Coleção pessoal de Kanitz
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LOUCO
Quero ficar só, sozinho com minhas lembranças.
Quero sentir as mil agulhadas da recordação, a suave dor da saudade.
Mas só, sozinho.
Quero que me venha a mente o passado já que no futuro não penso e o presente não vivo.
Viver para que? Para manter a recordação? E sentir a dor intensa da separação?
Não, não quero mais ter os pensamentos controlados.
Que a inexistência de idéias me permita viver absorto a tudo e a todos.
E tudo por sua causa.
Se você compreendesse meu esforço, se apercebesse que o amor por você me tolhia
nada de ruim teria acontecido.
E hoje estaríamos juntos unidos pelos laços do amor do meu amor ao menos.
Você não quis. Achou-me fraco eu sei.
Sentiu que podia me dominar.
E numa fúria indomável pôs tudo a perder.
Todo um sonho, o meu sonho. A vida, papel em que desenhei o amor perfeito.
Quando nossos olhos se espelharam a primeira vez.
Seu sorriso um amanhecer de um lindo dia me trouxe a esperança de ver meu desenho concretizado.
E na minha ingenuidade, na ânsia de realizar o meu ideal tracei as mais belas formas e em prosa cantei.
Quando vires a tarde triste
Com ar de que vai chover
Lembra-te que são meus olhos
Que choram por não te ver.
Mas, aos poucos vi desmoronar pedra por pedra aquele castelo de amor tranqüilo que tanto imaginei.
E o sonho fechou a janela pela qual olhava a vida me deixando só a realidade que vi estampada
em seus olhos ferinos.
Quis fugir, mas, não consegui.
Sentia-me preso as suas garras, aprisionado pelo seu cheiro,
hipnotizado pelo seu olhar.
E qual cão que se sujeita a vontade do dono quedei-me quieto ao seu lado aconcheguei-me aos seus pés.
Como sofri. Quanta vez tive vontade de correr, de sumir desaparecer para sempre.
Mas, quando seus olhos para mim voltava, sua voz fazia-se ouvir a meu lugar retornava
aconchegado a seus pés.
Hoje, não a vejo mais e aprisionado neste quarto sou considerado louco.
Louco porque me desprendi da coleira, da corda que me envolvia o pescoço e procurei ser livre...
Não. Louco, porque não consigo afastar de mim sua presença.
Louco por não esquecer sua vos, seu olhar.
E irado desfiro murros contra a parede e vejo as feridas abertas em minhas mãos
salpicarem o chão com gotas de sangue. E quando as gotas procuro.
Vejo o seu nome por elas escrito. então, choro...
Um louco também sabe chorar..
Jorge Reigada
Sou a pergunta
Que não tem resposta
simples,
Sou igual a todos e
diferente por
nascença..
Só não consigo
viver
no mundo como
indiferença...
Sou charco que
virou jardim,
Fui o jardineiro
que a plantou
em mim..
Jorge reigada
Jorge Reigada
Dualidade
Somos quem somos?
Esta dualidade que me permeia confunde.
Difunde, margeia, semeia caos, candeia
Sem luz, não conduz, contunde, mareia.
Fomos quem somos?
Tempo, areia me enterra ou aterra,
me apoia ou me prende,
me tolhe ou distende,
me cala ou me berra.
Calor e frio, vazio, completo
carente, repleto, sonhador, concreto.
Dualidade, maldade, fiel sem balança,
andança, estaguinação, mansidão, pujança.
Metade de mim arde, a outra congela.
Metade de mim é vida, a outra mazela.
Metade de mim irrompe, a outra afunda.
Metade de mim é glória, a outra imunda.
Seremos quem fomos?
Somos quem somos?
Dualidade, perversidade ou caridade?
Torvelinho, remanso, ação ou descanso.
Não sei! Se alguém sabe me conte.
Mas conte de manso.
Jorge Reigada
SER POETA
Ser escritor, contista, cronista, romancista,
Narrador. Talvez seja fácil. Quem sabe...
