Coleção pessoal de tassio

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DOR FÍSICA X DOR EMOCIONAL
26 de outubro de 1998

O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.

Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.

Martha Medeiros

De cara lavada - 177





hoje me desfiz dos meus bens
vendi o sofá cujo tecido desenhei
e a mesa de jantar onde fizemos planos

o quadro que fica atrás do bar
rifei junto com algumas quinquilharias
da época em que nos juntamos

a tevê e o aparelho de som
foram adquiridos pela vizinha
testemunha do quanto erramos

a cama doei para um asilo
sem olhar pra trás e lembrar
do que ali inventamos

aquele cinzeiro de cobre
foi de brinde com os cristais
e as plantas que não regamos

coube tudo num caminhão de mudança
até a dor que não soubemos curar
mas que um dia vamos

Martha Medeiros

Desconstruções


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé

Martha Medeiros

Strip-Tease

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

Martha Medeiros

Não quero ser mais um a te ligar
Mais um número a chamar
Esperando a tua voz
Eu não vou te procurar
Com toda siceridade;
Os teus beijos vão deixar
Saudade...

desconheço

"Quando tinha 14 anos, esperava ter uma namorada algum dia.

Quando tinha 16 anos tive uma namorada, mas não tinha paixão. Então percebi que precisava de uma mulher apaixonada, com vontade de viver.

Na faculdade saí com uma mulher apaixonada, mas era emocional demais. Tudo era terrível, era a rainha dos problemas, chorava o tempo todo e ameaçava de se suicidar. Descobri que precisava uma mulher estável.

Quando tinha 25 encontrei uma mulher bem estável, mas chata. Era totalmente previsível e nunca nada a excitava. A vida tornou-se tão monótona que decidi que precisava de uma mulher mais excitante.

Aos 28 encontrei uma mulher excitante, mas não consegui acompanhá-la. Ia de um lado para o outro sem se deter em lugar nenhum. Fazia coisas impetuosas, paquerava com qualquer um e que me fez sentir tão miserável quanto feliz.

No começo foi divertido e eletrizante, mas sem futuro. Decidi buscar uma mulher com alguma ambição.

Quando cheguei nos 31, encontrei uma mulher inteligente, ambiciosa e com os pés no chão. Casei-me com ela. Era tão ambiciosa que pediu o divórcio e ficou com tudo o que eu tinha.

Hoje, com 40 anos, gosto de mulheres com bunda grande... E só !!!!!!

Nada como a simplicidade..."

Desconhecido

O outono vai passar
As folhas caem no quintal
E eu a te esperar
O inverno logo vai chegar
Mais aqui no lado esquerdo do meu peito
O sol nunca parou de brilhar
E um dia eu sei que vou te encontrar
Porque eu te amo
E nada vai nos separar
É a primavera
Tudo brilha no teu olhar
Porque eu te amo
E nada vai nos separar
Que o Deus dos céus
Venha o nosso amor abençoar
Pode o céu nublar
E o inverno em fim chegar
Eu não vou parar de sonhar
Te olhar
Te tocar
desvendar teu coração

Você não quer ficar
A gente pode conversar
Andar por ai
Por onde o vento nos levar
Mas não vou se você sorrir pra mim
Não deixa o sol parar de brilhar
E um dia eu sei que vou te encontrar
Porque eu te amo
E nada vai nos separar
É a primavera
Tudo brilha no teu olhar
Porque eu te amo
E nada vai nos separar
E o Deus do céu
Venha o nosso amor abençoar
Pode o céu nublar
E o inverno em fim chegar
Eu não vou parar de sonhar
Te olhar
Te tocar
Desvendar teu coração

Vitor Lobo

Chove agora
e a lua foi embora do céu
já faz horas que você se foi
e aquele teu olhar
o segredo mais intimo de nós dois

o que não daria eu
para poder te contemplar
o que não daria eu
para poder te abraçar
nesse sonho de verão
eu te dei meu coração
seja mais que emoção
eu sempre vou te procurar
e no teu sorriso
no teu olhar me encontrar

me diz então o que vou fazer
sem ter você aqui
lágrimas não vão trazer
o teu calor de volta pra mim

e se a gente não se ver mais
para sempre vou te amar
pois que valor a vida terá
sem a sensação de amar?

