Maria Aparecida Giacomini Dóro
Indeléveis marcas...
Pausa, ausência, silenciosa presença... Como denominar o "vazio do nada" impresso nas páginas insossas - outrora - vividas?
Pensando bem... Que peso tem isso agora, se as marcas diluídas nos retalhos do tempo que passa não passam jamais? Ah, são tantas... Indeléveis e silenciosas, pontuando momentos tão meus - retalhos nos quais eu evolui sob a égide do teu intermitente s i l ê n c i o.
Espaços vazios...
Pálida é a paisagem que dos olhos se distancia.
Nau à deriva, chama sem vida: geleiras de um coração que desaprendeu o amor...
Na pequenez de mim te espelhaste...
Não vês? Tampouco sentes?
Divagações...
Quem me dera ser águia a voar através do sol, desconhecendo - das próprias asas - os limites... Ou notas musicais - em âncoras transformadas - eternizando fragmentos de um tempo intensamente vivido... Ou, então, mar de águas claras, de ondas valentes, de mistérios profundos a transmutar sentimentos do (a) poeta em poemas versados no ontem, hoje, sempre...
Deixa-me!
De que valem as pétalas sem o carimbo da aurora?
O brilho, na opacidade das horas...
De que valem os ventos sem direção?
E os passos, então...
Num momento qualquer, emoções/sentimentos... Aprisionados!
Asas podadas a troco de nada...
Palavras maquiadas só reforçam a indiferença represada nos meus olhos...
