Maria Aparecida Giacomini Dóro
Amo-te
Amo-te
Humano
Insano
Desumano
Amo-te
Além das sombras
Além das dores que matizas
N'alma que te alenta
Amo-te
Na criança que foste um dia
No olhar vazio... No nada
No reflexo do que pensas ser
Amo-te
E mais, acredito
Em ti o amor não morreu
Agoniza... Vive!
O AMOR, o HOMEM e o TEMPO...
TEMPO
Que marca a casca do homem
HOMEM
Que cursa o tempo e cultiva o amor
AMOR
Sentimento que supera o tempo
TEMPO
Do homem que ama o OUTRO
Por tudo o que foi, é e será
Ou já não é mais
Pelas marcas do tempo...
Inspiração
Junto ao mar,
Distante do mundo
Vejo-te, espelho das minhas ilusões...
Das dores ou amores, num segundo
Brotam flores, poemas...
Canções!
A sentença
Gritos de apelo
Rasgam o véu da noite
E muros se erguem em resposta
Silencio
Lavo as mãos... É tão fácil
Condeno, mais ainda
Afinal, é o outro imerso nas trevas
Silencio
"Ah! Então... Não te importas
Com a face de ti
Que agoniza aqui, ali e lá?"
Silencio...
Insanos momentos
Caminhos abertos
Passos incertos
Gritos surdos dentro de mim
Busco um nada
Não sei onde, nem porque...
Sou MULHER, sou POESIA...
Sou mulher, sou poesia
Nos teus sonhos,
FANTASIA
Sou mulher, sou guerreira
Nas lutas,
COMPANHEIRA
Sou mulher, sou criança
Nas sombras,
ESPERANÇA
Sou mulher, sou alegria
Na leveza do meu ser,
HARMONIA
Verdade absoluta...
Verdade enclausurada
Absoluta impera
Nas pupilas dilatadas
Do menino à beira mar
Verdade enclausurada
Absoluta encerra
Nas pupilas cansadas
Do ancião a divagar
Se absoluta impera
Se absoluta encerra
Como pode a verdade
Num olhar se enclausurar?
Sob o manto das horas a harmonia da música, a suavidade da brisa, o encontro das águas em busca do mar...
E tu, caminhante, aonde vais?
Prismas são detalhes...
O que conta é a precisão dos olhos que enxergam além dos estilhaços da vida, diferenciando sinais da presença vital - silenciosamente - operante quando - aparentemente - ausente ela se faz...
Um sonho, um caminho sem fronteiras...
E tu, caminhante... Passos incertos, vacilantes frente aos solos escarpados da vida?
Dúvidas... Certezas... Cada qual carrega as suas, escolhendo compartilhá-las ou não com aqueles que – pelo amor sem medida e confiança merecida – conquistaram passe livre ao solo sagrado que as abriga.
Ah, caminhante! Não olhes para trás, pois toda palidez inexplicável é passado... Segue em frente, hoje e sempre!
Compassos e descompassos virtuais
Concebo a virtualidade como meio disponível para se criar significativos laços amistosos, apesar da distância geográfica.
Para muitos, revela-se como porta de acesso a um mundo de sonhos; de fantasias que desejam viver junto a seres utópicos – misteriosos habitantes das telas – dotados de refinadas qualidades e escassos defeitos...
Conscientemente, um campo onde - desprovidos do contato físico - precisamos redobrar os sentidos para lermos o oculto nas palavras trocadas, nas imagens distorcidas que inevitavelmente despertam sentimentos; um campo onde precisamos ouvir a voz do silêncio para captarmos a essência do outro, sutilmente, revelada nas entrelinhas do que escreve e/ou nas ondas que emite.
A cautela e a seletividade são poderosas aliadas tanto no mundo real quanto no virtual, visto que expressivo número de homens e mulheres mascara sua verdadeira identidade, devotando-se a jogos emocionais manipulados por uma criança interior profundamente ferida.
Sondarmos a essência do outro e nos revelarmos despojados de máscaras não é tarefa fácil, porém a prudência e a retidão demarcam caminhos para evitarmos provar, mutuamente, o gosto amargo da decepção...
