Coleção pessoal de agf

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A raposa e as uvas

Morta de fome, uma raposa foi até um vinhedo sabendo que ia encontrar muita uva. A safra tinha sido excelente. Ao ver a parreira carregada de cachos enormes, a raposa lambeu os beiços. Só que sua alegria durou pouco: por mais que tentasse, não conseguia alcançar as uvas. Por fim, cansada de tantos esforços inúteis, resolveu ir embora, dizendo:

- Por mim, quem quiser essas uvas pode levar. Estão verdes, estão azedas, não me servem. Se alguém me desse essas uvas eu não comeria.

Moral: Desprezar o que não se consegue conquistar é fácil.

Esopo

Dizem que a vingança é doce; à abelha custa-lhe a vida.

Carmen Sylva

O arrependimento esquece quando cessa o castigo.

Condessa Dash

Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere ao menos dez dos teus.

A. Lincoln

Sorte é estar preparado para a oportunidade quando ela aparece.

Disrael

raios!
alguém rasgou
o terno azul da tarde

Alonso Alvarez

Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados
por sua personalidade, não pela cor de sua pele.

Martin Luther King

O grande prazer que nos dá falarmos de nós próprios deve fazer-nos recear não darmos nenhum aos que nos ouvem.

François La Rochefoucauld

são areias brancas
o terreiro de iemanjá
saias rendadas brancas

Pedro Xisto

Ainda que morrendo
o canto das cigarras
nada revela!

Matsuo Bashô

Solidão de outubro:
folhas varridas no vento
levam meu recado.

Anibal Beça

Não Olhe para os Lados

Seja um poema, uma tela ou o que for, não procure ser diferente.
O segredo único está em ser indiferente.

(In: A Vaca e o Hipogrifo)

Mario Quintana

O único hábito que se deve permitir a uma criança é o de não adquirir nenhum.

Jean Jacques Rousseau

Madrugada fria.
A lua no fim da rua
vê nascer o dia.

Ronaldo Bomfim

A alma reina seja onde for: do fundo das masmorras pode elevar-se até ao céu.

Napoleão Bonaparte

Não se pode exprimir com palavras / a passagem do estado humano ao divino....

Dante Alighieri

mosca na sopa
xilique no boteco
cliente louca

Carlos Seabra

Como cento e quarenta sóis o sol-pôr resplandece,
Julho bem entrado,
um calor
pesado
na dacha.
Curvava-se o cabeço de Púshkino
para o morro de Akúlov,
e no sopé da colina –
uma aldeia
torcendo-se em telhados de casca.
E atrás da aldeia –
um buraco,
e a esse buraco, certamente,
descia o sol todas as tardes,
lentamente.
E no dia seguinte
de novo
a inundar o mundo
erguia-se vermelho.
E dia após dia
terrivelmente a irritar-
-me
lá estava
ele.
E assim enfurecendo-me um dia,
de raiva fiquei pálido
e gritei:
"Vai-te!
Chega de preguiçar no Inferno!"
E prossegui:
"Parasita!
Entre as nuvens sem fazer nada
e eu aqui – há tanto tempo
sentado a desenhar cartazes!"
E ainda:
"Espera!
Escuta, ó cabeça doirada,
porque não deixas essa vida,
e não vens até minha casa
tomar chá?"
O que eu fiz!
Estou tramado!
Para minha casa,
como um boi manso,
estendendo os raios-passos
andou o sol nos campos.
Não quero mostrar receio –
e retirar-me de costas.
Mas já estão no quintal os seus olhos.
Já anda no meu quintal.
Pela janela,
pela porta,
pelas gretas
escorre a massa do sol,
tudo invade;
e tomando alento,
começou a falar:
"Afasto-me do fogo
pela primeira vez desde a criação.
Chamaste-me?
Então vamos ao chá,
ao chá, poeta, com geleia!"
Eu estava com lágrimas nos olhos –
meio louco de calor
mas apontei-lhe o samovar:
"Então,
senta-te, astro!"
O diabo tirou da manga a minha audácia
de lhe gritar –
desconcertado,
sentei-me no meu canto,
temendo o pior!
Mas os estranhos raios do sol
Correram, -
e a minha tensão
esquecendo,
sentei-me, a conversar
com o astro calmamente.
Falei disto,
daquilo,
da horrível ROSTA,
mas o sol:
"Muito bem,
não te zangues,
encara as coisas com simplicidade!
E eu, julgas
que brilhar
é fácil?
Experimenta!
A mim
disseram-me que fosse brilhar,
e eu brilho com toda a gana!"
Demos assim à língua até ao escurecer –
isto é, até à noite passada.
Que escuridão esta!
Em "ti"
há eu e tu, coragem.
E não tardámos
a ficar amigos.
Bato-lhe no ombro.
E o sol também:
"Tu e eu
somos camaradas!
Vamos, poeta,
olhemos,
cantemos
neste mundo tão chato.
Eu ponho a minha luz solar,
e tu – a tua
em versos."
As paredes de trevas,
as prisões da noite,
sobre a terra serão esmagadas pelos nossos dois ataques.
A desordem de versos e de luz –
brilha naquilo que atinge!
Cansa-se então,
e quer
dormir,
esquecer no sono.
De repente – eu
com toda a força brilho –
e de novo o dia nasce.
Brilhar sempre,
brilhar em toda a parte,
até ao dia em que a fonte da vida se esgote,
brilhar –
e é tudo!
É o nosso lema – meu
e do sol!

