Maria Aparecida Giacomini Dóro
Meu presente é azul...
O trivial não me fascina e nem me prende... ao contrário, abriga oportunidades ímpares para que eu possa exercitar o desapego (apego, para mim, significa prisão; desapego, liberdade).
Num flash, reporto-me à águia - expressão viva da liberdade - modelo que baliza meus passos por caminhos abertos, sinuosos ou escarpados da vida... por caminhos projetados no seio dos sonhos, aguardando sinal...
As águias são livres e livres imergem no azul da serenidade, da paz de espírito; livres absorvem o laranja da alegria de viver, de viver o essencial...
Essencial que suplanta o trivial, revestindo-se da mais pura simplicidade por motivo óbvio: revelar-se apenas aos que têm olhos para ver o "invisível" e coração para senti-lo.
Meu presente é azul, laranja... de mil cores mais!
A dor me ensinou que...
Os melhores momentos da vida não são necessariamente os mais agradáveis. São os mais expressivos no coquetel vital dos sonhos e pesadelos; das luzes e sombras; dos risos e lágrimas; das presenças e ausências; das dores e amores vividos... Momentos ímpares que nos despertam do sono letárgico da indiferença e nos impelem à ação criativa, forçando-nos moldar um novo ser – sensível e amoroso - menos apegado às coisas triviais, mais comprometido com os valores essenciais desta preciosa dádiva chamada vida.
Caminhar é preciso, mesmo que seja sobre brasas...
Contrastes...
Já olhaste nos olhos
de quem te ama além das dores,
dos amores de verão?
Aquém, pautas reticentes
Mares que se abrem em ondas secas
Palavras ao vento
Promessas vãs
Juramento...
Ressaca de lágrimas ausentes
Já olhaste além das sombras
que cerceiam teu desejo de amar,
de ser amado(a)?
Aquém, contrastes
Horizontes que se fecham em breu
Palavras mortas
Ações tortas
Arrependimento...
A vida não te dá o que não podes receber
Nem te cobra o que não podes oferecer
Maria Aparecida Giacomini Dóro
Raros são aqueles que conseguem romper as máscaras sobrepostas à face ao longo da vida e - dos umbrais da própria consciência - contemplar desapegadamente as dores e os amores acondicionados em essência, transmutando-os num benefício maior.
Maria Aparecida Giacomini DóroDiante de ti - soberano das águas - reconheço a transitoriedade das ondas, a relatividade do tempo e a nulidade da vida que "passa" sem marcar estações...
Maria Aparecida Giacomini DóroNão alicerces teu comportamento e tuas ações em expectativas alheias ao solo que te é conhecido intrinsecamente. Porém, se essa for a tua inclinação não esperes reconhecimento, pois jamais compreenderás as razões e os propósitos que impulsionam passos que não os teus...
Antes, sê leal a ti mesmo frente ao complexo mundo das relações humanas, pois essa lealdade é a que verdadeiramente conta nos anais da tua história.
Aquém/além das trevas... O amor!
Chama que alimenta um fio de esperança
regado a lágrimas...
Vida plena
Passado, naufrágio no oceano do tempo...
Futuro, miragem no deserto da vida...
Presente, dádiva de valor infinito
Amargas lembranças?
Preocupações?
Nada vale a pena!
O que realmente importa é viver
Viver intensa e entusiasticamente
O momento presente
Confiança...
Fina taça de cristal!
Uma vez quebrada,
sempre
que
bra
d
a
ficará.
Pesadelo
Um sonho e...
Meu castelo construído
Nas areias movediças
De um coração embrutecido
Olhar perspicaz
Olhar que desnuda
A dor mascarada
Se aceita, redime
Se rejeita, condena
Mesmo assim, desumano,
É tão diferente
Do olhar ausente...
Devaneios...
Num átimo
Reedito a vida
Concerto o mundo
Divago...
Num átimo
O mundo explode
A vida me chama
Acordo!
Segredos meus...
Alento por ti
Amor sem igual,
Incondicional!
Busco em ti
Amor sem igual,
Incondicional!
Incondicional é o Amor
Livre da indiferença,
Do preconceito e desavença
Amor-presença, Amor-doação
Amor que extingue a dor
Cristalizada no coração
TIMONEIRO...
No barco, SONHOS
No leme, FORÇA
No mar, CORAGEM
No horizonte, ESPERANÇA
No infinito, FÉ
No coração, AMOR!
Acima do ter, SER
Acima do falar, AGIR
Acima do julgar, COMPREENDER
Acima de tudo, AMAR!
Agora vai, timoneiro
Singra os mares,
Calmos ou revoltos mares existenciais
E... Sejas FELIZ!
Envolva-me...
Conte-me e eu esquecerei
Mostre-me e eu lembrarei
Envolva-me e eu entenderei...
Entenderei a magia do outono nas folhas que caem
A ausência presente em tua presença ausente
A distância, o silêncio e as lágrimas...
Entenderei as ânsias e as dores humanas sob disfarce
A força curativa do amor que se faz gesto,
palavra e ação livre da competição e do egoísmo
Entenderei a liberdade exercida com responsabilidade
O AGORA como momento único a ser intensamente vivido
Entenderei o HOMEM, a NATUREZA e a VIDA
e amarei sem medida...
Se eu soubesse...
Rafaella, minha doce menina,
Não tenhas medo!
Eu sou você no futuro
Vim te contar
Um segredo
Antes, porém, me acompanhe
Ao dezembro da vida,
Pois lá recordarás
Página por página vivida
Chegamos!
Rafaella, minha doce menina,
Não tenhas medo!
Vou te contar o segredo
Lembra-te do dia em que nasceste?