Que a chama do amor sem medida endosse teus desejos mais secretos, reeditando promessas firmadas no brindar da aurora, anuladas ante o crepúsculo dos anos que vem e vão, sucessivamente...
E mais... Que essa intensa chama sustente o desabrochar de um novo tempo - um novo ciclo marcado pelo desbravar de autênticos e promissores caminhos por ti mesmo (a).
Palavras caladas
Silêncio feito de palavras...
Palavras guardadas nas bordas do tempo
Capítulos mudos de uma história
Embalada nas ondas do vento
Sonho? Pesadelo?
Não sei...
Sei das bordas do tempo
Das ondas do vento
Das palavras caladas
Gravadas na memória em tempo
COMPAIXÃO...
Num olhar
Numa palavra
Num gesto ou ação
A DOR e o AMOR
Se mesclam
Com PAIXÃO
Se eu pudesse, adentraria ao solo sagrado desse silêncio que te alenta; que te consome para melhor compreender-te.
Não posso...
Essencialmente bela pausadamente triste... Assim é a poesia que hoje eu li nos olhos teus.
Maria Aparecida Giacomini DóroSolidão, em tuas deixas sentimentos se confundem...
Liberdade ou abandono?
Saber-me só da aurora ao crepúsculo é inevitável sentença, então... Aceito-te como preço da minha liberdade!
Se queres ganhar meu coração, não te cales diante dos meus deslizes, ocultando-me as mazelas que em tua alma estigmatizei... Antes, sê amorosamente firme para que eu me conscientize das dores que te causei.
Pior que a dureza das palavras é o silêncio da indiferença...
Quando nos julgamos suficientemente fortes e preparados frente aos mares revoltos, a vida nos lança à deriva para que aprendamos um novo jeito de singrar esses mesmos mares...
Maria Aparecida Giacomini DoroA simplicidade cultivada é senha à prática do desapego e sua expressão maior, o amor devotado sem cobranças ou expectativas.
Maria Aparecida Giacomini DoroOUTONO... Como avivar tuas marcas impressas em cada página que escrevo? Em cada crepúsculo que desenha o teu, o meu adormecer?
Aqui o velho piano já não quebra mais o silêncio das horas, nem a tosca lareira abriga chamas de outrora... Restam-me apenas alguns poucos momentos congelados nas lembranças - quadros mudos que não fazem história - e as cinzas...
Ali, calçada molhada, transeuntes sem manto, folhas ao vento, natureza em pranto... Até quando? Não sei...
Tristeza? Não! Melancolia, talvez...
É... Mais um ciclo se fecha, adormecem as sementes de um novo amanhã...
Vidas a ermo...
Passos dispersos no chão batido
Horizonte a muito esquecido
Eis o caminhar do homem
Na mente que tolhe
Dos pés, a firmeza
No coração que sente
Ou não, a tristeza
Imersa em lágrimas ausentes...
Ah... "É tão-somente uma vida"
Uma história marcada
S e n t i d a
Anulada por l a p s o s de memória...
Olhar distante...
Quisera eu poder dissipar
Essa névoa que envolve tua alma
Que eterniza a efemeridade do tempo
Nas horas de solidão entre ti e o mar
Sei bem, nada posso ou espero
Se o temor me faz companhia
Se as ondas se quebram em silêncio
Se me vejo teu inverso, em agonia
Então,
O que mais tenho a dizer-te?
Vai! Arranca de mim a última lágrima
E deixa-me ir, contigo...
"Jamais desvendarei a tua alma se eu continuar projetando em ti o meu jeito de pensar, sentir e amar o ser humano."
Maria Aparecida Giacomini DóroPara sempre
Na plenitude do silêncio que me envolve espelhada está cada âncora que criei a partir de ti, das tuas palavras e ações congruentes; do teu jeito simples e verdadeiro de ser, transparente.
Agora - como nunca - sou capaz de compreender-te além do espelho, das palavras, do silêncio... E mais, desvelar o que sempre esteve presente neste perto longe; nesse longe aqui, dentro de mim...
