede
Podendo
a alma não negará


sê feliz, tenha prazer!

Com muito amor
Eu te desejo
Uma bela noite
De sono
sonhos bons
Uma semana feliz
Com muito prazer

Adroaldo Bauer

Passageiros

Na ida e na volta,
passageiro
Aos trancos e barrancos
aos solavancos
Chega-se ao terminal
Para o repouso diário
Para o repouso final.
É a vida passageira

Adroaldo Bauer

O cobrador

terceira pessoa,
nem guia, nem fiscaliza
cruzava a pé massas diárias
feito nadador de águas bravias
sentou-se à catraca
há algum tempo,
ainda fazendo
e faltando troco

Ou já faz uma vida,
um fim de linha
e não me dei por conta

Adroaldo Bauer

Banquinho da frente

Sou de um tempo
inda menino, do tri-legal
o banquinho da frente
disputado como
rainha de quermesse
às vezes dois.
O Máximo!
Só eu e a janela
vitrine às avessas
do mundo passageiro

Adroaldo Bauer

sê feliz, tenha prazer!

Com muito amor
Eu te desejo
Uma bela noite
De sono
sonhos bons
Uma semana feliz
Com muito prazer.

Quando se ama

Saiba eu, e pouco sei,
importa que se ame,
entrega de alma e corpo

O demais é conseqüência
Se insânia, se perdição,
se lembranças, saudades

Se um desejo tão louco
de uma urgente vingança
Se noites de muita aflição

tudo, porque houve amor.
E pode, ocorre muita vez,
que haja prazer, carinho

luzes, flores, sutis aromas
deliciosas manhãs, amáveis
céus estelados em noites
à beira amar. Só por amar.

Adroaldo Bauer

Te amo!

Adorável esse lugarzinho em ti em que me encontro por teu querer.
Amei à primeira vista conhecer assim o teu interior, teu tanto amor.
Quero sempre poder corresponder às tuas tão carinhosas atenções.
Digo alto, vibrante e comovido, então, que assim quero sempre ser.

Adroaldo Bauer

Música também é poesia....

Minha menina

Wagner José e Seu Bando
Composição: Wagner José

Podemos pensar que é um sonho
O fato de estarmos assim tão juntos
Mas a única coisa que te proponho
É ser a minha menina

Enquanto eu... for a sua estrela
Enquanto eu... puder ver o brilho nos seus olhos

Viajar em seus beijos e carinhos
Tornou-se o meu vício preferido
Você que decide o seu caminho
E se quiser pode vir comigo

Pra ser minha menina vamos ter que acertar
Faremos um pacto que não pode se quebrar
Eu tenho que lhe dar
O dobro do bem que voçe me faz

Youtube

Wagner José e seu Bando

PRECISO Nº 2


Preciso sentir os odores do tempo.
Deixar entrar em meus pulmões
os cheiros de amor e ódio,
os aromas do amor perdido,
ou mesmo, quem o poderá saber,
um certo perfume que pensei esquecido,
não sei se Avon ou Coty,
da época em que me descobri em ti.

Preciso tocar o mundo
para além de quaisquer referências,
assim, de olhos bem fechados,
como vêem os cegos,
no silêncio de seu mundo interior,
repleto de imagens e cores,
a nós, que dizemos ver, invisíveis,
por não termos o espírito apurado.

Preciso ver, ouvir, cheirar, provar, tocar. . .
Descobrir a unicidade que em mim se esconde.
Deixar florescer esses sentidos adormecidos,
que me aguardam atentos e silentes,
até que eu abra as comportas da mente,
até que eu fuja desse paralisante mesmice,
até que eu não mais tema a inevitável verdade,
até que eu, finalmente, aprenda o verdadeiro sentido de Amar.

- por JL Santos -

JL Santos

Boa-noite.

Surtei.
Saí de mim,
ou, quem sabe, entrei?!
Nunca me senti assim:
fora do corpo e da vida.
Garganta seca.
Visão distorcida.
Pernas trôpegas.
Consciência inquieta.

E agora?
busco medicação?
mediação?
exorcismo?
terapia?
acunpultura?
meditação?
zen-budismo?
internação?

Surtei.
E de nada adianta
camisa-de-força,
nem forca,
cela-surda,
gardenal.
Que o caso é mais complexo.
Não só de sexo,
em sua origem,
como se diria freudianamente.
O troço é na mente.
É na ponta do dedo,
que me aponta.
É na semente,
que medrou degenerada.
É na realidade
que se mostra
bêbada e tonta.
É nos meus olhos,
secos e frios,
a captar tanta imagem
obscura.

E agora?
Onde redescobrir a normalidade?
Em que cidade?
Em que beco ela se esconde?
Em que viela desse meu lugar?
Será que tem nome?
Bons ou maus
antecedentes criminais?
Sexo, CPF, anotação no SPC?
Ou ela não tem endereço fixo?
Mora debaixo das marquises?
Dorme sobre folhas de jornais?
Será, que uma vez perdida,
não se volta a encontrar?
Jamais?!