Do ciúme provocado
Do colinho disputado
Com a maninha Raianna
Lembra-te dos teus cinco anos?
Ciúmes, beicinhos e lágrimas...
Que desapareçam as rivais!
Eras a namoradinha do papai
Lembra-te dos teus dez anos?
Com as amiguinhas, exigente
E as histórias contadas
Pra mamãe confidente
Lembra-te dos teus treze anos?
Das bonecas esquecidas
Dos medos e dúvidas
Das paixões escondidas
Lembra-te dos teus quinze anos?
Da liberdade almejada
Das dores, amores e sonhos...
Da responsabilidade cobrada
Lembra-te dos teus vinte anos?
Dos trinta?
Dos quarenta?
Dos cinquenta?
Dos sessenta?
E tantos outros mais...
Rafaella, minha doce menina,
Não tenhas medo!
Não tenhas medo da vida
Dos anos que passam,
Das lembranças que ficam
Pois cada página construída
É deveras importante
Se intensamente vivida
Num flash, um sonho...
Num flash...
A arte,
Prisão de átimos
Antes nunca existidos
Depois jamais repetidos
Num flash...
Expressão registrada,
Prisão consumada
Do rosto
Do olhar...
Da vida em cena,
Vencendo o tempo
Que vai perdê-la
Num flash...
Expressão registrada,
Prisão consumada
Do medo
Da angústia...
Da dor que corrói a alma,
Vencendo o tempo
Que vai esquecê-la
Num flash, um sonho... Liberdade!
Crepúsculo...
Cores
Cores
Cores...
Sombras
Sombras
Sombras...
Marcha insana,
Desumana
Sobre ti, menino
Paira o véu da noite...
Grita, criança!
Rasga o silêncio
Implora mudança
Acorda a Humanidade!
Nuances da vida...
Sob o crepúsculo
Agoniza mais um dia
Minutos mais,
Minutos menos
E, como seus precedentes,
Novo náufrago
No oceano do tempo...
Sob o crepúsculo
Agoniza mais um dia
E, como seus precedentes,
Prisão/insegurança
Ou mudança/solução
Pra tantos itinerantes
Da vida...
Sob o crepúsculo
Pulsa um coração,
Alienado e descontente
Preso a devaneios oníricos
A lamentar momentos
Que seguramente vazaram
Pelos ralos do tempo...
Sob o crepúsculo
Pulsa um coração,
Desperto e consciente
Determinado a viver,
Como dádiva especial,
Átimos singulares
Desse flash existencial...
Se eu pudesse...
Se eu pudesse,
nas lindas manhãs orvalhadas,
raios de sol espalhar
pra iluminar tua estrada
Se eu pudesse,
nas cálidas tardes de verão,
a fúria do mar aplacar
pra ouvir teu coração
Se eu pudesse,
nas amenas noites de outono,
canções ao piano tocar
pra embalar teu sono
Se eu pudesse,
nas gélidas madrugadas ,
lágrimas no teu rosto enxugar
pra aliviar tuas dores caladas
Se eu pudesse,
a alegria e o amor incondicional,
numa fina taça dissolver
pra te oferecer nesta data especial
Se eu pudesse,
minha querida amiga,
juro que tudo faria
pra ver-te feliz todo dia
Ausência
Ausência...
Por que vestes
O véu da noite
E desnudas minha alma?
Por que gritas
No silêncio
E não ouves os meus lamentos?
Por que insistes
Ser presença
Nos meus gélidos momentos?
Ausência
Eu preciso te dizer
Que não aprendi viver
Com tua amarga presença...
Revelo-me...
No descompasso do amor
Finjo ser, não sou
Sou, não finjo ser
No compasso da dor...
Ah, se eu pudesse...
Ah, se eu pudesse
Estar ao teu lado neste momento
Ouvir-te enquanto falas
Enquanto calas, buscando respostas
Se eu pudesse
Imergir contigo nas águas do silêncio
Sentir-te deveras introspectivo
Encontrando as respostas em teu coração
Ah, se eu pudesse
Estar ao teu lado neste momento
Para dizer-te o quanto és ESPECIAL
Dividir contigo a alegria de ser, de viver
Se eu pudesse
Emergir das águas da tua consciência
Mostrar-te, enfim, que não és casca
Não és sombra e nem pó... És FILHO da LUZ!
Ah, se eu pudesse...
SER, simplesmente, SER...
Trago no peito marcas,
Marcas das correntes
Armadilhas camufladas
De um passado hostil
Trago nos punhos marcas,
Marcas das algemas
Prisões impostas
Por uma sociedade vil
Trago na mente, crenças
No coração, preconceitos
Invisíveis cárceres
Por mim, aceitos sem questionar
Trago - carente - na alma
Minha criança interior
Sedenta de amor,
Liberdade e "Lar"
Sonhos? Distantes
Dores? Presentes
Amores? Ausentes
Esperança? Meu tudo, meu nada
Correntes, correntes... Algemas
Humanidade refém de si mesma,
Buscando a liberdade
Onde ela não está
E eu? Cansei...
Atalhos? Vou a lugar nenhum
Não, já não quero mais
Trilhar veredas comuns
Devolva-me...
Devolva-me o que me é de direito
Ser AMADO, ser ACEITO,
SER, simplesmente, SER
Não digo... Eu te amo!
Em ti, eu sou
Em mim, tu és
Somos nos elos imateriais
Que nos uniram ontem,
Nos fortalecem hoje
Nos guiarão amanhã
Não digo... Eu te amo!
Pois é pouco, muito pouco...
Diante do amor,
Amor incondicional que sinto por ti
