Coleção pessoal de Soaroir
Encontrados 2 nesta coleção
MATRIX
®Soaroir 5/11/07 – 12:45hs
Mote: "Mulher madura"
Domina o clã
À distância
Administra a filial
Sua especialidade,
Sinceridade...?
É a sua cara-de-pau.
Quando há deficit
Demite o gerente
Abraça sozinha a causa
Negocia os valores
Muda de aplicação
Pagos os micos e os juros
Em pró da emancipação
Dá-se ao luxo de bem dizer
Em rima e às vezes não,
Que mulher madura
Não é mais a menina
Nem a melanina!.
Aparece o buço,
Procrastina.
Ela sente os efeitos,
Revê seus direitos.
Cobra mais de si
Os malfeitos.
Perde emprego,
Adultera o apego;
Enfrenta a pausa,
Encontra sossego;
Degusta o gozo
Jovem e licoroso,
Bordeaux ou blanc
Mais gostoso.
Descartada a agrura,
Prefere a brandura;
Deleitea-se com a vida
A sempre mulher...
Agora madura.
Soaroir Maria de Campos
Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.
Pablo Neruda