- JL, 28/07/08 -

Jl Santos

RUA PERDIDA DA MINHA INFÂNCIA
.

A rua da minha infância era de barro,
depois calçaram-na com paralelepípedos;
o futuro, porém, poupou-me de ver a tristeza do asfalto.
Nela joguei bola,
sentei-me no meio-fio,
para conversar com os amigos
e ver as moças,
com suas mini-saias,
descuidadas,
descerem dos lotações.
Eram tempos remotos,
de andar sem lenço
e sem documento,
de ver a banda passar,
de zumbidos de besouros ingleses,
de estrondos de pedras rolantes
e de bombas de napalm,
de descobrir a praia oculta
debaixo das pedras,
caminhando pela avenida,
ao sabor da canção,
de braços dados,
aos milhares,
exigindo o impossível:
o amor em vez da guerra.
Por ela assoviei nas madrugadas,
meio de porre,
voltando dos bailes,
nos quais, por não saber dançar,
sempre terminava sozinho.
A rua perdida da minha infância,
apesar de nela não mais morar,
continua sendo o endereço
da maior parte das minhas melhores lembranças.

- por JL Santos, em 24/25/jun/2008 -

JL Santos

Remédio para frio na alma.

Pra um tanto frio assim na alma, cobertor algum adianta.
Importa mais se o esqueça. Não aquenta.
Melhor se invente novo amor já, calor assegurado, mais perfeito,
Conforto do coração, sanidade da cabeça.
Melhor remédio inexiste, nem se fica mais um tempo triste.
Amar é um estado quase de graça.
Desamor que aconteça, o remédio é novo amor.
Não é mero placebo. É fato provado, abismado percebo.

20. 07.2008

Adroaldo Bauer

Ainda semi-aberta
sai-me da alma
em fluxo, reta
no teu encalço
toda energia
que tua aura
em mim desata

Adroaldo Bauer

Dificuldades são obstáculos que foram criados para serem vencidos

Marcia Ruth Kanitz

Impressões

Apura o ouvido menina,
É sexta-feira
E ventania se anuncia

Apura os sentidos mulher
que há respostas por vir
sim, o porvir com o vento

É certo que os sentidos
estão ainda aprisionados
pelo mesmo, pela rotina

É e também muito certo
que só um vento há
do sul, ainda que ao norte vá
o demais, respostas, rebojo
sentido que diga aos sentidos
sentido a indicar direção
é só o amor que nos dirá
e não será em vão sentido

Adroaldo Bauer

Adroaldo Bauer:
Os sons dos teus silêncios

Hei de ferir os nossos vários silêncios
Ainda que enclausurada estejas
A friagem do tempo te atormente
e fragileze a tua sofrida alma

Não estarás só, querida, amada
Velo por ti, onde eu esteja, onde estejas
Envio-te ondas efusivas de luz
Para um inverno breve tornado flores

As mais rubras rosas andaluzes
a florescer no verde dos teus olhos
não mais segredos, posto que me amas
Sendo fibra e ternura os sentimentos
de teus desejos, textura de amores

Adroaldo Bauer

As velhas histórias criam não um rosto, mas a história de cada um

Jorge Reigada

Somos todos co-autores das intricadas tramas daquilo que chamamos de destino

Jorge reigada

Aprenda com os perdedores só não siga seus caminhos

Jorge Reigada

Lembrança vem de fotos.
Saudade é a maior parte da gente.

Jorge Reigada

Por ti, não morri

Escarlate, ouro e rubi
o riso aberto um tesouro
Meu coração inda estropiado
Te ergue uma taça rubra
em honra, glórias e elegias
a teus poemas, à tua poesia
És tu por quem revivi

Adroaldo Bauer

Deste lado do umbral, ainda...

Estas cores fortes as vi à frente,
um infindo horizonte ao norte
mas voava, não sentia os pés
nem tapetes haviam
que eram nuvens de escuro azul,
de azuis-claros de azuis pastéis, de cruéis azuis
pedi um beijo à amada, já bêbado em anestésico
para atravessar em paz o umbral sem dores
negou-me, astuta solerte, até risonha
repeti que seria assim feliz demais
ela sorriu inda mais, disse-me para ficar
feliz junto a ela e tudo eram rosas já
E mais e mais amores, quiçá


Adroaldo Bauer Corrêa
No décimo-segundo dia após.

Adroaldo Bauer

A paixão no poema

O poema faz o que o poeta não consegue
Da amada por quem ama sopra no ouvido
a poesia lembrado, esquecido, ido, sumido,
Dá o coração, a alma, o amor, a dor, a flor.

Adroaldo Bauer
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