Coleção pessoal de cajueiro
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Teu.. Meu.. Nosso..
Teu cheiro
Meu cheiro
Nosso cheiro...
Meu jeito
Teu jeito
Nosso jeito...
Meu corpo
Teu corpo
Nosso corpo...
Teu beijo
Meu beijo
Nosso Beijo...
Tua Luz
Minha Luz
Nossa Luz...
Meu olhar
Teu olhar
Nosso olhar..
Um encontro
Nós dois..
Esse amor.
Márcia Ruth Kanitz
IDAS E VINDAS
Nasci em Boa Vista, Poço Redondo, lugar bonito de se ver.
Com ajuda de alguns amigos que encontrei no meu caminho, só fiz crescer.
Passei por várias culturas onde aprendi, ensinei e tenho muito ainda o que conquistar, mesmo sabendo que vou terminar nas águas do Mar...
Contarei um pouco da minha história de lá pra cá.
Perdoe-me se eu esquecer de algum fato ou lugar.
Não esqueço dos Índios pescando e se banhando
Em uma simplicidade que hoje não há.
Eles me tratavam com zelo e faziam de tudo
Para não me machucar. Aí, sim, que era respeitar.
Com a chegada dos invasores, tudo mudou!
Chegaram influenciando, matando prendendo e desrespeitando a mata ciliar.
Coitados dos Índios que foram dizimados de lá pra cá. Deixa pra lá! Não vamos comentar!
Depois de alguns anos que Dom Pedro aqui passou,
A poluição nas minhas veias acelerou.
Até um avião nas minhas águas deslizou.
Vieram o comércio e as fábricas. Daí sim senhor...
Que a poluição galopou...
Fizeram sobre mim uma bela ponte não posso negar!
Mas não lembraram que eu estou doente
E preciso me tratar.
Por mim não passaram só coisas ruins
Houve muitas alegrias, amores e paixões
Que ainda hoje batem vários corações...
SABEM QUEM EU SOU?
EU SOU A VIDA,
E SUSTENTO VIDAS!!
Sou o Rio Sergipe de muitas idas e vindas
Sofro igual a uma criança jogada ao chão
Mesmo assim, pra você abro.
Os meus braços e o meu coração!
Autor: DALMO GOMES
Dalmo Gomes
Lírio Perfumado
A flor ao Sol raiar acorda
Quando o Sol bate em suas pétalas
Seu rastro fica luminoso
Tamanha é sua beleza
Ao pôr do Sol,
Ela adormece
Foi em uma noite
De Lua cheia
O vento ao tocar em ti
Trouxe-me o teu perfume
Que me fez lembrar
Do dia em que te vi
Esta flor de pele macia,
Cabelos longos
De boca e olhos atraentes,
Que encantam
Até os olhos
Do luar.
Dalmo Gomes
Declaração de amor de sempre
Declaro para os devidos fins
E a quem interessar posses:
Nunca fui na verdade nem mesmo antes
Desde o tempo que se dizia quartel de abrantes
Um desses poetas que cultivam a paixão
O amor maior que sempre tive foi pela palavra
Dela e apenas dela tenho sido fiel amante
Quase todo poema de amor é uma canção de ausência
Busca suprir a falta que sente um coração
Em relação à pessoa amada
Por isso falo tão pouco de amor
Porque meu objeto de amar está sempre
Sempre simples e presente
Ao alcance da voz num ligeiro sussurrar
Perto bem perto de mim e de meu olhar
Talvez por um triz
Eu pudesse juntar aqui e acolá
Uma estrela nova um jardim um luar
Enfeitar de seda uma mulher doce e gentil
Cobrir seu colo com conchas do mar
Seria fácil
Como seria fácil e tátil e dócil
Tomar nas mãos o suave orifício de seu ventre
E com os meus lábios dar-lhe um beijo solar
Mas a quem enganaria com essa mulher de quimera
Desenhada num inverno que se finge de primavera?
O leitor cruel e atento
Passado o breve momento
Feito de encanto e perfume
Logo notaria em algum vaciloo embuste.
Não é de mulher que esse homem fala
Seu amor é pela palavra que nunca nele se cala.
Jorge Reigada
" Só pode enxergar a beleza quem já a possui na alma.."
Jorge Reigada
ESTAREI SEMPRE DE PARTIDA
Jorge Reigada
Porque devo parar no tempo, na vida
Porque deixar de continuar um ser andante
E me estagnar largando o rio errante
Se meu destino final é o mar da despedida?
Portanto, eu quero e estarei sempre de partida
Neste eterno caminho de ida que é a vida.
Que já me deu uma enorme caixa de recordações
Onde guardei frustrações, realizações, paixões...
Futuro? Não sei! Uma folha em aberto
Só tenho de certo o instante. Eu sou um mutante.
Vivo na alegria da surpresa, ideal descoberto
Depois que o medo me petrificou no instante.
Vivas ao novo... Rompi esta casca do ovo
Que não me protegia apenas me tolhia, cegava.
A vida passando enquanto eu esperava
E aguardava o que, a morte? Me livrei do estorvo.
Que me venha o futuro. Que seja eu surpreendido
Pois, minha força esta na forja do meu passado
Já conhecido, vivido, revivido, caminhado e adornado
Com flores murchas pelo tempo já saudado.
Que me venha a surpresa. Ruim ou boa
Que pela vida me cubram o sol ou a garoa.
O brilho iluminará minha parte mais profunda.
E a chuva tornará minha alma mais fecunda.
Rio de Janeiro, 28 de maio de 2006
Jorge Reigada
REI NORDESTINO
De dentro da Terra
Jorro aos poucos quando criança
Com o passar do tempo
Fui andando e fui crescendo
Hoje tenho a responsabilidade
De sustentar a mim e
A milhares de famílias por onde passo
Conheço vários lugares
E os lugares me conhecem
Tem lugar em que eu sou maior
Do que em outro
Mas mesmo assim
Não deixo de ser importante
Porque sou a vida
E sustento vidas!!!
Hoje estou fraco
Devido às maçadas
De algumas pessoas
E aí está a transposição
Para acabar com quem vos fala
Eu sou são Francisco ou Velho Chico
Ao seu dispor
Não sei até quando....
Dalmo Gomes.
O papel da lua
Lua mãe dos desamparados,
amiga dos aflitos,irmã do sol,
doce e suave..
incomensurável em sua candura.
Entreguei-me em seus braços
E tu, resplandecente
transpassastes, meus desejos
mais secretos...
rompeste,a escuridão sombria e turva
que há séculos habitava meu ser.
Com braços esguios,enlaçaste
o meu espiríto..
que há muito rondava os oráculos
a procura de ti..
Tormento,tentação,
elucidação,devaneios..
Arrebatados em seus seios..
Loucura e perdição.
Teu desejo, não é o desjeo da lua!
Que atua,cultua,
ilumina, afaga
E fascinada roda a roda da vida
E toca nossa valsa..
Amamenta seus filhos, com um doce
mergulho em seus rios..
Caudalosos, reluzentes e luminosos.
Lambe-lhes a pele com língua de fogo
e transmuta todas as incertezas
Em verdades absolutas..
Leva nossos sentimentos as cavernas
calmas e seguras.
E retorna em nós..
Calma, clara, doce
e tranquila...
A lua.
Marcia ruth Kanitz