É só tentar ordenhar da mente os fatos
Que não seja verdade, vá lá, porém, realista.
Ser escritor é brincar com as palavras.
É andar com o personagem num andor.
Às vezes breve do contista ou lógico do cronista,
Épicos do romancista ou simples do narrador.
Ser escritor é chorar pelo não vivido.
É amar o inexistente, mas, sofrer de corpo presente
Em frases, páginas ou livros que verdadeiramente
De real, só tem palavras e um sentimento contido.
Ser escritor é criar de forma incessante
história marcante daquilo que não se passou.
Criar frases não ditas, que escritas, quantas vezes,
se tornam malditas, revelando o que tanto calou.
Ser escritor é andar por frases e letras.
É se esconder por trás de uma vírgula ou ponto.
Na espreita do olhar do leitor. Ah! Que alegria
Quando vem o riso, um suspiro, um espanto.
Ser escritor é querer ser compreendido.
Já que perdido, só nas palavras se encontrou.
Ser escritor é ser das letras um atleta
Ser escritor até que fácil. O difícil e ser poeta.
Gostaria de ser poeta. Poeta mesmo, convicto.
Rimar alegrias, tristezas, decadências e mito.
Fazer das trovas uma paixão e do verso a emoção
Criar sonetos, quadras versos, oitavas e sextetos.
Mas como ser poeta? É tão difícil!
É preciso energia. Uma pitada de loucura, um pouco de nada...
A força da vida, a precisão de um míssil,
A leveza da alma, o peso de um sonho e a ternura da amada.
Ah! Ser Poeta.... Ser poeta é profecia, ou o oposto?
Raro em rimas de alegria. Rico em tramas de desgosto.
Simetria, postura do verbo, dimensões.
E ainda ter harmonia nas fleugmáticas explosões.
Ser poeta é ter um pouco de Dédalo.
Minotauro escrevendo em labirinto imaginário
Só que às vezes tropeça, lhe falta a rima..
Ufa, não minto. São horas de dicionário!
Talvez o poeta nunca tenha amado alguém,
A não ser sua própria criação, seu palavreado.
Seu amor, seu sonho, sua dor é real, porém,
Só nas palavras é que pode ser falado.
No fundo, ser poeta é uma doença incurável.
É um lamentar eterno em rimas contidas.
É a loucura de medir o incomensurável.
Ou viver, em um só corpo, varias vidas.
Um poeta é antes de tudo organizado.
Sua dor só é posta no quadrado.
Seu amor em trovas apresentado.
Seu coração, talvez eu oitavas seja notado.
Mas, para ser poeta, quantas rimas são precisas?
Quantos sonhos apaixonados?
Quantas noites mal dormidas?
Quantos amores pisoteados?
Mas, juro, que como da flor a mitose,
O poeta é um mutante, um viajante de partida.
Um viciado, que em overdose de neurose.
Transforma o nada na exaltação da vida.
Jorge Reigada
Coincidências Coincidentes
Existem coincidências coincidentes.
Ontem estava passando para o computador de hoje uma das crônicas que fiz em 1987 na qual falava de um reencontro com um dos grandes amores da vida. Uma dessas loucuras devastadoras que nos arrastam vida adentro.
Afinal, segundo a Mitologia Grega. O Amor tem os olhos da Loucura.
Era 1968 e lá veio este Rio que passou em minha vida. Uma das grandes loucuras.
Em 1969 o ciúme transformou um rio de águas claras no qual nos banhávamos num mar turvo e bravio que sentíamos medo em entrar, e o frágil elo foi rompido.
Em 1987 voltei a encontrá-la fazendo compras numas das ruas de comércio do Rio de Janeiro. Passado o primeiro impacto (Como devo agir)?
Explodimos num grande abraço as gargalhadas. Ambos mais velhos, ambos casados. Conversamos um pouco, lembramos a velha trova que escutamos em Goiás, falamos dos filhos e das felicidades da vida de cada um. Ela voltou para Brasília e a vida continuou correndo atrás do futuro.