Vladimir Mayakovsky

COMUMENTE É ASSIM

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.

Vladimir Mayakovsky

Dedução

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Mayakovsky

Hino ao crítico

Da paixão de um cocheiro e de uma lavadeira
Tagarela, nasceu um rebento raquítico.
Filho não é bagulho, não se atira na lixeira.
A mãe chorou e o batizou: crítico.

O pai, recordando sua progenitura,
Vivia a contestar os maternais direitos.
Com tais boas maneiras e tal compostura
Defendia o menino do pendor à sarjeta.

Assim como o vigia cantava a cozinheira,
A mãe cantava, a lavar calça e calção.
Dela o garoto herdou o cheiro de sujeira
E a arte de penetrar fácil e sem sabão.

Quando cresceu, do tamanho de um bastão,
Sardas na cara como um prato de cogumelos,
Lançaram-no, com um leve golpe de joelho,
À rua, para tornar-se um cidadão.

Será preciso muito para ele sair da fralda?
Um pedaço de pano, calças e um embornal.
Com o nariz grácil como um vintém por lauda
Ele cheirou o céu afável do jornal.

E em certa propriedade um certo magnata
Ouviu uma batida suavíssima na aldrava,
E logo o crítico, da teta das palavras
Ordenhou as calças, o pão e uma gravata.

Já vestido e calçado, é fácil fazer pouco
Dos jogos rebuscados dos jovens que pesquisam,
E pensar: quanto a estes, ao menos, é preciso
Mordiscar-lhes de leve os tornozelos loucos.

Mas se se infiltra na rede jornalística
Algo sobre a grandeza de Puchkin ou Dante,
Parece que apodrece ante a nossa vista
Um enorme lacaio, balofo e bajulante.

Quando, por fim, no jubileu do centenário,
Acordares em meio ao fumo funerário,
Verás brilhar na cigarreira-souvenir o
Seu nome em caixa alta, mais alvo do que um lírio.

Escritores, há muitos. Juntem um milhar.
E ergamos em Nice um asilo para os críticos.
Vocês pensam que é mole viver a enxaguar
A nossa roupa branca nos artigos?

Vladimir Mayakovsky

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.

Miguel Cervantes

A personalidade dos grandes homens faz-se das suas incompreensões.

André Gide

Ao longo da estrada:
"A próxima descida trará
Mais quaresmeiras em flor!"

Paulo Franchetti

Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.

Etsujin
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