Coleção pessoal de Gillliteratura
Encontrados 8 nesta coleção
Carlos Drummond de Andrade
Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.
Adriana Falcão
[Trecho do Livro 'A Máquina' de Adriana Falcão]
Seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou.
Adriana Falcão
Adriana Falcão
Ilusão de Vida
Vivemos da ilusão de sermos capazes de lidar com as 'coisas da vida', por mais simples ou rotineiras que sejam, doando-lhes 100% do nosso tempo.
Então, separamos 'algumas coisas' e para 'essas coisas' vivemos enquanto negligenciamos outras, imperceptivelmente ou com receio de vivê-las?!
Não seria o caso de vivermos um pouco de cada 'coisa' para não passarmos de forma despercebida por aspectos maravilhosos que a vida nos oferece?
A medida para esse 'pouco'?
Caberia a cada um de nós saber, desejar, reconhecer, dentro de nossas proporções, para não chegar um dia e constatarmos: Foi-se.
Gill Benício
Dever de Sonhar
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa
Lygia Fagundes Telles
(...) "Com a ponta da língua pude sentir a semente apontando
sob a polpa. Varei-a. O sumo ácido inundou-me a boca. Cuspi
a semente: assim queria escrever, indo ao âmago do âmago
até atingir a semente resguardada lá no fundo como um feto".
(Verde lagarto amarelo)
Lígia Fagundes Telles
"Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem SE entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo um ser a mercê de inspirações fáceis, dóceis às modas e compromissos'".
Carlos Drumond de Andrade
Carlos Drumond de Andrade
Rainer Maria Rilke (4 dezembro 1875, em Praga, Áustria-Hungria - 29 dezembro 1926 em Valmont, Suiça) é considerado o melhor poeta de língua alemã do século XX.
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"Outra coisa é o verdadeiro canto. Um sopro ao nada. Um vôo em Deus. Um vento."
"Amar é uma ocasião sublime para uma pessoa amadurecer."
"Amor: duas solidões protegendo-se uma à outra".
"Sabes que o ar ficou em êxtase ao ver-te lamber a tua flutuante infelicidade?"
"A alma do outro é uma floresta escura".
Rainer Maria Rilke