Numa das paradas que dei ontem fui até o shopping comer uma comidinha japonesa para atender os reclamos do paladar ou da gula.
Sentado distraído olhando os "celulares balançantes" das mulheres, que com ares de moça, nos criam a vontade da comunicação às vezes só para dizer "ALO".
Quando, entregue pela mão de uma Zeladora, recebo um papel dobrado com a mesma trova que estava colocando no computador:
Sôdade é dô que dá
Mas num é dô de duê
É vuntadi di alembrá
Cum vuntadi di esquecê
É dô di denti i machuca
Mas onde doi ninguém vê
E a genti pega i cutuca
pra num dexá di duê
E lá estavam os mesmos olhos azuis, o mesmo braçinho torto pelo desastre de moto, as rugas adornaram muito bem aquele rosto pequeno sob um cabelo curto e branco. Seu sorriso ainda mostrava o cuidado com a saúde. Enquanto eu olhava, sei lá se olhava, talvez estivesse numa máquina do tempo na qual, aqueles olhos azuis fossem o botão de partida que marcava um ano 1968. Uma moça também com os olhos muito azuis bateu no meu ombro: - Jorge, hoje é aniversário de minha mãe e nós gostaríamos muito que você viesse para a nossa mesa. E sorrindo continuou: - Afinal você é tão falado que faz parte da família...
A vida é cheia de surpresa...
Parabéns pra você, nesta data querida. Muita felicidade. Muitos anos de vida.
Jorge Reigada
A visão de oportunidade de crescimento econômico, parece que desperta,em algumas pessoas, uma espécie de saga à ser construída
Jorge Reigada
Em nossos relacionamentos, sempre usamos tudo como moeda de troca, inclusive o amor.
Jorge Reigada
Minha verdade é a forma de me iludir portanto, não se iludam com minhas ilusões verdadeiras, são tão fugazes como eu.
Jorge Reigada
Deixareis a bestial responsabilidade de ser o centro do mundo e sem o peso da toga que nos agrilhoa a conceitos vencidos, estaremos libertos para levar nossa vida aproveitando a maravilha que ela nos oferece gratuitamente.
Jorge Reigada
somos todos um único corpo experimentando valores e capacidades diferentes que, as vezes nos fazem esquecer da unidade.
Jorge Reigada
Neste mundo não existem pessoas melhores ou piores, mas sim diferentes; com aptidões diferentes e, só de vez em quando encontramos pessoas que nos completam, ou melhor convivem conosco e completam nossas falhas, nos tornando pessoas melhores.
Jorge Reigada
Somos parte e co-criadores de todo o vasto universo e de nós mesmos. Então, se damos importância as coisas grandes, maiores que nós, por que não dar importância ao nosso cérebro, este grande observador, onde a realidade está sempre presente e nunca conseguimos nos encontrar com ela na sua totalidade?
Jorge Reigada
Nossa memória é fantásticamente imensa. Tão grande que se nossos pensamentos se tornassem físicos e não enérgeticos, teríamos que ter uma cabeça do tamanho do sol, apesar do sol caber dentro de nossa pequena cabeça em toda a sua grandiosidade.
Jorge Reigada
Pensamentos são nossas armas para a vida plena ou para nossos suicídios cotidianos.
Jorge Reigada
Somos o somatório de fusões atemporais, interativas e passionais mais nunca aleatórias.
Jorge Reigada
As vezes, são nos erros que encontramos nosso verdadeiro caminho.
Jorge Reigada
Encerra-se mais um ano em sua vida.
Quando este ano começou ele era todo seu.
Foi colocado em suas mãos.
Podia fazer dele o que quisesse.
Era um livro em branco, e nele você podia ter escrito um poema,
um pesadelo, uma blasfêmia, uma oração.
Podia...
Hoje, já não pode mais, já não é mais seu.
É um livro já escrito... concluído.
Como foi um livro escrito por você, ele um dia lhe será lido,
com todos os detalhes e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto, antes que termine o ano, reflita, tome seu velho livro e folheie
com cuidado.
