MEU (DES)CONHECIDO

Encontrados 4 pensamentos de MEU (DES)CONHECIDO

Amor, ainda que tardio

Gostaria de encher teu coração com todas as pétalas de minha alma.
Mas estou morrendo aos poucos, perdido em teus braços diáfanos.
E o que posso fazer agora! Senão te amar por inteiro, te desejar por agora?
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Sabia que o tempo perde o rumo quando você aparece? É óbvio que tu já sabias tudo isso, pois quando teus olhos fitaram os meus, paixão: o universo se formou.
Entretanto minha dor não vai embora, transformando-me num diabo imundo, cheio de credos e palavras falsas, num homem sem sonhos, numa pérfida solidão.
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Eis a hora, eis o momento de te coroar para sempre, eis o cálice de amor e sangue derramado por nossa fúria pálida, fosca, inocente.
E assim o poeta esgasga, clama chorosamente, ri de sua desgraça imediata, sabendo que lá... bem no fundo da vida, ainda há liberdade, juventude, e sobretudo amor, ainda que tardio.

MEU (DES)CONHECIDO

Hoje serei teu fogo!

Hoje serei teu fogo!
Queimarei ardente dentro de teu peito intumescido.
Sacrificarei minhas labaredas em nome de teu corpo complexo.
Quando a noite chegar... te transformarei em fogueira,
Apanharei todas as tuas cinzas majestosas,
Cultivarei as queimaduras que tuas chamas me presentearam;
Entrarei no teu caldeirão de amor sombrio,
E cantarei aos berros que sou seu fogaréu infinito,
A naúsea rebuscada de seu espírito.
Sim, amor!
Hoje serei teu fogo.

MEU (DES)CONHECIDO

Tua boca...

Tua boca...
Me leva aos mundos mais bonitos;
Me faz acreditar que todos um dia serão felizes,
Pois quando sinto o sabor de cereja e seiva,
De orvalho e cevada dos teus lábios:
Sinto a vida
ouço amores
Encho-me de alegrias pueris, festivas.

Enfim... sem tua boca seria mudo,
Um ser macambúzio,
Opaco e perdido em trevas!

E sabe por que amor?
Porque tua boca é o único e verdadeiro caminho para a luz.

MEU (DES)CONHECIDO

A dor, ela mesma

O que governa o mundo, senão a dor? Este anseio de se livrar do inesperado, de sentir no corpo ou na mente a rejeição de um amor não correspondido, de uma carta não respondida, de um grosseiro tapa que parece fremir dentro de nossos corações despedaçados, humilhados, jogados contra um vento teimoso, pueril, capaz de nos tornar prisioneiros quando estamos livres, libertados de um sistema excruciante e frio, agasalhados em casacos feitos de peles de animais, que infelizmente também sentiram em seus corpos e espíritos a dor, ela mesma, ela sempre, dona das chaves que regem o mundo, senhora absoluta dos encontros fugazes, dos comprimidos para depressão que tomamos nos dias de chuva, absoluta rainha daqueles que clamam por paz, amor, respeito, e temperança.
Ah! Mas viver sem ela é impossível! Afinal o que seria dos poetas, dos filósofos, dos hermeneutas ou até mesmo dos loucos se a dor não existisse, se fosse apenas uma invenção de nossas cabeças ensandecidas?
Por isso não importa onde andas, com quem falas ou onde tombas, pois tudo que pensas é dor e tudo que amarás será dor.

MEU (DES)CONHECIDO