o que não daria eu
para poder te contemplar
o que não daria eu
para poder te abraçar
nesse sonho de verão
que eu te dei meu coração
seja mais que emoção
eu sempre vou te procurar
e no teu sorriso
no teu olhar me encontrar
eu sempre vou te procurar
e no teu sorriso
no teu olhar me encontrar

Vitor Lobo

Fecho os olhos e me lembro de você
De tudo que a gente passou
Valeu apena te esperar assim
Pra encontrar um grande amor
Eu pude até atravesar os mares
E olhar alem das possibilidades
Duas vidas, um só coração
Ritmo acelerado, riso e satisfação
Sabe agora que eu tenho você
Vou te amar até...
morrer

Onde você estava em 2003?
E eu ja queria te encontrar
Duas vidas tão opostas que se cruzam num olhar
Quando eu te vi eu tive a certeza que era você
A pricesa do castelo de cristal
Duas vidas e um só coração
Ritmo acelerado, riso e satisfação
Sabe agora que eu tenho você
Vou te amar até...
vou te amar até...
morrer ie ie ie

Vitor Lobo

Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.

Martha Medeiros

É preciso ter um tempo longe daqui
Tempo de ficar só
De andar na areia e sumir
O amor verdadeiro não reage assim
Pode fazer melhor
Esconde o medo e sorri

Quem já nadou contra a corrente
Sabe usar o vento a favor
Só o momento é diferente
É a mesma ferramenta que usou

Eu não preciso mais fazer o que você diz
Dei valor ao meu suor
Ninguém decide por mim
Se eu agi errado me perdoe porque eu não quis
Amarrar outro nó
Que prende pra dividir

O que impede de andar pra frente
É a direção que escolheu
Se um abismo separa a gente
Quem fez a escavação não fui eu
Eu sei que gente que tem coragem não finge
Que nada disso aconteceu

Quando eu acordei era fim de tarde
Meu lado claro escureceu
(Um novo sol só de manhã)
Faz envelhecer tendo a mesma idade
De tanto que a alma sofreu
Eu sei que gente que tem coragem não finge

Rodolfo Abrantes

O amor realmente acaba?

Sempre formulei teses e participei de discussões acerca deste assunto que agora me proponho a escrever.
Confesso que por vezes me posicionei no sentido de que o amor realmente finda, valendo-me da alegação de que o amor precisava de constantes cuidados, caso contrário estava fadado ao fim.
É indubitável que o amor necessita ser alimentado diariamente para que continue intenso e imaculado, mas hoje chego à conclusão de que mesmo que este não seja mais alimentado, o amor não acaba.
Certa vez li uma crônica de Martha Medeiros, na qual ele afirma que “o amor não acaba, simplesmente sai do centro da nossa atenção” e que “preenche todos os nossos espaços, mas quando não interessa mais, transferimos para o quartinho dos fundos, mas nunca expulsamos de casa.”.
Esta autora está certíssima. A própria bíblia nos ensina que o amor é eterno e tudo suporta, tudo crê, tudo espera...
Paixão, desejo, admiração, obsessão... Tudo isso passa, mas o amor sempre permanece. Não importa o passar dos anos, as circunstâncias que apontam sempre para o rompimento definitivo da relação... o amor permanece vivo dentro de nós. Pode até não estar mais no centro das nossas atenções, mas certamente está adormecido, guardadinho em algum canto do nosso coração.
E o pior de tudo é quando esse sentimento resolve aparecer nas horas mais impróprias. Ah, como é terrível descobrir que um amor do “passado”, como assim o classificamos, esta prestes a contrair os laços do matrimônio. Alguns chegam a dizer que trata-se de dor-de-cotovelo. Pode até ser, mas se o que você sente é uma saudade repentina que desespera e tira o sono, certamente é o amor que esta tentando sair do quartinho dos fundos para voltar para a sala de estar.
Se o amor findasse, como seria possível estar com alguém e ser surpreendido por uma lembrança diante da fragrância de um perfume, de uma música qualquer ou ate mesmo do simples balançar das folhas de um coqueiro?
Não se engane, é o amor mostrando que ainda vive dentro de você, por mais que tudo em sua vida esteja hoje diferente, e inclusive você já esteja amando outra pessoa, aquele amor do passado ainda vive, só não esta mais no centro de sua atenção.
Mas o que fazer diante deste amor que já deveria ter findado?
Nada. Simplesmente esgote-o e, caso não consiga esgotá-lo, curta essa dor, a qual no fundo sempre esconde uma pontinha de prazer.
Aprenda a conviver com o amor, mesmo que este não seja correspondido, porque, acredite; ele é eterno no nosso peito...