Deixe passar cada uma das páginas, pelas mãos e pela consciência.
Faça o excelente exercício de ler você mesmo. Afinal é a sua história
escrita por suas ações. Leia tudo.
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou o melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito.
Não, não tentes arrancá-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.
Assim poderá repetir as coisas boas e evitar as ruins.
Para escrever o seu livro, você contará novamente com o instrumento do
livre arbítrio, e terá para preencher toda a imensa superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije.
Se tiver vontade de chorar sobre ele, chore, mas a seguir coloque-o nas
mãos do destino, não importa como esteja.
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras
OBRIGADO E PERDÃO
E agora, com o Ano Novo chegando está lhe sendo entregue um outro livro,
novo, limpo, branco e todo seu. No qual você novamente irá escrever o que desejar...
Jorge Reigada
Os Juizes de Plantão são pessoas atormentadas pela perfeição da aparência, escravos da necessidade e das ordens do grupo em que vivem. Com baixíssima cultura são incapazes de crescer. Não existem neles a auto-comparação e estão sempre se comparando externamente, a mais destrutiva forma de se viver, uma fonte eterna de sofrimento, um tapete vermelho que vai direto a solidão.
Jorge Reigada
O julgamento social vem da comparação conosco mesmos. Somos tão incapazes de manter a mente aberta que a fechamos lá na adolescência e pensamos que nos tornamos aptos para o julgamento. Não falo somente da condenação, mas também de quando admiramos. Contudo, em certo tipo de pessoa a admiração é negada e o que aparece é a inveja e não a boa inveja (que chamo de esperança ou modelo a ser seguido), mas a inveja destruidora, felizmente na maioria das vezes, destrói apenas quem a sente
Jorge Reigada
Assistindo a Milagres
É, no mínimo, estranha a forma como se apresentam os milagres. Se é que são milagres, mas como muitos pesquisadores concordam que coincidência não existe...
Conto para vocês um fato passado na terça-feira passada, dia 06 de abril. Por sorte, estava com a máquina na mão e consegui gravar o flagrante.
Quando um “diabinho” vira anjo enviado por Deus.
Eram nove e qualquer coisa da manhã, eu estava na janela enquanto passava um antivírus em minha máquina. Bem abaixo de minha janela fica um ponto de ônibus.
Querendo ou não, acabo escutando os assuntos conversados enquanto as pessoas esperam o ônibus.
Uma senhora conversava num tom choroso, e talvez até estivesse chorando, sobre a dificuldade financeira que vinha passando. O ápice dessa conversa foi quando ela falou um pouco mais alto dizendo, o quanto ela estava triste por não ter dinheiro suficiente para comprar uma Barbie de páscoa para dar a netinha que estava muito doente.
Neste ponto ela realmente me pareceu muito triste a ponto de recostar a cabeça no peito de um homem que a acompanhava (talvez o marido). Ele a abraçou e disse: - Deus irá suprir.
No prédio em frente ao meu mora uma menina terrível, a contar pelos nomes pelos quais sua mãe a chama. Penso até que, no mínimo, ela é surda já que sua mãe grita um bocado.
O mais comum é: - Você é uma diabinha.
Foi aí que os caminhos se cruzaram e aconteceu o “milagre”.
Enquanto no ponto do ônibus uma chorava por não ter como comprar a boneca para a neta, a neta de outra pessoa, a diabinha, gritava que não queria, e como atendesse o pedido de uma avó aflita começou a jogar um monte de bonecas pela janela e dentre elas uma Barbie.
Um após o outro, os brinquedos foram caindo até que caiu nada mais do que 2 Barbies e um Ken. De principio a moça do ponto ficou em dúvida mal acreditando nisto. Durante uns 10 minutos ela não se mexeu até que viu os passantes começarem a pegar os brinquedos e levar. Só então ela se deu conta e correu para pegar uma Barbie.
O que achei interessante é que ela só pegou uma boneca deixando o resto. Quando pegou a boneca, juntou as mãos e olhou para o céu com um olhar de agradecimento.
