Paulo Leminski

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dia
dai-me
a sabedoria de Caetano
nunca ler jornais
a loucura de Glauber
tem sempre uma cabeça cortada a mais
a fúria de Décio
nunca fazer versinhos normais

primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano

Por um lindésimo de segundo

tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se todas as coisas
fossem todas
afinal das contas

Paulo Leminski
Toda Poesia

Além Alma
(uma grama depois)


Meu coração lá longe
faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze
NÃO HÁ VAGA NEM LUGAR
Pra que me serve esse negócio
que não cessa de bater?
Mais parece um relógio
que acabar de enlouquecer
Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bm assim,
e o vazio que vai lá lá fora
cai macio dentro de mim?

prazer
da pura percepção
os sentidos
sejam a crítica
da razão

ano novo
anos buscando
um ânimo novo

hoje à noite
lua alta
faltei
e ninguém sentiu
a minha falta

me ensina
a sofrer sem ser visto
a gozar em silêncio
o meu próprio passar
nunca duas vezes
no mesmo lugar

Nesta vida,
pode-se aprender três coisas de uma criança:
estar sempre alegre,
nunca ficar inativo
e chorar com força por tudo o que se quer.

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino.

Paulo Leminski
Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

sorte no jogo
azar no amor
de que me serve
sorte no amor
se o amor é um jogo
e o jogo não é meu forte,
meu amor?

Rio do Mistério

rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?

Paulo Leminski
Livro Distraídos Venceremos

essa idéia
ninguém me tira
matéria é mentira

Paulo Leminski
Livro La Vie en Close

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

Das coisas
que fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são
Aqueles em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos não?

Temporal
Fazia tempo
Que eu não me sentia
Tão sentimental

nada me demove
ainda vou ser
o pai dos irmãos Karamazov.

Inserida por caro.soares

Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar O mar não parou para ser olhado Foi mar pra tudo que é lado

Paulo Leminski

Nota: Adaptação de poema de Paulo Leminski

Tudo é vago e muito vário,
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

a noite - enorme
tudo dorme
menos teu nome

A poesia é A LIBERDADE da minha LINGUAGEM

Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernizando o peito.

Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha.
E é melhor encher a cara.

Nada tão comum
que não possa chama-lo
meu
Nada tão meu
que não possa dizê-lo
nosso
Nada tão mole
que não possa dizê-lo
osso
Nada tão duro
que não possa dizer
posso

Não fosse isso
e era menos
Não fosse tanto
e era quase

Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
sempre acha o máximo.