Tássio

Há algum tempo, o tempo não passa.
Meus dias têm sido cheios do nada
E nada do que eu faço me livra dessa saudade
Minha fiel companheira
Que me remete até você a todo tempo
O tormento que a tua falta traz me assola
Tento não dar bola para as lágrimas
Lástimas de alguém que muito te ama
Que vive hoje o drama de estar longe do teu cheiro
A distância só faz instigar
O anseio de ter teu corpo junto ao meu
Te abraçar e beijar teu sorriso
Vivo, mas tudo parece cinza e sem cor
E a dor só vai embora
Na hora em que passamos juntos
Ah, mas como essa hora tem demorado a chegar
Faz cessar a saudade, princesa
Corre pros meus braços
E me passa a certeza
De que para sempre vou poder te amar

Tássio

"O tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."

( Martha Medeiros)

Não me conformei com tua sentença. Interpus todos os recursos cabíveis; apelei, contra-argumentei, embarguei teus dizeres, com vistas a te fazer rever essa decisão terminativa, mas não adiantou. Sequer analisaste o mérito. Na verdade, me garantiste simplesmente o contraditório formal, haja vista que tua decisão já estava tomada.
Transitou em julgado. Não há mais nada que eu possa fazer, a não ser executar o que ficou acordado, ou melhor, o que decidiste de forma arbitrária, desobedecendo os princípios aos quais estávamos submetidos.
Rompeste o pacto bilateral, sem observar as garantias reais que este apresentava no bojo de suas cláusulas implícitas.
Foi sem justa causa. Não me indenizaste, sequer me deste aviso prévio. Fui pego de surpresa pela tua atitude que deixou de observar o devido processo no qual figurávamos como partes, e tu, fizeste ainda o papel de órgão julgador, em uma única instância.
Ignoraste nossa ficha de antecedentes, e de forma eventualmente dolosa, assumiste os riscos do ato sem continuidade que praticaste, com a agravante que o fizeste como mera executora de um delito, cujo co-autor é intelectual e não adentrou nos atos executórios, mas foi o grande mandante deste ilícito contra o meu coração.
O pior de tudo é que, apesar de ter sido a vítima, eu ainda tive que arcar com todos os ônus e cumpro pena privativa de liberdade.
Liberdade dos meus pensamentos, sentimentos e sonhos.
Todos foram declarados ausentes e tiveram comoriência no exato momento em que você extinguiu o feito.
Quando cumprir a pena até o final, certamente entrarei com uma nova ação, e espero que a outra parte não me lembre o amor que ainda sinto por você.

Tássio

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.

Martha Medeiros

Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante.
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...

Mário Quintana

Eu queria não lembrar-te
Queria esquecer que um dia fui teu
E que tu foste minha
Queria apagar da memória os momentos que passamos
Nossas viagens, planos e sonhos
Queria acordar desse pesadelo
No qual te vejo dizendo adeus
Ao invés do sempre dito “até já”
Serás agora de outro
Um felizardo que colherá o que semeei eu
Teu corpo pertencerá a ouras mãos
Teu vestido será enlaçado por outra camisa
E teus olhos admirados por outros olhos que não os meus
Mas o que me resta fazer?
Se o ato sem continuidade foi praticado por ti
De maneira convicta, sem dor e sem pena
Eu sei, já se passou bastante tempo
Mas as chagas ainda permanecem abertas
E sangram, sempre que tocadas
Minha boca ainda deseja a tua
E meu corpo pede o teu
Resta chorar
Se a paz acabou
Findou aquele sonho lindo
Hoje a realidade é dura e cruel
Porque me deixaste
Porque te foste...