Ela ainda ficou no ponto por mais uns 15 minutos até que, olhando para cima, me viu e perguntou: -O 627 passa por aqui?
Eu informei que o ônibus só passava duas quadras à frente. Ela estava na hora certa no ponto errado, mas sua neta iria ganhar o presente desejado.
Comecei a pensar em honestidade, desonestidade...
Mas, resolvi pensar como os ciganos, achado não é roubado. É sorte! Julguem vocês.
Os brinquedos ainda ficaram pelo chão por um bom tempo até que um por um foram sendo pegos por passantes
Jorge Reigada
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Sentar numa pedra e olhar a paisagem...
Me disseram que o envelhecer nos permite a calma e a paz para cumprir a frase acima.
Porra nenhuma, primeiro a aposentadoria é pouca e você tem que continuar a trabalhar para melhorar a pipoca. Pipoca - humpf - me lembra outra coisa que falo mais tarde.
Depois vem a condução. Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te dê uns 65 anos. Olha... a analise dele é rápida leva uns 20 metros, quando resolve parar tem a discussão se você tem mais de 65 ou não.
No outro dia entrei no ônibus e fui dizendo..." sou deficiente" o motorista olhou de cima em baixo e perguntou: Que deficiência você tem?
Sou broxa! Ou brocha?
Ele deu uma gargalhada e eu entrei. Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo... Eu disse bem baixinho para uma delas: "Uma mentirinha que me economizou 1,50, não fica triste não"
Bem... fui até a pedra do Arpoador ver o por do sol.
Subi na pedra e pensei em cumprir a frase. Logicamente velho tem mais dificuldade. Querem saber?
Primeiro tem sempre alguém que quer te ajudar a subir... dá a mão aqui senhor!!! Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça...
Sentar na pedra e olhar a paisagem. É, mas a pedra é dura e velho já perdeu a bunda e quando senta sente os ossos em cima da pedra o que me faz ter que trocar de posição a toda hora. Para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos se não, nada vê.
Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz: "O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair." Resmungo entre dentes: ... só se cair em cima da sua mãe"... mas, dou um risinho e digo que esta tudo bem.
Esta porra deste sol esta demorando a descer, então eu vou descer, meus pés já estão doendo e o sol, nada.
Vou pensando - enquanto desço e o sol não - volto de metrô é mais rápido. Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, ali está um puto de um guarda que fez curso, sei eu em que faculdade, que tem um olho crítico de consegue saber a idade de todo mundo.
Olha sério para mim, segura a roleta e diz: O senhor não tem 65 anos, tem que pagar a passagem. A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.
Com os pés doendo fico em pé, já nem lembro do sol, se baixou ou não dane-se. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos... Lá estou eu mergulhado em meus profundos pensamentos, uma ligeira dor de barriga se aconchega... Durante o trajeto não fui suficientemente rápido para sentar nos lugares que esvaziavam...
Desisti... lá pelo centro da cidade, eu segurando no "seca suvaco" dei de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava... Me senti o Tio Sukita... Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem.
Quando já contente, pelo menos com o flerte, ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou...
É agora... Joguei um olhar 32 ( aquele olhar de Zé Bonitinho) ela pegou na minha mão e disse:
- O sr. não quer sentar me parece tão cansado...
Olha, ficar velho é bom para a mãe dos outros...
Jorge Reigada
Juízes de plantão
Me impressiona a quantidade de classificações e julgamentos a que somos expostos a cada minuto de nossa vida. De alguma forma foi criada uma fórmula perfeita de viver na cabeça daquele que te observa. Mas por que ele te observa?
Me parece que todos os passantes esperam de nós um comportamento a altura do lugar onde estamos e como juizes, qualquer “deslize” de nossa parte, é motivo para alguma mostra de desaprovação. Quando falo passantes, estou incluindo todos, desde aqueles que simplesmente passam pelas ruas, a massa do ônibus, metrô; desde gente que possivelmente nunca mais iremos ver e se ver não nos lembraremos, até os familiares incluindo os filhos, os quais ensinamos os valores que mais tarde, serão a base para que sejamos julgados também.
