João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
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Cantadas Desafinadas II
- Vamos pegar um cineminha hoje, meu anjo?
- Vamos. Eu pego a sessão das duas e você, a sessão da oito, ok?
- Vamos dançar?
- Vamos. Com quem?
- Você bebe?
- Bebia, agora não posso mais, por causa do coquetel contra a AIDS.
- Alguém já lhe disse que você é super linda?
- Muita gente, e alguém já lhe disse que você precisa usar um bom desodorante?
- Quer uma carona?
- Não de você, com essa carona feia...
- Você mora por aqui, minha santa?
- Não, moro lá na Conchinchina, do outro lado do mundo, e já estou indo prá lá.
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
Cantadas Desafinadas III
- Oi, vamos tomar uma bebida?
- Vamos, eu tomo uma cerveja e você toma um chá de sumiço, certo?
- Você pode me dar o número do seu telefone, benzinho?
- Claro, anota aí: 0000-0000.
- Quer ser minha namorada, bela?
- Ah, não posso, eu já tenho uma.
- Hum, você pra ser um anjo só faltam asas!
- Irra, e você pra ser um chato só faltam penas!
- Quer dar uma voltinha, mocinha?
- Quero. O senhor trouxe o seu andador, vovô?
- Ai, eu posso te beijar, sonho meu?
- Pode, mas primeiro volta lá pra sua casa e escova os dentes, tá?
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
EPITÁFIOS
Do encanador:
Achei a vida uma merda!
Do narcisista:
Que grande artista o mundo irá perder!
Do paranóico:
Por que eu, por que sempre eu?
Do tarado:
Devia ter trepado mais, ter transado mais...
Do misantropo:
Enfim só.
Do trombonista:
Aqui jazz...
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
Acho que esse negócio de ter carro importado, comer só filé mignon e caviar e morar em mansão é coisa de jeca, gente de classe mesmo anda a pé, de ônibus, come arroz e feijão e mora até em casa pop.
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
10 DICAS PARA, ATÉ VOCÊ, ESCREVER UM AUTÊNTICO(?) POEMA MODERNO:
1) Use e abuse das metáforas,
2) Use e abuse da falta de lógica e do hermetismo. Quanto mais incompreensíveis forem seus versos, de mais qualidade parecerão, pelo menos aos críticos,
3) Use e abuse de palavras que poucos conhecem os significados. Isso dará ao leitor a impressão de que você é mais inteligente do que ele,
4) Se você não tem muita fluência verbal, não se preocupe, escreva somente haikais, poetrix, flash-poemas, poesias de duas palavras só, ou mesmo trovinhas, e morra insistindo que a síntese é muito mais eloqüente do que a verborragia poética,
5) Se você não tem muita imaginação, também não esquente, pesque palavras ou mesmo, com cuidado, versos inteiros de poetas alheios,
6) Ou escreva várias palavras em diversos papéis, aí jogue-os pra cima. Quando caírem, componha seu "poema" na exata ordem que os termos aparecerem,
7) Ou, anote tudo o que o seu sobrinho de dois anos fala durante dois minutos,
8) Insira, estrategicamente, chavões como: amada, flor, estrela, caminho, sonho, encanto, etc, senão você corre o sério risco de sua "obra" parecer mais uma bula ou lista de compras do que poesia.
9) Quanto ao título, de preferência escolha um que nada tem a ver com seu "poema",
10) E, lembre-se, nunca, mas nunca mesmo, "decifre" (se é que você conseguiria) o significado dos seu versos. Se alguém insistir muito, responda como Mário Quintana: - E aquela nuvem, o que significa?
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR