João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
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Microconto
Rosa está sempre na varanda.
Enfeitando a rua.
Sob a luz da lua.
Rosa, a cada beijo, renasce mais bela.
Invejada por palmas, azaléias.
Odiada por Marias e Florindas.
Enfeitiçando Jacintos.
Enlouquecendo jasmins.
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
MUSA
Que seja minha musa essa mulher
Que sonho sempre linda e prestimosa
Que de dia me xinga e à noite goza
Essa mulher que qualquer homem quer.
Que seja pro que der e o que vier
Que seja recatada e escandalosa
Que rescenda mais a alho do que a rosa
Que seja menos musa e mais mulher.
Que seja a mais sublime criatura
Que vejo em qualquer rua de Londrina
Mas que resida lá na Conchinchina
Que ela seja uma dama... sem frescuras
Que ela soe como um verso e uma piada
E que nunca, jamais, seja encontrada.
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR
Soneto do Desempregado
Em que merda eu estou, meu amor,
Pra te pagar uma coca-cola
Quase tenho que pedir esmola,
E olhe que eu tenho o curso superior!
Procuro trampo seja do que for:
Seja de coveiro, de pegador de bola,
Seja de desentortador de mola,
De puxa-saco ou gigolô...
Aceito qualquer coisa, amada,
Aceito ser vendedor de enciclopédia,
Damo-de-companhia ou quebrador de pedra,
Aceito ser cobaia, limpador de privada,
Degustador de café, caninha,
Experimentador de camisinha...
João Batista dos Santos - Rua Amapá - LondrinaPR