A questão, valores, é o retrato, a identidade social e psíquica que carregamos por toda a nossa vida. Em algumas pessoas estes valores são mutáveis em outras tão rígidos que consegue engessar todo o seu comportamento. Ainda existem outro tipo de pessoa que, pensando ter conseguido um “crescimento” em alguma parte da vida se coloca de uma forma tão estrondosamente idiota que passa a julgar e condenar com seus comentários aqueles que não conseguiram o tal crescimento naquele valor. Nesse caso, mesmo que ela realmente tenha conseguido este avanço, vai tudo por água abaixo, pois, ela transformou um avanço emocional ou comportamental, em um objeto e quer coloca-lo sobre a estante do mundo para que todos vejam.
Na realidade, o julgamento social vem da comparação conosco mesmos. Somos tão incapazes de manter a mente aberta que a fechamos lá na adolescência e pensamos que nos tornamos aptos para o julgamento. Não falo somente da condenação, mas também de quando admiramos. Contudo, em certo tipo de pessoa a admiração é negada e o que aparece é a inveja e não a boa inveja (que chamo de esperança ou modelo a ser seguido), mas a inveja destruidora, felizmente na maioria das vezes, destrói apenas quem a sente.
Nossos juizes são pessoas profundamente inseguras e que só conseguem sentir-se “maior” diminuindo o próximo.
O mais curioso é que na empáfia em que o juiz de plantão se coloca, apesar de querer mostrar que é melhor, que não comete erros, ele apenas está dizendo que aquele “erro” pelo menos ele não comete (ao menos naquele momento) ou que já tenham visto.
Parafraseando o mestre: em verdade vos digo que os Juizes de Plantão são pessoas atormentadas pela perfeição da aparência, escravos da necessidade e das ordens do grupo em que vivem. Com baixíssima cultura são incapazes de crescer. Não existem neles a auto-comparação e estão sempre se comparando externamente, a mais destrutiva forma de se viver, uma fonte eterna de sofrimento, um tapete vermelho que vai direto a solidão.
Se, da escada da vida consegui deixar limpo o meu degrau, ao invés de criticar quem ainda não conseguiu, o mais razoável e grande fator de felicidade e paz, é ajudar o próximo a limpar o seu.
E, sem julgamentos, ter a humildade de perguntar: - Como você quer o seu degrau limpo?
Ou, o que é para você um degrau limpo? E só depois ajudar. Assim deixaremos a bestial responsabilidade de ser o centro do mundo e sem o peso da toga que nos agrilhoa a conceitos vencidos, estaremos libertos para levar nossa vida aproveitando toda a maravilha que ela nos oferece gratuitamente.
Afinal, se nosso degrau esta limpo é sob nossa ótica. Só podemos usá-la para nós mesmos.
Por fim, quando você aponta um dedo para o “defeito” do outro, sua própria mão aponta três outros dedos contra você mesmo.
Jorge Reigada
Estamos sempre a espera de que nos falem a verdade. Será que nós a falamos?
No entanto, a verdade é colocada num pedestal e adorada como um Deus, porém, quando ela aparece a encobrimos com um negro manto. Somente os loucos e as crianças dizem o que pensam, dizem a verdade. Os loucos são dopados e aprisionados. As crianças são educadas.
Jorge Reigada
Às vezes me pego criticando tantas coisas que me assusto.
Logo, uma luz vermelha acende em minha mente.
O que estou deixando de fazer? É a pergunta que me surge.
A resposta? rss
Estou esquecendo de ser feliz
Jorge Reigada
Pensando bem...
Sou eu quem preciso de minha bondade.
Sou eu quem preciso do meu abraço, minha caridade.
Sou eu quem preciso de me sentir seguro.
Sou eu quem preciso sair de cima do muro.
Sou eu quem eu quero que mude.
Sou eu de quem eu quero atitude.
Sou eu de quem cobro a coragem de amar.
Sou eu o inimigo a quem tenho de perdoar.
Jorge Reigada