Tássio

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

Eu não sou poeta
Sou apenas um apaixonado
Que a vida ensinou a escrever
Para não viver engasgado

Rimando transformo a dor em canção
E da desilusão faço versos bonitos
Mitos de um amante abandonado
Condenado a viver longe de quem ama

Não sou um fingidor
Em versos descrevo o que sinto
E não minto ao falar da dor
Ou do amor ainda vivente

Não tente dar sentido para tudo o que escrevo
Sou contraditório, ambíguo e evasivo
Mas vivo aquilo o que rimo
E rimo sobre aquilo que vivo

Sou estranho para os tolos
Todos tentam entender
Mas não sabem que essa dor no fundo
Esconde uma pontinha de prazer

Tássio

Ontem
Revirando uma gaveta de repente
Dei de cara com a saudade em minha frente
Era uma fotografia, de perfil você me olhava
Pois é
Parecia já que adivinhava
Que não mais daria certo o nosso amor
Parecia que já presentia a dor
Pois no verso uma dedicatória, tráz
Que eu lhe tenha na memória
Sempre mais
A foto amarelou

E aquele amor que o tempo engavetou
Ao lado de um sachê
Me trouxe até você

Um filme que passou
Espero que você seja feliz, como eu sou
Um filme que passou
Feliz, mas sem você
Só hoje é que eu pude entender

Que ontem
Parece que foi ontém...

Jorge Aragão

O ar que se respira
Agora inspira a novos tempos
Os sonhos meus e os teus
Decoram o nosso apartamento
Lá fora a sorte em trama
Enquanto aqui reflete
A lua em nossa cama
E a vida segue assim
Tão docemente vista
Da sacada da varanda
Eterna, plena
Adormecida sobre as ondas
E eu vizinho de uma estrela
Adoro vê-la iluminando
O meu pedaço
Foi Deus quem me mandou
Seguir seus passos
Pensando bem
A lua tem seus traços
E o céu desaba em nosso corredor
Esse é o nosso amor

Lençol de fogo no frio
A porta aberta pro cio
Brincar de amor...

Jorge Aragão

Menina do anel, de lua e estrela
Raio de sol, no céu da cidade
Brilho da lua, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
Manhã chegando, luzes morrendo
Nesse espelho, que é nossa cidade
Quem é você? Qual o seu nome?
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixa ao acaso
Quem sabe eu te encontro, de noite no baixo
Do brilho da lua, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade

Vinicius Cantuária

Fizeram tanta coisa pra nos ver sofrer
Contaram tanta história de mim pra você
Brindaram nosso drama
Ao som da nossa valsa
Uma platléia fria, tão falsa
Mas o pior de tudo é que ficamos sós
Ouvindo uma canção que falava de nós
Armaram uma trama
Trocaram nossa valsa
Uma platéia fria, tão falsa

Bem que te avisei que no nosso abraço
Tinha um coração fora do compasso
Mas, você nem ligou
Bem que te avisei que no nosso abraço
Tinha a mão do mal desatando o laço

E não deu outra foi o fim
no gravador do meu telefone
a sua voz embargada
De pavor
Pede clemência
Jura inocência
com minha ausência
Diz que aprendeu a dar valor

Jorge Aragão

Tanto tempo a luz acesa
Mas sem que ninguém perceba
De repente a luz se apagará
Tanto tempo céu de estrelas
Aproveite para vê-Ias
Num piscar o céu desabará
Só me resta uma certeza
É saber que tal princesa
Não é mais a doce amada
Meu castelo colorido
Fim de um sonho destruido
Minha paz desvirginada

Nada que eu passa fazer
Para esse prazer poder se eternizar
Basta saber que a vida fez
Nossos rumos diferentes
Mas a vida segue em frente
Queira Deus que eu me acostume
Com qualquer outro perfume
Não tão menos semelhante
Ou quem sabe outras carinhos
Queira Deus que outros caminhos
Não me lembrem teu semblante

Mario Sérgio e Carica
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